Os três gêneros de importância médica no Brasil, a esfingomielinase-D e a placa marmórea, as formas cutânea e cutâneo-visceral do loxoscelismo, classificação, prednisona e soro antiaracnídico, a dor imediata e o priapismo do foneutrismo, o bloqueio com lidocaína, os espasmos e o falso abdome agudo do latrodectismo, a caranguejeira e os acidentes por abelhas, águas-vivas e Lonomia. Uma questão comentada: HFR 2019.
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Para que serve
Da aranha-marrom à viúva-negra, com o que a banca cobra em diagnóstico, classificação e conduta.
Lesão incaracterística, sugestiva ou característica, hemólise intravascular na forma cutâneo-visceral, prednisona por 5 dias e soro antiaracnídico com 5 ampolas no moderado e 10 no grave.
Dor tardia com necrose na aranha-marrom, dor imediata com tempestade autonômica e priapismo na armadeira, espasmos musculares e falso abdome agudo na viúva-negra.
HFR 2019, sobre o gênero de veneno proteolítico e hemolítico que causa anemia, icterícia e insuficiência renal, com gabarito e comentário.
Sumário
Dos três gêneros de importância médica aos outros acidentes peçonhentos, na ordem em que a apostila ensina.
Loxoscelismo é o envenenamento pela picada da aranha-marrom, do gênero Loxosceles, o acidente mais comum entre as aranhas identificadas de importância médica no país e o que domina as questões de araneísmo. O veneno tem a enzima esfingomielinase-D, que ativa o sistema complemento e as cascatas de coagulação e gera inflamação intensa, com obstrução de pequenos vasos e isquemia tecidual.
A aranha-marrom pica para se defender, quando é comprimida contra o corpo, em geral enquanto o paciente se veste ou dorme, e por isso as lesões costumam ser proximais, em coxas, braços ou tronco. A Loxosceles intermedia é a principal espécie, sobretudo no Sul do Brasil. Ao contrário das outras aranhas, a dor é tardia: começa horas depois, como queimação.
A forma cutânea é a evolução da maioria dos casos. Em 24 a 72 horas, a lesão pode ser incaracterística, sugestiva ou característica. Na característica, lesões hemorrágicas focais se mesclam a áreas pálidas de isquemia, a placa marmórea, e a isquemia progride para necrose seca, que pode deixar uma úlcera de difícil cicatrização. A forma cutâneo-visceral, mais comum com a L. laeta, causa hemólise intravascular com anemia, icterícia e hemoglobinúria, e a gravidade sistêmica não tem relação direta com o tamanho da lesão.
A principal causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, causada pela deposição de hemoglobina nos túbulos renais. O tratamento usa prednisona nos casos moderados e graves e soro antiaracnídico, com 5 ampolas no moderado e 10 no grave.
Comparativo
Só três gêneros têm real importância médica no Brasil, e cada um tem uma dor, uma complicação e uma conduta. A tabela junta o que a apostila usa para decidir.
| Gênero | Quadro típico | Complicação | Conduta principal |
|---|---|---|---|
| Loxosceles, a aranha-marrom | Dor tardia em queimação e placa marmórea | Hemólise intravascular e insuficiência renal aguda | Prednisona e soro antiaracnídico nos casos moderados e graves |
| Phoneutria, a armadeira | Dor imediata e intensa, sudorese e manifestações autonômicas | Priapismo; edema pulmonar e choque, raros | Compressas mornas, dipirona e bloqueio com lidocaína a 2% sem vasoconstritor |
| Latrodectus, a viúva-negra | Dor local que evolui para queimação, espasmos musculares e tremores | Disautonomia e choque, raros no Brasil; dor abdominal com ventre em tábua que simula abdome agudo | Analgesia, diazepam e gluconato de cálcio; o soro antiaracnídico não neutraliza o veneno |
| Caranguejeira | Cerdas urticantes lançadas quando se sente ameaçada | Coceira, irritação de mucosas ou reação alérgica | Não é considerada de importância médica no Brasil |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da conduta geral à conduta de cada gênero.
Não fazer torniquete, não cortar e não sugar o local. Lavar com água e sabão e levar o paciente ao atendimento médico precocemente.
Dor tardia em queimação, horas depois, aponta para a aranha-marrom. Dor imediata e muito intensa, que pode irradiar para o membro com sudorese e edema, aponta para a armadeira. Dor local que vira queimação em 15 a 60 minutos e depois espasmos musculares aponta para a viúva-negra.
Leve é a lesão incaracterística sem manifestação sistêmica nem alteração laboratorial, e esse paciente fica em observação por pelo menos 72 horas, porque a lesão pode virar característica. Moderado é a lesão sugestiva ou característica, com ou sem rash, cefaleia e mal-estar. Grave é a lesão característica com alterações clínico-laboratoriais de hemólise intravascular. O laboratório inclui hemograma, reticulócitos, bilirrubina, haptoglobina, potássio, creatinina, ureia e coagulograma.
Prednisona oral, 40 mg/dia no adulto e 1 mg/kg/dia na criança, por 5 dias nos casos moderados e graves, e soro antiaracnídico com 5 ampolas no moderado e 10 no grave. Com necrose já instalada há vários dias, o soro perde a eficácia e o foco passa a ser o debridamento cirúrgico e os cuidados locais.
Compressas mornas, porque o veneno é termolábil, e dipirona. Se a dor for persistente e intensa, acima de 7 na escala, a conduta de escolha é o bloqueio anestésico local com lidocaína a 2% sem vasoconstritor. Os casos graves, raros e quase exclusivos de crianças, são conduzidos em terapia intensiva.
Analgesia, diazepam para o relaxamento muscular e gluconato de cálcio intravenoso para as contraturas. O soro antiaracnídico não neutraliza esse veneno; o soro antilatrodético é específico, raramente disponível e importado para casos extremamente graves, na dose de 1 a 2 ampolas por via intramuscular.
Perguntas frequentes
Sim. O veneno da Loxosceles é dermonecrótico e hemolítico, pela ação da esfingomielinase-D, e pode causar necrose de pele e hemólise intravascular. Ela não é agressiva: pica para se defender quando é comprimida contra o corpo, ao se vestir ou dormir.
Não fazer torniquete, não cortar e não sugar. Lavar com água e sabão e procurar atendimento precocemente. No serviço, a conduta depende do gênero: prednisona e soro antiaracnídico no loxoscelismo moderado e grave, bloqueio com lidocaína na dor intensa da armadeira e diazepam com gluconato de cálcio nos espasmos da viúva-negra.
Pode matar na forma cutâneo-visceral, que causa hemólise intravascular com anemia, icterícia e hemoglobinúria. A principal causa de óbito é a insuficiência renal aguda por necrose tubular, pela deposição de hemoglobina nos túbulos. Uma picada pequena pode causar hemólise maciça, porque a gravidade sistêmica não depende do tamanho da lesão.
A dor é tardia, em queimação, e começa horas depois da picada, em geral em coxas, braços ou tronco. Entre 24 e 72 horas, a lesão é incaracterística, com bolha serosa, edema, calor e rubor, sugestiva, com enduração, bolha e equimoses, ou característica, com a placa marmórea de áreas hemorrágicas e isquêmicas que evolui para necrose.
É rara a evolução grave. Mais de 90% dos casos são leves, só com dor local. Nos moderados aparece a tempestade autonômica, com sudorese, taquicardia, agitação e vômitos ocasionais. Os graves, quase exclusivos de crianças, evoluem com prostração, bradicardia, choque e edema pulmonar agudo e são conduzidos em terapia intensiva.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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Cirurgia Geral
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Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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