Técnica e filtros, efeitos adversos, tempo braço-olho e as cinco fases do exame, hiperfluorescência (defeito em janela, extravasamento, staining e pooling), hipofluorescência (bloqueio e defeito de enchimento) e indocianina verde. Três questões do CBO comentadas: 2013, 2022 e 2024.
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Para que serve
Os exames de retina caem na prova Teórica II e, sobretudo, na Teórico-Prática do CBO. A apostila parte da técnica do exame e chega à leitura de cada alteração.
Tempo braço-olho de 10-15 segundos, fase arterial com duração de 1-2 segundos, arteriovenosa de 6-8 segundos e recirculação a partir de 50-60 segundos. A fase venosa é a melhor para definir a zona avascular da fóvea.
Defeito em janela, extravasamento, staining e pooling separados pelo momento em que aparecem, pela área e pelas bordas. Na hipofluorescência, a apostila separa bloqueio de defeito de enchimento e mostra como a comparação com os vasos da retina define a profundidade da lesão.
CBO 2013 sobre a membrana neovascular cicatrizada, CBO 2022 sobre a correlação entre cada alteração e sua descrição e CBO 2024 sobre a fluoresceína por via oral, todas com gabarito e comentário.
Sumário
Da injeção da fluoresceína às alterações da indocianina verde, na ordem da apostila.
A angiofluoresceinografia é a obtenção de fotografias do fundo de olho após a injeção de fluoresceína em veia periférica, com filtros de excitação e de barreira. A luz azul (465-490 nm) excita a fluoresceína livre, que emite luz verde (520-530 nm). O exame segue o corante por fases e classifica as alterações em hiper e hipofluorescência.
Da fluoresceína injetada, 80% se ligam à albumina e 20% ficam livres, e só a fração livre é excitada. O filtro azul de excitação deixa passar apenas a luz azul do flash, e o filtro de barreira verde/amarelo bloqueia a luz azul refletida e libera só a luz verde emitida. A dose é de 2-3 ml a 25% ou 5 ml a 10%.
Todos os pacientes têm impregnação da pele e da conjuntiva por poucas horas, e a urina pode ficar alaranjada. Náuseas e vômitos (1 a 15%) são os eventos mais comuns e em geral melhoram em até 90 segundos. Reações alérgicas moderadas ocorrem em cerca de 2%; as graves, como edema de glote e choque anafilático, são muito raras. Mesmo sem efeito teratogênico documentado, evita-se a fluoresceína no primeiro trimestre de gestação e na lactação.
Na fase venosa, as veias estão totalmente preenchidas e a coroide atinge a concentração máxima de fluoresceína. Os capilares perifoveais têm a melhor visualização nessa fase, a melhor para definir a zona avascular da fóvea. A fóvea fica mais escura que as áreas vizinhas porque os pigmentos maculares e as células do EPR, mais altas e com mais melanina, bloqueiam a fluorescência da coroide.
Na indocianina verde (ICG), as alterações se chamam hipo e hipercianescência e lembram as da angiofluoresceinografia, com outra justificativa: o EPR e as hemorragias bloqueiam menos, e o vazamento é mais lento e demarcado. Na neovascularização macular aparecem placa, hot spot ou ambos; a placa é maior que 1 diâmetro de disco e geralmente representa neovascularização oculta. O disco óptico fica escuro durante todo o exame, sinal que diferencia os dois exames na prova.
Comparativo
Os seis padrões de alteração que a apostila ensina, pelo mecanismo e pelo comportamento ao longo do exame.
| Padrão | Mecanismo | Comportamento no exame | Exemplos da apostila |
|---|---|---|---|
| Defeito em janela (hiperfluorescência) | Atrofia do EPR deixa passar a fluorescência da coroide | Precoce, com ápice no enchimento da coroide; área fixa e bordas delimitadas, e a intensidade em geral cai nas fases tardias | DMRI seca com atrofia, maculopatia por cloroquina avançada |
| Extravasamento ou leakage (hiperfluorescência) | Quebra da barreira hematorretiniana externa (EPR) ou interna (endotélio dos vasos retinianos) | Precoce; aumenta em intensidade e área, e as bordas perdem nitidez | Neovasos de retina e disco, edema macular, neovascularização de coroide |
| Impregnação ou staining (hiperfluorescência) | Acúmulo de fluoresceína em tecido sólido ou no interstício | Tardia; ganha intensidade e persiste nas fases tardias, com bordas nítidas | Cicatrizes, tecido do nervo óptico, esclera, membrana neovascular cicatrizada |
| Pooling ou acúmulo (hiperfluorescência) | Corante preenche um espaço definido com fluido, sub-retiniano ou sub-EPR | Tardio; aumenta de intensidade e as margens ficam distintas | DEP, descolamento seroso na coriorretinopatia serosa central |
| Defeito de enchimento vascular (hipofluorescência) | Falta de perfusão da retina ou da coroide por obstrução vascular | Atraso ou falha completa no enchimento vascular | Áreas de não perfusão |
| Bloqueio (hipofluorescência) | Tecido, pigmento ou sangue obstrui a fluorescência da coroide ou da retina | A comparação com os vasos da retina define a profundidade da lesão | Hemorragia pré-retiniana (esconde retina e coroide) e sub-retiniana (esconde só a coroide) |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da técnica do exame à indocianina verde.
