Apostila gratuita · 16 páginas

DMRI seca e exsudativa: da drusa ao anti-VEGF

Degeneração macular relacionada à idade: drusas por tamanho e tipo, atrofia geográfica no OCT, classificação do AREDS, neovascularização tipos 1, 2 e 3, anti-VEGF, regime tratar e estender e vasculopatia polipoidal da coroide. Seis questões do CBO comentadas, de 2021 a 2024.

PDF de 2,8 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 16 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Maculopatias
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de DMRI cobre

Classificação, exames de imagem, tratamento e questões comentadas, com foco na prova do CBO (PNO).

  • Drusas e classificação do AREDS

    Drusas por tamanho, com os cortes de 63 e 125 micrômetros, duras, moles e pseudodrusas reticulares, e as quatro categorias do AREDS com a indicação da fórmula de micronutrientes.

  • Da neovascularização ao anti-VEGF

    Tipos 1, 2 e 3, membrana clássica e oculta, OCT, OCT-A e NVMs quiescentes; depois bevacizumab, ranibizumab, aflibercept e brolucizumab, com os regimes PRN e tratar e estender.

  • Seis questões do CBO comentadas

    CBO 2021, 2022, 2023 e 2024, com gabarito e comentário: atrofia geográfica no OCT, tipos de neovascularização, AREDS, OCT de membrana neovascular, cicatriz disciforme e isoformas do VEGF.

Sumário

O que tem dentro das 16 páginas

Do envelhecimento normal de fotorreceptores, EPR e membrana de Bruch às questões do CBO, na ordem do capítulo do livro Retina, vítreo e genética.

  1. 01Introdução: formas seca e exsudativa e as alterações do envelhecimento normal
  2. 02Fatores de risco e genética: CFH e ARMS2
  3. 03DMRI seca: drusas por histologia, tamanho e morfologia
  4. 04Pseudodrusas reticulares e as drusas na angiofluoresceinografia e no OCT
  5. 05Alterações do EPR e atrofia geográfica
  6. 06Nova nomenclatura das atrofias (coleção CBO 2023): cRORA, iRORA, cORA e iORA
  7. 07Classificação da DMRI seca segundo o estudo AREDS
  8. 08Tratamento da DMRI seca: medidas gerais, Tela de Amsler e micronutrientes
  9. 09DMRI exsudativa: classificação anatômica da neovascularização macular
  10. 10Classificação angiográfica: NVM clássica e oculta e a indocianina verde
  11. 11NVM no OCT e no OCT-A, com as NVMs quiescentes
  12. 12Tratamento da DMRI exsudativa: laser, terapia fotodinâmica e os quatro anti-VEGF
  13. 13Novidades: port delivery system e faricimab
  14. 14Complicações dos anti-VEGF e regimes PRN e tratar e estender
  15. 15Vasculopatia polipoidal da coroide
  16. 16Aprendendo com questões: seis questões do CBO comentadas
Página interna da apostila sobre DMRI: degeneração macular relacionada à idade
Página da apostila: questões do CBO 2023 e 2024 com imagem de OCT e a do CBO 2022 sobre anti-VEGF, com gabarito e comentário.

Qual a diferença entre DMRI seca e exsudativa?

A diferença entre DMRI seca e exsudativa é a neovascularização macular (NVM), ausente na forma seca e condição sine qua non na exsudativa. A seca responde por cerca de 90% dos casos e se define por drusas intermediárias ou maiores, pseudodrusas reticulares ou alterações do EPR; a exsudativa soma os 10% restantes e 80% da cegueira legal pela doença.

As drusas são lesões arredondadas e amareladas do polo posterior, com lipídios, proteínas e restos dos discos dos fotorreceptores. Pelo tamanho, são pequenas (menos de 63 micrômetros), intermediárias (63 a 124) ou grandes (125 ou mais); drusas confluentes que formam DEP maior que 350 micrômetros são o DEP drusenoide. Drusas duras isoladas e em pequeno número podem aparecer em indivíduos normais acima de 50 anos e não configuram DMRI.

A atrofia geográfica é a forma mais avançada da DMRI seca: áreas contíguas de atrofia maiores que 175 micrômetros, acometendo EPR, retina externa e coriocapilar. O OCT mostra perda do EPR, dos fotorreceptores e da zona elipsoide, com hipertransmissão da coroide; a perda da zona elipsoide é o gabarito da questão do CBO 2021 sobre o tema. Na autofluorescência, a hipoautofluorescência é marcante, e o exame é extremamente útil para monitorar a progressão.

