Vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase numa tabela com pH, achados e tratamento, junto com vaginose citolítica, vaginite atrófica e vaginite descamativa. Traz também critérios de Amsel, conduta na gestante, estudo StepUp e uma questão ENAMED 2026 comentada.
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Para que serve
O corrimento pelo raciocínio de prova: o agente provável sai do aspecto da secreção, do pH vaginal e do exame físico.
Tabela de duas páginas com vaginose bacteriana, candidíase, tricomoníase, vaginose citolítica, vaginite atrófica e vaginite descamativa por agente, sintomas, pH vaginal, achados e tratamento principal.
Com o parceiro tratado, a recorrência da vaginose bacteriana em 12 semanas foi de 35%, contra 63% no grupo controle. As diretrizes atuais ainda não indicam tratar a parceria, mas é provável que o resultado as mude.
Diabética com antibiótico recente, prurido, fissuras e teste das aminas negativo. O comentário exclui vaginose e tricomoníase e chega ao miconazol vaginal por 7 noites.
Sumário
Da tabela do que mais cai em prova aos diferenciais da candidíase, com a questão ENAMED 2026, probióticos e a revisão em 1 minuto no fim.
Nas vulvovaginites, em resumo, as três causas mais comuns de corrimento se separam por pH vaginal, teste das aminas e microscopia. Vaginose bacteriana exige 3 de 4 critérios de Amsel: corrimento típico, pH > 4,5, aminas positivo e clue cells. Candidíase tem pH < 4,5, aminas negativo e pseudo-hifas. Tricomoníase tem pH > 5,0 e protozoário móvel a fresco.
A vaginose bacteriana é uma disbiose, fora do grupo das IST: cai o predomínio dos Lactobacillus e crescem as bactérias anaeróbias. O odor de peixe piora após a relação sexual e na menstruação, porque sêmen e sangue têm pH mais básico e favorecem a liberação das aminas voláteis. O diagnóstico exige 3 de 4 critérios de Amsel.
A tricomoníase é IST, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. O corrimento é amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, e o exame especular pode mostrar o colo em framboesa ou em morango, sinal clássico que falta em parte dos casos. O tratamento é obrigatoriamente oral, com o parceiro tratado mesmo sem sintomas, rastreio de HIV, sífilis e hepatites e nenhum álcool pelo efeito antabuse.
Na candidíase vulvovaginal, o prurido intenso é a queixa principal e o corrimento é branco, grumoso e aderido, em leite coalhado. Os gatilhos são antibiótico recente, diabetes mal controlado, estresse, HIV/aids, uso crônico de corticoide e quimioterapia. Gestante não usa fluconazol, pelo risco de aborto e malformação: o tratamento é só tópico, com nistatina ou miconazol.
Recorrência tem corte diferente em cada uma: vaginose bacteriana de repetição com 3 ou mais episódios no ano, candidíase recorrente com 4 ou mais em 12 meses. No estudo StepUp, a recorrência da vaginose em 12 semanas foi de 35% com o parceiro tratado, contra 63% no grupo controle. As diretrizes atuais ainda não indicam tratar a parceria na vaginose bacteriana.
Comparativo
As três causas mais comuns de corrimento e os diferenciais da candidíase, com o pH vaginal, o dado que fecha o diagnóstico e o tratamento principal.
| Entidade | pH vaginal | Achado diagnóstico | Tratamento principal |
|---|---|---|---|
| Vaginose bacteriana | > 4,5 | 3 de 4 critérios de Amsel: corrimento, pH, aminas positivo e clue cells | Metronidazol 500 mg VO 12/12h por 7 dias ou gel vaginal; clindamicina creme vaginal na alergia ao metronidazol |
| Candidíase vulvovaginal | Normal ou baixo (< 4,5) | Pseudo-hifas e esporos; aminas negativo | Fluconazol 150 mg VO dose única ou miconazol/nistatina tópicos; gestante só tópico |
| Tricomoníase | > 5,0 | Protozoário móvel a fresco; colo em framboesa ou morango | Metronidazol ou tinidazol só por via oral; tratar o parceiro |
| Vaginose citolítica | < 4,0 | Citólise intensa, sem fungos e sem leucócitos em grande número | Alcalinizar com duchas de bicarbonato |
| Vaginite atrófica | > 5,0 | Células basais e parabasais; aumento de polimorfonucleares | Estrogênio tópico |
| Vaginite descamativa | > 6,0 | Corrimento purulento, polimorfonucleares e descamação epitelial | Clindamicina tópica + corticoide tópico |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
A sequência do material, da flora normal à conduta de cada agente.
