ERG de campo total com as ondas A, B e C e os potenciais oscilatórios, padrões negativo, extinto e hipernormal, ERG multifocal, focal e PERG, EOG com índice de Arden e PEV. Cinco questões do CBO comentadas, de 2019 a 2024.
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Para que serve
Cada exame pelo que registra, de qual camada da retina ou da via óptica, e como se lê o traçado alterado.
Onda A dos fotorreceptores, onda B das células de Müller com contribuição das bipolares, onda C do EPR e das células de Müller e potenciais oscilatórios das amácrinas e interplexiformes.
ERG normal e subnormal, as causas de ERG negativo, extinto e hipernormal, as cinco faixas do índice de Arden e o EOG na doença de Best e na distrofia viteliforme foveomacular do adulto.
CBO 2019, 2022, duas de 2023 e 2024, com gabarito e comentário: ERG negativo, onda B, ERG extinto, retinosquise juvenil ligada ao X e acromatopsia.
Sumário
As seções na ordem do capítulo, da origem de cada onda às questões comentadas do CBO.
O eletrorretinograma (ERG) mede a resposta elétrica da retina a um estímulo luminoso, geralmente um breve flash de luz. No ERG de campo total, a onda A, negativa, representa a hiperpolarização dos fotorreceptores; a onda B, positiva, a despolarização das células de Müller; e a onda C, positiva e tardia, a hiperpolarização do EPR e das células de Müller.
O exame começa com 20 minutos de adaptação ao escuro e midríase máxima. A fase escotópica registra a resposta pura de bastonetes (luz fraca), a resposta de cones e bastonetes (luz forte) e os potenciais oscilatórios. Após 10 minutos de adaptação à luz, a fase fotópica registra a resposta de cones e o flicker, a resposta pura de cones.
O ERG negativo vem marcado na apostila como questão de prova. É uma subclassificação do ERG subnormal: há redução da onda B com preservação da onda A, o que indica patologia predominante da retina interna. Entre as causas mais comuns estão oclusão de artéria central da retina, oclusão de veia central da retina, retinosquise juvenil ligada ao X, cegueira noturna estacionária congênita, distrofia miotônica, doença de Oguchi e doença de Behçet.
O ERG extinto é a ausência completa de resposta, por comprometimento profundo e difuso de todas as camadas retinianas. Causas: retinose pigmentar avançada, amaurose congênita de Leber, oclusão de artéria oftálmica e descolamento de retina total. A oclusão de artéria oftálmica compromete retina interna e externa e leva a ERG extinto. No ERG hipernormal, a amplitude aumenta na onda A, na B ou nas duas, como no hipertireoidismo e na hiperventilação.
O ERG de campo total reflete uma resposta global e só se altera com envolvimento de áreas extensas. Patologias restritas à mácula comumente não alteram o exame. Para a mácula, o ERG multifocal avalia os 25 graus centrais com estímulos hexagonais, o ERG focal registra áreas de até 3 graus de diâmetro e o PERG avalia as células ganglionares maculares pelos componentes P50 e N95.
Comparativo
O que cada exame registra, o que se mede nele e o uso que a apostila destaca, do ERG de campo total ao PEV.
| Exame | O que registra | Componentes e medidas | Uso que a apostila destaca |
|---|---|---|---|
| ERG de campo total | Resposta difusa da retina a um flash de luz, somatório de células neuronais e não neuronais | Ondas A, B e C e potenciais oscilatórios; latência, tempo implícito e amplitude | Doenças retinianas extensas; predomínio no fotópico ou no escotópico sugere patologia de cones ou de bastonetes; isquemia (retinopatia diabética, falciforme, oclusões venosas) reduz os potenciais oscilatórios |
| ERG multifocal | Múltiplas áreas da retina ao mesmo tempo, com estímulos em hexágono; sobretudo bipolares ON e OFF e ganglionares | 25 graus centrais; a amplitude cai e a latência aumenta do centro para a periferia | Maculopatias, distrofias maculares, toxicidade medicamentosa, função macular pré e pós cirurgia, retinopatia diabética |
| ERG focal | Área focal de até 3 graus de diâmetro, principalmente os cones maculares | Região foveal e parafoveal; não sofre efeito de doença da camada de células ganglionares e do nervo óptico | Distinguir maculopatia de neuropatia; no edema macular cistoide, é normal em 65% dos casos |
| PERG (pattern ERG) | Resposta a estímulo estruturado em tabuleiro de xadrez; células ganglionares maculares | P50, positivo, aos 50 ms; N95, negativo, aos 95 ms e seletivo para células ganglionares | Maculopatia reduz P50 e N95; doença do nervo óptico reduz apenas o N95 |
| Eletrooculograma (EOG) | Potencial entre a córnea e o polo posterior; potencial transepitelial do EPR | Vale escotópico com cerca de 12 minutos no escuro, pico fotópico com cerca de 8 minutos na luz; Arden normal > 185% | Função do complexo EPR/Bruch; doença de Best, com ERG normal e EOG severamente reduzido |
| Potencial evocado visual (PEV) | Sinal elétrico do córtex cerebral em resposta ao estímulo retiniano, com eletrodos no couro cabeludo occipital; estímulo por flash ou tabuleiro de xadrez | Onda P100, positiva, após 100 ms | Neurite óptica desmielinizante, simulação de perda visual e função visual em crianças |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem do capítulo, da escolha do exame à leitura do ERG, do EOG e do PEV.
