Coledocolitíase primária e secundária, estratificação de risco ASGE 2019, colangiorressonância e CPRE. Na colangite, tríade de Charcot, pêntade de Reynolds, critérios e graus do Tokyo 2018 e tempo de drenagem. Questões UNIFESP 2021 e FAMERP 2024 comentadas.
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Para que serve
Do cálculo que migra para o colédoco à sepse biliar, na sequência de raciocínio que a prova cobra.
Alto risco (acima de 50%) vai direto para CPRE; risco intermediário (10% a 50%) pede colangiorressonância antes; baixo risco (abaixo de 10%) segue para colecistectomia sem investigar o colédoco.
A tríade de Charcot, a pêntade de Reynolds, os três pilares do diagnóstico e os critérios dos graus I, II e III, com o tempo de drenagem de cada grau.
UNIFESP 2021 (momento da colecistectomia após a CPRE) e FAMERP 2024 (classificação de Tokyo), com análise de cada alternativa e uma prescrição de colangite aguda.
Sumário
Da pedra no colédoco à drenagem de emergência, na ordem da apostila.
A tríade de Charcot é a apresentação clássica da colangite aguda: febre, com ou sem calafrios, icterícia e dor abdominal no hipocôndrio direito. Aparece em 50% a 75% dos pacientes e indica infecção local. A pêntade de Reynolds soma hipotensão e confusão mental, sinais de choque séptico e de colangite grave.
A tríade de Charcot sugere colangite, mas o diagnóstico formal segue o Tokyo 2018: um item de cada pilar. Inflamação sistêmica (febre acima de 38 °C, calafrios, leucócitos acima de 10.000 ou abaixo de 4.000/mm³, PCR ≥ 1 mg/dL), colestase (bilirrubinas acima de 2 ou enzimas hepáticas alteradas) e imagem (dilatação da via biliar ou etiologia visível). Dois de três pilares definem suspeita.
A colangite nasce de três passos: obstrução da via biliar, geralmente por coledocolitíase, aumento da pressão intraluminal e translocação e proliferação bacteriana. Predominam Gram-negativos entéricos, com Escherichia coli como principal, seguida de Klebsiella e Enterobacter. Enterococcus e anaeróbios, como Bacteroides, aparecem em idosos e em infecções graves.
O grau de Tokyo define o tempo da drenagem. Grau III (ao menos um critério de disfunção orgânica) exige drenagem de emergência; grau II (ao menos dois critérios de risco) pede drenagem precoce, em 24 a 48h; grau I começa com antibiótico e drena se não houver resposta após 24h ou de forma eletiva. A pêntade de Reynolds corresponde ao grau III.
Sem infecção, a coledocolitíase segue a estratificação da ASGE. Alto risco, acima de 50%: cálculo visível no colédoco ao USG, colangite aguda ou bilirrubina total acima de 4 mg/dL com colédoco dilatado; vai direto para CPRE terapêutica. Risco intermediário pede colangiorressonância, ecoendoscopia ou colangiografia intraoperatória; baixo risco segue para colecistectomia laparoscópica.
Comparativo
O que define cada quadro e a conduta correspondente, da coledocolitíase sem infecção à sepse biliar.
| Quadro | O que define | Conduta |
|---|---|---|
| Coledocolitíase sem infecção | Icterícia flutuante, colúria, acolia fecal e prurido | Estratificação ASGE: CPRE direta, colangiorressonância antes ou colecistectomia |
| Tríade de Charcot | Febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito; 50% a 75% dos casos | Antibiótico e drenagem da via biliar conforme o grau de Tokyo |
| Pêntade de Reynolds | Charcot somada a hipotensão e confusão mental | Sepse biliar: drenagem de emergência |
| Tokyo grau I (leve) | Não se enquadra em grau II nem III | Antibiótico; drenagem se não houver resposta em 24h ou eletiva |
| Tokyo grau II (moderado) | Dois ou mais: leucócitos > 12.000 ou < 4.000, febre ≥ 39 °C, bilirrubina > 5, hipoalbuminemia, idade ≥ 75 anos | Drenagem precoce, em 24 a 48h |
| Tokyo grau III (grave) | Um ou mais: hipotensão com droga vasoativa, rebaixamento de consciência, PaO2/FiO2 < 300, oligúria ou creatinina > 2,0, RNI > 1,5, plaquetas < 100.000/mm³ | Drenagem de emergência, assim que houver condições respiratórias e circulatórias mínimas |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do cálculo no colédoco à colecistectomia.
