Apostila gratuita · 25 páginas

Critérios de Atlanta na pancreatite aguda, do diagnóstico às complicações

Regra do 3x e lipase, etiologia biliar e alcoólica, classificação de Atlanta revisada e Balthazar, hidratação moderada com ringer lactato, timing da CPRE e da colecistectomia, step-up na necrose infectada e pseudocisto. Duas questões comentadas: SUS-SP 2024 e INEP 2017.

PDF de 4,0 MB. Gratuito.

Capa da apostila Pancreatite aguda: do diagnóstico ao manejo das complicações em um tablet
Formato
Apostila · 25 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Aparelho digestivo
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de pancreatite cobre

Da dor em faixa ao pseudocisto, com as condutas que mudaram e as pegadinhas que a banca repete.

  • Atlanta revisada e Balthazar

    Leve, moderadamente grave e grave pela falência orgânica, com o corte de 48 horas, e os graus A a E do escore de Balthazar na tomografia.

  • Conduta que mudou

    Ringer lactato em taxa moderada de 1,5 mL/kg/h depois do WATERFALL, morfina liberada, realimentação precoce e nenhum antibiótico profilático.

  • Duas questões comentadas

    SUS-SP 2024 (enzima e gravidade) e INEP 2017 (pancreatite biliar grave com colangite), com o comentário de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 25 páginas

Da ativação enzimática dentro do pâncreas à drenagem endoscópica do pseudocisto.

  1. 01O que mais cai em prova: conceito-chave e pegadinha por tema
  2. 02Introdução: epidemiologia, mortalidade e fisiopatologia
  3. 03Etiologia: biliar, álcool e outras causas
  4. 04Diagnóstico: quadro clínico, Cullen e Grey Turner
  5. 05Exames laboratoriais: regra do 3x e lipase x amilase
  6. 06Exames de imagem: USG, TC, RM e escore de Balthazar
  7. 07Questão estratégica: diagnóstico laboratorial e gravidade
  8. 08Classificação de Atlanta revisada
  9. 09Conduta inicial: hidratação, metas e analgesia
  10. 10Suporte nutricional: via oral precoce, enteral e NPT
  11. 11Antibioticoprofilaxia: quando usar antibiótico
  12. 12Timing da CPRE e da colecistectomia
  13. 13Necrose pancreática infectada e step-up approach
  14. 14Complicações tardias: pseudocisto e necrose encapsulada (WON)
  15. 15Questão estratégica: pancreatite aguda biliar e conduta
  16. 16Revisão final, resumo em 1 minuto e prescrição na prática
Página interna da apostila sobre Pancreatite aguda: do diagnóstico ao manejo das complicações
Página da apostila: classificação de Atlanta revisada, com as três categorias de gravidade pela presença e pela duração da falência orgânica.

Quais são os critérios de Atlanta na pancreatite aguda?

Pelos critérios de Atlanta, a pancreatite aguda é classificada pela presença e pela duração da falência orgânica. Leve: sem falência orgânica e sem complicações locais ou sistêmicas. Moderadamente grave: falência orgânica transitória, que resolve em até 48 horas, ou complicações locais ou sistêmicas. Grave: falência orgânica persistente, por mais de 48 horas.

A classificação de Atlanta revisada, de 2012, é o sistema universalmente aceito e se baseia na fisiologia: presença e duração da falência orgânica. A persistência da falência orgânica é o principal determinante da mortalidade: se o órgão não se recupera em 48 horas com ressuscitação volêmica, o prognóstico é reservado. SIRS persistente por mais de 48 horas é o principal preditor precoce de gravidade.

O nível da enzima não mede gravidade. Lipase de 4.000 pode estar numa pancreatite leve, e lipase de 400, numa necrosante grave. Na questão SUS-SP 2024 da apostila, a alternativa incorreta é a que correlaciona grandes elevações enzimáticas com a gravidade. Enzima serve para diagnosticar; a gravidade é definida pela falência orgânica.