A NVM tipo 1, 87% das associadas à DMRI, cresce abaixo do EPR; a tipo 2, entre o EPR e a retina neurossensorial; a tipo 3, ou proliferação angiomatosa da retina (RAP), parte dos plexos capilares profundos da retina em direção ao EPR. Na angiofluoresceinografia, a tipo 2 costuma ser membrana clássica, e a tipo 1, oculta. Com NVM em um olho, o risco de neovascularização no contralateral é de 10 a 12% ao ano.

Com os anti-VEGF, o laser térmico virou tratamento de exceção, para NVMs longe do centro da fóvea. A terapia fotodinâmica com verteporfina, menos eficaz que os anti-VEGF, fica para a neovascularização tipo pólipo e como adjuvante nas NVMs refratárias. Os regimes geralmente começam com dose de carga de 3 injeções intravítreas mensais. No tratar e estender, o intervalo cresce 2 semanas a cada visita com retina seca, até 12 semanas (16 com aflibercept ou faricimab).

Página da apostila DMRI: degeneração macular relacionada à idade

Comparativo

Classificação da DMRI pelo AREDS: categorias I a IV

As quatro categorias do estudo AREDS, pelo tamanho das drusas, pelas alterações pigmentares e pela atrofia geográfica, e em quais a fórmula de micronutrientes tem indicação.

Classificação da DMRI seca segundo o estudo AREDS e indicação dos micronutrientes. Fonte: apostila Oft-Review, “DMRI: degeneração macular relacionada à idade”.
CategoriaEstágioCritérioFórmula do AREDS
ISem DMRIDrusas pequenas isoladas (< 63 µm)Sem benefício
IIDMRI precoceMúltiplas drusas pequenas, poucas drusas intermediárias (63 a 124 µm) ou alterações pigmentares maculares secundárias à DMRISem benefício
IIIDMRI intermediária1 drusa grande (≥ 125 µm), múltiplas drusas intermediárias ou atrofia geográfica não centralIndicada, uni ou bilateral
IVDMRI avançadaAtrofia geográfica subfoveal ou DMRI neovascular em um dos olhosIndicada quando unilateral

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como estadiar e tratar a DMRI, passo a passo

O raciocínio na ordem em que o capítulo ensina, das drusas à vasculopatia polipoidal da coroide.

  1. Separe envelhecimento de DMRI

    Menos fotorreceptores, menos melanina e mais lipofucsina no EPR e drusas duras isoladas fazem parte do envelhecimento. A DMRI seca exige drusas intermediárias ou maiores, pseudodrusas reticulares ou alterações do EPR, sem neovascularização. Idade é o principal fator de risco; tabagismo, o principal modificável.

  2. Meça e classifique as drusas

    Pequenas abaixo de 63 micrômetros, intermediárias de 63 a 124 e grandes a partir de 125. Moles e confluentes elevam o risco de NVM e de atrofia do EPR. Na angiofluoresceinografia, drusas duras dão hiperfluorescência precoce por defeito em janela; moles e DEPs drusenoides, impregnação lenta e progressiva.

  3. Reconheça a atrofia geográfica

    Atrofia contígua maior que 175 micrômetros, que costuma poupar a fóvea até fases tardias, com escotomas paracentrais densos e dificuldade de leitura. A autofluorescência acompanha a progressão. A nomenclatura trazida pela coleção CBO 2023 separa atrofia da retina com e sem atrofia significativa do EPR, completa ou incompleta: cRORA, iRORA, cORA e iORA.

  4. Estadie pelo AREDS e indique a fórmula

    Categorias III, uni ou bilateral, e IV unilateral recebem vitamina C 500 mg, vitamina E 400 UI, luteína 10 mg, zeaxantina 2 mg, zinco 25 mg e cobre 2 mg. Nas categorias I e II não houve benefício. O betacaroteno saiu no AREDS 2 pelo risco de câncer de pulmão em tabagistas.

  5. Suspeite de NVM e classifique a membrana

    Piora aguda da visão, metamorfopsia e escotoma paracentral sugerem conversão; a Tela de Amsler ajuda no diagnóstico precoce. Classifique pela anatomia (tipos 1, 2 e 3) e pela angiografia (clássica ou oculta). A indocianina verde atravessa hemorragia, cicatriz e DEP; o OCT-A mostra a membrana sem o borramento do extravasamento.

  6. Trate com anti-VEGF e escolha o regime

    Após a dose de carga de 3 injeções mensais, mantenha doses fixas, PRN (visitas mensais, injeção só com fluido ao OCT) ou tratar e estender (injeção em toda visita, intervalo ajustado em 2 semanas). Cicatriz disciforme sem fluido pede observação, gabarito da questão do CBO 2024.

