Degeneração macular relacionada à idade: drusas por tamanho e tipo, atrofia geográfica no OCT, classificação do AREDS, neovascularização tipos 1, 2 e 3, anti-VEGF, regime tratar e estender e vasculopatia polipoidal da coroide. Seis questões do CBO comentadas, de 2021 a 2024.
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Para que serve
Classificação, exames de imagem, tratamento e questões comentadas, com foco na prova do CBO (PNO).
Drusas por tamanho, com os cortes de 63 e 125 micrômetros, duras, moles e pseudodrusas reticulares, e as quatro categorias do AREDS com a indicação da fórmula de micronutrientes.
Tipos 1, 2 e 3, membrana clássica e oculta, OCT, OCT-A e NVMs quiescentes; depois bevacizumab, ranibizumab, aflibercept e brolucizumab, com os regimes PRN e tratar e estender.
CBO 2021, 2022, 2023 e 2024, com gabarito e comentário: atrofia geográfica no OCT, tipos de neovascularização, AREDS, OCT de membrana neovascular, cicatriz disciforme e isoformas do VEGF.
Sumário
Do envelhecimento normal de fotorreceptores, EPR e membrana de Bruch às questões do CBO, na ordem do capítulo do livro Retina, vítreo e genética.
A diferença entre DMRI seca e exsudativa é a neovascularização macular (NVM), ausente na forma seca e condição sine qua non na exsudativa. A seca responde por cerca de 90% dos casos e se define por drusas intermediárias ou maiores, pseudodrusas reticulares ou alterações do EPR; a exsudativa soma os 10% restantes e 80% da cegueira legal pela doença.
As drusas são lesões arredondadas e amareladas do polo posterior, com lipídios, proteínas e restos dos discos dos fotorreceptores. Pelo tamanho, são pequenas (menos de 63 micrômetros), intermediárias (63 a 124) ou grandes (125 ou mais); drusas confluentes que formam DEP maior que 350 micrômetros são o DEP drusenoide. Drusas duras isoladas e em pequeno número podem aparecer em indivíduos normais acima de 50 anos e não configuram DMRI.
A atrofia geográfica é a forma mais avançada da DMRI seca: áreas contíguas de atrofia maiores que 175 micrômetros, acometendo EPR, retina externa e coriocapilar. O OCT mostra perda do EPR, dos fotorreceptores e da zona elipsoide, com hipertransmissão da coroide; a perda da zona elipsoide é o gabarito da questão do CBO 2021 sobre o tema. Na autofluorescência, a hipoautofluorescência é marcante, e o exame é extremamente útil para monitorar a progressão.
A NVM tipo 1, 87% das associadas à DMRI, cresce abaixo do EPR; a tipo 2, entre o EPR e a retina neurossensorial; a tipo 3, ou proliferação angiomatosa da retina (RAP), parte dos plexos capilares profundos da retina em direção ao EPR. Na angiofluoresceinografia, a tipo 2 costuma ser membrana clássica, e a tipo 1, oculta. Com NVM em um olho, o risco de neovascularização no contralateral é de 10 a 12% ao ano.
Com os anti-VEGF, o laser térmico virou tratamento de exceção, para NVMs longe do centro da fóvea. A terapia fotodinâmica com verteporfina, menos eficaz que os anti-VEGF, fica para a neovascularização tipo pólipo e como adjuvante nas NVMs refratárias. Os regimes geralmente começam com dose de carga de 3 injeções intravítreas mensais. No tratar e estender, o intervalo cresce 2 semanas a cada visita com retina seca, até 12 semanas (16 com aflibercept ou faricimab).
Comparativo
As quatro categorias do estudo AREDS, pelo tamanho das drusas, pelas alterações pigmentares e pela atrofia geográfica, e em quais a fórmula de micronutrientes tem indicação.
| Categoria | Estágio | Critério | Fórmula do AREDS |
|---|---|---|---|
| I | Sem DMRI | Drusas pequenas isoladas (< 63 µm) | Sem benefício |
| II | DMRI precoce | Múltiplas drusas pequenas, poucas drusas intermediárias (63 a 124 µm) ou alterações pigmentares maculares secundárias à DMRI | Sem benefício |
| III | DMRI intermediária | 1 drusa grande (≥ 125 µm), múltiplas drusas intermediárias ou atrofia geográfica não central | Indicada, uni ou bilateral |
| IV | DMRI avançada | Atrofia geográfica subfoveal ou DMRI neovascular em um dos olhos | Indicada quando unilateral |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que o capítulo ensina, das drusas à vasculopatia polipoidal da coroide.
Menos fotorreceptores, menos melanina e mais lipofucsina no EPR e drusas duras isoladas fazem parte do envelhecimento. A DMRI seca exige drusas intermediárias ou maiores, pseudodrusas reticulares ou alterações do EPR, sem neovascularização. Idade é o principal fator de risco; tabagismo, o principal modificável.
Pequenas abaixo de 63 micrômetros, intermediárias de 63 a 124 e grandes a partir de 125. Moles e confluentes elevam o risco de NVM e de atrofia do EPR. Na angiofluoresceinografia, drusas duras dão hiperfluorescência precoce por defeito em janela; moles e DEPs drusenoides, impregnação lenta e progressiva.
