Ficha-resumo gratuita · 17 páginas

Anemias carenciais e de doença crônica: a ficha-resumo para a sua prova

Da contagem de reticulócitos à reposição de B12: VCM e RDW, cinética do ferro na ferropriva, na doença crônica e na talassemia, folato × B12 pelo ácido metilmalônico e dois casos clínicos resolvidos.

PDF de 2,8 MB. Gratuito.

Capa da ficha-resumo Anemias carenciais e de doença crônica em um tablet
Formato
Ficha-resumo · 17 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Hematologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a ficha de anemias carenciais cobre

Três anemias hipoproliferativas na ordem da investigação: classificar pelo hemograma, confirmar pela dosagem e definir o tratamento.

  • Ferropriva, doença crônica e talassemia

    Ferritina, ferro sérico, TIBC, saturação de transferrina e RDW das três em uma tabela. Ferro baixo com ferritina alta fecha doença crônica.

  • A resposta ao ferro oral

    Reticulócitos sobem em cerca de 4 dias e a Hb começa a subir em 7 a 10 dias. Ela ganha cerca de 1 g/dL em 2 semanas, com resolução completa em 6 a 8 semanas.

  • Folato × B12 pela dosagem

    Homocisteína alta nas duas deficiências. O ácido metilmalônico decide: normal aponta folato, alto aponta B12, a única que dá quadro neurológico.

Sumário

O que tem dentro das 17 páginas

Da definição de anemia até a reposição de B12, na ordem em que a investigação acontece.

  1. 01Como investigar uma anemia: cortes de Hb e reticulócitos
  2. 02Reticulócitos: hiper × hipoproliferativa
  3. 03VCM e RDW no hemograma
  4. 04Anemia ferropriva: clínica e trombocitose reativa
  5. 05Anemia ferropriva: diagnóstico, cinética do ferro e absorção
  6. 06Anemia ferropriva: causas por faixa etária e rastreio do TGI
  7. 07Anemia ferropriva: tratamento, resposta ao ferro oral e ferro EV
  8. 08Anemia de doença crônica: hepcidina e ferro preso
  9. 09Ferropriva × doença crônica × talassemia
  10. 10Anemia megaloblástica: por que a hemácia fica gigante
  11. 11Eritropoiese ineficaz e neutrófilo hipersegmentado
  12. 12Folato × vitamina B12
  13. 13Folato (B9): causas e reposição oral
  14. 14A jornada da B12 e a anemia perniciosa
  15. 15Deficiência de B12: causas e tratamento
Página interna da ficha-resumo sobre Anemias carenciais e de doença crônica
Página da ficha: cinética do ferro na anemia ferropriva, com a ferritina como primeiro marcador a cair, e a absorção do ferro ferroso no duodeno.

Quais são as anemias carenciais?

As anemias carenciais são anemias hipoproliferativas por falta de material para fabricar hemácia: a ferropriva, por falta de ferro, e a megaloblástica, por falta de folato (B9) ou de vitamina B12. Os reticulócitos ficam abaixo de 2% ou de 100.000. A anemia de doença crônica entra no diagnóstico diferencial: a hepcidina prende o ferro no macrófago.

O primeiro passo para separar as causas é a contagem de reticulócitos. Acima de 2% ou de 100.000, a medula responde, como no sangramento agudo e na hemólise; abaixo, a anemia é hipoproliferativa. Depois o VCM organiza o raciocínio: abaixo de 80 é microcítica, acima de 100 é macrocítica. Na microcitose, RDW acima de 14,5% aponta ferropriva e RDW normal aponta talassemia.

A ferritina é o primeiro exame a cair na ferropriva, antes da anemia. Na doença crônica, a inflamação faz o fígado produzir hepcidina, que fecha a ferroportina, bloqueia a absorção intestinal e retém o ferro no macrófago. A ferritina sobe porque também é proteína de fase aguda. Ferro baixo com ferritina alta fecha anemia de doença crônica.

Ferropriva no adulto ou no idoso obriga a procurar sangramento do TGI, com suspeita de câncer colorretal. A colonoscopia é o exame preferencial, e o paciente sintomático vai direto a ela, sem pSOF antes. O sulfato ferroso começa já durante a investigação, e a ferritina acima de 50 ng/mL guia a suspensão. Ressecção ileal não afeta o ferro, que é absorvido no duodeno.

Na megaloblástica, a falta de folato ou de B12 trava a síntese de DNA: o núcleo não amadurece enquanto o citoplasma segue enchendo de hemoglobina, e a célula fica gigante. A destruição dos precursores dentro da medula dá marcadores de hemólise com reticulócitos baixos. O ácido metilmalônico separa as duas: normal no folato, alto na B12. Só a B12 dá quadro neurológico.

Página da ficha-resumo Anemias carenciais e de doença crônica

Comparativo

Anemia ferropriva, de doença crônica e talassemia em uma tabela

VCM, ferritina, ferro sérico, TIBC, saturação de transferrina e RDW: como cada exame se comporta nas três.