A eletrofisiologia registra o potencial elétrico de diferentes porções da via óptica, do EPR ao córtex visual. ERG de campo total para a retina como um todo; ERG multifocal, focal e PERG para a mácula; EOG para o EPR; PEV para a resposta cortical.
Após 20 minutos no escuro, a escotópica registra a resposta pura de bastonetes, a de cones e bastonetes e os potenciais oscilatórios; após 10 minutos na luz, a fotópica registra cones e flicker. Alteração predominante na fotópica sugere patologia de cones; na escotópica, de bastonetes. Escotópica preservada com fotópica extinta foi acromatopsia no CBO 2024.
Latência é o tempo do estímulo até o início da resposta; tempo implícito, do estímulo até o pico máximo; amplitude, o pico máximo medido a partir da linha de base. No ERG subnormal, a amplitude cai e a latência e o tempo implícito das ondas A e/ou B aumentam.
Onda B reduzida com onda A preservada é o ERG negativo, da retina interna, como na oclusão de artéria central da retina e na retinosquise juvenil ligada ao X. Ausência completa de resposta é o ERG extinto, por comprometimento difuso de todas as camadas.
Patologias restritas à mácula comumente não alteram o ERG de campo total. O ERG multifocal mapeia os 25 graus centrais, o ERG focal ajuda a separar maculopatia de neuropatia e, no PERG, maculopatia reduz P50 e N95, enquanto doença do nervo óptico reduz apenas o N95.
Divida o pico fotópico pelo vale escotópico e multiplique por 100. Acima de 185% é normal; abaixo de 120%, extinto. Na doença de Best, o ERG é normal e o EOG, severamente reduzido, mesmo com fundoscopia normal. Na distrofia viteliforme foveomacular do adulto, o EOG é normal ou levemente reduzido.
A onda P100 aparece após 100 ms. O PEV mostra atraso na neurite óptica desmielinizante, mesmo após a recuperação da acuidade visual, e fica normal na simulação de perda visual. Com ERG multifocal e PERG normais e PEV alterado, pense em patologia das vias ópticas.
Perguntas frequentes
É o ERG com redução da onda B e preservação da onda A, subclassificação do ERG subnormal que indica patologia predominante da retina interna. As causas mais comuns na apostila são oclusão de artéria central da retina, oclusão de veia central da retina, retinosquise juvenil ligada ao X, cegueira noturna estacionária congênita, distrofia miotônica, doença de Oguchi e doença de Behçet. É o padrão das questões CBO 2019 e CBO 2023.
ERG extinto é a ausência completa de resposta eletrofisiológica da retina, por comprometimento profundo e difuso de todas as camadas. A apostila lista retinose pigmentar avançada, amaurose congênita de Leber, oclusão de artéria oftálmica e descolamento de retina total. Na questão CBO 2023, neuromielite e atrofia do nervo óptico (perda da camada de células ganglionares) e coloboma de retina (defeito em um setor) ficam de fora.
A onda B, gabarito da questão CBO 2022. A hiperpolarização dos fotorreceptores despolariza as bipolares ON e hiperpolariza as OFF; o potássio aumenta na camada plexiforme externa e as células de Müller despolarizam, formando a onda B positiva, com contribuição das amácrinas, bipolares e ganglionares. A onda A corresponde aos fotorreceptores, e a onda C, à hiperpolarização do EPR e das células de Müller.
Divida a amplitude do pico fotópico, atingido após cerca de 8 minutos de adaptação à luz, pela do vale escotópico, atingido após cerca de 12 minutos no escuro, e multiplique por 100. A apostila classifica: normal acima de 185%; subnormal de 160 a 185%; anômalo de 140 a 160%; patológico de 120 a 140%; extinto abaixo de 120%.
Na suspeita de doença macular. O ERG de campo total reflete a resposta global e comumente não se altera em patologias restritas à mácula. O multifocal avalia os 25 graus centrais e é útil em distrofias maculares, toxicidade medicamentosa, função macular pré e pós cirurgia e retinopatia diabética. Os erros refrativos devem ser corrigidos e a pupila, dilatada.
Em adultos, mostrar atraso na condução do nervo óptico na neurite óptica desmielinizante, que persiste mesmo após a recuperação da acuidade visual. O PEV também avalia a simulação de perda visual, em que o exame fica normal apesar dos sintomas, e a função visual em crianças. A onda principal é a P100, positiva, após 100 ms. Um PEV alterado não localiza a lesão, pois depende da retina, do nervo óptico e do córtex.
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Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

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