Obstrução simples, estrangulada e em alça fechada, bridas e diretrizes de Bologna, tríade de Rigler, volvo de sigmoide e de ceco, síndrome de Ogilvie, íleo paralítico e fecaloma. Questões ENARE 2022, HCPA 2023, USP-SP 2024 e ENARE 2025 comentadas.
PDF de 2,7 MB. Gratuito.

Para que serve
A obstrução mecânica do delgado e do cólon e as obstruções funcionais, com o que separa conduta clínica de cirurgia.
Os sinais que tiram o paciente do tratamento conservador: dor que passa de cólica a contínua, taquicardia, febre, leucocitose e irritação peritoneal. Volvo, hérnia encarcerada e tumor com válvula ileocecal competente fecham alça.
Bridas e hérnias no delgado, câncer colorretal e volvo no cólon, com clínica, raio-X e conduta inicial de cada lado, além dos critérios de Bologna para indicar cirurgia nas bridas.
ENARE 2022 (etiologia), HCPA 2023 (obstrução alta), USP-SP 2024 (por que fazer Hartmann) e ENARE 2025 (síndrome de Ogilvie), com a análise de cada alternativa.
Sumário
Do delgado ao cólon e às obstruções funcionais, na ordem da apostila.
No abdome agudo obstrutivo, a obstrução alta (delgado) cursa com dor em cólica, vômitos precoces, distensão central e empilhamento de moedas no raio-X, e a causa principal são as bridas. A obstrução baixa (cólon) tem vômitos tardios, distensão periférica com haustrações e é câncer colorretal até prova em contrário.
O intestino delgado responde por cerca de 80% das obstruções mecânicas. Bridas causam mais da metade dos casos e hérnias, 15 a 20%; com cicatriz abdominal, pense em brida; com abdome virgem, a hérnia passa a ser a causa número 1, e a região inguinal tem de ser examinada em todo paciente obstruído. No cólon, o câncer colorretal responde por 60% e os volvos, por 15-20%.
A mortalidade sobe de 2% na obstrução simples para até 30% na estrangulada, e a isquemia ocorre em 7 a 42% dos casos. Dor que passa de cólica a contínua, taquicardia (geralmente o primeiro sinal), febre, leucocitose e irritação peritoneal indicam estrangulamento e cirurgia imediata. Na alça fechada, o paciente distende rápido e vomita pouco.
Nas bridas, o tratamento não operatório (jejum, SNG, hidratação e correção eletrolítica) funciona em 70% a 90% dos pacientes. Pelas diretrizes de Bologna, o limite é de 72 horas, e o contraste hidrossolúvel que não chega ao cólon em 24h sugere cirurgia. Na tomografia, alça fechada, líquido livre e edema mesentérico indicam pior prognóstico.
Volvo de sigmoide e de ceco têm condutas opostas. No sigmoide, sem peritonite, a descompressão endoscópica é a conduta inicial e serve de ponte para a sigmoidectomia na mesma internação, porque a recidiva passa de 50%. O volvo de ceco não aceita descompressão endoscópica (sucesso abaixo de 5%) e vai para colectomia direita com anastomose primária.
Comparativo
As diferenças que as bancas cobram nas obstruções mecânicas, da causa à conduta inicial.
| Característica | Intestino delgado | Intestino grosso |
|---|---|---|
| Causa principal | Bridas (mais da metade dos casos) | Câncer colorretal (60%) |
| Outras causas | Hérnias (2ª) e tumores (3ª) | Volvo (2ª) e diverticulite (3ª) |
| Clínica típica | Dor em cólica, vômitos precoces, distensão central | Obstipação, vômitos tardios, grande distensão periférica |
| Raio-X | Empilhamento de moedas (válvulas coniventes), níveis hidroaéreos em escada, cólon sem gás | Alças periféricas e haustrações (pregas incompletas) |
| Sinal de alarme | Estrangulamento: dor contínua, febre, taquicardia, leucocitose | Isquemia ou perfuração, sobretudo no ceco |
| Conduta inicial | Conservadora nas bridas: jejum, SNG e hidratação | Frequentemente cirúrgica ou descompressiva |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do pronto-socorro à decisão cirúrgica.
Na obstrução simples o sangue continua chegando, e há tempo para exames e tratamento conservador. Dor contínua, taquicardia, febre, leucocitose e irritação peritoneal indicam estrangulamento e cirurgia imediata. Volvo e hérnia encarcerada fecham alça; no volvo de sigmoide sem peritonite, a conduta inicial é a descompressão endoscópica.
Vômitos precoces e distensão central apontam para o delgado; vômitos tardios e distensão periférica, para o cólon. Cicatriz abdominal sugere brida; abdome virgem, hérnia; quadro arrastado com perda de peso e sangramento, câncer colorretal.