VCM e cinética do ferro na ferropriva, na anemia de doença crônica e na talassemia. Fonte: apostila Med-Review R1, “Anemias carenciais e de doença crônica”.
ExameFerroprivaDoença crônicaTalassemia
VCMMicrocítica (< 80)Normocítica (80-100)Microcítica (< 80)
FerritinaBaixaAltaNormal ou alta (sobrecarga)
Ferro séricoBaixoBaixoNormal
Transferrina / TIBCAltaBaixa ou normalNormal
Saturação de transferrina (IST)BaixaBaixa ou limítrofeNormal
RDWAumentado (> 14,5%)NormalNormal

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como investigar e tratar uma anemia carencial, passo a passo

O raciocínio da ficha na ordem em que você pede os exames, interpreta e define a reposição.

  1. Confirme a anemia pelo corte de Hb

    Hb abaixo de 13 g/dL no homem e de 12 g/dL na mulher. Na gestante, o corte é 11 no 1º trimestre e 10,5 no 2º e no 3º; na criança até 12 anos, cerca de 11 a 11,5.

  2. Peça reticulócitos em toda anemia

    Acima de 2% ou de 100.000, a medula responde: sangramento agudo ou hemólise. Abaixo, a anemia é hipoproliferativa: falta de material, medula vazia ou medula ocupada. Para corrigir, divida o hematócrito do paciente por 45% e multiplique pela porcentagem de reticulócitos.

  3. Classifique pelo VCM e olhe o RDW

    VCM abaixo de 80 é microcítica (ferropriva, talassemia); de 80 a 100, normocítica (doença crônica, ferropriva precoce, doença renal); acima de 100, macrocítica. Na microcitose, RDW acima de 14,5% aponta ferropriva e RDW normal aponta talassemia.

  4. Confirme pela cinética do ferro

    Ferritina baixa indica ferropriva e pode cair com o hemograma ainda normal. Ferro baixo com ferritina alta é doença crônica: a ferritina também é proteína de fase aguda e sobe na inflamação. Na talassemia, ferro sérico, TIBC e IST ficam normais. Plaquetose com IST muito baixo reforça ferropenia.

  5. Na ferropriva do adulto, procure o sangramento

    O ferro quase não é eliminado: ferro baixo significa perda ou má absorção. No adulto e no idoso, suspeite de câncer colorretal e peça colonoscopia; na mulher jovem, investigue primeiro o fluxo menstrual. Inicie o sulfato ferroso sem esperar a causa.

  6. Na macrocitose, separe folato de B12

    Hipotireoidismo, alcoolismo, doença hepática e reticulocitose também elevam o VCM. Marcadores de hemólise com reticulócitos baixos apontam eritropoiese ineficaz, e o neutrófilo hipersegmentado reforça megaloblástica. Ácido metilmalônico alto e sintoma neurológico apontam B12.

  7. Reponha pela via que a causa permite

    No tratamento da anemia megaloblástica, o ácido fólico vai por via oral, que funciona mesmo em quem absorve mal. A B12 é IM como regra: cianocobalamina 1000 mcg/dia, depois semanal e mensal; a via oral fica para quem comprovadamente absorve. Com sintoma neurológico ou dúvida de B12, nunca reponha só folato.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre anemias carenciais na prova

Como diferenciar anemia ferropriva de talassemia no hemograma?

Pelo RDW. As duas são microcíticas, mas na ferropriva o ferro é distribuído de forma desigual e o RDW passa de 14,5%. Na talassemia a globina falta igual para todas as hemácias, que ficam pequenas e uniformes, com RDW normal. Na cinética do ferro, a talassemia tem ferro sérico, TIBC e saturação normais e ferritina normal ou alta por sobrecarga.

Como diferenciar anemia ferropriva de anemia de doença crônica?

Pela ferritina. Na ferropriva ela é o primeiro exame a cair e fica baixa, com TIBC alta. Na doença crônica o ferro sérico também cai, mas a ferritina sobe, porque é proteína de fase aguda, e a TIBC fica baixa ou normal. O RDW fica aumentado na ferropriva e normal na doença crônica.

Por que a anemia ferropriva causa plaquetose?

A explicação da ficha é a semelhança estrutural entre a eritropoietina e a trombopoietina: na ferropriva, a eritropoietina também estimula os megacariócitos e gera trombocitose reativa. Numa anemia já confirmada microcítica e hipocrômica, plaquetose com saturação de transferrina muito baixa é a combinação clássica de ferropenia.

Anemia megaloblástica é hipo ou hiperproliferativa?

Hipoproliferativa, por falta de material. A medula destrói os precursores defeituosos dentro dela, o que se chama eritropoiese ineficaz. Por isso os marcadores de hemólise vêm positivos, com DHL e bilirrubina indireta altas e haptoglobina baixa, e os reticulócitos ficam baixos. Na hemólise verdadeira, a medula responde com reticulócitos altos.

Qual a diferença entre anemia megaloblástica e anemia perniciosa?

Anemia megaloblástica é o quadro de síntese de DNA travada, causado na imensa maioria por falta de folato ou de B12. A anemia perniciosa é a causa autoimune de falta de B12: o anti-célula parietal leva à gastrite atrófica e o anti-fator intrínseco impede o transporte da B12. O diagnóstico é por anticorpos e endoscopia com atrofia gástrica.

Ácido metilmalônico diferencia deficiência de folato e de B12?

Sim. A homocisteína sobe nas duas deficiências e não separa. O ácido metilmalônico fica normal na deficiência de folato e alto na de B12, que participa da mielina por essa via. Por isso só a B12 dá anemia com parestesia simétrica de membros inferiores, perda de sensibilidade vibratória e de posição, déficit cognitivo e ataxia.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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