Endometriose da teoria de Sampson à cistectomia do endometrioma, com os 6 Ds, a ASRM e o papel de USG, RM e CA-125. Traz também adenomiose, congestão pélvica, cistite intersticial, dor miofascial e sete questões comentadas, de SUS-SP a USP-RP.
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Para que serve
Recorte da dor pélvica crônica pelo que as bancas de residência perguntam: a endometriose e os diferenciais, que caem cada vez mais.
Uma tabela abre a apostila com pista do enunciado, diagnóstico e tratamento padrão de endometriose, varizes pélvicas, cistite intersticial e dor miofascial.
USG com preparo intestinal e RM sustentam o diagnóstico presumido e o planejamento cirúrgico. A videolaparoscopia com biópsia segue como padrão-ouro, mas o tratamento clínico empírico já pode começar com suspeita clínica e de imagem.
Entre elas SUS-SP 2021, HIAE 2023, UNESP 2024, HSL 2022, UERJ 2023 e USP-RP 2025, resolvidas no meio do conteúdo, com gabarito e comentário. Em quatro das sete, o comentário também explica alternativas erradas.
Sumário
Da definição de dor pélvica crônica, com pelo menos 6 meses de dor, ao tratamento de cada causa, com revisão final e resumo em 1 minuto.
A endometriose, em resumo, tem três apresentações: superficial, com implantes no peritônio que invadem menos de 5 mm; ovariana, que forma o endometrioma, o cisto achocolatado; e profunda, que invade 5 mm ou mais ou distorce de forma significativa a anatomia pélvica. A ASRM estadia a doença de I a IV pelo que o cirurgião vê na videolaparoscopia.
O corte de 5 mm separa a forma superficial da profunda. Na profunda, os locais clássicos são septo retovaginal, ligamentos uterossacros, retossigmoide, bexiga e ureteres. O ligamento uterossacro é o local mais acometido na endometriose profunda, e o ovário é o local isolado mais frequente da doença. Na questão da SUS-SP 2021, espessamento retrocervical e útero pouco móvel no toque levam à forma profunda.
A intensidade da dor não acompanha o estágio. Um foco pequeno que invade terminação nervosa pode deixar acamada a paciente em estágio I, e a paciente em estágio IV, com endometriomas grandes e aderências, pode ser oligossintomática. A banca usa essa dissociação como pegadinha de estadiamento.
No USG transvaginal com preparo intestinal, o endometrioma tem conteúdo espesso e homogêneo em vidro fosco, e o sliding sign negativo indica fundo de saco de Douglas obliterado. Quando o USG não basta, a ressonância magnética de pelve mapeia a endometriose: endometrioma hiperintenso em T1 e hipointenso em T2, o shading.
O CA-125 tem baixa sensibilidade e baixa especificidade, não é recomendado para diagnóstico nem rastreio, não prevê endometriose profunda e fica só para o seguimento. No endometrioma, punção ou drenagem é pegadinha, com recorrência altíssima, infecção e abscesso. Na questão da UERJ 2023, o endometrioma de 8 cm em quem quer engravidar vai para cistectomia videolaparoscópica.
Comparativo
Pista do enunciado, diagnóstico e tratamento padrão de cada causa, a partir do mapa de prioridades da banca e dos capítulos da apostila.
| Causa | Pista do enunciado | Diagnóstico | Tratamento padrão |
|---|---|---|---|
| Endometriose | Dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, infertilidade, nódulo retrocervical | USG com preparo intestinal ou RM; padrão-ouro: videolaparoscopia com biópsia | Progestagênio contínuo (dienogeste) ou COC; cirurgia nos refratários e no endometrioma volumoso |
| Aderências pélvicas | DIP ou cirurgia prévia, dor inespecífica, útero fixo | USG com sliding sign negativo; certeza só na videolaparoscopia | Adesiólise isolada não é recomendada para tratar a dor |
| Insuficiência venosa pélvica | Dor em peso que piora no fim do dia e em ortostatismo; multípara | USG Doppler (veias > 8 mm) ou RM; padrão-ouro: flebografia | Progestagênios; definitivo: embolização percutânea |
| Cistite intersticial | Dor ao encher a bexiga, alívio ao urinar, urgência, frequência, urocultura negativa | Clínico; cistoscopia não obrigatória, busca lesões de Hunner | Fisioterapia pélvica sem Kegel, amitriptilina, pentosano polissulfato, instilação de DMSO |
| Dor miofascial | Piora com esforço, cesáreas prévias ou Pfannenstiel, teste de Carnett positivo | Clínico: pontos-gatilho palpáveis, hiperalgesia, alodínia | Fisioterapia, injeção em ponto-gatilho, gabapentina |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A ordem de raciocínio da apostila, da primeira consulta à indicação de cirurgia.
