Apostila gratuita · 9 páginas

Angiofluoresceinografia e indocianina verde: fases, hiper e hipofluorescência

Técnica e filtros, efeitos adversos, tempo braço-olho e as cinco fases do exame, hiperfluorescência (defeito em janela, extravasamento, staining e pooling), hipofluorescência (bloqueio e defeito de enchimento) e indocianina verde. Três questões do CBO comentadas: 2013, 2022 e 2024.

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Formato
Apostila · 9 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Exames
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de angiofluoresceinografia cobre

Os exames de retina caem na prova Teórica II e, sobretudo, na Teórico-Prática do CBO. A apostila parte da técnica do exame e chega à leitura de cada alteração.

  • Cinco fases e o tempo braço-olho

    Tempo braço-olho de 10-15 segundos, fase arterial com duração de 1-2 segundos, arteriovenosa de 6-8 segundos e recirculação a partir de 50-60 segundos. A fase venosa é a melhor para definir a zona avascular da fóvea.

  • Hiper e hipofluorescência pelo comportamento

    Defeito em janela, extravasamento, staining e pooling separados pelo momento em que aparecem, pela área e pelas bordas. Na hipofluorescência, a apostila separa bloqueio de defeito de enchimento e mostra como a comparação com os vasos da retina define a profundidade da lesão.

  • Três questões do CBO comentadas

    CBO 2013 sobre a membrana neovascular cicatrizada, CBO 2022 sobre a correlação entre cada alteração e sua descrição e CBO 2024 sobre a fluoresceína por via oral, todas com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 9 páginas

Da injeção da fluoresceína às alterações da indocianina verde, na ordem da apostila.

  1. 01Notas: os exames propedêuticos de retina na prova do CBO
  2. 02Técnica: fluoresceína, filtro de excitação e filtro de barreira
  3. 03Efeitos adversos e contraindicações da fluoresceína
  4. 04Fases do exame: tempo braço-olho, coroidal, arterial, arteriovenosa, venosa e venosa tardia
  5. 05Alterações possíveis: pseudohiperfluorescência e autofluorescência
  6. 06Hiperfluorescência: defeito em janela e extravasamento
  7. 07Hiperfluorescência por impregnação (staining) e pooling
  8. 08Hipofluorescência: defeitos de enchimento vascular e bloqueio
  9. 09Aprendendo com questões: CBO 2013
  10. 10Questões comentadas: CBO 2022 e CBO 2024
  11. 11Indocianina verde (ICG): técnica
  12. 12Eventos adversos da indocianina verde
  13. 13Fases do exame normal da ICG (Coleção CBO 2023) e o disco óptico escuro
  14. 14Alterações na ICG: hipo e hipercianescência, placa e hot spot
Página interna da apostila sobre Angiofluoresceinografia e indocianina verde
Página da apostila: as questões CBO 2022 e CBO 2024 comentadas.

O que é angiofluoresceinografia e como ela funciona?

A angiofluoresceinografia é a obtenção de fotografias do fundo de olho após a injeção de fluoresceína em veia periférica, com filtros de excitação e de barreira. A luz azul (465-490 nm) excita a fluoresceína livre, que emite luz verde (520-530 nm). O exame segue o corante por fases e classifica as alterações em hiper e hipofluorescência.

Da fluoresceína injetada, 80% se ligam à albumina e 20% ficam livres, e só a fração livre é excitada. O filtro azul de excitação deixa passar apenas a luz azul do flash, e o filtro de barreira verde/amarelo bloqueia a luz azul refletida e libera só a luz verde emitida. A dose é de 2-3 ml a 25% ou 5 ml a 10%.

Todos os pacientes têm impregnação da pele e da conjuntiva por poucas horas, e a urina pode ficar alaranjada. Náuseas e vômitos (1 a 15%) são os eventos mais comuns e em geral melhoram em até 90 segundos. Reações alérgicas moderadas ocorrem em cerca de 2%; as graves, como edema de glote e choque anafilático, são muito raras. Mesmo sem efeito teratogênico documentado, evita-se a fluoresceína no primeiro trimestre de gestação e na lactação.

Na fase venosa, as veias estão totalmente preenchidas e a coroide atinge a concentração máxima de fluoresceína. Os capilares perifoveais têm a melhor visualização nessa fase, a melhor para definir a zona avascular da fóvea. A fóvea fica mais escura que as áreas vizinhas porque os pigmentos maculares e as células do EPR, mais altas e com mais melanina, bloqueiam a fluorescência da coroide.

