Autofluorescência pela lipofucsina, com hipo e hiperautofluorescência; OCT do time-domain ao swept-source, com as quatro linhas da retina externa e os artefatos; OCT-A com vantagens e limites. Sete questões do CBO, de 2013 a 2024, com gabarito.
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Para que serve
Três exames não invasivos da retina, que a prova do CBO (PNO) cobra cada vez mais a partir de imagens.
Por que disco, vasos e fóvea são escuros no exame normal, por que a atrofia do EPR escurece e por que o EPR em sofrimento pode ficar hiperautofluorescente. Com o papel do exame na serosa central, nas distrofias e na DMRI seca.
MLE, zona elipsoide, zona de interdigitação e EPR com membrana de Bruch, de dentro para fora, com a zona mioide entre as duas primeiras. Mais time-domain, spectral-domain, swept-source e os artefatos mais encontrados no OCT.
CBO 2013, 2019, 2020, 2022, duas de 2023 e 2024, com gabarito. Inclui a regra do vaso e do disco óptico para reconhecer angiofluoresceinografia, indocianina verde, red-free e autofluorescência na imagem.
Sumário
Do fim da seção de indocianina verde às questões de OCT e OCT-A, na ordem do capítulo.
A autofluorescência é um exame rápido, não invasivo e sem contraste que capta a fluorescência intrínseca de certas estruturas do olho: uma luz excitatória de 488 nm estimula os fluoróforos, e filtros de barreira de 500 nm registram a emissão. O principal fluoróforo é a lipofucsina do EPR, por isso o exame funciona como marcador da função do EPR.
No exame normal, o disco óptico é hipoautofluorescente por não ter EPR, os vasos pelo bloqueio do sangue e a região foveal pelo bloqueio parcial da luteína e da zeaxantina. A questão CBO 2023 da apostila, sobre retinografia por autofluorescência, tem como gabarito a atrofia do EPR hipoautofluorescente e descarta contraindicação por alergia a iodo, porque o exame não usa contraste.
Hipoautofluorescência fora dessas regiões aponta redução da lipofucsina: atrofia do EPR, diminuição dos fotorreceptores, como na retinose pigmentar, e áreas fotocoaguladas. Já o EPR em sofrimento pode acumular lipofucsina e exibir hiperautofluorescência. Na DMRI seca, a atrofia geográfica aparece escura, e o padrão das bordas hiperautofluorescentes pode mostrar maior ou menor risco de progressão.
O OCT forma imagens de alta resolução, na escala de micrômetros, por interferometria de baixa coerência com luz infravermelha de laser de diodo de 843 nm. O spectral-domain, com uma série de detectores e cerca de 100.000 A-scans por segundo, substituiu progressivamente o time-domain e segue o mais usado. O swept-source, de 1050 nm, penetra mais e avalia toda a espessura da coroide, com resolução um pouco menor.
O OCT-A repete B-scans da mesma área em curto intervalo. Como a retina é estática, a variação de sinal entre eles marca o movimento das hemácias, registrado como sinal de decorrelação. O exame dispensa contraste e segmenta os plexos, mas faz um retrato estático, na maioria dos aparelhos restrito à região macular, e não detecta extravasamento: mostra apenas fluxo intravascular.
Comparativo
As regiões e condições descritas na apostila, com o padrão no exame e a causa de cada um.
| Região ou condição | Padrão no exame | Causa ou leitura |
|---|---|---|
| Disco óptico (exame normal) | Hipoautofluorescente | Ausência de EPR |
| Vasos da retina (exame normal) | Hipoautofluorescentes | Bloqueio pelo sangue: a hemoglobina impede a passagem da luz para o EPR |
| Fóvea e fovéola (exame normal) | Discretamente hipoautofluorescentes | Fóvea: menos lipofucsina e mais melanina no EPR; fovéola: bloqueio pela luteína e zeaxantina |
| Atrofia do EPR, como a atrofia geográfica | Hipoautofluorescente (escura) | Perda do EPR e redução da lipofucsina |
| Retinose pigmentar e áreas fotocoaguladas | Hipoautofluorescentes | Redução da lipofucsina por diminuição dos fotorreceptores ou nas áreas fotocoaguladas |
| EPR em sofrimento | Pode ficar hiperautofluorescente | Acúmulo de lipofucsina no EPR |
| Bordas da atrofia geográfica na DMRI seca | Hiperautofluorescentes | O padrão das bordas pode mostrar maior ou menor risco de progressão |
| Drusas de nervo óptico e astrocitomas | Hiperautofluorescentes | Citadas na apostila entre as outras estruturas hiperautofluorescentes |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da lipofucsina aos artefatos do OCT-A.
