Apostila gratuita · 39 páginas

Febre maculosa e rickettsioses: transmissão, diagnóstico e tratamento com doxiciclina

Rickettsia rickettsii e R. parkeri, os quatro perfis ecoepidemiológicos, capivara e cavalo na cadeia de transmissão, exantema centrípeto, escara de inoculação, plaquetopenia e hiponatremia, RIFI pareada, doxiciclina imediata, cloranfenicol, profilaxia e diagnóstico diferencial das síndromes febris hemorrágicas. Quatro questões comentadas, entre elas ENARE 2025 e USP/RP 2025.

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Formato
Apostila · 39 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Infectologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de febre maculosa cobre

Da picada do carrapato à doxiciclina, com o que a banca cobra em epidemiologia, diagnóstico e conduta.

  • Doxiciclina já na suspeita

    100 mg de 12 em 12 horas no adulto e 2,2 mg/kg/dose na criança com menos de 45 kg, por pelo menos 7 dias ou até 3 dias após o fim da febre, sem esperar sorologia nem exantema.

  • Os quatro perfis ecoepidemiológicos

    Clássico e metropolitano, graves, pela R. rickettsii com A. sculptum e A. aureolatum; Mata Atlântica e Pampa, leves, pela R. parkeri com A. ovale e A. tigrinum.

  • Quatro questões comentadas

    ENARE 2025, REVALIDA 2023, USP/RP 2025 e FM/ABC 2022, sobre hospedeiro amplificador, RIFI pareada, tratamento e exantema centrípeto, com gabarito e comentário de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 39 páginas

Da bactéria ao diagnóstico diferencial, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela de prioridades da banca
  2. 02Contexto clínico: o paciente febril com história de carrapato
  3. 03Microbiologia: Rickettsia rickettsii, parasita intracelular obrigatório
  4. 04Tropismo e fisiopatogenia: endotélio, vasculite e permeabilidade vascular
  5. 05Estrutura antigênica: OmpA e OmpB
  6. 06Epidemiologia: os quatro perfis ecoepidemiológicos
  7. 07Sazonalidade e os micuins
  8. 08Cadeia de transmissão: vetores, hospedeiro amplificador e de manutenção
  9. 09Questão estratégica: hospedeiro amplificador
  10. 10Reconhecimento clínico: fase inicial, exantema e formas graves
  11. 11Definição de caso suspeito e escara de inoculação
  12. 12Alterações laboratoriais: hemograma, bioquímica e líquor
  13. 13Diagnóstico laboratorial: hemoculturas, RIFI, PCR e imuno-histoquímica
  14. 14Questão estratégica: diagnóstico e conduta
  15. 15Conduta: doxiciclina, casos graves e cloranfenicol
  16. 16Profilaxia e prevenção
  17. 17Questão estratégica: tratamento e suspeição clínica
  18. 18Diagnóstico diferencial das síndromes febris hemorrágicas
  19. 19Dados recentes: expansão periurbana e suspeição clínica
  20. 20Questão estratégica: diagnóstico diferencial do exantema
  21. 21Febre maculosa brasileira e febre das Montanhas Rochosas
  22. 22Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Febre maculosa e rickettsioses
Página da apostila: a conduta na febre maculosa, com o esquema de doxiciclina para adulto e criança, a duração do tratamento e o manejo dos casos graves.

Qual é o tratamento da febre maculosa?

O tratamento da febre maculosa é a doxiciclina, iniciada imediatamente na suspeita clínica, em todos os casos suspeitos, independentemente da gravidade ou da idade. No adulto, a dose é de 100 mg de 12 em 12 horas, por via oral ou endovenosa; na criança com menos de 45 kg, 2,2 mg/kg/dose de 12 em 12 horas. O tratamento dura pelo menos 7 dias ou até 3 dias após o fim da febre e a melhora clínica.

A regra de ouro da apostila é não esperar exames nem o exantema. A RIFI, sorologia padrão-ouro, só detecta anticorpos a partir do 7º ao 10º dia de sintomas, e as hemoculturas de rotina vêm negativas porque a Rickettsia é intracelular obrigatória e não cresce em meio acelular. A letalidade aumenta muito quando o tratamento é adiado para além do 5º dia de sintomas.

No caso grave, sem via oral, usa-se a doxiciclina endovenosa; se ela não estiver disponível, a alternativa é o cloranfenicol. A doxiciclina deve ser priorizada também na criança, porque o benefício supera o risco de descoloração dentária. A ceftriaxona não age contra riquétsias.

Quem foi picado e está assintomático não recebe antibiótico profilático: ele não previne a doença e pode prolongar a incubação, mascarando os sintomas iniciais. A conduta é retirar o carrapato com pinça, com leves torções, e orientar observação clínica por 14 dias.

Página da apostila Febre maculosa e rickettsioses

Comparativo

Os quatro perfis ecoepidemiológicos da febre maculosa

A espécie de riquétsia e o vetor mudam conforme a região, e com eles a gravidade. A tabela resume os quatro perfis como a apostila apresenta.

