Anatomia do triângulo de Hesselbach e dos trígonos da VLP, classificações de Nyhus e EHS, manobra de Taxe, Lichtenstein, Shouldice e McVay, TEP vs. TAPP e inguinodinia. Quatro questões comentadas: HSL 2024, IAMSPE 2022 e duas da equipe Med-Review.
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Para que serve
O tema recortado pelo que as bancas de residência cobram: anatomia, classificação, conduta na urgência e escolha da técnica.
Nyhus do tipo I ao IV, a classificação mais cobrada nas provas brasileiras, e a EHS, feita no intraoperatório por localização, tamanho do defeito e recidiva.
A apostila traz a conduta dos guidelines mais recentes: a tela de polipropileno não é contraindicada na hernioplastia inguinal de urgência com estrangulamento de alça.
HSL 2024 e IAMSPE 2022, mais duas questões autorais da equipe Med-Review, resolvidas dentro do conteúdo, alternativa por alternativa.
Sumário
Da anatomia da virilha à escolha da técnica e ao manejo das complicações do pós-operatório.
A classificação de Nyhus, de 1991, organiza as hérnias da região inguinocrural pela anatomia do anel inguinal profundo, pela integridade da parede posterior e pela recidiva. Tipo I: indireta com anel interno preservado. Tipo II: indireta com anel dilatado (acima de 2 cm). Tipo III: fraqueza da parede posterior (A direta, B indireta, C femoral). Tipo IV: recidiva.
A apostila trata Nyhus como o clássico de prova, a classificação mais cobrada nos concursos médicos do Brasil. Na tabela de abertura, a pegadinha apontada é confundir o IIIA, que é a direta, com o IIIB, a indireta com destruição do anel ou da parede posterior, ou mista em pantalona. Qualquer recidiva é tipo IV: A direta, B indireta, C femoral e D mista.
A EHS entra como a tendência atual, adotada pelas bancas alinhadas às diretrizes internacionais. Usa três parâmetros do intraoperatório: localização M (direta), L (indireta) ou F (femoral); tamanho 1 (menos de 1,5 cm), 2 (1,5 a 3 cm) ou 3 (mais de 3 cm); e P ou R, primária ou recidivada. Uma direta primária de 2 cm é M2P.
Para classificar, você precisa separar direta de indireta. O triângulo de Hesselbach tem como limites a borda lateral do reto abdominal (medial), os vasos epigástricos inferiores (superolateral) e o ligamento inguinal (inferior). A direta sai medial aos vasos, dentro do triângulo; a indireta entra pelo anel inguinal profundo, lateral a eles.
A indireta é a hérnia mais comum em qualquer sexo e idade, inclusive na mulher, embora 70% a 80% das femorais ocorram no sexo feminino. A femoral tem o maior risco de encarceramento e estrangulamento, até 30% a 40%, pelo anel rígido: ligamento de Cooper, ligamento lacunar e veia femoral. Por isso não aceita watchful waiting.
Comparativo
Perfil, anatomia, mecanismo, exame físico, classificação e conduta na hérnia assintomática, tipo por tipo.
| Critério | Indireta | Direta | Femoral |
|---|---|---|---|
| Perfil típico | Jovens e adultos; a mais comum em homens e mulheres | Idosos | Mulheres (70% a 80% dos casos); no padrão de prova, a mulher idosa |
| Relação anatômica | Lateral aos vasos epigástricos inferiores; entra pelo anel inguinal profundo | Medial aos vasos epigástricos, dentro do triângulo de Hesselbach | Inferior ao ligamento inguinal; anel rígido (Cooper, lacunar, veia femoral) |
| Mecanismo | Conduto peritoneovaginal patente | Fraqueza adquirida da fáscia transversal | Fraqueza da região femoral |
| Exame físico | Massa toca a ponta do dedo (Landivar) | Massa empurra a polpa do dedo (Landivar); raramente inguinoescrotal | Massa dolorosa na raiz da coxa, abaixo do ligamento inguinal |
| Nyhus | I (anel preservado), II (anel acima de 2 cm) ou IIIB | IIIA | IIIC |
| EHS | L | M | F |
| Hérnia assintomática | Watchful waiting possível no alto risco cirúrgico | Watchful waiting possível no alto risco cirúrgico | Cirurgia eletiva sempre (risco de encarcerar ou estrangular até 30% a 40%) |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
Do consultório ao pós-operatório, na ordem em que a apostila ensina.
