Os cinco vírus pela fisiopatologia: marcadores da hepatite B com a janela imunológica, anti-HCV e HCV-RNA, critérios de hepatite fulminante, imunoglobulina hiperimune e esquemas de DAA. Seis questões comentadas, entre elas UFRJ 2025 e USP-RP 2018.
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Para que serve
Os cinco vírus lado a lado, com a sorologia e a conduta que mais caem na prova de residência.
HBsAg, anti-HBs, anti-HBc IgM e total, HBeAg e anti-HBe, com os perfis de hepatite aguda, crônica, curada e vacinada e a janela imunológica em que só o anti-HBc IgM é positivo.
Critérios de antiviral na hepatite B aguda, quem tratar na B crônica, tratamento universal da hepatite C com sofosbuvir e as indicações da imunoglobulina hiperimune.
UFRJ 2025, UFRJ 2016, USP-RP 2018, UESPI 2023, UERN 2022 e uma questão autoral Med-Review 2026, resolvidas dentro do capítulo, com gabarito e comentário.
Sumário
Da fisiopatologia comum aos cinco vírus até o resumo em 1 minuto.
A apostila de hepatites virais em PDF cobre os cinco vírus hepatotróficos: A e E, de RNA e transmissão fecal-oral; B, de DNA, com transmissão sexual, sanguínea e vertical; C, de RNA e transmissão parenteral, que cronifica na maioria dos casos; e D, que só infecta quem tem o HBsAg do vírus B.
HBsAg positivo significa que o vírus está presente; se persiste por mais de 6 meses, a hepatite B é crônica. Anti-HBs indica imunidade, por cura ou por vacina. Anti-HBc marca contato com o vírus selvagem: o IgM indica infecção aguda, e o IgG (ou total) fica positivo para o resto da vida. HBeAg indica alta replicação; anti-HBe, replicação baixa.
A vacina é feita só com o HBsAg recombinante, então o vacinado tem anti-HBs positivo e anti-HBc negativo, como na questão UFRJ 2016 da apostila. Quem curou a infecção tem os dois positivos. Na janela imunológica, o HBsAg já desapareceu e o anti-HBs ainda não subiu: o único marcador positivo pode ser o anti-HBc IgM.
Em adultos imunocompetentes, a hepatite B aguda é benigna em mais de 95% dos casos, e o tratamento é suporte. Antiviral (tenofovir ou entecavir) entra só com critério de gravidade: INR ≥ 1,5 ou encefalopatia, bilirrubina acima de 10 mg/dL ou sintomas por mais de 4 semanas. Imunoglobulina hiperimune é profilaxia pós-exposição e não trata doença instalada.
O anti-HCV indica contato e não separa infecção ativa de cicatriz; quem confirma é o HCV-RNA, e todo paciente com RNA detectável é tratado. Sofosbuvir com velpatasvir serve inclusive para Child B/C; sofosbuvir com daclatasvir fica para casos sem cirrose ou Child A. A cura é a RVS: RNA indetectável 12 semanas após o término.
Comparativo
Genoma, transmissão, cronificação, marcador de doença ativa e tratamento dos cinco vírus hepatotróficos.
| Vírus | Genoma e transmissão | Cronificação | Marcador de doença ativa | Tratamento |
|---|---|---|---|---|
| Hepatite A | RNA; fecal-oral | Não cronifica; só forma aguda | Anti-HAV IgM | Suporte |
| Hepatite B | DNA; sexual, sangue e vertical | Na maioria dos casos de transmissão vertical; o adulto elimina o vírus em mais de 95% | HBsAg; anti-HBc IgM na fase aguda | Tenofovir (1ª escolha) ou entecavir, quando há critério |
| Hepatite C | RNA; parenteral | Na maioria dos casos | HCV-RNA (anti-HCV é só triagem) | Universal: sofosbuvir com velpatasvir ou daclatasvir |
| Hepatite D | RNA incompleto; depende do HBsAg | Coinfecção: < 5%; superinfecção: cirrose rápida | Anti-HDV total, confirmado por HDV-RNA | Interferon peguilado por 48 semanas ou bulevirtida |
| Hepatite E | RNA; fecal-oral ou zoonótica | Só em imunossuprimidos | Anti-HEV IgM; HEV-RNA no imunossuprimido | Suporte; ribavirina em casos graves ou crônicos |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila apresenta os vírus, do caso agudo ao portador crônico.
