Apostila gratuita · 28 páginas

Cirrose hepática: fisiopatologia, Child-Pugh e MELD

Lesão e função hepática, hipertensão portal pelo ponto de bloqueio, estigmas do exame físico, Child-Pugh pelo mnemônico BEATA e MELD pelo BIC. Cinco questões comentadas, entre elas ENARE 2024 e UERJ 2025.

PDF de 5,5 MB. Gratuito.

Capa da apostila Cirrose hepática: fisiopatologia e estadiamento em um tablet
Formato
Apostila · 28 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Gastroenterologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de cirrose cobre

Da fisiopatologia ao estadiamento prognóstico, com o que mais cai em prova de residência.

  • Lesão separada de função

    AST/ALT e FA/GGT medem lesão. Albumina, INR e bilirrubina medem função e são os exames que entram no Child-Pugh.

  • Child-Pugh pelo BEATA, MELD pelo BIC

    Os cinco critérios do Child-Pugh com os pontos de corte e a classificação A, B e C. Os três parâmetros do MELD e o que o MELD-Na e o MELD 3.0 acrescentam.

  • Cinco questões comentadas

    AMP 2017, FAMERP 2018, ENARE 2021, ENARE 2024 e UERJ 2025, resolvidas dentro do capítulo, com a alternativa correta e o comentário de cada uma.

Sumário

O que tem dentro das 28 páginas

Do perfil hepático alterado até o escore que organiza a fila de transplante.

  1. 01O que mais cai em prova: o fluxograma do perfil hepático
  2. 02Introdução e fisiopatologia: o fígado normal e o cirrótico
  3. 03Diferenciando lesão de função
  4. 04Disfunção hepatocelular e hipertensão portal
  5. 05Hipertensão portal: onde está o bloqueio
  6. 06Questão estratégica: mecanismos da doença
  7. 07Quadro clínico: anamnese e estigmas do exame físico
  8. 08Alterações laboratoriais e FIB-4
  9. 09Imagem: USG com Doppler, elastografia, TC e RM
  10. 10Biópsia hepática: quando ainda é indicada
  11. 11Questão estratégica: exames de imagem na cirrose
  12. 12Estadiamento prognóstico: Child-Pugh e o mnemônico BEATA
  13. 13Questão estratégica: calculando o Child-Pugh
  14. 14Estadiamento prognóstico: MELD, MELD-Na e MELD 3.0
  15. 15Questão estratégica: parâmetros do MELD
  16. 16Questões ao longo do capítulo, revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Cirrose hepática: fisiopatologia e estadiamento
Página da apostila: tabela do Child-Pugh com o mnemônico BEATA, os pontos de corte e a classificação A, B e C.

Qual a diferença entre Child-Pugh e MELD?

Child-Pugh e MELD são escores de estadiamento prognóstico da cirrose com focos diferentes. O Child-Pugh avalia a função hepática com cinco critérios, o BEATA: bilirrubina, encefalopatia, ascite, tempo de protrombina/INR e albumina. O MELD avalia a repercussão sistêmica e organiza a fila de transplante com três parâmetros, o BIC: bilirrubina, INR e creatinina. A creatinina entra só no MELD.

AST/ALT medem lesão do hepatócito, e FA/GGT, lesão canalicular. Nenhuma delas mede função. Na cirrose avançada as transaminases podem estar normais em um fígado terminal, porque não sobram hepatócitos para liberar enzima. Por isso o Child-Pugh ignora AST/ALT e usa albumina, INR e bilirrubina.

Cada critério do BEATA pontua de 1 a 3. Bilirrubina acima de 3 mg/dL, albumina abaixo de 2,8 g/dL e INR acima de 2,3 valem 3 pontos cada. A soma define Child A (5 a 6 pontos, compensada), B (7 a 9) ou C (10 a 15, descompensada). Não existe Child D, e a escala começa em 5.

O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina e organiza a fila de transplante. A creatinina é o diferencial: na cirrose avançada pode ocorrer a síndrome hepatorrenal, e a disfunção renal é marcador forte de mortalidade. O MELD-Na acrescenta o sódio; o MELD 3.0, sódio, albumina e sexo. Quando a prova objetiva pede os parâmetros, o BIC segue como resposta padrão.

A clínica da hipertensão portal depende do ponto de bloqueio. Ascite exige pressão alta dentro do sinusoide, então aparece na forma sinusoidal (cirrose) e quando o bloqueio fica depois do sinusoide (Budd-Chiari). Com bloqueio antes do sinusoide, como na trombose de porta e na esquistossomose, a função hepática é preservada e a ascite é rara. A manifestação evidente são varizes esofágicas e esplenomegalia.

Página da apostila Cirrose hepática: fisiopatologia e estadiamento

Comparativo

Classificação de Child-Pugh: a tabela de pontos

Os cinco critérios do BEATA com os pontos de corte. A soma dá Child A (5 a 6 pontos), B (7 a 9) ou C (10 a 15).

Pontuação do Child-Pugh por critério; a creatinina não entra no escore. Fonte: apostila Med-Review R1, “Cirrose hepática: fisiopatologia e estadiamento”.
Critério1 ponto2 pontos3 pontos
Bilirrubina total (mg/dL)< 22 a 3> 3
EncefalopatiaAusenteGrau 1 a 2Grau 3 a 4
AsciteAusenteLeve ou facilmente controladaModerada a grave ou de difícil controle
Tempo de protrombina (INR)< 1,71,7 a 2,3> 2,3
Albumina (g/dL)> 3,52,8 a 3,5< 2,8

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como investigar e estadiar a cirrose, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do perfil hepático ao escore de transplante.

