Apostila gratuita · 31 páginas

Abdome agudo obstrutivo: do delgado ao cólon

Obstrução simples, estrangulada e em alça fechada, bridas e diretrizes de Bologna, tríade de Rigler, volvo de sigmoide e de ceco, síndrome de Ogilvie, íleo paralítico e fecaloma. Questões ENARE 2022, HCPA 2023, USP-SP 2024 e ENARE 2025 comentadas.

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Formato
Apostila · 31 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Abdome agudo
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de abdome agudo obstrutivo cobre

A obstrução mecânica do delgado e do cólon e as obstruções funcionais, com o que separa conduta clínica de cirurgia.

  • Simples, estrangulada e alça fechada

    Os sinais que tiram o paciente do tratamento conservador: dor que passa de cólica a contínua, taquicardia, febre, leucocitose e irritação peritoneal. Volvo, hérnia encarcerada e tumor com válvula ileocecal competente fecham alça.

  • Delgado e cólon lado a lado

    Bridas e hérnias no delgado, câncer colorretal e volvo no cólon, com clínica, raio-X e conduta inicial de cada lado, além dos critérios de Bologna para indicar cirurgia nas bridas.

  • Quatro questões comentadas

    ENARE 2022 (etiologia), HCPA 2023 (obstrução alta), USP-SP 2024 (por que fazer Hartmann) e ENARE 2025 (síndrome de Ogilvie), com a análise de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 31 páginas

Do delgado ao cólon e às obstruções funcionais, na ordem da apostila.

  1. 01O que mais cai em prova: obstrução de delgado x de intestino grosso
  2. 02Introdução: obstrução simples x estrangulada
  3. 03Como identificar o estrangulamento e a obstrução em alça fechada
  4. 04Obstrução de delgado: bridas, hérnias e íleo biliar (tríade de Rigler)
  5. 05Enterolitotomia no íleo biliar
  6. 06Fisiopatologia e fatores de risco das bridas
  7. 07Questão estratégica: etiologia da obstrução de delgado
  8. 08Diagnóstico por imagem: empilhamento de moedas e níveis em escada
  9. 09Conduta nas bridas: protocolo conservador e diretrizes de Bologna
  10. 10Tomografia de alerta e lise de bridas
  11. 11Questão estratégica: obstrução alta x baixa
  12. 12Obstrução de intestino grosso: câncer colorretal, volvos e diverticulite
  13. 13Volvo de sigmoide: perfil, grão de café e descompressão endoscópica
  14. 14Questão estratégica: cirurgia de Hartmann; volvo de ceco
  15. 15Síndrome de Ogilvie e neostigmina
  16. 16Íleo paralítico, fecaloma e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Abdome agudo obstrutivo: do delgado ao cólon
Página da apostila: conduta nas bridas, com o protocolo conservador e a tabela de mau prognóstico das diretrizes de Bologna.

Como diferenciar obstrução alta e baixa no abdome agudo obstrutivo?

No abdome agudo obstrutivo, a obstrução alta (delgado) cursa com dor em cólica, vômitos precoces, distensão central e empilhamento de moedas no raio-X, e a causa principal são as bridas. A obstrução baixa (cólon) tem vômitos tardios, distensão periférica com haustrações e é câncer colorretal até prova em contrário.

O intestino delgado responde por cerca de 80% das obstruções mecânicas. Bridas causam mais da metade dos casos e hérnias, 15 a 20%; com cicatriz abdominal, pense em brida; com abdome virgem, a hérnia passa a ser a causa número 1, e a região inguinal tem de ser examinada em todo paciente obstruído. No cólon, o câncer colorretal responde por 60% e os volvos, por 15-20%.

A mortalidade sobe de 2% na obstrução simples para até 30% na estrangulada, e a isquemia ocorre em 7 a 42% dos casos. Dor que passa de cólica a contínua, taquicardia (geralmente o primeiro sinal), febre, leucocitose e irritação peritoneal indicam estrangulamento e cirurgia imediata. Na alça fechada, o paciente distende rápido e vomita pouco.

Nas bridas, o tratamento não operatório (jejum, SNG, hidratação e correção eletrolítica) funciona em 70% a 90% dos pacientes. Pelas diretrizes de Bologna, o limite é de 72 horas, e o contraste hidrossolúvel que não chega ao cólon em 24h sugere cirurgia. Na tomografia, alça fechada, líquido livre e edema mesentérico indicam pior prognóstico.

Volvo de sigmoide e de ceco têm condutas opostas. No sigmoide, sem peritonite, a descompressão endoscópica é a conduta inicial e serve de ponte para a sigmoidectomia na mesma internação, porque a recidiva passa de 50%. O volvo de ceco não aceita descompressão endoscópica (sucesso abaixo de 5%) e vai para colectomia direita com anastomose primária.

Página da apostila Abdome agudo obstrutivo: do delgado ao cólon

Comparativo

Obstrução de delgado e de cólon lado a lado

As diferenças que as bancas cobram nas obstruções mecânicas, da causa à conduta inicial.

Diferenças entre obstrução de intestino delgado e de intestino grosso. Fonte: apostila Med-Review R1, “Abdome agudo obstrutivo: do delgado ao cólon”.
CaracterísticaIntestino delgadoIntestino grosso
Causa principalBridas (mais da metade dos casos)Câncer colorretal (60%)
Outras causasHérnias (2ª) e tumores (3ª)Volvo (2ª) e diverticulite (3ª)
Clínica típicaDor em cólica, vômitos precoces, distensão centralObstipação, vômitos tardios, grande distensão periférica
Raio-XEmpilhamento de moedas (válvulas coniventes), níveis hidroaéreos em escada, cólon sem gásAlças periféricas e haustrações (pregas incompletas)
Sinal de alarmeEstrangulamento: dor contínua, febre, taquicardia, leucocitoseIsquemia ou perfuração, sobretudo no ceco
Conduta inicialConservadora nas bridas: jejum, SNG e hidrataçãoFrequentemente cirúrgica ou descompressiva

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a obstrução intestinal, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do pronto-socorro à decisão cirúrgica.

