Circuito de reentrada, QRS estreito ou largo, taquicardia sinusal, fibrilação atrial e sua classificação, flutter atrial e o BAV funcional, TPSV por reentrada nodal, Wolff-Parkinson-White e TRAV, taquicardia atrial e atrial multifocal, TV monomórfica e polimórfica, torsades de pointes e o algoritmo de Brugada. Três questões comentadas: ENARE 2021, UNIFESP 2022 e SURCE 2023 (adaptada).
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Para que serve
Um roteiro de leitura do ECG: largura do QRS, regularidade, onda P e a assinatura de cada arritmia.
FA com ritmo irregular e sem onda P, flutter com ondas F em serrote negativas em D2, D3 e aVF, TPSV regular com a onda P escondida no QRS e taquicardia atrial com P de morfologia anormal.
Cerca de 80% a 90% das taquicardias de QRS largo são ventriculares. Os quatro passos do algoritmo de Brugada ajudam a separar a TV da supraventricular com aberrância; na dúvida, trate como TV.
ENARE 2021 sobre o flutter atrial, UNIFESP 2022 sobre o QRS estreito regular na paciente jovem e SURCE 2023 (adaptada) sobre torsades de pointes após haloperidol, com gabarito e comentário.
Sumário
Do mecanismo de reentrada às taquicardias ventriculares, na ordem em que a apostila ensina.
No ECG, o flutter atrial aparece, em geral, com QRS estreito e, no lugar da onda P, ondas F em dentes de serra: um sobe-e-desce contínuo entre os complexos, em geral bem evidente e negativo nas derivações inferiores, D2, D3 e aVF. É a assinatura que fecha o diagnóstico na prova, como na questão ENARE 2021.
A origem é um grande circuito de macrorreentrada, tipicamente ao redor da valva tricúspide, no átrio direito, que dispara cerca de 300 vezes por minuto. O nó AV faz um bloqueio funcional: com condução 2:1, a frequência ventricular fica em 150 bpm cravados; com 3:1, em 100 bpm.
Se a proporção do bloqueio é constante, o ritmo é regular. Se o nó AV varia a proporção a cada batimento, o flutter fica irregular e pode ser confundido com a fibrilação atrial. A diferença está na linha de base: na FA, ela é trêmula, com ondas f minúsculas e R-R irregularmente irregular; no flutter, o serrote é organizado.
Na leitura sistemática da apostila, o flutter entra depois da largura do QRS: QRS estreito aponta para origem supraventricular, e o serrote separa o flutter da FA, da TPSV e da taquicardia sinusal.
Comparativo
Ritmo, onda P e pista clínica de cada arritmia supraventricular, segundo a apostila.
| Arritmia | Ritmo | Onda P | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| Taquicardia sinusal | Regular | Positiva em D1, D2 e aVF antes de cada QRS | Resposta fisiológica: trate a causa |
| Fibrilação atrial | Irregularmente irregular | Ausente, com ondas f na linha de base | Arritmia sustentada mais comum |
| Flutter atrial | Regular ou irregular, conforme o BAV funcional | Ondas F em serrote, negativas em D2, D3 e aVF | FC de 150 bpm no flutter 2:1 |
| TPSV | Absolutamente regular | Escondida no QRS; às vezes pseudo-S em D2 e pseudo-R' em V1 | Paciente jovem, início e término súbitos |
| Taquicardia atrial multifocal | Irregular | Pelo menos três morfologias diferentes | DPOC grave ou exacerbada |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O roteiro da apostila, da frequência à origem do ritmo.
Se o intervalo RR é menor que três quadrados grandes, a frequência passa de 100 bpm. Para o valor exato, use FC = 1500/RR, com o RR medido em quadradinhos.
QRS abaixo de 120 ms, ou 3 quadradinhos, indica, na grande maioria dos casos, que o estímulo desceu pelo sistema de condução e nasceu acima dos ventrículos. QRS largo é TV, supraventricular com aberrância ou supraventricular conduzida pela via acessória, como na TRAV antidrômica.
Ritmo irregular sem onda P sugere FA; irregular com três ou mais morfologias de P, taquicardia atrial multifocal. Ritmo regular com P normal é taquicardia sinusal; sem P visível, em jovem com início súbito, TPSV.
Ondas F em dentes de serra, negativas em D2, D3 e aVF, fecham o flutter atrial: regular quando o BAV funcional é constante, irregular quando a proporção varia.
Cerca de 80% a 90% são ventriculares. Com tempo, aplique Brugada: ausência de RS nas precordiais, RS acima de 100 ms, dissociação AV e critérios morfológicos em V1, V2 e V6.
Monomórfica, com QRS iguais, ou polimórfica; sustentada, acima de 30 segundos ou com instabilidade, ou não sustentada. Amplitude que aumenta e diminui girando em torno de um eixo é torsades de pointes, ligada ao QT longo.
Perguntas frequentes
É uma taquiarritmia supraventricular causada por um grande circuito de macrorreentrada, tipicamente ao redor da valva tricúspide, que dispara cerca de 300 vezes por minuto. É parente próximo da FA, porém mais organizado. O nó AV bloqueia parte dos estímulos, e a frequência ventricular depende da proporção: 150 bpm no 2:1, 100 bpm no 3:1.
É a taquicardia paroxística supraventricular: início e término súbitos, em geral em pessoas com coração estruturalmente normal. O principal mecanismo, em até 60% dos casos, é a reentrada nodal. No ECG, QRS estreito, ritmo absolutamente regular e onda P escondida no QRS, como na questão UNIFESP 2022.
A supraventricular nasce acima dos ventrículos e desce pelo sistema de condução, o que em geral gera QRS estreito, abaixo de 120 ms. A ventricular nasce no músculo ventricular e se propaga célula a célula, com QRS largo na grande maioria dos casos. Uma supraventricular também pode ter QRS largo quando há aberrância, como no bloqueio de ramo, ou condução pela via acessória; na dúvida, trate como TV.
É uma TV polimórfica em que a amplitude do QRS aumenta e diminui, como se torcesse em torno de um eixo. Decorre do prolongamento do intervalo QT, por hipocalemia, hipomagnesemia ou drogas como haloperidol e azitromicina, como na questão SURCE 2023 (adaptada).
Na TV, o ritmo nasce nos ventrículos, com QRS largos, monomórficos ou polimórficos, sustentados ou não. Sem tratamento, ela pode evoluir para fibrilação ventricular, um ritmo totalmente caótico em que o miocárdio não gera contração efetiva. A fibrilação ventricular é sempre ritmo de parada cardiorrespiratória.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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