A TC com contraste é o exame definitivo para morfologia e complicações, mas não na entrada: a necrose só fica clara após 72 a 96 horas. O escore de Balthazar, que as bancas ainda cobram, vai de A (pâncreas normal) a E (duas ou mais coleções ou gás). O sinal tomográfico mais sensível de inflamação é a densificação da gordura peripancreática.

A mortalidade geral é inferior a 5%, cerca de 3% na forma intersticial e cerca de 17% na necrosante. A necrose começa estéril em 80% dos casos; a infecção é tardia, por translocação bacteriana. Piora após 10 a 14 dias em paciente com necrose conhecida sugere necrose infectada, e gás dentro da coleção na TC é o sinal patognomônico.

Página da apostila Pancreatite aguda: do diagnóstico ao manejo das complicações

Comparativo

Pancreatite aguda: o que a banca cobra, tema por tema

O conceito-chave e a pegadinha de cada etapa, do diagnóstico à necrose infectada.

Conceito-chave e pegadinha por tema, do diagnóstico às complicações. Fonte: apostila Med-Review R1, “Pancreatite aguda: do diagnóstico ao manejo das complicações”.
TemaO que a banca cobraPegadinha
Diagnóstico2 de 3 critérios: clínica característica, amilase e/ou lipase > 3x o LSN, imagem compatívelNível da enzima não se correlaciona com gravidade; a lipase dura mais e serve à apresentação tardia
EtiologiaLitíase biliar (40 a 70%), seguida do álcool (25 a 35%); USG de abdome como exame inicialMicrolitíase e lama biliar podem escapar ao USG e aparecer na ecoendoscopia
GravidadeAtlanta revisada (2012): falência orgânica persistente (> 48 h) define a forma graveNecrose se associa a quadros graves, mas não é o único critério
Conduta inicialRinger lactato em taxa moderada (1,5 mL/kg/h) e analgesia, com opioide quando precisoAntibiótico profilático não está indicado
NutriçãoVia oral precoce na forma leve; enteral por sonda se não tolerar a via oral em 48 a 72 hEsperar a amilase ou a lipase normalizar para reiniciar a dieta é erro
Pancreatite biliarCPRE de urgência só com colangite aguda concomitanteSem colangite ou obstrução persistente, a CPRE não é rotina
ColecistectomiaLeve: na mesma internação. Grave ou necrosante: tardia, após 6 a 8 semanasAdiar a cirurgia na forma leve aumenta o risco de recorrência
Necrose infectadaStep-up: antibiótico, drenagem percutânea ou endoscópica e, se falhar, necrosectomia minimamente invasivaIntervenção adiada por cerca de 4 semanas, até a necrose encapsular (WON)

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Da admissão à alta na pancreatite aguda, passo a passo

O manejo na ordem da apostila, do diagnóstico à complicação tardia.

  1. Feche o diagnóstico com 2 de 3 critérios

    Dor epigástrica intensa e persistente, em faixa para o dorso em cerca de 50% dos casos; amilase e/ou lipase acima de 3 vezes o limite superior, com preferência pela lipase; imagem compatível. Clínica típica com enzimas acima de 3x basta: não atrase o tratamento pedindo TC.

  2. Defina a etiologia pelo USG

    O USG de abdome é o exame inicial para todos e serve para achar cálculo ou lama biliar; o pâncreas costuma ficar encoberto por gases. Sem causa biliar ou alcoólica, investigue hipertrigliceridemia acima de 1.000 mg/dL, pós-CPRE, medicamentos como azatioprina e valproato, trauma e genética abaixo dos 35 anos.

  3. Classifique pelos critérios de Atlanta

    Leve sem falência orgânica nem complicações; moderadamente grave com falência transitória (até 48 horas) ou complicações locais ou sistêmicas; grave com falência persistente por mais de 48 horas, que pede UTI. Hematócrito acima de 44% na admissão que não cai com hidratação indica mau prognóstico.