  1. Separe simples de estrangulada

    Na obstrução simples o sangue continua chegando, e há tempo para exames e tratamento conservador. Dor contínua, taquicardia, febre, leucocitose e irritação peritoneal indicam estrangulamento e cirurgia imediata. Volvo e hérnia encarcerada fecham alça; no volvo de sigmoide sem peritonite, a conduta inicial é a descompressão endoscópica.

  2. Localize a altura da obstrução

    Vômitos precoces e distensão central apontam para o delgado; vômitos tardios e distensão periférica, para o cólon. Cicatriz abdominal sugere brida; abdome virgem, hérnia; quadro arrastado com perda de peso e sangramento, câncer colorretal.

  3. Leia o raio-X

    No delgado, empilhamento de moedas, níveis hidroaéreos em escada e cólon sem gás. No volvo de sigmoide, grão de café ou U invertido apontando para o quadrante superior direito. Gás no reto sugere íleo paralítico ou obstrução incompleta.

  4. Conduza as bridas com prazo

    Jejum, sonda nasogástrica e hidratação venosa com correção eletrolítica. Pelas diretrizes de Bologna, o limite do tratamento não operatório é de 72 horas; contraste hidrossolúvel que não chega ao cólon em 24h indica cirurgia, a lise de bridas ou enterólise.

  5. Descomprima o volvo de sigmoide

    Sem peritonite, gangrena ou sepse, a descompressão endoscópica é a conduta inicial, seguida de sigmoidectomia eletiva na mesma internação. Com peritonite ou falha da descompressão, laparotomia; no paciente instável, Hartmann, a mesma lógica da questão USP-SP 2024 (obstrução de sigmoide com metástases hepáticas).

  6. Opere o volvo de ceco

    O ceco torce por falha de fixação, em pacientes de 30 a 50 anos, e aparece no raio-X como bolha de ar no epigástrio ou hipocôndrio esquerdo. A conduta é colectomia direita com anastomose primária; cecopexia isolada tem alta recidiva.

  7. Exclua o mecânico antes da Ogilvie

    Dilatação maciça do cólon sem ponto de transição na TC, em paciente internado e grave, é síndrome de Ogilvie. Após 24-48h de medidas conservadoras, neostigmina com monitorização e atropina à cabeceira; depois, colonoscopia descompressiva; cirurgia na isquemia, na perfuração ou com ceco acima de 12 cm.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre abdome agudo obstrutivo na prova

Quais as principais causas de obstrução intestinal?

No delgado, bridas (aderências pós-operatórias), seguidas de hérnias e tumores; na questão ENARE 2022 da apostila, a resposta é aderências. No intestino grosso, câncer colorretal em 60% dos casos, seguido de volvos e de estenose por doença diverticular. A regra da apostila: obstrução alta, pense primeiro em bridas; obstrução baixa, pense primeiro em câncer.

O que são bridas intestinais?

São faixas fibrosas que ligam o intestino à parede abdominal ou a outra alça, formadas após agressão ao peritônio. A fibrina depositada nas primeiras 3 a 5 horas deixa de ser dissolvida quando há isquemia, infecção ou corpo estranho, e vira colágeno permanente. Cirurgias pélvicas e infraumbilicais e laparotomia aumentam o risco, e a obstrução pode surgir décadas depois.

Quando operar a obstrução intestinal por bridas?

Imediatamente se houver sinais de estrangulamento: febre, taquicardia, leucocitose, dor contínua ou peritonite. Fora disso, o tratamento não operatório tem limite de 72 horas pelas diretrizes de Bologna. Sinais de mau prognóstico: drenagem pela SNG acima de 500 ml no 3º dia, PCR acima de 75 mg/l com leucocitose, mais de 500 ml de líquido livre e contraste que não chega ao cólon em 24h.

O que é o volvo de sigmoide e como aparece no raio-X?

É a torção do sigmoide sobre o próprio mesentério, uma obstrução em alça fechada. O perfil é dos 3 Cs: Chagas (megacólon chagásico), constipação crônica no idoso e paciente institucionalizado. No raio-X, uma alça gigante que nasce na pelve forma o sinal do grão de café ou do U invertido e aponta para o quadrante superior direito.

O que é a tríade de Rigler no íleo biliar?

É a combinação de obstrução de delgado, pneumobilia e cálculo ectópico, vista no raio-X ou na TC. Um cálculo grande cria fístula colecistoduodenal e impacta na válvula ileocecal. A cirurgia é a enterolitotomia, com incisão longitudinal antimesentérica proximal ao cálculo, e todo o delgado deve ser revisado: em 10-15% dos casos há mais de uma pedra.

O que é a pseudo-obstrução colônica aguda (síndrome de Ogilvie)?

É a dilatação maciça e aguda do cólon, sobretudo ceco e cólon direito, sem obstrução mecânica, por desequilíbrio autonômico. Ocorre no pós-operatório ortopédico, em pacientes de UTI e na puérpera pós-cesárea. O tratamento escalona: medidas conservadoras, neostigmina (sucesso acima de 90%), colonoscopia descompressiva e cirurgia. É o gabarito da questão ENARE 2025 comentada na apostila.

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    Davi Khoury

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    Vitor Arienzo

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

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    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

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    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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