A fluoresceína, injetada em veia periférica, absorve a luz azul (465-490 nm) e emite luz verde (520-530 nm). Só a fração livre, 20% do corante, é excitada. O filtro de excitação seleciona a luz azul, e o filtro de barreira deixa passar apenas a verde emitida.
A principal contraindicação é a alergia prévia à fluoresceína. Alergia a iodo ou a frutos do mar não contraindica, porque o corante não tem iodo. Náuseas e vômitos são os efeitos mais comuns e as reações graves são muito raras. A apostila recomenda evitar a fluoresceína no primeiro trimestre de gestação e na lactação.
Depois do tempo braço-olho de 10-15 segundos vêm as fases coroidal, arterial, arteriovenosa, venosa e venosa tardia. O enchimento laminar das veias marca a arteriovenosa, a venosa é a melhor para a zona avascular da fóvea e a recirculação começa em 50-60 segundos.
Pseudohiperfluorescência é fluorescência refletida, por exemplo por filtro de barreira desgastado, e pode ocorrer com fibras de mielina e exsudatos duros. Autofluorescência surge com os filtros e sem corante: lipofucsina do EPR, drusas de nervo óptico e astrocitomas.
Defeito em janela é precoce, tem área fixa e esmaece nas fases tardias. Extravasamento também é precoce, mas cresce em intensidade e área, com margens mal delimitadas. Staining é tardio e mantém bordas nítidas. Pooling é tardio e preenche um espaço delimitado por fluido, como o descolamento do EPR.
Defeito de enchimento é falta de perfusão por obstrução vascular, com atraso ou falha completa no enchimento. Bloqueio é tecido, pigmento ou sangue cobrindo a fluorescência. Se a lesão esconde a coroide e poupa os vasos da retina, ela está entre a coroide e a retina.
A indocianina verde, 98% ligada à albumina e com absorção e emissão perto do infravermelho, é melhor para os vasos da coroide e para lesões abaixo do EPR. A apostila cita seu uso na coriorretinopatia serosa central, na vasculopatia polipoidal, nas membranas ocultas da DMRI e nas síndromes dos pontos brancos.
Perguntas frequentes
O corante chega ao olho 10-15 segundos após a injeção, o tempo braço-olho. Seguem a fase coroidal (flush coroidal), a arterial (0,5-1,0 segundo depois, com duração de 1-2 segundos), a arteriovenosa (6-8 segundos, com enchimento laminar das veias), a venosa, melhor para a zona avascular da fóvea, e a venosa tardia, de recirculação, que começa 50-60 segundos após a injeção e pode durar 5-15 minutos.
Os três ganham intensidade ao longo do exame. O extravasamento é precoce: a quebra da barreira hematorretiniana faz a área crescer e as bordas perderem nitidez, como em neovasos e no edema macular. Staining e pooling são tardios e mantêm margens nítidas. No staining, o corante impregna tecido sólido, como cicatriz e esclera; no pooling, preenche um espaço com fluido, como o DEP e o descolamento seroso da coriorretinopatia serosa central.
Por impregnação do contraste, gabarito D da questão CBO 2013 comentada na apostila. Na membrana neovascular em atividade há extravasamento, porque os neovasos não têm complexos juncionais competentes. Totalmente cicatrizada, a membrana deixa de extravasar e o corante fica impregnado no tecido, com hiperfluorescência que persiste nas fases tardias.
Não. A fluoresceína não contém iodo e não é contraindicada em pacientes com alergia a iodo ou a frutos do mar. A principal contraindicação é a alergia prévia à fluoresceína, que também é o principal fator de risco para as reações graves. Já a indocianina verde tem cerca de 5% de iodo, e a apostila contraindica seu uso em pacientes com alergia conhecida.
Na avaliação dos vasos da coroide e das lesões abaixo do EPR. O corante fica 98% ligado à albumina e permanece no espaço intravascular da coroide. Absorção (780-810 nm) e emissão (825-835 nm) ficam perto do infravermelho, e o exame sofre menos influência de pigmentos, hemorragias e opacidade de meios. A apostila cita a coriorretinopatia serosa central, a vasculopatia polipoidal, as membranas ocultas na DMRI e as síndromes dos pontos brancos.
Há atraso no início e lentificação de todas as fases: a captura começa 5-10 minutos após a ingestão, no início do flush coroidal. Na questão CBO 2024 da apostila, o gabarito é a perda das fases precoces de enchimento dos vasos, mais bem avaliadas pela via endovenosa. A zona avascular da fóvea não muda e a autofluorescência continua avaliável. A via oral traz mais conforto, sobretudo em crianças, e menos efeitos adversos.
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