Na indocianina verde (ICG), as alterações se chamam hipo e hipercianescência e lembram as da angiofluoresceinografia, com outra justificativa: o EPR e as hemorragias bloqueiam menos, e o vazamento é mais lento e demarcado. Na neovascularização macular aparecem placa, hot spot ou ambos; a placa é maior que 1 diâmetro de disco e geralmente representa neovascularização oculta. O disco óptico fica escuro durante todo o exame, sinal que diferencia os dois exames na prova.

Página da apostila Angiofluoresceinografia e indocianina verde

Comparativo

Hiperfluorescência e hipofluorescência na angiofluoresceinografia

Os seis padrões de alteração que a apostila ensina, pelo mecanismo e pelo comportamento ao longo do exame.

Padrões de alteração após a injeção de fluoresceína; pseudohiperfluorescência e autofluorescência ficam fora porque aparecem antes do contraste. Fonte: apostila Oft-Review, “Angiofluoresceinografia e indocianina verde”.
PadrãoMecanismoComportamento no exameExemplos da apostila
Defeito em janela (hiperfluorescência)Atrofia do EPR deixa passar a fluorescência da coroidePrecoce, com ápice no enchimento da coroide; área fixa e bordas delimitadas, e a intensidade em geral cai nas fases tardiasDMRI seca com atrofia, maculopatia por cloroquina avançada
Extravasamento ou leakage (hiperfluorescência)Quebra da barreira hematorretiniana externa (EPR) ou interna (endotélio dos vasos retinianos)Precoce; aumenta em intensidade e área, e as bordas perdem nitidezNeovasos de retina e disco, edema macular, neovascularização de coroide
Impregnação ou staining (hiperfluorescência)Acúmulo de fluoresceína em tecido sólido ou no interstícioTardia; ganha intensidade e persiste nas fases tardias, com bordas nítidasCicatrizes, tecido do nervo óptico, esclera, membrana neovascular cicatrizada
Pooling ou acúmulo (hiperfluorescência)Corante preenche um espaço definido com fluido, sub-retiniano ou sub-EPRTardio; aumenta de intensidade e as margens ficam distintasDEP, descolamento seroso na coriorretinopatia serosa central
Defeito de enchimento vascular (hipofluorescência)Falta de perfusão da retina ou da coroide por obstrução vascularAtraso ou falha completa no enchimento vascularÁreas de não perfusão
Bloqueio (hipofluorescência)Tecido, pigmento ou sangue obstrui a fluorescência da coroide ou da retinaA comparação com os vasos da retina define a profundidade da lesãoHemorragia pré-retiniana (esconde retina e coroide) e sub-retiniana (esconde só a coroide)

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como ler a angiofluoresceinografia, passo a passo

O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da técnica do exame à indocianina verde.

  1. Entenda o mecanismo da fluorescência

    A fluoresceína, injetada em veia periférica, absorve a luz azul (465-490 nm) e emite luz verde (520-530 nm). Só a fração livre, 20% do corante, é excitada. O filtro de excitação seleciona a luz azul, e o filtro de barreira deixa passar apenas a verde emitida.

  2. Confira os riscos antes de injetar

    A principal contraindicação é a alergia prévia à fluoresceína. Alergia a iodo ou a frutos do mar não contraindica, porque o corante não tem iodo. Náuseas e vômitos são os efeitos mais comuns e as reações graves são muito raras. A apostila recomenda evitar a fluoresceína no primeiro trimestre de gestação e na lactação.

  3. Situe cada imagem nas fases da angiofluoresceinografia

    Depois do tempo braço-olho de 10-15 segundos vêm as fases coroidal, arterial, arteriovenosa, venosa e venosa tardia. O enchimento laminar das veias marca a arteriovenosa, a venosa é a melhor para a zona avascular da fóvea e a recirculação começa em 50-60 segundos.

  4. Afaste o que aparece antes do contraste

    Pseudohiperfluorescência é fluorescência refletida, por exemplo por filtro de barreira desgastado, e pode ocorrer com fibras de mielina e exsudatos duros. Autofluorescência surge com os filtros e sem corante: lipofucsina do EPR, drusas de nervo óptico e astrocitomas.