Os Lactobacillus convertem o glicogênio do epitélio em ácido lático e mantêm o pH entre 3,8 e 4,5. Secreção fisiológica é branca ou transparente, sem odor, com whiff test negativo. Trichomonas e clamídia não fazem parte da flora.
Branco-acinzentado, homogêneo e com odor de peixe é o da vaginose bacteriana. Branco e grumoso, em leite coalhado, com prurido intenso, é o da candidíase. Amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido é o da tricomoníase. Purulento é o da vaginite descamativa.
Na vaginose bacteriana o pH fica acima de 4,5; na tricomoníase e na vaginite atrófica, acima de 5,0; na vaginite descamativa, acima de 6,0. Na candidíase fica normal ou baixo, e na vaginose citolítica, abaixo de 4,0.
Misture o conteúdo vaginal com KOH a 10%. Na vaginose bacteriana é positivo, com odor de peixe podre. Na tricomoníase pode ser positivo, porém mais fraco. Na candidíase é negativo: na questão ENAMED 2026, o comentário usa esse dado para afastar vaginose e tricomoníase.
Clue cells, células epiteliais recobertas por bactérias, na vaginose. Pseudo-hifas e esporos na candidíase. Na tricomoníase, o protozoário móvel a fresco é o diagnóstico definitivo, e o colo em framboesa ou morango no exame especular é o sinal clássico.
Vaginose bacteriana: metronidazol 500 mg VO 12/12h por 7 dias ou gel vaginal. Candidíase: fluconazol 150 mg VO dose única ou miconazol vaginal por 7 noites. Tricomoníase: metronidazol ou tinidazol só por via oral, com o parceiro tratado.
Na gestante: metronidazol VO na vaginose e só tópico na candidíase. Vaginose de repetição, com 3 ou mais episódios no ano, pede metronidazol prolongado com ácido bórico vaginal. Candidíase recorrente, com 4 ou mais em 12 meses, pede fluconazol em D1, D4 e D7 e depois semanal por 6 meses.
Perguntas frequentes
São os critérios da vaginose bacteriana, e o diagnóstico pede 3 de 4: corrimento típico, branco-acinzentado e homogêneo; pH vaginal acima de 4,5; teste das aminas positivo, com odor de peixe ao misturar o conteúdo vaginal com KOH a 10%; e clue cells, células epiteliais recobertas por bactérias, com contorno granuloso.
A candidíase é infecção fúngica, com prurido intenso, corrimento grumoso em leite coalhado, pH normal ou baixo, teste das aminas negativo e pseudo-hifas na microscopia. A vaginose bacteriana é disbiose com anaeróbios, corrimento acinzentado com odor de peixe, pH acima de 4,5, aminas positivo e clue cells. Nenhuma das duas é IST.
Pode dar positivo, porém a reação costuma ser mais fraca que na vaginose bacteriana. O diagnóstico definitivo da tricomoníase é a microscopia a fresco, com o protozoário móvel na lâmina. O pH fica acima de 5,0, e o colo em framboesa ou morango é o sinal clássico, ausente em parte dos casos.
Na tricomoníase, sempre, mesmo sem sintomas: sem isso a mulher se reinfecta logo após o tratamento, o efeito pingue-pongue. Na vaginose bacteriana, as diretrizes atuais não indicam. O estudo StepUp tratou o parceiro com metronidazol oral e clindamicina creme na glande e no prepúcio, e a recorrência foi de 35%, contra 63% no grupo controle.
Na candidíase, a gestante não usa fluconazol, pelo risco de aborto e malformação: o tratamento é só tópico, com nistatina ou miconazol. Na vaginose bacteriana o esquema é o mesmo da não gestante, com preferência pelo metronidazol oral. A vaginose sintomática se associa a parto prematuro, mas a revisão Cochrane de 2013 não viu redução da prematuridade com o tratamento.
Na vaginose bacteriana, 3 ou mais episódios no ano, com tratamento prolongado de metronidazol associado a ácido bórico via vaginal. Na candidíase, 4 ou mais episódios sintomáticos em 12 meses, com fluconazol em D1, D4 e D7 e depois 1 dose por semana durante 6 meses. A candidíase recorrente entra nos critérios de candidíase complicada.
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