4 Fs e tipos de cálculo, cólica biliar e colecistite pelo corte de 6 horas, critérios de Tokyo 2018 para diagnóstico e gravidade, colecistostomia, visão crítica de segurança, acalculosa, enfisematosa e Mirizzi. Questões comentadas: PSU MG 2021, USP RP 2021 e USP SP 2022.
PDF de 3,7 MB. Gratuito.

Para que serve
Da pedra assintomática no USG à colecistostomia no paciente em choque, com a conduta por grau de Tokyo.
Critérios A + B + C para diagnóstico suspeito e definitivo, e os graus I, II e III com os cortes de leucocitose, tempo de quadro e disfunção orgânica.
O corte de 6 horas, a febre e o sinal de Murphy, e quem operar na colelitíase assintomática: vesícula em porcelana, cálculo grande, pólipo e anemia hemolítica.
PSU MG 2021 (colelitíase sintomática), USP RP 2021 (colecistite grau I) e USP SP 2022 (Tokyo III e colecistostomia), com gabarito e análise das alternativas.
Sumário
Do caminho da bile às variantes de colecistite que fogem do padrão.
Os critérios de Tokyo para colecistite aguda (TG18) combinam três grupos: A, inflamação local (sinal de Murphy, massa, dor ou sensibilidade no quadrante superior direito); B, inflamação sistêmica (febre, PCR elevada, leucocitose); C, imagem compatível. Um item de A e um de B tornam o diagnóstico suspeito; A + B + C, definitivo.
Antes de aplicar Tokyo, separe cólica de colecistite. A cólica biliar dura menos de 6 horas, sem febre, sem leucocitose e com Murphy negativo. Dor persistente por mais de 6 horas, febre e Murphy positivo mudam o diagnóstico para colecistite. O sinal de Murphy é o dado semiológico mais específico: o paciente interrompe a inspiração profunda à palpação do ponto cístico.
Pelo TG18, o grau I não preenche critérios de II ou III. O grau II tem pelo menos um entre leucocitose acima de 18.000/mm³, fleimão, quadro acima de 72 horas e inflamação local acentuada. O grau III é disfunção orgânica: hipotensão com droga vasoativa, rebaixamento de consciência, PaO2/FiO2 abaixo de 300, creatinina acima de 2,0, RNI acima de 1,5 ou plaquetas abaixo de 100.000/mm³.
O USG é o exame de escolha: parede acima de 4 a 5 mm, Murphy ultrassonográfico (acurácia acima de 90%), líquido perivesicular, vesícula distendida e cálculo impactado. A cintilografia (HIDA) é o padrão-ouro teórico, reservada ao USG inconclusivo. A TC tem baixa sensibilidade para cálculo e serve para complicações, como colecistite enfisematosa, perfuração e abscesso.
A conduta segue o grau. Graus I e II com baixo risco cirúrgico: colecistectomia laparoscópica precoce, idealmente nas primeiras 72 horas. Grau III: UTI, antibiótico e, sem melhora, colecistostomia percutânea, com a cirurgia semanas depois. CCI e ASA modulam a decisão: grau II com risco proibitivo também pode receber colecistostomia como ponte.
Comparativo
O guia rápido da apostila, cenário por cenário, com o que a banca espera de conduta.
| Cenário | Quadro clínico | Conduta de prova | Pegadinha |
|---|---|---|---|
| Colelitíase assintomática | Achado incidental no USG, sem dor | Observação | Opera-se se cálculo > 3 cm, pólipo associado, vesícula em porcelana ou anemia hemolítica |
| Cólica biliar | Dor em HCD após refeição gordurosa, < 6 horas, sem febre | AINE na crise e colecistectomia eletiva | Murphy negativo; a dor é constante apesar do nome |
| Colecistite aguda | Dor contínua > 6 horas, febre e Murphy positivo | Diagnóstico pelo TG18: clínica, laboratório (leucocitose, PCR) e USG | Cintilografia (HIDA) confirma a obstrução se o USG for duvidoso |
| Tokyo I (leve) | Inflamação restrita à vesícula, paciente saudável | Colecistectomia laparoscópica precoce (< 72 h) | O antibiótico é coadjuvante; o tratamento definitivo é a cirurgia |
| Tokyo II (moderada) | Leucócitos > 18.000, massa palpável, dor > 72 h ou inflamação local grave | Cirurgia precoce com cirurgião experiente | Dissecção difícil: colecistectomia subtotal (bail-out) para não lesar o colédoco |
| Tokyo III (grave) | Disfunção orgânica: choque, creatinina > 2, plaquetas < 100.000 | UTI, antibiótico e colecistostomia; cirurgia depois | Prioridade: controlar a sepse; a colecistectomia fica para depois |
| Colecistite acalculosa | Paciente grave de UTI, jejum prolongado, sepse sem foco | Colecistostomia percutânea | USG com vesícula distendida e espessada, sem cálculos |
| Mirizzi e enfisematosa | Mirizzi: colecistite com icterícia. Enfisematosa: gás na parede, homem idoso e diabético | Mirizzi: cirurgia complexa. Enfisematosa: colecistectomia de urgência | CPRE trata cálculo no colédoco, não na vesícula |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência de decisões da apostila, do primeiro sintoma à técnica cirúrgica segura.