No delgado, empilhamento de moedas, níveis hidroaéreos em escada e cólon sem gás. No volvo de sigmoide, grão de café ou U invertido apontando para o quadrante superior direito. Gás no reto sugere íleo paralítico ou obstrução incompleta.
Jejum, sonda nasogástrica e hidratação venosa com correção eletrolítica. Pelas diretrizes de Bologna, o limite do tratamento não operatório é de 72 horas; contraste hidrossolúvel que não chega ao cólon em 24h indica cirurgia, a lise de bridas ou enterólise.
Sem peritonite, gangrena ou sepse, a descompressão endoscópica é a conduta inicial, seguida de sigmoidectomia eletiva na mesma internação. Com peritonite ou falha da descompressão, laparotomia; no paciente instável, Hartmann, a mesma lógica da questão USP-SP 2024 (obstrução de sigmoide com metástases hepáticas).
O ceco torce por falha de fixação, em pacientes de 30 a 50 anos, e aparece no raio-X como bolha de ar no epigástrio ou hipocôndrio esquerdo. A conduta é colectomia direita com anastomose primária; cecopexia isolada tem alta recidiva.
Dilatação maciça do cólon sem ponto de transição na TC, em paciente internado e grave, é síndrome de Ogilvie. Após 24-48h de medidas conservadoras, neostigmina com monitorização e atropina à cabeceira; depois, colonoscopia descompressiva; cirurgia na isquemia, na perfuração ou com ceco acima de 12 cm.
Perguntas frequentes
No delgado, bridas (aderências pós-operatórias), seguidas de hérnias e tumores; na questão ENARE 2022 da apostila, a resposta é aderências. No intestino grosso, câncer colorretal em 60% dos casos, seguido de volvos e de estenose por doença diverticular. A regra da apostila: obstrução alta, pense primeiro em bridas; obstrução baixa, pense primeiro em câncer.
São faixas fibrosas que ligam o intestino à parede abdominal ou a outra alça, formadas após agressão ao peritônio. A fibrina depositada nas primeiras 3 a 5 horas deixa de ser dissolvida quando há isquemia, infecção ou corpo estranho, e vira colágeno permanente. Cirurgias pélvicas e infraumbilicais e laparotomia aumentam o risco, e a obstrução pode surgir décadas depois.
Imediatamente se houver sinais de estrangulamento: febre, taquicardia, leucocitose, dor contínua ou peritonite. Fora disso, o tratamento não operatório tem limite de 72 horas pelas diretrizes de Bologna. Sinais de mau prognóstico: drenagem pela SNG acima de 500 ml no 3º dia, PCR acima de 75 mg/l com leucocitose, mais de 500 ml de líquido livre e contraste que não chega ao cólon em 24h.
É a torção do sigmoide sobre o próprio mesentério, uma obstrução em alça fechada. O perfil é dos 3 Cs: Chagas (megacólon chagásico), constipação crônica no idoso e paciente institucionalizado. No raio-X, uma alça gigante que nasce na pelve forma o sinal do grão de café ou do U invertido e aponta para o quadrante superior direito.
É a combinação de obstrução de delgado, pneumobilia e cálculo ectópico, vista no raio-X ou na TC. Um cálculo grande cria fístula colecistoduodenal e impacta na válvula ileocecal. A cirurgia é a enterolitotomia, com incisão longitudinal antimesentérica proximal ao cálculo, e todo o delgado deve ser revisado: em 10-15% dos casos há mais de uma pedra.
É a dilatação maciça e aguda do cólon, sobretudo ceco e cólon direito, sem obstrução mecânica, por desequilíbrio autonômico. Ocorre no pós-operatório ortopédico, em pacientes de UTI e na puérpera pós-cesárea. O tratamento escalona: medidas conservadoras, neostigmina (sucesso acima de 90%), colonoscopia descompressiva e cirurgia. É o gabarito da questão ENARE 2025 comentada na apostila.
Sim. Você preenche um formulário curto e recebe o PDF completo, sem custo e sem período de teste. Pedimos os dados para saber quem estuda com a gente e avisar quando sair material novo.
Não. A biblioteca é aberta a estudantes de Medicina e a médicos que vão prestar a prova de residência, com ou sem matrícula nos cursos da Med-Review.
Continue estudando
Onde aprofundar
Extensive R1: preparatório completo para a residência
Aulas, questões comentadas, flashcards e cronograma por banca no Planner Flow.
Quem ensina
Confira abaixo alguns dos professores especialistas que você vai encontrar no Extensive, o curso preparatório da Med-Review para a residência médica.

Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
Arraste para o lado para ver toda a equipe
31 páginas com bridas e Bologna, tríade de Rigler, volvo de sigmoide e de ceco, síndrome de Ogilvie e quatro questões comentadas, em PDF gratuito.
Preencha para liberar o download.
Carregando formulário…