  5. Classifique a hiperfluorescência

    Defeito em janela é precoce, tem área fixa e esmaece nas fases tardias. Extravasamento também é precoce, mas cresce em intensidade e área, com margens mal delimitadas. Staining é tardio e mantém bordas nítidas. Pooling é tardio e preenche um espaço delimitado por fluido, como o descolamento do EPR.

  6. Separe bloqueio de defeito de enchimento

    Defeito de enchimento é falta de perfusão por obstrução vascular, com atraso ou falha completa no enchimento. Bloqueio é tecido, pigmento ou sangue cobrindo a fluorescência. Se a lesão esconde a coroide e poupa os vasos da retina, ela está entre a coroide e a retina.

  7. Prefira a indocianina verde para a coroide

    A indocianina verde, 98% ligada à albumina e com absorção e emissão perto do infravermelho, é melhor para os vasos da coroide e para lesões abaixo do EPR. A apostila cita seu uso na coriorretinopatia serosa central, na vasculopatia polipoidal, nas membranas ocultas da DMRI e nas síndromes dos pontos brancos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre angiofluoresceinografia na prova do CBO

Quais são as fases da angiofluoresceinografia?

O corante chega ao olho 10-15 segundos após a injeção, o tempo braço-olho. Seguem a fase coroidal (flush coroidal), a arterial (0,5-1,0 segundo depois, com duração de 1-2 segundos), a arteriovenosa (6-8 segundos, com enchimento laminar das veias), a venosa, melhor para a zona avascular da fóvea, e a venosa tardia, de recirculação, que começa 50-60 segundos após a injeção e pode durar 5-15 minutos.

Qual a diferença entre extravasamento, staining e pooling?

Os três ganham intensidade ao longo do exame. O extravasamento é precoce: a quebra da barreira hematorretiniana faz a área crescer e as bordas perderem nitidez, como em neovasos e no edema macular. Staining e pooling são tardios e mantêm margens nítidas. No staining, o corante impregna tecido sólido, como cicatriz e esclera; no pooling, preenche um espaço com fluido, como o DEP e o descolamento seroso da coriorretinopatia serosa central.

Por que a membrana neovascular cicatrizada fica hiperfluorescente na fase tardia?

Por impregnação do contraste, gabarito D da questão CBO 2013 comentada na apostila. Na membrana neovascular em atividade há extravasamento, porque os neovasos não têm complexos juncionais competentes. Totalmente cicatrizada, a membrana deixa de extravasar e o corante fica impregnado no tecido, com hiperfluorescência que persiste nas fases tardias.

Alergia a iodo contraindica a angiofluoresceinografia?

Não. A fluoresceína não contém iodo e não é contraindicada em pacientes com alergia a iodo ou a frutos do mar. A principal contraindicação é a alergia prévia à fluoresceína, que também é o principal fator de risco para as reações graves. Já a indocianina verde tem cerca de 5% de iodo, e a apostila contraindica seu uso em pacientes com alergia conhecida.

Quando a indocianina verde é melhor que a angiofluoresceinografia?

Na avaliação dos vasos da coroide e das lesões abaixo do EPR. O corante fica 98% ligado à albumina e permanece no espaço intravascular da coroide. Absorção (780-810 nm) e emissão (825-835 nm) ficam perto do infravermelho, e o exame sofre menos influência de pigmentos, hemorragias e opacidade de meios. A apostila cita a coriorretinopatia serosa central, a vasculopatia polipoidal, as membranas ocultas na DMRI e as síndromes dos pontos brancos.

O que muda na angiofluoresceinografia com fluoresceína por via oral?

Há atraso no início e lentificação de todas as fases: a captura começa 5-10 minutos após a ingestão, no início do flush coroidal. Na questão CBO 2024 da apostila, o gabarito é a perda das fases precoces de enchimento dos vasos, mais bem avaliadas pela via endovenosa. A zona avascular da fóvea não muda e a autofluorescência continua avaliável. A via oral traz mais conforto, sobretudo em crianças, e menos efeitos adversos.

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  • USPDr. Daniel Costa

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

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  • USPUFSCarDra. Ana Letícia Darcie

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    Dra. Ana Letícia Darcie

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  • USPDr. Flávio Moura

    Especialista pelo CBO

    Dr. Flávio Moura

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • UNIFESPDr. Guilherme Macedo

    Especialista pelo CBO

    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

  • USPDr. Iago Bastos

    Especialista pelo CBO

    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

    Especialista pelo CBO

    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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