Estadiamento da RDNP pelo ETDRS, de leve a muito grave, com a regra 4:2:1, características de alto risco da RDP, edema macular diabético pelo OCT, panfotocoagulação, anti-VEGF e vitrectomia. Nove questões do CBO comentadas, de 2016 a 2026.
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Para que serve
Do rastreamento à vitrectomia, com os critérios de classificação e conduta que aparecem nas questões do CBO comentadas no capítulo.
RDNP leve, moderada, grave e muito grave, com o risco de RDP de alto risco em 1 e em 5 anos, a regra 4:2:1 e as três características de alto risco da RDP.
Envolvimento do centro, edema focal ou difuso, critérios de edema clinicamente significativo do ETDRS, Protocolo T, corticoide, laser e a conduta na cirurgia de catarata.
CBO 2016, 2019, 2022, 2023, 2025 e 2026, com gabarito e comentário, e um caso clínico de RDP com edema macular acompanhado no OCT e no OCT-A, do diagnóstico ao tratamento.
Sumário
As seções na ordem do capítulo, da epidemiologia às indicações de vitrectomia.
A retinopatia diabética tem duas fases: não proliferativa (RDNP) e proliferativa (RDP). Na RDNP, as alterações microvasculares ficam contidas na retina, sem ultrapassar a membrana limitante interna, e o ETDRS a gradua em leve, moderada, grave (regra 4:2:1) e muito grave. Na RDP, neovasos cruzam essa membrana; com características de alto risco, a panfotocoagulação é mandatória.
Pela regra 4:2:1 do ETDRS, a RDNP é grave com qualquer um destes critérios: microaneurismas e/ou hemorragias intrarretinianas graves em 4 quadrantes, ingurgitamento venoso (beading) em pelo menos 2 quadrantes ou IRMA moderada em 1 quadrante. Dois ou mais critérios definem a RDNP muito grave, com 45% de risco de RDP de alto risco em 1 ano, contra 15% na forma grave.
Edema macular, exsudatos duros e manchas algodonosas ficam fora da gradação da RDNP, e a apostila avisa que a prova pode cobrar esse detalhe: na questão do CBO 2016, o edema macular é o item que não pertence aos critérios do ETDRS. A gradação exige protocolo fotográfico de pelo menos 90° da retina posterior; uma retinografia simples do polo posterior não basta para estadiar.
Na RDP, as características de alto risco tornam a panfotocoagulação mandatória: neovasos de disco de qualquer extensão com hemorragia vítrea ou pré-retiniana; neovasos de disco com pelo menos 1/4 da área do disco, com ou sem hemorragia; neovasos de retina com pelo menos 1/2 da área do disco e hemorragia. Na AGF, o neovaso extravasa de forma intensa e precoce, e a IRMA não.
O edema macular diabético é a principal causa de baixa visual na retinopatia diabética e pode aparecer em qualquer estágio; o OCT é o principal exame de diagnóstico e quantificação. A apostila indica tratar quando o edema envolve o centro e reduz a visão, com anti-VEGF intravítreo em primeira linha e corticoide intravítreo em segunda, alternativa no pseudofácico. No edema focal distante da fóvea, como no CBO 2025, o laser focal é opção.
Comparativo
O critério de cada estágio, o risco de evoluir para RDP de alto risco ou a evolução da RDP e a conduta descrita na apostila.
| Fase | O que define | Risco ou evolução | Conduta na apostila |
|---|---|---|---|
| RDNP leve | Microaneurismas e/ou hemorragias intrarretinianas leves em menos de 4 quadrantes | 1% de RDP de alto risco em 1 ano; 15% em 5 anos | Medidas gerais: controle glicêmico, da HAS e da dislipidemia |
| RDNP moderada | Achados intermediários entre a forma leve e a grave | 3% de RDP de alto risco em 1 ano; 27% em 5 anos | Medidas gerais: controle glicêmico, da HAS e da dislipidemia |
| RDNP grave | Regra 4:2:1, um critério: hemorragias intrarretinianas e microaneurismas graves em 4 quadrantes, beading venoso em pelo menos 2 ou IRMA moderada em 1 | 15% de RDP de alto risco em 1 ano; 56% em 5 anos | Considerar panfotocoagulação, principalmente no DM tipo 2 |
| RDNP muito grave | Pelo menos 2 critérios da regra 4:2:1 | 45% de RDP de alto risco em 1 ano | Considerar fortemente a panfotocoagulação e encurtar o seguimento (a cada três meses na questão do CBO 2025) |
| RDP | Neovasos de disco ou de retina que cruzam a membrana limitante interna | Progride em 3 fases, de neovasos finos à proliferação fibrovascular; complica com hemorragia vítrea ou pré-retiniana, descolamento tracional ou misto e glaucoma neovascular | Panfotocoagulação como tratamento padrão; anti-VEGF equivalente no Protocolo S |
| RDP de alto risco | Neovaso de disco com hemorragia vítrea ou pré-retiniana; neovaso de disco de 1/4 da área do disco ou mais; neovaso de retina de 1/2 da área do disco ou mais com hemorragia | Desfecho usado nos riscos da RDNP, nas linhas acima | Panfotocoagulação mandatória |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do rastreamento à vitrectomia.
