Apostila gratuita · 16 páginas

Pancreatite crônica: TIGAR-O, TC com calcificações, reposição enzimática, cirurgia pelo ducto e varizes gástricas isoladas

Teoria da necrose-fibrose, etiologia pelo TIGAR-O, dor pós-prandial, esteatorreia e diabetes, burnout pancreático, por que amilase e lipase não fecham o diagnóstico, TC, colangiorressonância e ecoendoscopia, elastase fecal e teste da secretina, analgesia escalonada, reposição enzimática, cirurgias de Puestow, Frey, Beger e Whipple e varizes gástricas isoladas por trombose de veia esplênica. Uma questão comentada: INEP 2024.

PDF de 2,8 MB. Gratuito.

Capa da apostila Pancreatite crônica em um tablet
Formato
Apostila · 16 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Aparelho digestivo
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de pancreatite crônica cobre

Do etilista com medo de comer à escolha da cirurgia pelo calibre do ducto de Wirsung.

  • Calcificação na TC fecha diagnóstico

    TC de abdome como exame inicial, com calcificações patognomônicas, colangiorressonância para o ducto em contas de rosário e ecoendoscopia quando a suspeita é forte e a imagem vem normal.

  • Cirurgia escolhida pela anatomia

    Ducto dilatado vai para drenagem pela Puestow modificada, doença da cabeça para Frey ou Beger, suspeita de câncer para Whipple e varizes gástricas isoladas para esplenectomia.

  • Uma questão comentada

    INEP 2024, sobre o etilista e tabagista com dor pós-prandial, emagrecimento e esteatorreia, com o comentário de cada alternativa e a conduta inicial.

Sumário

O que tem dentro das 16 páginas

Da fisiopatologia à cirurgia da dor intratável, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: o quadro de pontos-chave
  2. 02Fisiopatologia: a teoria da necrose-fibrose
  3. 03Fatores de risco e etiologia: o TIGAR-O
  4. 04Quadro clínico: dor, esteatorreia, perda de peso e diabetes
  5. 05Burnout pancreático
  6. 06Diagnóstico: por que não pedir amilase e lipase
  7. 07Exames de imagem: tomografia, colangiorressonância e ecoendoscopia
  8. 08Testes de função: elastase fecal, teste da secretina e gordura fecal
  9. 09Questão estratégica: diagnóstico
  10. 10Tratamento clínico: álcool, tabaco, dieta e escada analgésica
  11. 11Reposição enzimática: indicações e como tomar
  12. 12Tratamento cirúrgico: indicações
  13. 13Qual cirurgia escolher: Puestow, Frey, Beger e Whipple
  14. 14Varizes gástricas isoladas e trombose de veia esplênica
  15. 15Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Pancreatite crônica
Página da apostila: as cirurgias de Frey e de Beger ilustradas, com a drenagem do ducto associada à ressecção da cabeça e a ressecção da cabeça com preservação duodenal.

O que é pancreatite crônica?

Pancreatite crônica é um processo de cicatrização destrutiva do pâncreas. Agressões repetidas, geralmente pelo álcool, matam o tecido funcional, ácinos e ilhotas, que é substituído por fibrose e calcificações: o órgão endurece, atrofia e para de funcionar. Nas provas, a fisiopatologia gira em torno da teoria da necrose-fibrose, em que surtos repetidos de inflamação aguda levam à destruição irreversível.

A causa, na prova brasileira, é quase sempre o álcool, responsável por 70% a 80% dos casos; o tabagismo acelera a doença. O mnemônico TIGAR-O reúne as demais: tóxico-metabólica, com hipercalcemia, idiopática, genética, com mutações no CFTR ou no SPINK1, autoimune, com IgG4 elevada e resposta a corticoide, recorrente ou aguda grave e obstrutiva.

O quadro é de dor epigástrica que irradia para as costas em faixa e piora depois das refeições, porque a comida estimula a colecistoquinina e pressuriza um ducto obstruído. O paciente passa a ter medo de comer, a sitofobia, e emagrece. Com a perda da função vêm a esteatorreia e um diabetes instável, com risco de hipoglicemia, porque falta também o glucagon. Depois de 10 a 15 anos, o burnout pancreático faz a dor desaparecer, mas o diabetes e a diarreia ficam.

Amilase e lipase costumam vir normais, porque sobra pouco tecido para liberar enzimas. A TC de abdome é o exame de escolha inicial: atrofia e, principalmente, calcificações pancreáticas, que são patognomônicas. Na INEP 2024 da apostila, o etilista e tabagista com dor pós-prandial, emagrecimento de 9 kg e esteatorreia tem como resposta pancreatite crônica, com analgesia e orientação dietética. Calcificação na topografia do pâncreas fecha o diagnóstico; a ecoendoscopia entra quando a suspeita é forte e TC e ressonância vêm normais.

Página da apostila Pancreatite crônica

Comparativo

Cirurgia na pancreatite crônica: Puestow, Frey, Beger e Whipple

A cirurgia trata a dor intratável e as complicações mecânicas, sem recuperar a função do pâncreas. A escolha da técnica é anatômica, pela TC ou pela ressonância.