Transaminases acima de 1.000 U/L indicam necrose extensa: hepatite viral aguda (ALT geralmente maior que AST, pródromo antes da icterícia), hepatite isquêmica (LDH muito elevada, história de choque) ou paracetamol (frequentemente acima de 3.500 U/L). Hepatite alcoólica quase nunca passa de 500 U/L.
Anti-HAV IgM positivo com icterícia é hepatite A aguda; ele fica detectável por 3 a 6 meses. IgG positivo com IgM negativo é imunidade, por infecção prévia ou vacina. Se o laboratório só dosa anti-HAV total, total positivo com IgM negativo também indica imunidade.
HBsAg e anti-HBc IgM positivos: hepatite B aguda. HBsAg com anti-HBc total positivos: crônica. Anti-HBs e anti-HBc total positivos: cura. Só anti-HBs positivo: vacina. Tudo negativo: suscetível, com vacinação imediata em 3 doses (0, 1 e 6 meses).
AST e ALT acima de 1.000, INR acima de 1,5 e encefalopatia em paciente sem cirrose prévia definem insuficiência hepática aguda: UTI, contato imediato com centro transplantador e suporte, evitando sedativos. Na hepatite A, o risco aumenta acima de 50 anos e com hepatopatia prévia.
Anti-HCV é triagem e demora de 2 a 6 meses para positivar. HCV-RNA confirma infecção ativa e aparece 1 a 2 semanas após a exposição. Estadie a fibrose pelo APRI: abaixo de 1, tratamento simplificado na atenção básica; 1 ou mais, encaminhamento ao especialista.
Idealmente, todo portador de hepatite B crônica deve ser testado para hepatite D ao menos uma vez, com anti-HDV total e confirmação por HDV-RNA. O anti-HBc IgM separa coinfecção, em que é positivo, de superinfecção, em que a infecção pelo HBV já é crônica.
Hepatite aguda não A, não B e não C, gestante com forma grave ou imunossuprimido com enzimas alteradas sugerem hepatite E. No imunossuprimido, o anti-HEV IgM pode ser falso-negativo: peça HEV-RNA no sangue ou nas fezes. Detecção por mais de 6 meses define cronicidade.
Perguntas frequentes
A apostila trata das cinco hepatites causadas por vírus hepatotróficos: A, B, C, D e E. A e E têm transmissão fecal-oral e, em regra, evolução aguda; B, C e D podem cronificar. A hepatite D só existe com o HBsAg presente, porque o vírus D usa o envelope do vírus B. A hepatite E cronifica apenas em imunossuprimidos.
Anti-HBs positivo indica imunidade contra a hepatite B, por cura ou por vacina. Para separar as duas, olhe o anti-HBc: positivo em quem curou, negativo no vacinado, porque a vacina contém só o HBsAg recombinante. Um exame antigo com anti-HBs de 10 mUI/mL ou mais define imunidade permanente, mesmo com o exame atual negativo.
HBeAg positivo indica alta replicação viral e alta infectividade; anti-HBe positivo indica que a replicação baixou. Na hepatite B crônica, idade acima de 30 anos com HBeAg positivo está entre os critérios de tratamento, ao lado de ALT aumentada com carga viral de 2.000 UI/mL ou mais, fibrose avançada ou cirrose, imunossupressão, coinfecção e história familiar de CHC.
Só com risco de forma fulminante ou evolução arrastada: INR ≥ 1,5 ou encefalopatia, bilirrubina acima de 10 mg/dL ou sintomas por mais de 4 semanas. Fora disso, a conduta é suporte e seguimento clínico, como na questão USP-RP 2018 da apostila, em que o paciente tinha INR de 1,1 e bom estado geral.
Erradicar o vírus. O alvo é a resposta virológica sustentada (RVS), HCV-RNA indetectável 12 semanas após o fim do tratamento, tema da questão UERN 2022 da apostila. Diferente do HBV, o HCV não tem cccDNA no núcleo. Com cirrose prévia, o risco de CHC diminui sem zerar, e o rastreio com USG a cada 6 meses continua.
Na coinfecção, o paciente adquire B e D juntos: risco alto de hepatite fulminante, mas cronificação baixa, abaixo de 5%. Na superinfecção, o portador de hepatite B crônica adquire o D, que usa o HBsAg abundante para replicar, com evolução rápida para cirrose. O anti-HBc IgM positivo aponta coinfecção.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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