  7. Pense em vasculopatia polipoidal da coroide

    Múltiplos DEPs serossanguíneos, peripapilares e multifocais, frequentemente sem drusas, apontam para vasculopatia polipoidal, mais comum em mulheres de 50 a 70 anos, asiáticas ou negras. A indocianina verde é o padrão ouro; o OCT mostra coroide espessa e sinal da dupla camada. O tratamento padrão é PDT com verteporfina, associada ou não ao anti-VEGF.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre DMRI na prova do CBO

Quais exames detectam a DMRI e o que cada um mostra?

Retinografia colorida e red-free mostram as drusas. Na angiofluoresceinografia, drusas duras e atrofia geográfica dão defeito em janela, e a NVM aparece como clássica ou oculta. O OCT mostra drusas abaixo do EPR, pseudodrusas acima dele e o fluido da forma exsudativa. A autofluorescência monitora a atrofia geográfica. OCT-A e indocianina verde identificam a membrana neovascular; a indocianina é o padrão ouro para os pólipos.

Qual a diferença entre drusas duras, drusas moles e pseudodrusas reticulares?

Drusas duras têm limites bem definidos e correspondem a depósitos laminares basais, entre a membrana plasmática e a membrana basal do EPR. Drusas moles têm limites mal definidos e espessam a porção interna da membrana de Bruch. Pseudodrusas reticulares ficam acima do EPR, entre ele e a zona elipsoide, têm aspecto reticular na autofluorescência, definem DMRI e elevam o risco de atrofia geográfica e NVM.

Quando indicar a suplementação do AREDS na DMRI?

Nas categorias III, uni ou bilateral, e IV, apenas unilateral, em que a fórmula se associa a menor risco de progressão para a forma neovascular. Nas categorias I e II não houve benefício. A questão do CBO 2022 da apostila cobra esse corte: drusas intermediárias e grandes indicam suplementação, e o betacaroteno do AREDS 1 deu lugar a luteína e zeaxantina no AREDS 2.

Qual a diferença entre os anti-VEGF bevacizumab, ranibizumab e aflibercept?

Bevacizumab é anticorpo monoclonal completo, de 149 kDa e meia-vida sistêmica de 21 dias; ranibizumab é fragmento Fab humanizado, de 48 kDa e meia-vida de 2,2 horas. Os dois inibem todas as isoformas do VEGF-A e costumam ser aplicados a cada 4 semanas. Aflibercept é proteína de fusão de 110 kDa que bloqueia VEGF-A, VEGF-B e PlGF e é eficaz a cada 8 semanas, até 16 em alguns casos.

A cirurgia de catarata aumenta o risco de progressão da DMRI?

Não: a cirurgia de catarata não está associada a risco aumentado de progressão da DMRI. As medidas gerais da forma seca são cessar o tabagismo, controlar obesidade e HAS e fornecer a Tela de Amsler para o paciente monitorar a visão todos os dias, o que permite diagnosticar cedo as complicações, sobretudo a conversão para a forma neovascular.

Como diferenciar a vasculopatia polipoidal da coroide da DMRI neovascular?

A vasculopatia polipoidal é variante da NVM tipo 1, ponto cobrado no CBO 2021. Tem múltiplos DEPs serossanguíneos peripapilares, frequentemente sem drusas, e coroide espessa ou com paquivasos. Em asiáticos, 20 a 50% das DMRI neovasculares têm pólipos; em caucasianos, menos de 5%. A indocianina verde é o padrão ouro. Como os pólipos respondem pior aos anti-VEGF, o tratamento padrão é a PDT com verteporfina, associada ou não ao anti-VEGF.

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  • USPDr. Daniel Costa

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

    Dr. Daniel Costa

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma pela USP. Bateu recorde de nota na PNO. Co-Fundador do Grupo Med-Review.

  • USPDr. Bernardo Moraes

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

    Dr. Bernardo Moraes

    Oftalmologista pela USP. Preceptor da Clínica Oftalmológica do HC-USP. Bateu recorde de nota na PNO. 1º colocado na PNO 2019. Co-fundador do grupo OFT-Review.

  • USPUFSCarDra. Ana Letícia Darcie

    Especialista pelo CBO

    Dra. Ana Letícia Darcie

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela USP. Médica no HU-UFSCar. Médica do setor de estrabismo no Hospital das Clínicas da USP.

  • USPDr. Flávio Moura

    Especialista pelo CBO

    Dr. Flávio Moura

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • UNIFESPDr. Guilherme Macedo

    Especialista pelo CBO

    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

  • USPDr. Iago Bastos

    Especialista pelo CBO

    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

    Especialista pelo CBO

    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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