Técnicas cirúrgicas na pancreatite crônica por cenário anatômico, com o que cada uma faz e o ponto cobrado. Fonte: apostila Med-Review R1, “Pancreatite crônica”.
CirurgiaCenárioO que fazPonto de prova
Puestow modificada (Partington-Rochelle)Ducto de Wirsung dilatado, a doença do grande ductoAbre o pâncreas longitudinalmente e costura uma alça de jejuno sobre ele: pancreatojejunostomia látero-lateralDrenagem, sem retirada; baixa mortalidade e preserva o pâncreas que resta
FreyAcometimento maior da cabeça do pâncreasDrena o ducto como a Puestow e escava o miolo da cabeça, sem seccioná-la inteiraHíbrida entre Beger e Puestow; tecnicamente mais simples que a Beger
BegerMassa inflamatória na cabeçaSecciona o pâncreas no colo, remove a cabeça e reconstrói com alça de jejunoPreserva o duodeno e a via biliar; mais complexa que a Frey
Whipple (gastroduodenopancreatectomia)Suspeita de câncer ou anatomia destruídaRemove a cabeça do pâncreas com o duodeno, a via biliar principal e parte do estômagoMesma cirurgia do câncer; muito mórbida para doença benigna
EsplenectomiaVarizes de fundo gástrico isoladas por trombose de veia esplênicaRetira o baço, de onde vem o fluxo desviado pelas veias gástricas curtasÚnica hipertensão portal, a segmentar, curada com a retirada do baço

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como investigar e tratar a pancreatite crônica, passo a passo

O raciocínio da apostila, do paciente que tem medo de comer à cirurgia.

  1. Reconheça o paciente típico

    Homem de meia-idade, etilista e tabagista de longa data, com dor epigástrica em faixa que piora após as refeições, medo de comer e emagrecimento. Esteatorreia e diabetes completam o quadro com a evolução.

  2. Peça TC, não enzimas

    Na dor crônica, amilase e lipase costumam estar normais ou pouco alteradas; podem subir na crise agudizada. A TC de abdome é o exame inicial: atrofia, dilatação ductal e calcificações pancreáticas, que fecham o diagnóstico sem biópsia.

  3. Refine quando a TC não basta

    A colangiorressonância mostra o Wirsung em contas de rosário e cálculos que a TC perde, e serve ao planejamento cirúrgico. A ecoendoscopia é o exame mais sensível, vê a doença precoce e permite biópsia na dúvida com câncer. Elastase fecal abaixo de 100 mcg/g indica insuficiência exócrina grave.

  4. Corte a agressão e trate a dor

    Cessar álcool e tabaco é o passo zero. Dieta fracionada e pobre em gordura reduz o estímulo da colecistoquinina. A analgesia segue a escada da OMS, evitando opioides fortes pelo risco de dependência, com amitriptilina ou pregabalina como adjuvantes.

  5. Reponha enzimas no momento certo

    As indicações são esteatorreia e perda de peso progressiva. As cápsulas são tomadas durante as refeições, misturadas ao bolo alimentar, e um IBP associado protege as enzimas do ácido gástrico.

  6. Opere a dor intratável pela anatomia

    Ducto de Wirsung dilatado vai para Puestow modificada; doença da cabeça, para Frey ou Beger; suspeita de câncer, para Whipple. Hemorragia digestiva com varizes de fundo gástrico isoladas e fígado normal aponta trombose de veia esplênica, tratada com esplenectomia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre pancreatite crônica na prova

Qual exame detecta pancreatite crônica?

A TC de abdome é o exame de escolha inicial: barata, rápida e muito específica nas fases avançadas, mostra atrofia e calcificações pancreáticas, que são patognomônicas. Tem baixa sensibilidade na doença precoce. Nesse caso, a ecoendoscopia, o exame mais sensível, é a resposta quando a suspeita clínica é forte e TC e ressonância vêm normais.

Para que serve a elastase fecal?

Mede quanto da elastase, enzima produzida pelo pâncreas que atravessa o intestino sem ser degradada, sai nas fezes, e avalia a função exócrina. Entre 100 e 200 mcg/g indica insuficiência leve a moderada, e abaixo de 100 mcg/g, insuficiência grave. O paciente não precisa suspender as cápsulas de enzimas, porque a elastase porcina não interfere no teste.

Quais as causas da pancreatite crônica?

O álcool responde por 70% a 80% dos casos, e o tabagismo acelera a doença. As demais causas entram no mnemônico TIGAR-O: tóxico-metabólica, como a hipercalcemia, idiopática, genética, com mutações no CFTR ou no SPINK1, autoimune, com IgG4 elevada, recorrente ou aguda grave e obstrutiva, por tumores ou estenoses do ducto.

Amilase e lipase se alteram na pancreatite crônica?

Na dor crônica, costumam estar normais, porque a fibrose substituiu os ácinos e não sobra tecido para liberar grandes quantidades de enzimas. A pegadinha é a pancreatite crônica agudizada, como no etilista que bebeu muito no fim de semana, em que as enzimas podem subir. O diagnóstico é morfológico, pela imagem.

Pancreatite crônica causa hipoglicemia?

Pode causar. O diabetes da pancreatite crônica é instável, com alto risco de hipoglicemia, porque a destruição das ilhotas tira não só a insulina, mas também o glucagon, hormônio contrarregulador. Ele faz parte da tríade clássica com dor e esteatorreia.

Como tratar pancreatite crônica?

O tratamento é clínico antes de qualquer cirurgia: parar álcool e tabaco, dieta fracionada e pobre em gordura, analgesia escalonada evitando opioides fortes e enzimas pancreáticas nas refeições, com IBP, quando há esteatorreia ou perda de peso. A cirurgia fica para a dor intratável, as complicações mecânicas e a suspeita de câncer, e não recupera a função do pâncreas.

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    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

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    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

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    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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