Tityus serrulatus e o acidente urbano, canais de sódio e a tempestade autonômica, classificação clínica em leve, moderado e grave, o alerta dos vômitos na criança, o escorpião-preto da Amazônia, exames de monitorização, analgesia com bloqueio anestésico, soro antiescorpiônico pela gravidade e o suporte do choque cardiogênico e do edema agudo de pulmão.
PDF de 2,4 MB. Gratuito.

Para que serve
Do escorpião-amarelo no entulho ao choque cardiogênico, com a classificação e a soroterapia que a banca cobra.
3 ampolas no caso moderado e 6 no grave, com a dose definida pela gravidade e não pelo peso, por via intravenosa ou intraóssea, em bolus ou diluída e infundida em 10 a 15 minutos.
Catecolaminas e acetilcolina liberadas pelos canais de sódio abertos explicam vômitos, sudorese, arritmias, choque cardiogênico e edema agudo de pulmão, com a dobutamina como inotrópico de escolha.
O Tityus obscurus causa sensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartria, pede diazepam e exige cautela com o bloqueio anestésico, que pode piorar o choque elétrico.
Sumário
Da biologia do escorpião urbano ao manejo do caso grave, na ordem em que a apostila ensina.
Escorpionismo é o envenenamento causado pela picada de escorpião, o animal peçonhento que mais causa acidentes registrados no Brasil. O principal agente é o Tityus serrulatus, o escorpião-amarelo. O quadro começa com dor local quase sempre imediata e intensa e, nos casos moderados e graves, evolui para uma tempestade autonômica.
O veneno mantém abertos os canais de sódio, despolariza de forma contínua as terminações nervosas e dispara a liberação maciça de catecolaminas e acetilcolina. Ora predomina o simpático, com taquicardia e hipertensão, ora o parassimpático, com bradicardia, sialorreia e vômitos. Mediadores inflamatórios e a lesão cardíaca direta e indireta podem levar a choque cardiogênico e edema agudo de pulmão.
O acidente é urbano e doméstico e atinge sobretudo os membros superiores, ao manusear entulho, lenha ou material de construção ou ao vestir roupas e calçados. O T. serrulatus e o T. stigmurus vivem em esgotos e entulhos, onde há baratas em fartura, e se reproduzem por partenogênese: uma única fêmea pode colonizar uma área inteira. As manifestações surgem em poucos minutos ou em até duas horas e podem se agravar com o tempo.
A classificação é clínica, em leve, moderado e grave, e define a dose do soro: 3 ampolas no moderado e 6 no grave. Nas crianças, náuseas e vômitos que se repetem são sinal premonitório de gravidade sistêmica.
Comparativo
A classificação é puramente clínica e decide a soroterapia. A tabela junta o quadro de cada grau à conduta que a apostila indica.
| Gravidade | Quadro clínico | Soro antiescorpiônico | Conduta |
|---|---|---|---|
| Leve | Dor local intensa, às vezes com parestesia | Não indicado | Analgesia e observação clínica por 6 a 12 horas |
| Moderado | Dor com náuseas, alguns vômitos, sudorese, alteração da frequência cardíaca e hipertensão | 3 ampolas | Soro por via intravenosa e observação por pelo menos 24 horas |
| Grave | Vômitos persistentes, sudorese profusa, prostração, priapismo, convulsões, choque cardiogênico ou edema pulmonar | 6 ampolas | UTI e monitorização contínua por pelo menos 24 horas |
| Tityus obscurus | Sensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartria | Dose pela gravidade, como nos demais acidentes | Diazepam para as mioclonias e cautela com o bloqueio anestésico |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da chegada ao pronto-socorro ao suporte do caso grave.
O diagnóstico é clínico-epidemiológico: dor local imediata e intensa após contato com entulho, lenha, roupas ou calçados, sobretudo em membro superior. Não se faz torniquete, não se fura o local e não se chupa o veneno, porque isso só aumenta o risco de infecção e necrose.
Compressas mornas ajudam no alívio inicial. Dipirona por via oral no caso leve e intravenosa no moderado; na dor intensa, bloqueio anestésico com lidocaína a 2% sem vasoconstritor e, se a dor persistir, opioide fraco. A dexametasona não é recomendada.