Dor pélvica, dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade, disúria, disquezia e dificuldade para engravidar. No toque vaginal e retal, a banca cobra útero fixo, nódulo retrocervical e uterossacros dolorosos. A intensidade da dor não indica o estágio.
É o exame de primeira linha. Procure endometrioma em vidro fosco com baixa vascularização ao Doppler, espessamento hipoecoico dos uterossacros, sliding sign negativo e kissing ovaries, sinal indireto de doença severa.
A RM de pelve mapeia casos complexos, pacientes virgens, lesões altas e múltiplos sítios antes da cirurgia. Colonoscopia costuma vir normal, porque a lesão invade da serosa para a mucosa. CA-125 fica só para o seguimento.
Mulher de 40 a 50 anos, multípara, com sangramento uterino anormal e útero aumentado e amolecido: adenomiose. DIP ou cirurgia prévia com útero fixo: aderências. Útero aumentado com contorno nodular: mioma. Tecido deixado na ooforectomia: ovário remanescente. Ovário preservado na histerectomia: ovário residual.
Dor em peso que piora em pé e alivia ao deitar: congestão pélvica. Dor ao encher a bexiga, alívio ao urinar e urocultura negativa: cistite intersticial. Dor que piora ao contrair o abdome no teste de Carnett: miofascial.
Sem desejo de gestar: COC contínuo ou progestagênio na primeira linha e análogo de GnRH na segunda, com add-back therapy para passar de 6 meses. Com desejo: bloqueio hormonal não melhora a fertilidade; videolaparoscopia nos estágios I e II da ASRM e FIV na doença grave.
Opere na dor refratária, no endometrioma grande, na lesão que ameaça órgão e, em casos selecionados, pela fertilidade. Endometrioma pede cistectomia videolaparoscópica; drenagem é pegadinha. Estenose ureteral com hidronefrose é cirurgia urgente. Histerectomia só com prole definida.
Perguntas frequentes
Entre as ginecológicas, a principal é a endometriose; a apostila também cobre adenomiose, sequela de DIP com aderências, miomatose uterina e síndromes do ovário remanescente e residual. Entre as não ginecológicas, a banca cobra insuficiência venosa pélvica, cistite intersticial e dor miofascial da parede abdominal. Para cada uma, a apostila traz a pista clássica do enunciado.
Na adenomiose, glândulas e estroma endometrial infiltram o miométrio; na endometriose, ficam fora da cavidade uterina. A paciente típica de adenomiose na prova tem 40 a 50 anos, é multípara, tem sangramento uterino anormal, dismenorreia secundária e útero globalmente aumentado e amolecido. O perfil da jovem nulípara é o mais comum na endometriose.
O USG transvaginal com preparo intestinal é o exame de primeira linha. A RM de pelve é o melhor método não invasivo para mapear casos complexos, pacientes virgens, lesões altas e múltiplos sítios; na questão do HIAE 2023, endometrioma no USG com septo retovaginal espessado pede RM. A videolaparoscopia com biópsia é o padrão-ouro, mas não é obrigatória para iniciar o tratamento. Colonoscopia costuma vir normal.
No USG transvaginal, adenomiose dá aumento uterino global, miométrio heterogêneo, pequenos cistos, limites mal definidos e vascularização difusa ao Doppler. Mioma aparece como nódulo sólido bem delimitado, com contornos uterinos irregulares ou lobulados e vascularização periférica. No toque bimanual, o útero com adenomiose é amolecido e o miomatoso tem contorno nodular.
Por três motivos: a veia ovariana esquerda desemboca na veia renal esquerda em ângulo de 90 graus; a veia renal esquerda cruza a aorta, muitas vezes entre ela e a artéria mesentérica superior, o que transmite a pulsação e pode comprimi-la (efeito nutcracker); e há com frequência incompetência das válvulas da veia ovariana esquerda. A veia ovariana direita drena direto na veia cava inferior.
O manejo inicial é comportamental, sem cafeína, cítricos e pimenta, com fisioterapia pélvica para relaxamento e sem exercícios de Kegel, que pioram o espasmo do assoalho pélvico. A primeira linha farmacológica é a amitriptilina. Outras opções são o pentosano polissulfato, com risco de toxicidade macular, e a instilação vesical de DMSO ou lidocaína.
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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