Teoria da necrose-fibrose, etiologia pelo TIGAR-O, dor pós-prandial, esteatorreia e diabetes, burnout pancreático, por que amilase e lipase não fecham o diagnóstico, TC, colangiorressonância e ecoendoscopia, elastase fecal e teste da secretina, analgesia escalonada, reposição enzimática, cirurgias de Puestow, Frey, Beger e Whipple e varizes gástricas isoladas por trombose de veia esplênica. Uma questão comentada: INEP 2024.
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Para que serve
Do etilista com medo de comer à escolha da cirurgia pelo calibre do ducto de Wirsung.
TC de abdome como exame inicial, com calcificações patognomônicas, colangiorressonância para o ducto em contas de rosário e ecoendoscopia quando a suspeita é forte e a imagem vem normal.
Ducto dilatado vai para drenagem pela Puestow modificada, doença da cabeça para Frey ou Beger, suspeita de câncer para Whipple e varizes gástricas isoladas para esplenectomia.
INEP 2024, sobre o etilista e tabagista com dor pós-prandial, emagrecimento e esteatorreia, com o comentário de cada alternativa e a conduta inicial.
Sumário
Da fisiopatologia à cirurgia da dor intratável, na ordem em que a apostila ensina.
Pancreatite crônica é um processo de cicatrização destrutiva do pâncreas. Agressões repetidas, geralmente pelo álcool, matam o tecido funcional, ácinos e ilhotas, que é substituído por fibrose e calcificações: o órgão endurece, atrofia e para de funcionar. Nas provas, a fisiopatologia gira em torno da teoria da necrose-fibrose, em que surtos repetidos de inflamação aguda levam à destruição irreversível.
A causa, na prova brasileira, é quase sempre o álcool, responsável por 70% a 80% dos casos; o tabagismo acelera a doença. O mnemônico TIGAR-O reúne as demais: tóxico-metabólica, com hipercalcemia, idiopática, genética, com mutações no CFTR ou no SPINK1, autoimune, com IgG4 elevada e resposta a corticoide, recorrente ou aguda grave e obstrutiva.
O quadro é de dor epigástrica que irradia para as costas em faixa e piora depois das refeições, porque a comida estimula a colecistoquinina e pressuriza um ducto obstruído. O paciente passa a ter medo de comer, a sitofobia, e emagrece. Com a perda da função vêm a esteatorreia e um diabetes instável, com risco de hipoglicemia, porque falta também o glucagon. Depois de 10 a 15 anos, o burnout pancreático faz a dor desaparecer, mas o diabetes e a diarreia ficam.
Amilase e lipase costumam vir normais, porque sobra pouco tecido para liberar enzimas. A TC de abdome é o exame de escolha inicial: atrofia e, principalmente, calcificações pancreáticas, que são patognomônicas. Na INEP 2024 da apostila, o etilista e tabagista com dor pós-prandial, emagrecimento de 9 kg e esteatorreia tem como resposta pancreatite crônica, com analgesia e orientação dietética. Calcificação na topografia do pâncreas fecha o diagnóstico; a ecoendoscopia entra quando a suspeita é forte e TC e ressonância vêm normais.
Comparativo
A cirurgia trata a dor intratável e as complicações mecânicas, sem recuperar a função do pâncreas. A escolha da técnica é anatômica, pela TC ou pela ressonância.
| Cirurgia | Cenário | O que faz | Ponto de prova |
|---|---|---|---|
| Puestow modificada (Partington-Rochelle) | Ducto de Wirsung dilatado, a doença do grande ducto | Abre o pâncreas longitudinalmente e costura uma alça de jejuno sobre ele: pancreatojejunostomia látero-lateral | Drenagem, sem retirada; baixa mortalidade e preserva o pâncreas que resta |
| Frey | Acometimento maior da cabeça do pâncreas | Drena o ducto como a Puestow e escava o miolo da cabeça, sem seccioná-la inteira | Híbrida entre Beger e Puestow; tecnicamente mais simples que a Beger |
| Beger | Massa inflamatória na cabeça | Secciona o pâncreas no colo, remove a cabeça e reconstrói com alça de jejuno | Preserva o duodeno e a via biliar; mais complexa que a Frey |
| Whipple (gastroduodenopancreatectomia) | Suspeita de câncer ou anatomia destruída | Remove a cabeça do pâncreas com o duodeno, a via biliar principal e parte do estômago | Mesma cirurgia do câncer; muito mórbida para doença benigna |
| Esplenectomia | Varizes de fundo gástrico isoladas por trombose de veia esplênica | Retira o baço, de onde vem o fluxo desviado pelas veias gástricas curtas | Única hipertensão portal, a segmentar, curada com a retirada do baço |
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Na prática
O raciocínio da apostila, do paciente que tem medo de comer à cirurgia.