A classificação brasileira é puramente clínica, em leve, moderado e grave. O moderado soma à dor náuseas, alguns vômitos, sudorese, alteração da frequência cardíaca e hipertensão; o grave pode ter vômitos incoercíveis, sudorese profusa, prostração, convulsões, choque cardiogênico ou edema pulmonar. O caso leve recebe só analgesia e fica em observação rigorosa por 6 a 12 horas, para o caso de evoluir com manifestações sistêmicas.
Soro antiescorpiônico, ou o antiaracnídico na falta dele ou quando não se distingue o acidente por Phoneutria: 3 ampolas no moderado e 6 no grave, a quantidade máxima. Via intravenosa ou intraóssea, em bolus de 8 a 12 mL/min ou diluído de 1:1 a 1:5 em 10 a 15 minutos (20 a 60 minutos se for o antiaracnídico), sem pré-medicação com corticoide ou anti-histamínico.
Glicemia, eletrólitos para a hipocalemia, amilase, hemograma, troponina, CK-MB e NT-proBNP nos casos moderados e graves. ECG na admissão e seriado, porque pode simular infarto, radiografia de tórax, ecocardiograma e POCUS para flagrar cedo a disfunção ventricular e o edema agudo de pulmão.
Dobutamina no choque, noradrenalina com cautela no choque misto, nitroglicerina com dobutamina no edema agudo de pulmão e hidratação muito cautelosa. Oxigênio, ventilação não invasiva ou invasiva e furosemida conforme a congestão, diazepam nas convulsões e profilaxia antitetânica conforme a situação vacinal.
Perguntas frequentes
Não fazer torniquete, não furar o local e não chupar o veneno. No serviço de saúde, o primeiro passo é controlar a dor, com compressas mornas, dipirona e, na dor intensa, bloqueio com lidocaína a 2% sem vasoconstritor. Depois o paciente é classificado: o caso leve fica em observação por 6 a 12 horas, e o moderado e o grave recebem soro antiescorpiônico por via intravenosa.
Pode, e as crianças são o grupo de risco, com letalidade quatro vezes maior que a dos adultos. Nos casos graves, a tempestade autonômica pode evoluir para choque cardiogênico e edema agudo de pulmão, e na criança as náuseas e os vômitos que se repetem são sinal premonitório de gravidade sistêmica. O paciente grave vai para a UTI, recebe 6 ampolas de soro e fica monitorado por pelo menos 24 horas.
A dor local é quase sempre imediata e intensa e pode vir com parestesia, eritema e sudorese discreta. As manifestações sistêmicas surgem em poucos minutos ou em até duas horas e podem se agravar. No escorpião-preto da Amazônia, o Tityus obscurus, o quadro é neuromuscular: sensação de choque elétrico, mioclonias, ataxia e disartria.
Pela clínica e pela epidemiologia: dor intensa e imediata após manusear entulho, lenha ou material de construção, ou ao vestir roupas e calçados, em ambiente urbano e doméstico. Nos casos moderados e graves, os exames ajudam a acompanhar a evolução: hiperglicemia, hipocalemia, amilase elevada, leucocitose com neutrofilia, troponina e CK-MB elevadas e um ECG que pode simular infarto.
Para a dor, dipirona, bloqueio anestésico com lidocaína a 2% sem vasoconstritor e, se a dor persistir, opioide fraco. O tratamento específico é o soro antiescorpiônico, com 3 ampolas no caso moderado e 6 no grave, e a dose segue a gravidade, não o peso do paciente. A dexametasona não é recomendada, e não há indicação de antibiótico profilático.
Sim. Você preenche um formulário curto e recebe o PDF completo, sem custo e sem período de teste. Pedimos os dados para saber quem estuda com a gente e avisar quando sair material novo.
Não. A biblioteca é aberta a estudantes de Medicina e a médicos que vão prestar a prova de residência, com ou sem matrícula nos cursos da Med-Review.
Continue estudando
Onde aprofundar
Extensive R1: preparatório completo para a residência
Aulas, questões comentadas, flashcards e Planner inteligente, com cronograma direcionado por prova.
Quem ensina
Confira abaixo alguns dos professores especialistas que você vai encontrar no Extensive, o curso preparatório da Med-Review para a residência médica.

Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
Arraste para o lado para ver toda a equipe
13 páginas com tempestade autonômica, classificação de gravidade, exames, analgesia, soro antiescorpiônico, manejo do caso grave e o escorpião-preto da Amazônia, em PDF gratuito.
Preencha para liberar o download.
Carregando formulário…