Intervalo PR e cálculo da frequência no ECG, causas extrínsecas e intrínsecas, bradicardia sinusal e doença do nó sinusal, BAV de 1º grau, Mobitz I e II, BAV 2:1, BAV avançado e BAVT, os 5 Ds da instabilidade, atropina, dopamina, adrenalina, marca-passo transcutâneo e transvenoso e os modos DDD e VVI. Duas questões comentadas: FAMEMA 2023 e HIAE 2025.
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Para que serve
Do intervalo PR ao marca-passo, com a separação entre os bloqueios benignos e os que pedem marca-passo, que orienta a conduta na prova.
BAV de 1º grau e Mobitz I costumam estar no próprio nó AV, ter evolução benigna e responder à atropina. Mobitz II e BAVT têm pior prognóstico e, sem causa reversível, indicação de marca-passo mesmo no paciente assintomático.
Atropina 1 mg IV a cada 3 a 5 minutos até 3 mg; sem resposta, marca-passo transcutâneo, dopamina de 5 a 20 mcg/kg/min ou adrenalina de 2 a 10 mcg/min, e depois o transvenoso.
FAMEMA 2023, sobre o traçado que caracteriza o Mobitz I, e HIAE 2025, sobre a conduta na bradicardia instável com BAVT, com gabarito e comentário.
Sumário
Da fisiologia do nó AV aos modos de marca-passo, na ordem em que a apostila ensina.
Bloqueio atrioventricular (BAV) é o atraso ou a interrupção da passagem do estímulo elétrico dos átrios para os ventrículos pelo nó AV e pelo sistema de condução. Junto com a bradicardia sinusal, em que o nó sinusal gera estímulos lentos com a condução intacta, forma o grupo das bradiarritmias, com frequência abaixo de 50 a 60 bpm.
A classificação segue o destino da onda P. No BAV de 1º grau, nenhum estímulo é bloqueado: o intervalo PR passa de 200 ms, ou 5 quadradinhos, e toda onda P gera QRS. No BAV de 2º grau, alguns estímulos passam e outros não. No de 3º grau, o BAVT, nenhum chega aos ventrículos: há dissociação atrioventricular e um ritmo de escape mais lento, juncional ou ventricular.
O 2º grau tem subtipos. No Mobitz I, o fenômeno de Wenckebach, o PR aumenta a cada batimento até uma onda P ficar sem QRS, em geral por bloqueio no próprio nó AV. No Mobitz II, o PR é constante e o bloqueio vem de repente, em geral abaixo do nó, no feixe de His ou nos ramos. No BAV 2:1, só uma de cada duas ondas P conduz; no BAV avançado, duas ou mais ondas P seguidas são bloqueadas, com condução intermitente.
Para a conduta, BAV de 1º grau e Mobitz I, em geral no próprio nó AV, têm bom prognóstico; Mobitz II e BAVT têm pior prognóstico e indicam marca-passo quando a causa não é revertida, mesmo sem sintomas.
Comparativo
O achado do traçado e a conduta no paciente estável, segundo a apostila.
| Diagnóstico | Achado no ECG | Prognóstico | Estável, sem causa reversível |
|---|---|---|---|
| Bradicardia sinusal | FC < 50-60 bpm, toda onda P conduz QRS, PR normal | Muitas vezes fisiológica, como em atletas e no sono | Observar se assintomático; na doença do nó sinusal sintomática, marca-passo permanente |
| BAV de 1º grau | PR > 200 ms e todas as ondas P conduzem | Benigno | Observar se assintomático |
| BAV de 2º grau Mobitz I | PR aumenta até uma onda P ficar sem QRS (Wenckebach) | Benigno, em geral no próprio nó AV | Observar se assintomático |
| BAV de 2º grau Mobitz II | PR constante e bloqueio súbito de uma onda P | Pior: risco de evoluir para BAVT | Marca-passo, mesmo sem sintomas |
| BAV de 3º grau (BAVT) | Dissociação atrioventricular: P e QRS em ritmos independentes, com escape juncional ou ventricular | Pior: depende de um ritmo de escape lento | Marca-passo, mesmo sem sintomas |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da primeira avaliação no pronto-socorro ao marca-passo.
Nos ritmos regulares, FC = 1500/RR em quadradinhos; mais de 5 a 6 quadradões entre os QRS já indicam bradicardia. No ritmo irregular, multiplique o número de QRS do D2 longo por 6.
Procure os 5 Ds: dor torácica, dispneia, desmaio, diminuição da PA e diminuição do nível de consciência. No paciente instável, o tipo exato de bloqueio fica para depois.
Atropina 1 mg IV em bolus, a cada 3 a 5 minutos, até 3 mg. Ela funciona bem na bradicardia sinusal e nos bloqueios no nó AV e pode falhar no Mobitz II e no BAVT com escape ventricular, mas o ACLS a mantém como primeira linha para todos.
Marca-passo transcutâneo, dopamina de 5 a 20 mcg/kg/min ou adrenalina de 2 a 10 mcg/min, sem superioridade entre eles. No transcutâneo, programe cerca de 80 bpm, suba a corrente de 10 em 10 mA até a captura e acrescente 10% a 20%.
O marca-passo transvenoso, pela jugular interna direita ou pela subclávia esquerda, substitui o transcutâneo até a causa reversível ser corrigida ou o paciente receber o marca-passo permanente. Revise betabloqueador, hipercalemia, hipotireoidismo e isquemia.
Afastadas as causas reversíveis, bradicardia sinusal, BAV de 1º grau e Mobitz I assintomáticos ficam em observação. Mobitz II e BAVT sem causa revertida vão para marca-passo, mesmo sem sintomas.
Perguntas frequentes
No Mobitz I, o intervalo PR aumenta a cada batimento até uma onda P ficar sem QRS, o fenômeno de Wenckebach; o bloqueio costuma estar no nó AV e é benigno. No Mobitz II, o PR é constante e uma onda P é bloqueada de repente, em geral abaixo do nó. Como pode evoluir para BAVT a qualquer instante, o Mobitz II sem causa reversível indica marca-passo mesmo sem sintomas.
É o atraso exagerado da condução no nó AV, com intervalo PR acima de 200 ms, ou mais de 5 quadradinhos. Nenhum batimento é bloqueado: toda onda P gera QRS. Em geral não causa sintomas e tem evolução benigna; no paciente estável e assintomático, a conduta é observar e buscar causas reversíveis.
Medicamentos são a causa reversível mais comum de bradicardia sinusal e de BAV: betabloqueadores, diltiazem e verapamil, digoxina, amiodarona, clonidina, lítio, ivabradina, inibidores da acetilcolinesterase como a donepezila e antidepressivos tricíclicos como a amitriptilina. Revisar a prescrição é o primeiro passo no paciente estável.
A lentidão tem duas origens: o nó sinusal gera estímulos devagar, na bradicardia sinusal, ou os estímulos ficam atrasados ou bloqueados no nó AV, nos bloqueios atrioventriculares. A bradicardia sinusal pode ser fisiológica em atletas e durante o sono; a doença do nó sinusal, típica de idosos, soma pausas, incompetência cronotrópica e a síndrome bradi-taqui.
Seguir o algoritmo do ACLS, que é o mesmo para qualquer bradiarritmia: atropina 1 mg IV, repetida até 3 mg. Sem resposta, marca-passo transcutâneo ou infusão de dopamina ou adrenalina, como pontes. Depois, marca-passo transvenoso, enquanto se busca e trata a causa reversível, como na questão HIAE 2025.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
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Pediatria
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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Ginecologia e Obstetrícia
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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