Atrofia contígua maior que 175 micrômetros, que costuma poupar a fóvea até fases tardias, com escotomas paracentrais densos e dificuldade de leitura. A autofluorescência acompanha a progressão. A nomenclatura trazida pela coleção CBO 2023 separa atrofia da retina com e sem atrofia significativa do EPR, completa ou incompleta: cRORA, iRORA, cORA e iORA.
Categorias III, uni ou bilateral, e IV unilateral recebem vitamina C 500 mg, vitamina E 400 UI, luteína 10 mg, zeaxantina 2 mg, zinco 25 mg e cobre 2 mg. Nas categorias I e II não houve benefício. O betacaroteno saiu no AREDS 2 pelo risco de câncer de pulmão em tabagistas.
Piora aguda da visão, metamorfopsia e escotoma paracentral sugerem conversão; a Tela de Amsler ajuda no diagnóstico precoce. Classifique pela anatomia (tipos 1, 2 e 3) e pela angiografia (clássica ou oculta). A indocianina verde atravessa hemorragia, cicatriz e DEP; o OCT-A mostra a membrana sem o borramento do extravasamento.
Após a dose de carga de 3 injeções mensais, mantenha doses fixas, PRN (visitas mensais, injeção só com fluido ao OCT) ou tratar e estender (injeção em toda visita, intervalo ajustado em 2 semanas). Cicatriz disciforme sem fluido pede observação, gabarito da questão do CBO 2024.
Múltiplos DEPs serossanguíneos, peripapilares e multifocais, frequentemente sem drusas, apontam para vasculopatia polipoidal, mais comum em mulheres de 50 a 70 anos, asiáticas ou negras. A indocianina verde é o padrão ouro; o OCT mostra coroide espessa e sinal da dupla camada. O tratamento padrão é PDT com verteporfina, associada ou não ao anti-VEGF.
Perguntas frequentes
Retinografia colorida e red-free mostram as drusas. Na angiofluoresceinografia, drusas duras e atrofia geográfica dão defeito em janela, e a NVM aparece como clássica ou oculta. O OCT mostra drusas abaixo do EPR, pseudodrusas acima dele e o fluido da forma exsudativa. A autofluorescência monitora a atrofia geográfica. OCT-A e indocianina verde identificam a membrana neovascular; a indocianina é o padrão ouro para os pólipos.
Drusas duras têm limites bem definidos e correspondem a depósitos laminares basais, entre a membrana plasmática e a membrana basal do EPR. Drusas moles têm limites mal definidos e espessam a porção interna da membrana de Bruch. Pseudodrusas reticulares ficam acima do EPR, entre ele e a zona elipsoide, têm aspecto reticular na autofluorescência, definem DMRI e elevam o risco de atrofia geográfica e NVM.
Nas categorias III, uni ou bilateral, e IV, apenas unilateral, em que a fórmula se associa a menor risco de progressão para a forma neovascular. Nas categorias I e II não houve benefício. A questão do CBO 2022 da apostila cobra esse corte: drusas intermediárias e grandes indicam suplementação, e o betacaroteno do AREDS 1 deu lugar a luteína e zeaxantina no AREDS 2.
Bevacizumab é anticorpo monoclonal completo, de 149 kDa e meia-vida sistêmica de 21 dias; ranibizumab é fragmento Fab humanizado, de 48 kDa e meia-vida de 2,2 horas. Os dois inibem todas as isoformas do VEGF-A e costumam ser aplicados a cada 4 semanas. Aflibercept é proteína de fusão de 110 kDa que bloqueia VEGF-A, VEGF-B e PlGF e é eficaz a cada 8 semanas, até 16 em alguns casos.
Não: a cirurgia de catarata não está associada a risco aumentado de progressão da DMRI. As medidas gerais da forma seca são cessar o tabagismo, controlar obesidade e HAS e fornecer a Tela de Amsler para o paciente monitorar a visão todos os dias, o que permite diagnosticar cedo as complicações, sobretudo a conversão para a forma neovascular.
A vasculopatia polipoidal é variante da NVM tipo 1, ponto cobrado no CBO 2021. Tem múltiplos DEPs serossanguíneos peripapilares, frequentemente sem drusas, e coroide espessa ou com paquivasos. Em asiáticos, 20 a 50% das DMRI neovasculares têm pólipos; em caucasianos, menos de 5%. A indocianina verde é o padrão ouro. Como os pólipos respondem pior aos anti-VEGF, o tratamento padrão é a PDT com verteporfina, associada ou não ao anti-VEGF.
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Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

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Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

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Especialista pelo CBO
Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

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Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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