Apostila gratuita · 23 páginas

Ofidismo: acidentes botrópico, laquético, crotálico e elapídico, classificação de gravidade e soroterapia

Fosseta loreal, cauda e falsas corais, as ações de cada veneno, o tempo de coagulação, a classificação do botrópico por segmentos do membro, a síndrome vagal do laquético, a fácies miastênica e a IRA do crotálico, a neurotoxicidade pura da coral e o teste da neostigmina, as doses de soro pela gravidade e as condutas que não se fazem. Seis questões comentadas, entre elas UFRJ/RJ 2023 e UFG/GO 2025.

PDF de 3,1 MB. Gratuito.

Capa da apostila Ofidismo: síndromes clínicas, diagnóstico e tratamento essencial em um tablet
Formato
Apostila · 23 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Toxicologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de ofidismo cobre

Da identificação da serpente à dose do soro, com as quatro síndromes que a banca cobra.

  • Quatro síndromes, quatro soros

    SABR no botrópico com 3, 6 ou 12 ampolas, SABL no laquético com 10 ou 20, SAC ou SABC no crotálico com 5, 10 ou 20 e SAELA no elapídico com 5 ou 10.

  • Gravidade por segmentos do membro

    No botrópico, o membro é dividido em três segmentos e a extensão de dor e edema, somada a choque, IRA ou hemorragia grave, define leve, moderado ou grave.

  • Questões comentadas com gabarito

    UFCG/PB 2014, HSD/MA 2020, HIAE/SP 2021, UFRJ/RJ 2023 e UFG/GO 2025, sobre síndrome vagal, crotálico, coral, primeiros socorros e IRA, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 23 páginas

Da identificação da serpente às condutas incorretas, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela das quatro síndromes
  2. 02Epidemiologia dos acidentes ofídicos
  3. 03Identificação das serpentes: fosseta loreal, cauda e falsas corais
  4. 04Acidente botrópico: síndrome local e coagulopatia
  5. 05Classificação de gravidade e tratamento do botrópico
  6. 06Questão estratégica: complicações do acidente botrópico
  7. 07Acidente laquético: o quadro botrópico com síndrome vagal
  8. 08Questão estratégica: a síndrome vagal
  9. 09Classificação de gravidade e soro do laquético
  10. 10Acidente crotálico: síndrome miastênica e miotoxicidade
  11. 11Classificação de gravidade, IRA e rabdomiólise no crotálico
  12. 12Questões estratégicas: diagnóstico diferencial e IRA no crotálico
  13. 13Acidente elapídico: neurotoxicidade pura
  14. 14Classificação, soro e teste da neostigmina no elapídico
  15. 15Questão estratégica: diferenciação da neurotoxicidade
  16. 16Princípios da soroterapia: doses e via
  17. 17Condutas incorretas: o que não fazer
  18. 18Questão estratégica: primeiros socorros
  19. 19Resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Ofidismo: síndromes clínicas, diagnóstico e tratamento essencial
Página da apostila: o resumo em 1 minuto das quatro síndromes, com o quadro de cada uma, o soro indicado e a regra de que a dose segue a gravidade.

O que é acidente ofídico?

Acidente ofídico é o envenenamento pela picada de serpente peçonhenta. No Brasil, a fauna de interesse médico se resume a quatro gêneros e quatro síndromes clínicas: botrópica (Bothrops, a jararaca), laquética (Lachesis, a surucucu), crotálica (Crotalus, a cascavel) e elapídica (Micrurus, a coral verdadeira). O diagnóstico é primariamente clínico, e o tratamento específico é o soro antiveneno, na dose definida pela gravidade.

O acidente botrópico é, de longe, o mais frequente. Os acidentes predominam na população rural, em homens na faixa economicamente ativa, e a maior parte das picadas atinge pés e pernas. Os três gêneros da família Viperidae têm fosseta loreal, um orifício entre o olho e a narina; a coral verdadeira não tem, e as falsas corais imitam sua coloração, por isso o acidente elapídico se diagnostica pela clínica.

Cada veneno define um quadro. O botrópico é proteolítico, coagulante e hemorrágico: dor, edema progressivo, bolhas e sangue incoagulável. O laquético repete esse quadro e acrescenta a síndrome vagal. O crotálico é neurotóxico, miotóxico e coagulante, com pouca dor local, fácies miastênica, mialgia e urina escura. O elapídico é neurotóxico puro, com risco de paralisia respiratória.

A dose do soro é a mesma para adultos e crianças, independentemente do peso, e se baseia apenas na gravidade clínica. A via preferencial é a intravenosa, e torniquete e corte no local da picada são contraindicados.

Comparativo

As quatro síndromes do acidente ofídico e o soro de cada uma

Ação do veneno, quadro clínico e soroterapia mudam com o gênero. A tabela junta o que a apostila usa para diferenciar e tratar.