Perfis ecoepidemiológicos da febre maculosa no Brasil, com bactéria, vetor e gravidade. Fonte: apostila Med-Review R1, “Febre maculosa e rickettsioses”.
PerfilBactériaVetorGravidade e animais envolvidos
Clássico (Sudeste)Rickettsia rickettsiiAmblyomma sculptum, o carrapato-estrelaGrave; capivara como hospedeiro amplificador e cavalo como hospedeiro de manutenção
Metropolitano (Grande São Paulo)Rickettsia rickettsiiAmblyomma aureolatumGrave; cães e gatos trazem o carrapato da mata para casa
Mata Atlântica (Sul, Sudeste e parte do Nordeste)Rickettsia parkeri, cepa Mata AtlânticaAmblyomma ovaleLeve, sem letalidade associada, com escara de inoculação; cães como carreadores
Pampa (Rio Grande do Sul)Rickettsia parkeri sensu strictoAmblyomma tigrinumLeve; cães com acesso ao campo levam o carrapato ao peridomicílio

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a suspeita de febre maculosa, passo a passo

O raciocínio da apostila, da anamnese epidemiológica à orientação dos contatos.

  1. Pergunte pela exposição

    Febre alta de início súbito, cefaleia e mialgia com trilha, pesca, acampamento ou área rural com capivaras e cavalos nos 2 a 14 dias anteriores formam a suspeita. A ausência de relato de picada não descarta a doença: a ninfa, o micuim, é quase imperceptível a olho nu.

  2. Procure o exantema, sem esperar por ele

    O exantema maculopapular surge entre o 2º e o 5º dia e tem progressão centrípeta: começa em punhos e tornozelos, acomete palmas e plantas e depois vai para o tronco. Em formas fulminantes ou na pele negra, ele pode não aparecer ou não ser visto.

  3. Leia o laboratório como pista

    Plaquetopenia progressiva, hiponatremia e elevação de transaminases, CPK e DHL, com leucócitos normais ou baixos, sustentam a hipótese. Hemoculturas sem crescimento são o achado esperado e ajudam a afastar bacteremias como a meningococcemia.

  4. Inicie a doxiciclina

    Doxiciclina 100 mg de 12 em 12 horas no adulto, por via oral ou endovenosa, logo na suspeita. No paciente grave, sem via oral, a doxiciclina vai pela veia; sem ela disponível, entra o cloranfenicol.

  5. Colha a RIFI pareada e notifique

    A primeira amostra é colhida no atendimento e a segunda, 14 a 21 dias depois. A confirmação é a soroconversão, com aumento de pelo menos quatro vezes no título de IgG, e o caso suspeito é de notificação compulsória. Na R. parkeri, a PCR é feita de preferência no swab ou na crosta da escara.

  6. Oriente quem foi exposto

    Contatos assintomáticos não recebem quimioprofilaxia: a conduta é observação clínica por 14 dias. O carrapato é retirado com pinça e leves torções, sem espremer e sem encostar objetos aquecidos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre febre maculosa na prova

O que é febre maculosa?

É uma doença infecciosa febril aguda e sistêmica, causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida ao homem pela picada de carrapatos infectados. A Rickettsia rickettsii invade o endotélio e causa uma vasculite disseminada, responsável pelo exantema, pelo edema e pela plaquetopenia. Nas formas graves do Sudeste e do Sul, a letalidade pode passar de 50% sem tratamento no tempo oportuno.

Qual carrapato transmite a febre maculosa?

No Brasil, carrapatos do gênero Amblyomma. O carrapato-estrela, Amblyomma sculptum, transmite a forma clássica e grave do Sudeste, e o Amblyomma aureolatum, a forma grave da região metropolitana de São Paulo. As formas leves, pela R. parkeri, são transmitidas pelo Amblyomma ovale e pelo Amblyomma tigrinum. Nos Estados Unidos, a febre das Montanhas Rochosas é transmitida pelo Dermacentor.

Febre maculosa é contagiosa?

Não. A apostila afirma que a transmissão para o ser humano ocorre exclusivamente pela picada do carrapato infectado, sem transmissão de pessoa para pessoa e sem relatos por ingestão de carne de animais caçados. O carrapato precisa ficar aderido e sugando por horas para liberar a bactéria.

Qual o antibiótico para febre maculosa?

A doxiciclina é a primeira escolha para todos os casos suspeitos, em qualquer idade, iniciada na suspeita clínica. O cloranfenicol é a alternativa clássica no caso grave quando não há doxiciclina endovenosa. A ceftriaxona não age contra riquétsias, e o sulfametoxazol-trimetoprima também não tem espectro contra elas.

Qual o tempo de incubação da febre maculosa?

Na forma por R. rickettsii, de 2 a 14 dias, com média de 7. Na forma leve por R. parkeri, de 4 a 11 dias. A definição de caso suspeito do Ministério da Saúde considera a exposição nos últimos 15 dias.

Febre maculosa tem vacina?

Não existe vacina disponível. A prevenção é física e comportamental: roupas claras e de mangas compridas, calça por dentro da bota de cano longo vedada com fita, repelente como a icaridina e inspeção do corpo a cada três horas em área de risco, retirando o carrapato o quanto antes.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

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    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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