  4. Hidrate com ringer lactato em taxa moderada

    Cerca de 1,5 mL/kg/h, após bolus se houver hipovolemia: o estudo WATERFALL mostrou mais sobrecarga hídrica com hidratação agressiva. Reavalie a cada 6 horas: diurese acima de 0,5 mL/kg/h, PAM de 65 a 85 mmHg, queda do hematócrito e da ureia. Morfina é permitida.

  5. Alimente cedo, sem antibiótico profilático

    Na forma leve, dieta oral sólida pobre em gordura assim que houver fome e não houver vômitos. Sem tolerar a via oral em 48 a 72 horas, nutrição enteral por sonda nasogástrica; NPT só como último recurso. Antibiótico apenas com infecção comprovada.

  6. Resolva a via biliar no tempo certo

    CPRE de urgência só com colangite aguda concomitante, pela tríade de Charcot, ou obstrução persistente. Colecistectomia na mesma internação na pancreatite biliar leve; na grave ou necrosante, após 6 a 8 semanas. Sem a colecistectomia, a recorrência chega a 25-30%.

  7. Conduza as complicações tardias

    TC com contraste após 72 a 96 horas, lida pelo Balthazar. Necrose infectada: step-up e intervenção adiada por cerca de 4 semanas. Pseudocisto ou WON assintomático: observar. Com sintomas, infecção ou crescimento: drenagem endoscópica transluminal, evitando a percutânea como tratamento definitivo.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre pancreatite aguda na prova de residência

Como diagnosticar pancreatite aguda?

Com 2 de 3 critérios: dor abdominal característica (epigástrica, intensa, persistente, muitas vezes em faixa para o dorso), amilase e/ou lipase acima de 3 vezes o limite superior da normalidade e imagem compatível. Clínica típica com enzimas acima de 3x fecha o diagnóstico sem TC na admissão. A lipase é preferível e permanece elevada por 8 a 14 dias.

O que é a classificação de Balthazar?

É o escore tomográfico que as bancas ainda cobram, embora Atlanta seja a classificação mais usada na clínica. A: pâncreas normal. B: aumento do pâncreas. C: inflamação da gordura peripancreática. D: uma coleção líquida. E: duas ou mais coleções ou gás no pâncreas. A apostila ensina a lógica dos graus, sem exigir a pontuação exata.

Quando usar antibiótico na pancreatite aguda?

Só com infecção comprovada ou suspeita forte. A pancreatite começa como processo inflamatório químico e estéril; a profilaxia não reduz mortalidade, não previne infecção da necrose e seleciona bactérias multirresistentes e Candida. As indicações são foco extrapancreático, como pneumonia, ITU ou colangite, e necrose pancreática infectada, tratada com carbapenêmico.

Pancreatite aguda precisa de cirurgia?

Na fase inicial, não: o manejo é suporte com hidratação, analgesia e nutrição. A cirurgia entra em dois contextos. Na pancreatite biliar, a colecistectomia evita recorrência, na mesma internação na forma leve e após 6 a 8 semanas na grave. Na necrose infectada, a necrosectomia aberta é a última etapa do step-up.

Quando indicar CPRE na pancreatite biliar?

Só com colangite aguda concomitante (febre, icterícia e dor) ou obstrução biliar persistente; pancreatite biliar isolada não pede CPRE de rotina. Na questão INEP 2017 da apostila, a paciente com pancreatite biliar grave evolui com febre, icterícia e cálculo impactado no colédoco: a resposta é antibiótico de amplo espectro e CPRE com esfincterotomia.

Qual a diferença entre pseudocisto e necrose encapsulada (WON)?

As duas são complicações tardias, após 4 semanas, quando a coleção ganha cápsula fibrosa. O pseudocisto vem da pancreatite intersticial e tem conteúdo só líquido e homogêneo. A WON vem da pancreatite necrosante e mistura líquido com debris sólidos. Pequena e assintomática, observa-se; com sintomas, complicação ou crescimento, drenagem endoscópica transluminal.

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    Davi Khoury

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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