Tomografia com contraste, classificação de Hinchey modificada, regra dos 4 cm para drenar o abscesso, Hartmann ou anastomose primária, manejo sem antibiótico e cirurgia eletiva. Questões ENARE R3 CG 2021, IAMSPE 2021 e IAMSPE 2025 comentadas.
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Para que serve
Do diagnóstico pela tomografia à cirurgia eletiva, organizado pelo estágio de Hinchey.
Do estágio 0 ao IV, a definição tomográfica de cada estágio e o que ela significa no abdome: flegmão, abscesso pericólico, abscesso pélvico e peritonite purulenta ou fecal.
Tratamento clínico no Hinchey 0 e no abscesso abaixo de 4 cm, drenagem percutânea no abscesso maior e cirurgia de urgência no III e no IV, com Hartmann ou anastomose primária.
ENARE R3 CG 2021 (diagnóstico pela tomografia), IAMSPE 2025 (abscesso de 5,6 cm) e IAMSPE 2021 (indicação de cirurgia eletiva), com a análise de cada alternativa.
Sumário
Da fisiopatologia do pseudodivertículo à sigmoidectomia eletiva, na ordem da apostila.
A classificação de Hinchey modificada estadia a diverticulite aguda pelos achados da tomografia e define a conduta. Vai do estágio 0 (diverticulite leve clínica) ao Ia (inflamação pericólica ou flegmão), Ib (abscesso pericólico ou mesentérico), II (abscesso pélvico ou distante), III (peritonite purulenta generalizada) e IV (peritonite fecal generalizada).
O estadiamento depende da tomografia de abdome e pelve com contraste intravenoso, exame de escolha, com sensibilidade de 94% e especificidade de 99%. A densificação da gordura pericólica é o sinal mais sensível; somam-se espessamento da parede do cólon acima de 4 mm, divertículos e, nos estágios avançados, abscesso ou pneumoperitônio. Colonoscopia e enema opaco são proibidos na fase aguda.
A primeira divisão é entre não complicada (75% dos casos), com inflamação restrita à parede, e complicada (25%). As complicações são abscesso, a mais comum, perfuração livre com peritonite, fístula, sendo a colovesical a mais frequente, e obstrução. Mortalidade e risco de perfuração livre são maiores no primeiro episódio, porque ainda não há fibrose para bloquear a perfuração.
Bolhas de ar pericólicas contidas pelo flegmão são microperfuração (Hinchey I) e respondem bem ao antibiótico. Ar livre subdiafragmático ou líquido livre espalhado indicam peritonite difusa (Hinchey III ou IV) e cirurgia de emergência. No abscesso, o tamanho decide: abaixo de 4 cm, antibiótico venoso; a partir de 4 cm, drenagem percutânea guiada por TC ou USG mais antibiótico.
No Hinchey III e IV, o cirurgião resseca o sigmoide e decide entre Hartmann e anastomose primária pela estabilidade e pela contaminação. Hartmann (colostomia terminal e fechamento do coto retal) é a escolha no instável; 40 a 50% dos pacientes nunca revertem a colostomia. No estável, a anastomose primária, muitas vezes com ileostomia de proteção, evita a colostomia definitiva.
Comparativo
A classificação da diverticulite pela tomografia, com a conduta que a apostila associa a cada estágio.
| Estágio | Definição tomográfica | Conduta |
|---|---|---|
| 0 | Diverticulite leve clínica: inflamação parietal, sem coleção | Sintomáticos e dieta líquida; sem antibiótico no paciente selecionado, ambulatorial |
| Ia | Inflamação pericólica ou flegmão, com ar pericólico em bolhas, sem abscesso | Tratamento clínico; ambulatorial se cumprir o checklist de segurança |
| Ib | Abscesso pericólico ou mesentérico, bloqueado ao lado do sigmoide | < 4 cm: antibiótico venoso; ≥ 4 cm: drenagem percutânea e antibiótico |
| II | Abscesso pélvico ou distante (fundo de saco ou retroperitônio) | Drenagem percutânea guiada por TC ou USG e antibiótico |
| III | Peritonite purulenta generalizada, sem fezes na cavidade | Cirurgia de urgência: sigmoidectomia, com anastomose primária no estável |
| IV | Peritonite fecal generalizada | Cirurgia de urgência: Hartmann, padrão no Hinchey IV e no paciente instável |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
Do paciente com dor na fossa ilíaca esquerda à decisão sobre cirurgia eletiva.