No DM tipo 1, o primeiro exame fundoscópico é feito 5 anos após o diagnóstico; no DM tipo 2, logo no diagnóstico. As reavaliações são pelo menos anuais. Na gestante diabética, o exame é no primeiro trimestre, com retornos conforme a presença e a gravidade da retinopatia.
Microaneurismas são a primeira manifestação e têm hiperfluorescência precoce na AGF; hemorragias intrarretinianas causam bloqueio. Exsudatos duros são lipoproteínas do plasma extravasado dos microaneurismas, e manchas algodonosas são microinfartos na camada de fibras nervosas. IRMA, confinada à membrana limitante interna, e beading venoso entram nos critérios de gravidade.
Hemorragias e microaneurismas graves em 4 quadrantes, beading venoso em 2 ou IRMA moderada em 1 definem a RDNP grave; dois critérios, a muito grave. A gradação usa protocolo fotográfico de pelo menos 90° e deixa de fora edema macular, exsudatos duros e manchas algodonosas.
Classifique o edema pelo envolvimento do centro da fóvea e pela quebra focal ou difusa da barreira hematorretiniana. Extravasamento na AGF sem espessamento retiniano não configura edema. Na maculopatia isquêmica sem edema, como na questão do CBO 2026, não há indicação de tratamento intervencionista.
Controle glicêmico, da HAS e da dislipidemia é a base do tratamento. Na RDNP grave ou muito grave, considere a panfotocoagulação. No edema central com baixa visual, o anti-VEGF intravítreo é primeira linha, com vantagem do aflibercept no Protocolo T quando a acuidade é 20/50 ou pior, e o corticoide é segunda linha.
Neovasos que cruzam a membrana limitante interna definem a RDP e, na AGF, extravasam de forma intensa e precoce, ao contrário da IRMA. Com características de alto risco, a panfotocoagulação é mandatória; o anti-VEGF foi equivalente no Protocolo S. Com edema macular no mesmo olho, comece pelo anti-VEGF, que controla as duas condições.
As principais são descolamento tracional que envolve ou ameaça a fóvea, descolamento misto, hemorragia vítrea que não clareia ou recorrente e hemorragia sub-hialoidea macular densa. DM tipo 1 com hemorragia vítrea densa se beneficia de vitrectomia precoce. O CBO 2016 cobrou o descolamento tracional como indicação clássica.
Perguntas frequentes
Retinopatia diabética é o dano microvascular da retina causado pela hiperglicemia crônica: lesão endotelial, espessamento da membrana basal, perda de pericitos e microaneurismas levam a oclusão capilar e não perfusão, nos plexos superficial e profundos. A quebra da barreira hematorretiniana interna causa extravasamento para o interstício retiniano, e a isquemia acentuada eleva o VEGF e induz neovasos de retina e de disco.
É o critério do ETDRS para a RDNP grave: microaneurismas e/ou hemorragias intrarretinianas graves em 4 quadrantes, beading venoso em 2 quadrantes ou IRMA moderada em 1 quadrante. Um critério basta para a forma grave; dois definem a muito grave. Na questão do CBO 2025 da apostila, IRMA e beading venoso em dois quadrantes classificam a RDNP como muito grave, com panfotocoagulação e seguimento a cada três meses.
É a fase em que a isquemia e o VEGF levam a neovasos de disco ou de retina, que cruzam a membrana limitante interna e usam a hialoide posterior como anteparo. A apostila descreve a progressão em 3 fases, de neovasos finos à proliferação fibrovascular. As complicações são hemorragia vítrea ou pré-retiniana, descolamento de retina tracional ou misto e glaucoma neovascular.
Não. O edema macular diabético resulta da quebra da barreira hematorretiniana interna, pode estar presente em qualquer estágio e fica fora da gradação de gravidade do ETDRS, como cobrou o CBO 2016. O ETDRS definiu como clinicamente significativo o espessamento retiniano, ou exsudatos duros com espessamento adjacente, a até 500 micrômetros do centro da fóvea, ou espessamento de pelo menos uma área de disco a até um diâmetro de disco do centro.
No edema que envolve o centro e reduz a visão, a primeira linha é o anti-VEGF intravítreo; no Protocolo T, com acuidade de 20/50 ou pior, o aflibercept superou o bevacizumab em 1 e 2 anos e o ranibizumab em 1 ano. Corticoide intravítreo é segunda linha, útil no pseudofácico e relativamente contraindicado no glaucoma. No edema focal distante da fóvea, o laser focal é opção, como no CBO 2025.
Na RDP, a panfotocoagulação é o tratamento padrão e é mandatória nas características de alto risco. Na RDNP grave ou muito grave, deve ser considerada, principalmente no DM tipo 2. Com edema macular associado, comece pelo anti-VEGF: a panfotocoagulação sobre edema não tratado pode piorar a visão. Os parâmetros da apostila são mira de 200 a 500 micrômetros, 0,02 a 0,2 s e 1.200 a 2.000 disparos.
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Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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