Icterícia flutuante, colúria e acolia fecal sugerem coledocolitíase. A icterícia oscila porque o cálculo se move ou o edema cede; nas neoplasias ela é progressiva e contínua. Em 90% dos casos a coledocolitíase é secundária, com cálculo vindo da vesícula.
Alto risco (cálculo visível no colédoco, colangite aguda, ou bilirrubina total acima de 4 mg/dL com colédoco dilatado) vai para CPRE. Alterações de enzimas, idade acima de 55 anos ou via biliar acima de 6 mm definem risco intermediário.
A colangiorressonância é a opção padrão: não invasiva, usa a bile como contraste em T2 e mostra o cálculo como falha de enchimento, com sensibilidade de 95%. Ecoendoscopia e colangiografia intraoperatória são alternativas. No baixo risco, colecistectomia direta.
Febre, icterícia e dor no hipocôndrio direito formam a tríade de Charcot e indicam colangite. Hipotensão e confusão mental somadas formam a pêntade de Reynolds, quadro de choque séptico e emergência de grau III.
Confirme com um item de inflamação sistêmica, um de colestase e um de imagem. Classifique: ao menos um critério de disfunção orgânica faz grau III; ao menos dois critérios de risco, como leucócitos acima de 12.000 e bilirrubina acima de 5, fazem grau II.
Hidratação venosa vigorosa, monitorização, analgesia e jejum para a endoscopia. O antibiótico entra na primeira hora, com cobertura de Gram-negativos entéricos e anaeróbios, como ceftriaxona com metronidazol ou piperacilina-tazobactam.
A CPRE com papilotomia é o padrão-ouro de drenagem; se falhar, drenagem transhepática percutânea, e a cirurgia aberta fica por último. Na coledocolitíase secundária, a colecistectomia videolaparoscópica vem na mesma internação, cerca de 24 a 72 horas após a CPRE.
Perguntas frequentes
O Tokyo 2018 exige um item de cada pilar: inflamação sistêmica (febre acima de 38 °C, calafrios, leucocitose ou leucopenia, PCR ≥ 1 mg/dL), colestase (bilirrubinas acima de 2 ou enzimas hepáticas alteradas) e imagem (dilatação da via biliar ou etiologia visível). Dois pilares fazem suspeita. A gravidade vai do grau I ao III e define o tempo da drenagem.
A colecistite é a inflamação da vesícula biliar, tema da apostila Vias biliares I. A colangite aguda é a infecção bacteriana das vias biliares que se instala sobre uma obstrução, geralmente coledocolitíase, e pode evoluir rápido para sepse. Na colangite, a tríade de Charcot (febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito) é o quadro clássico, e a drenagem da via biliar é o tratamento definitivo.
Para diagnosticar coledocolitíase no risco intermediário, a colangiorressonância é o padrão-ouro não invasivo, com sensibilidade de 95%. O USG é o primeiro exame e vê a dilatação acima de 6 mm, mas costuma não ver a pedra por causa dos gases. A CPRE confirma e retira o cálculo e é o padrão-ouro de drenagem na colangite.
A bilirrubina direta. A obstrução do colédoco interrompe o fluxo de bile para o duodeno e produz icterícia colestática; a bilirrubina direta no sangue é filtrada pelo rim e escurece a urina (colúria), e a falta de bile no intestino causa acolia fecal. Na questão FAMERP 2024 da apostila, a bilirrubina total era 6,0 mg/dL, com 4,8 de direta.
Na mesma internação, idealmente 24 a 72 horas após a CPRE, segundo a apostila com base em SAGES e ASGE. Esperar 4 a 6 semanas expõe o paciente a cerca de 20% de eventos biliares recorrentes, como nova cólica, colangite, colecistite ou pancreatite. Esse é o ponto da questão UNIFESP 2021 comentada no material, com gabarito na letra A.
A secundária é a mais comum (90% dos casos): o cálculo se forma na vesícula e migra para o colédoco. A primária é rara (1% a 5%), com cálculo pigmentar marrom formado no próprio colédoco. No colecistectomizado, cálculo diagnosticado em menos de 2 anos é residual; depois de 2 anos, é recorrente, formado de novo por estase ou infecção.
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