Faça inspeção e palpação dinâmicas com Valsalva, invaginando o escroto até o anel superficial. Na manobra de Landivar, massa que toca a ponta do dedo vem do anel profundo (indireta); massa que empurra a polpa vem da parede posterior (direta).
O diagnóstico é clínico. A USG com Valsalva é o exame inicial na dúvida diagnóstica, na dor inguinal sem massa palpável e no obeso. TC ou RM de pelve ficam para a USG inconclusiva, como na pubalgia e na hérnia do esporte.
Hérnia inguinal assintomática ou pouco sintomática em paciente de alto risco cirúrgico aceita watchful waiting: cerca de 70% ficam sintomáticos e precisam de cirurgia em 5 a 10 anos, sem aumento de complicações graves. A femoral fica fora dessa regra e tem cirurgia eletiva sempre indicada.
Taxe só em encarceramento recente, com menos de 6 horas, sem hiperemia, com paciente afebril e estável e abdome indolor. Analgesia, Trendelenburg, flexão da coxa e compressão suave e constante do saco em direção ao anel. Se reduzir, observe por algumas horas e dê alta com cirurgia eletiva prioritária.
Hiperemia, febre, taquicardia, leucocitose, peritonite ou encarceramento há mais de 6 horas contraindicam a Taxe. Sem peritonite generalizada, a via é a inguinotomia: apreenda a alça antes de cortar o anel; viável volta à cavidade, necrosada exige enterectomia com anastomose primária. Pelos guidelines recentes, o estrangulamento não contraindica a tela de polipropileno.
Primária unilateral por via aberta: Lichtenstein, com a tela ultrapassando o tubérculo púbico em 1,5 a 2 cm. Quando não se pode usar tela, Shouldice; femoral aberta sem tela, McVay. Bilateral ou recidiva de cirurgia aberta: videolaparoscopia. Recidiva após vídeo volta para a via aberta.
Inguinodinia crônica é dor por mais de 3 meses após a hernioplastia. Na via aberta, o nervo mais lesado é o ilioinguinal; na VLP, o cutâneo femoral lateral. A escada vai de analgésicos, AINE e neuromoduladores a bloqueio com corticoide e, se refratária, neurectomia ou retirada de tela e grampos.
Perguntas frequentes
A referência são os vasos epigástricos inferiores. A direta sai medial a eles, dentro do triângulo de Hesselbach, por fraqueza da fáscia transversal, e é típica do idoso. A indireta sai lateral aos vasos, pelo anel inguinal profundo, por patência do conduto peritoneovaginal, e é típica do jovem. Na manobra de Landivar, a indireta toca a ponta do dedo e a direta empurra a polpa.
Medialmente, a borda lateral do músculo reto abdominal; superolateralmente, os vasos epigástricos inferiores (artéria e veia); inferiormente, o ligamento inguinal. É a zona de maior fraqueza da fáscia transversal na parede posterior do canal inguinal e o local de saída da hérnia direta.
São subtipos do tipo III de Nyhus, que reúne as hérnias com fraqueza da parede posterior: IIIA é a direta, IIIB a indireta e IIIC a femoral. Na revisão final, a apostila descreve o IIIB como indireta com anel destruído ou mista, em pantalona. Se a hérnia for recidivada, a classificação passa a ser tipo IV, com subtipos A a D.
Na encarcerada, o conteúdo fica preso no anel e pode obstruir o trânsito intestinal, mas o fluxo sanguíneo se mantém. Na estrangulada, a constrição garroteia os vasos: há isquemia, necrose transmural e risco de perfuração. Dor desproporcional, hiperemia, calor local, febre e taquicardia indicam estrangulamento, que proíbe a Taxe e, sem peritonite generalizada, leva à inguinotomia de urgência.
É a hernioplastia aberta sem tensão com tela de polipropileno, padrão-ouro da via aberta na hérnia primária unilateral. A tela é fixada medialmente no tubérculo púbico, ultrapassando-o em 1,5 a 2 cm, segue pelo ligamento inguinal até além do anel profundo e, em cima, na aponeurose do oblíquo interno. As duas caudas laterais se cruzam atrás do cordão espermático.
São as duas áreas abaixo do trato iliopúbico, na TEP e na TAPP, onde é proibido fixar grampos, tachas ou suturas. O trígono do desastre fica entre o ducto deferente e os vasos espermáticos e contém os vasos ilíacos externos. O trígono da dor fica entre os vasos espermáticos e o trato iliopúbico e contém o cutâneo femoral lateral, o ramo femoral do genitofemoral e o nervo femoral.
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Quem ensina
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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