O exame usa luz excitatória de 488 nm e capta a fluorescência intrínseca com filtros de barreira de 500 nm. O principal fluoróforo é a lipofucsina, acumulada nos lisossomos do EPR a partir de resíduos da fagocitose dos discos dos fotorreceptores. Por isso a autofluorescência avalia a função do EPR.
Disco óptico, vasos e fóvea são naturalmente hipoautofluorescentes. Fora deles, o escuro aponta redução da lipofucsina, como na atrofia do EPR, na retinose pigmentar e em áreas fotocoaguladas. O EPR em sofrimento pode ficar hiperautofluorescente, mas o acúmulo de lipofucsina do envelhecimento não tem, necessariamente, significado patológico.
Vaso claro indica exame com contraste: disco claro na angiofluoresceinografia, disco escuro na indocianina verde. Vaso escuro indica exame sem contraste: disco claro na red-free, disco escuro na autofluorescência. Na angiofluoresceinografia, o disco se impregna de fluoresceína nas fases tardias. A apostila aplica a regra às imagens das questões CBO 2020 e CBO 2022.
O time-domain usava um único detector móvel e foi abandonado por ser lento e de baixa resolução. O spectral-domain capta cerca de 100.000 A-scans por segundo e segue o mais usado. O swept-source, de 1050 nm, avalia toda a espessura da coroide, inclusive através de hemorragias e do EPR, com resolução um pouco menor.
De dentro para fora: membrana limitante externa, zona elipsoide, zona de interdigitação e EPR com membrana de Bruch, a linha mais externa e espessa. Entre a MLE e a elipsoide fica a zona mioide, hiporrefletiva. A zona elipsoide é um dos marcos anatômicos e de prognóstico mais importantes.
Sombreamento por estrutura hiperrefletiva anterior, imagem em espelho quando o tecido fica muito próximo do aparelho, movimento ocular e falha do software que identifica a retina neurossensorial mudam o resultado do OCT sem alteração no tecido. Um operador experiente ajuda a minimizar esses artefatos.
O OCT-A identifica vasos pelo fluxo das hemácias, segmenta os plexos e detecta membranas neovasculares subclínicas ou quiescentes. Não faz estudo dinâmico como a angiofluoresceinografia, não mostra extravasamento e costuma se limitar à mácula. Área escura pode ser ausência de fluxo ou fluxo lento, e movimento, projeção e segmentação também geram artefatos.
Perguntas frequentes
Não. A apostila descreve o OCT como exame não invasivo e de não contato, que gera imagens de alta resolução por interferometria de baixa coerência com luz infravermelha. O OCT-A também dispensa contraste e identifica os vasos pelo fluxo das hemácias, gabarito da questão CBO 2019. Entre os exames de retina da apostila, usam contraste a angiofluoresceinografia e a indocianina verde.
A apostila lista quatro aplicações principais: detectar e quantificar fluido sub-retiniano na DMRI exsudativa; quantificar a espessura retiniana no edema macular diabético, nas oclusões venosas e no edema macular cistoide pós-operatório; diagnosticar e classificar doenças da interface vitreorretiniana, como membrana epirretiniana, buraco macular e tração vitreomacular; e quantificar a camada de fibras nervosas peripapilar e o complexo de células ganglionares da mácula no glaucoma e em doenças neuro-oftalmológicas.
Disco óptico, por não ter EPR; vasos, porque a hemoglobina bloqueia a passagem da luz para o EPR; fóvea, por menos lipofucsina e mais melanina no EPR; e fovéola, pelo bloqueio da luteína e da zeaxantina. Na questão CBO 2023 da apostila, nervo óptico hiperautofluorescente em pessoa normal é uma das alternativas incorretas.
Olhe primeiro o vaso. Vaso claro indica exame contrastado: angiofluoresceinografia com disco claro e indocianina verde com disco escuro. Vaso escuro indica exame sem contraste: red-free com disco claro e autofluorescência com disco escuro. Na angiofluoresceinografia, o disco se impregna de fluoresceína nas fases tardias. A apostila aplica a regra nas questões CBO 2020 e CBO 2022, ambas com imagem.
É a segunda das quatro linhas hiperrefletivas da retina externa, de dentro para fora, depois da membrana limitante externa; entre as duas fica a zona mioide, hiporrefletiva. Corresponde a uma área dos segmentos internos dos fotorreceptores com alta concentração de mitocôndrias, e a apostila a trata como um dos marcos anatômicos e de prognóstico mais importantes.
Não completamente. O OCT-A segmenta os plexos superficial e profundo, dispensa contraste e detecta membranas neovasculares subclínicas ou quiescentes, enquanto a angiofluoresceinografia identifica apenas alterações no plexo superficial, segundo a apostila. Em troca, o OCT-A faz um retrato estático, em geral restrito à mácula, e não avalia permeabilidade nem extravasamento, só fluxo intravascular.
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Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

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Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

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Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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