Paciente idoso com dor contínua em fossa ilíaca esquerda e febre: o sigmoide é o segmento mais acometido. Constipação aparece em cerca de 50% dos casos, diarreia em 25 a 35%, e sintomas urinários em 10 a 15%, por cistite simpática com leucocitúria estéril.
A tomografia de abdome e pelve com contraste intravenoso confirma, exclui diagnósticos diferenciais e estadia. Colonoscopia na fase aguda pode perfurar o cólon inflamado e transformar uma infecção contida em peritonite fecal difusa.
Defina o estágio pela imagem: 0 e Ia sem abscesso, Ib com abscesso pericólico, II com abscesso pélvico ou distante, III com peritonite purulenta e IV com peritonite fecal. Diferencie microperfuração contida de pneumoperitônio.
Ambulatório só na doença não complicada (Hinchey 0/Ia), em paciente imunocompetente que tolera a via oral. Interne quem tem doença complicada, sepse, dor refratária, vômitos, idade ≥ 70 anos, imunossupressão ou falha do tratamento em casa após 48-72h.
Hinchey 0 selecionado: analgesia e dieta líquida, sem antibiótico de rotina. Ia e abscesso abaixo de 4 cm: repouso intestinal, antibiótico contra Gram-negativos e anaeróbios e analgesia. Abscesso de 4 cm ou mais: drenagem percutânea e antibiótico, que resolvem cerca de 80% dos casos. Hinchey III e IV: cirurgia de urgência.
Na peritonite difusa, o binômio estabilidade do paciente e grau de contaminação decide. Instável ou com muita contaminação: Hartmann. Estável: sigmoidectomia com anastomose primária, muitas vezes com ileostomia de proteção, mais simples de fechar depois.
Colonoscopia 6 a 8 semanas após a crise para excluir câncer colorretal. Cirurgia eletiva para complicação prévia, sintomas crônicos (smoldering) ou imunossupressão, 10 a 12 semanas após o episódio; o número de crises não complicadas não a indica.
Perguntas frequentes
É a diverticulite em que a microperfuração evolui e a contenção falha, cerca de 25% dos casos. As quatro complicações são abscesso, a mais comum, perfuração livre com peritonite purulenta ou fecal, fístula, sendo a colovesical a mais frequente, seguida da colovaginal, e obstrução, aguda por edema ou crônica por fibrose. Qualquer uma delas muda o estadiamento e obriga a internação.
Pela regra dos 4 cm. Abscesso abaixo de 4 cm responde ao antibiótico venoso isolado. A partir de 4 cm, em paciente estável, a conduta é drenagem percutânea guiada por TC ou USG mais antibiótico. Na questão IAMSPE 2025 da apostila, coleção de 5,6 cm sem pneumoperitônio leva à drenagem, gabarito A. Sem janela radiológica para a agulha, a conduta passa a ser cirúrgica.
O cólon inflamado é friável, e a insuflação de ar aumenta a pressão intraluminal e pode romper o divertículo, transformando uma infecção contida em peritonite fecal difusa. A colonoscopia é agendada 6 a 8 semanas após a resolução dos sintomas para excluir câncer colorretal e estenose, porque 3-5% das diverticulites na TC são carcinomas ocultos.
No Hinchey 0 comprovado por TC, em paciente imunocompetente, com sintomas leves a moderados, sem sinais de sepse e com bom suporte social. A apostila cita os estudos AVOD e DIABOLO: nesse grupo, o antibiótico não acelerou a recuperação nem evitou complicações ou cirurgia. A conduta é analgesia e dieta líquida, com orientações de alarme.
Cobertura de Gram-negativos e anaeróbios: ciprofloxacino com metronidazol ou ceftriaxona com metronidazol, e piperacilina-tazobactam em monoterapia nos casos mais graves. Na prescrição de enfermaria para Hinchey I da apostila, ceftriaxona 1 g EV de 12/12h e metronidazol 500 mg EV de 8/8h, com dieta líquida sem resíduos e analgesia.
Em três grupos: complicação prévia (fístula, estenose, peritonite tratada com conduta conservadora ou drenagem), sintomas crônicos por mais de 6 semanas (smoldering diverticulitis) e imunossuprimidos. Idade e número de episódios não complicados não indicam cirurgia. Na questão IAMSPE 2021, a resposta é dor persistente entre as crises. A sigmoidectomia é feita 10 a 12 semanas após o episódio, com colonoscopia antes.
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