  1. Separe lesão de função

    AST/ALT e FA/GGT medem lesão do hepatócito e das vias biliares. Função se mede por albumina, INR e bilirrubina. Com bilirrubina alta, FA/GGT elevadas apontam colestase, e AST/ALT elevadas, hepatite. Transaminases normais não afastam cirrose avançada.

  2. Localize o bloqueio da hipertensão portal

    Classifique o bloqueio em pré-hepático, pré-sinusoidal, sinusoidal, pós-sinusoidal ou pós-hepático. Ascite exige hipertensão dentro do sinusoide. Varizes e esplenomegalia com função preservada e sem ascite apontam bloqueio antes do sinusoide, como trombose de porta (pré-hepática) ou esquistossomose (pré-sinusoidal).

  3. Procure os estigmas na anamnese e no exame

    Na anamnese, inversão do ciclo sono-vigília sugere encefalopatia, e ganho de peso, descompensação edemato-ascítica. No exame, telangiectasias e eritema palmar vêm do hiperestrogenismo; cabeça de medusa, da hipertensão portal. Flapping é sinal de encefalopatia hepática.

  4. Leia o laboratório do cirrótico

    Com a progressão para fibrose, a relação AST/ALT se inverte (AST maior que ALT); na etiologia alcoólica, essa inversão, frequentemente 2:1, é precoce. Plaquetopenia costuma ser o primeiro sinal laboratorial de hipertensão portal. Hiponatremia dilucional indica mau prognóstico. FIB-4 baixo permite seguir na atenção primária.

  5. Confirme pela imagem, sem biópsia de rotina

    USG com Doppler é o primeiro exame: superfície nodular, atrofia do lobo direito, hipertrofia dos lobos caudado e esquerdo, veia porta acima de 12-13 mm. Clínica, laboratório e imagem compatíveis fecham o diagnóstico; a biópsia fica para etiologia desconhecida ou diagnóstico duvidoso.

  6. Pontue o Child-Pugh pelo BEATA

    Bilirrubina, encefalopatia, ascite, tempo de protrombina/INR e albumina, de 1 a 3 pontos cada. Some: Child A com 5 a 6 pontos, B com 7 a 9, C com 10 a 15. A creatinina fica de fora.

  7. Calcule o MELD pelo BIC

    O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina e organiza a fila de transplante hepático. O MELD-Na soma o sódio, e o MELD 3.0, também albumina e sexo; quando a prova pede os parâmetros, o BIC segue como resposta padrão. Hepatocarcinoma, colangiocarcinoma, síndrome hepatopulmonar e fibrose cística são situações especiais.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre Child-Pugh e MELD na prova

Como calcular o Child-Pugh?

Pontue de 1 a 3 cada critério do BEATA e some: 5 a 6 pontos é Child A, 7 a 9 é B, 10 a 15 é C. Na questão ENARE 2024 da apostila, bilirrubina de 2,5 mg/dL vale 2 pontos, albumina de 2,6 g/dL vale 3, tempo de protrombina de 2 segundos vale 1, e ascite e encefalopatia ausentes valem 1 cada. Total de 8 pontos: Child B.

Quais são os critérios do Child-Pugh (mnemônico BEATA)?

B de bilirrubina, E de encefalopatia, A de ascite, T de tempo de protrombina/INR e A de albumina. Bilirrubina mede excreção; albumina e INR medem síntese; encefalopatia reflete o metabolismo de toxinas, e ascite, a hipertensão portal. A creatinina não faz parte do Child-Pugh.

Existe Child-Pugh D?

Não. A classificação vai de A a C: Child A com 5 a 6 pontos (compensada), B com 7 a 9 e C com 10 a 15 (descompensada). A escala começa em 5 porque cada um dos cinco critérios pontua no mínimo 1. A apostila aponta esse erro comum ao resolver a questão ENARE 2024, que traz Child-Pugh D entre as alternativas.

Quais parâmetros entram no cálculo do MELD?

O MELD clássico usa bilirrubina, INR e creatinina, o mnemônico BIC. É a resposta padrão em prova objetiva, como na questão UERJ 2025 da apostila. A creatinina é o diferencial em relação ao Child-Pugh: com a síndrome hepatorrenal da cirrose avançada, a disfunção renal vira marcador forte de mortalidade.

O que muda no MELD-Na e no MELD 3.0?

O MELD-Na incorpora o sódio, porque hiponatremia indica gravidade hemodinâmica. O MELD 3.0 incorpora sódio, albumina e sexo. Quando a prova objetiva pergunta quais são os parâmetros do MELD, a resposta padrão continua sendo o BIC clássico: bilirrubina, INR e creatinina.

Por que a hipertensão portal pré-sinusoidal raramente causa ascite?

A ascite exige aumento da pressão hidrostática dentro dos sinusoides. Na esquistossomose (pré-sinusoidal) e na trombose de porta (pré-hepática), o bloqueio fica antes dos sinusoides, e a pressão sinusoidal é normal. A função hepática é preservada, a ascite é rara ou inexistente, e a manifestação evidente são varizes esofágicas, com risco de hemorragia digestiva, e esplenomegalia.

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    Clínica Médica

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    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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