Ações do veneno, quadro que define cada acidente ofídico e soro com o número de ampolas por gravidade. Fonte: apostila Med-Review R1, “Ofidismo”.
AcidenteAções do venenoQuadro que defineSoro e ampolas
Botrópico (jararaca)Proteolítica, coagulante e hemorrágicaDor, edema progressivo, bolhas, sangramento e tempo de coagulação alteradoSABR: 3 no leve, 6 no moderado e 12 no grave
Laquético (surucucu)Proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica vagalQuadro botrópico-símile com hipotensão, bradicardia, diarreia e cólicasSABL: 10 no moderado e 20 no grave; não existe forma leve
Crotálico (cascavel)Neurotóxica, miotóxica e coagulante discretaPouca dor local, fácies miastênica, mialgia e urina escuraSAC ou SABC: 5 no leve, 10 no moderado e 20 no grave
Elapídico (coral verdadeira)Neurotóxica puraPtose, oftalmoplegia, disfagia e risco de paralisia respiratóriaSAELA: 5 no moderado e 10 no grave

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como reconhecer e tratar o acidente ofídico, passo a passo

O raciocínio da apostila, do local do acidente à prevenção da IRA e da paralisia respiratória.

  1. Faça os primeiros socorros sem erro

    Remova o paciente do perigo, limpe o local com água e sabão, eleve o membro, retire anéis e pulseiras e transporte rápido para o serviço de referência. Não faça torniquete, não corte nem perfure o local e não aplique pó de café, querosene, álcool ou plantas. Não se recomenda capturar ou matar a serpente; fotografe a distância segura.

  2. Identifique a família, se a serpente foi vista

    Fosseta loreal presente indica Viperidae: Bothrops com cauda lisa, Crotalus com guizo e Lachesis com escamas eriçadas. A coral verdadeira não tem fosseta loreal, mas as falsas corais também não, e a coloração pode ser idêntica: o acidente elapídico se confirma pela clínica.

  3. Leia a síndrome clínica

    Quadro local exuberante com coagulopatia aponta para o botrópico; o mesmo quadro com hipotensão, bradicardia e diarreia, para o laquético. Pouca dor com ptose, diplopia, mialgia e urina escura é crotálico; neurotoxicidade sem miotoxicidade é elapídico. O tempo de coagulação fica prolongado acima de 10 minutos e incoagulável acima de 30.

  4. Classifique a gravidade

    No botrópico, conte os segmentos do membro com dor e edema: um é leve, dois é moderado, três ou choque, IRA ou hemorragia grave é grave. Todo laquético é ao menos moderado. No crotálico, a IRA define o grave; no elapídico, ptose e queda de força sem paralisia são moderado, e paralisia evidente, disfagia e respiração superficial são grave.

  5. Dê o soro cedo, pela gravidade

    Via intravenosa, ou intraóssea sem acesso venoso oportuno, na mesma dose para adulto e criança, mesmo após alimentação e sem pré-medicação com anti-histamínico ou corticoide. No botrópico, se o tempo de coagulação continuar alterado 24 horas depois do soro, dê mais duas ampolas.

  6. Previna as complicações

    No crotálico, hidrate para manter fluxo urinário de 1 a 2 mL/kg/h na criança e 30 a 40 mL/h no adulto e alcalinize a urina com bicarbonato até pH acima de 6,5. No elapídico, priorize o suporte ventilatório e, no veneno pós-sináptico, faça o teste da neostigmina, sempre precedida de atropina. No botrópico, antibiótico só com infecção local.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre ofidismo na prova

Como identificar a picada de cobra?

Pela clínica, que separa as quatro síndromes: dor, edema e sangramento no botrópico, o mesmo quadro com síndrome vagal no laquético, pouca dor com ptose, mialgia e urina escura no crotálico e neurotoxicidade pura no elapídico. Se a serpente foi vista, a fosseta loreal separa as Viperidae da coral verdadeira, e a cauda ajuda: lisa na jararaca, com guizo na cascavel e eriçada na surucucu.

O que fazer em caso de picada de cobra?

Remover o paciente da área de perigo, limpar o local com água e sabão, elevar o membro, retirar anéis e pulseiras e levá-lo rápido ao serviço que faz soroterapia. Torniquete, corte ou perfuração do local e substâncias como pó de café, querosene ou álcool pioram o quadro e aumentam o risco de infecção, necrose e síndrome compartimental.

O que é soro antiofídico?

É o soro antiveneno, feito de imunoglobulinas heterólogas, em geral de origem equina, que neutralizam o veneno circulante. Deve ser dado o mais cedo possível, de preferência por via intravenosa, e a dose depende só da gravidade clínica, igual para adulto e criança. Reações de hipersensibilidade são cada vez mais raras, e a pré-medicação com anti-histamínico ou corticoide não é preconizada.

O soro antiofídico serve para todas as cobras?

Cada síndrome tem seu soro. O botrópico usa o antibotrópico (SABR), e o laquético, o antibotrópico-laquético (SABL). O crotálico usa o anticrotálico (SAC) ou o antibotrópico-crotálico (SABC), e o elapídico, o antielapídico (SAELA). Por isso a identificação da síndrome clínica orienta a escolha do antiveneno.

Picada de cascavel mata?

Pode matar: o acidente crotálico é o segundo mais letal, embora responda por uma parcela pequena dos acidentes ofídicos. A principal complicação e causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, consequência da rabdomiólise, e a segunda complicação mais frequente é a insuficiência respiratória. Por isso, além do soro, a prioridade é prevenir a IRA com hidratação e alcalinização da urina.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Stephanie Lahat

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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