Cólica biliar: dor em hipocôndrio direito ou epigástrio, com irradiação para dorso ou escápula, após refeição gordurosa, autolimitada em menos de 6 horas, sem febre nem leucocitose e com Murphy negativo. Dor acima de 6 horas, febre e Murphy positivo indicam colecistite.
Cerca de 80% dos pacientes seguem assintomáticos: observação. Sintomático tem colecistectomia videolaparoscópica eletiva, em qualquer idade, como na questão PSU MG 2021 da paciente de 13 anos. No assintomático, opere vesícula em porcelana, cálculo grande, pólipo associado, anemia hemolítica e história de colangite ou pancreatite.
A: sinal de Murphy ou massa, dor ou sensibilidade no quadrante superior direito. B: febre, PCR elevada ou leucocitose. C: imagem compatível. Um item de A e um de B fazem o diagnóstico suspeito; os três grupos juntos, o definitivo.
Procure parede acima de 4 a 5 mm, Murphy ultrassonográfico, líquido perivesicular, vesícula hidrópica (acima de 8 cm de comprimento ou 4 cm de largura) e cálculo impactado. HIDA fica para o USG inconclusivo; TC, para suspeita de enfisematosa, perfuração ou abscesso.
Grau I sem critérios de II ou III. Grau II com leucocitose acima de 18.000, fleimão, quadro acima de 72 horas ou inflamação local acentuada. Grau III com disfunção orgânica. Ajuste a conduta pela reserva do paciente, com CCI e ASA-PS.
Jejum, hidratação, analgesia e antibiótico desde a admissão: ceftriaxona com metronidazol nos casos comunitários; piperacilina-tazobactam ou carbapenêmico nos graves. Graus I e II: colecistectomia laparoscópica precoce, idealmente nas primeiras 72 horas. Grau III: UTI e, sem melhora, colecistostomia percutânea.
Três critérios de Strasberg antes de clipar: triângulo hepatocístico limpo, placa cística exposta e apenas duas estruturas entrando na vesícula, ducto e artéria císticos. Sem visão crítica no triângulo congelado, faça colecistectomia subtotal, fenestrada ou reconstituída, em vez de insistir na dissecção.
Perguntas frequentes
Colelitíase é a presença de cálculos na vesícula, em geral assintomática; quando dá sintoma, é a cólica biliar, por obstrução transitória do cístico, que dura menos de 6 horas. Colecistite aguda é a inflamação por impactação fixa do cálculo no infundíbulo ou no cístico, com dor acima de 6 horas, febre e Murphy positivo.
O Tokyo Guidelines 2018 define três graus. Grau I, leve: não preenche critérios de II ou III. Grau II, moderado: leucocitose acima de 18.000, fleimão, quadro acima de 72 horas ou inflamação local acentuada. Grau III, grave: disfunção orgânica, como hipotensão com droga vasoativa, PaO2/FiO2 abaixo de 300 ou plaquetas abaixo de 100.000.
É a colecistite acalculosa, sem pedra: estase biliar por jejum prolongado somada a isquemia da parede por hipotensão ou choque. Corresponde a 5-10% dos casos e tem alta mortalidade. Pense nela no paciente de UTI com sepse sem foco. O USG mostra vesícula distendida, parede espessada e líquido perivesicular sem cálculos; a conduta padrão é a colecistostomia percutânea.
É uma forma fulminante causada por bactérias produtoras de gás, com o Clostridium perfringens como agente clássico de prova, além de E. coli e Klebsiella. O perfil é homem, idoso e diabético. A TC é superior ao USG e mostra gás na parede ou no lúmen da vesícula. Pelo risco de gangrena e perfuração, exige antibiótico potente e colecistectomia de urgência.
No Tokyo III que não melhora com UTI e antibiótico, no paciente com risco cirúrgico proibitivo e na colecistite acalculosa. É um tratamento de ponte: dreno pigtail na vesícula guiado por USG ou TC, com colecistectomia eletiva semanas depois. Na questão USP SP 2022 da apostila, idoso em choque com creatinina de 2,7 tem gabarito D, drenagem percutânea.
O exame de escolha é o USG de abdome, e o Murphy ultrassonográfico tem acurácia acima de 90%. Quando a prova pede o exame de maior acurácia, a resposta é a cintilografia com HIDA ou DISIDA: a vesícula não aparece após 1-4 horas, com colédoco e duodeno visíveis. Ela fica para o USG inconclusivo, porque é cara e demorada.
Sim. Você preenche um formulário curto e recebe o PDF completo, sem custo e sem período de teste. Pedimos os dados para saber quem estuda com a gente e avisar quando sair material novo.
Não. A biblioteca é aberta a estudantes de Medicina e a médicos que vão prestar a prova de residência, com ou sem matrícula nos cursos da Med-Review.
Continue estudando
Onde aprofundar
Extensive R1: preparatório completo para a residência
Aulas, questões comentadas, flashcards e cronograma por banca no Planner Flow.
Quem ensina
Confira abaixo alguns dos professores especialistas que você vai encontrar no Extensive, o curso preparatório da Med-Review para a residência médica.

Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
Arraste para o lado para ver toda a equipe
24 páginas com os critérios de Tokyo, a conduta na colelitíase, a colecistostomia, a visão crítica de segurança e três questões comentadas, em PDF gratuito.
Preencha para liberar o download.
Carregando formulário…