Homem de meia-idade, etilista e tabagista de longa data, com dor epigástrica em faixa que piora após as refeições, medo de comer e emagrecimento. Esteatorreia e diabetes completam o quadro com a evolução.
Na dor crônica, amilase e lipase costumam estar normais ou pouco alteradas; podem subir na crise agudizada. A TC de abdome é o exame inicial: atrofia, dilatação ductal e calcificações pancreáticas, que fecham o diagnóstico sem biópsia.
A colangiorressonância mostra o Wirsung em contas de rosário e cálculos que a TC perde, e serve ao planejamento cirúrgico. A ecoendoscopia é o exame mais sensível, vê a doença precoce e permite biópsia na dúvida com câncer. Elastase fecal abaixo de 100 mcg/g indica insuficiência exócrina grave.
Cessar álcool e tabaco é o passo zero. Dieta fracionada e pobre em gordura reduz o estímulo da colecistoquinina. A analgesia segue a escada da OMS, evitando opioides fortes pelo risco de dependência, com amitriptilina ou pregabalina como adjuvantes.
As indicações são esteatorreia e perda de peso progressiva. As cápsulas são tomadas durante as refeições, misturadas ao bolo alimentar, e um IBP associado protege as enzimas do ácido gástrico.
Ducto de Wirsung dilatado vai para Puestow modificada; doença da cabeça, para Frey ou Beger; suspeita de câncer, para Whipple. Hemorragia digestiva com varizes de fundo gástrico isoladas e fígado normal aponta trombose de veia esplênica, tratada com esplenectomia.
Perguntas frequentes
A TC de abdome é o exame de escolha inicial: barata, rápida e muito específica nas fases avançadas, mostra atrofia e calcificações pancreáticas, que são patognomônicas. Tem baixa sensibilidade na doença precoce. Nesse caso, a ecoendoscopia, o exame mais sensível, é a resposta quando a suspeita clínica é forte e TC e ressonância vêm normais.
Mede quanto da elastase, enzima produzida pelo pâncreas que atravessa o intestino sem ser degradada, sai nas fezes, e avalia a função exócrina. Entre 100 e 200 mcg/g indica insuficiência leve a moderada, e abaixo de 100 mcg/g, insuficiência grave. O paciente não precisa suspender as cápsulas de enzimas, porque a elastase porcina não interfere no teste.
O álcool responde por 70% a 80% dos casos, e o tabagismo acelera a doença. As demais causas entram no mnemônico TIGAR-O: tóxico-metabólica, como a hipercalcemia, idiopática, genética, com mutações no CFTR ou no SPINK1, autoimune, com IgG4 elevada, recorrente ou aguda grave e obstrutiva, por tumores ou estenoses do ducto.
Na dor crônica, costumam estar normais, porque a fibrose substituiu os ácinos e não sobra tecido para liberar grandes quantidades de enzimas. A pegadinha é a pancreatite crônica agudizada, como no etilista que bebeu muito no fim de semana, em que as enzimas podem subir. O diagnóstico é morfológico, pela imagem.
Pode causar. O diabetes da pancreatite crônica é instável, com alto risco de hipoglicemia, porque a destruição das ilhotas tira não só a insulina, mas também o glucagon, hormônio contrarregulador. Ele faz parte da tríade clássica com dor e esteatorreia.
O tratamento é clínico antes de qualquer cirurgia: parar álcool e tabaco, dieta fracionada e pobre em gordura, analgesia escalonada evitando opioides fortes e enzimas pancreáticas nas refeições, com IBP, quando há esteatorreia ou perda de peso. A cirurgia fica para a dor intratável, as complicações mecânicas e a suspeita de câncer, e não recupera a função do pâncreas.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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