Apostila gratuita · 46 páginas

Choque circulatório: perfusão tecidual, os quatro tipos e o manejo com fluidos e vasopressores

Definição pela hipóxia celular, DO2, VO2 e taxa de extração, SvcO2, gap de CO2 e lactato, janelas do choque, os quatro tipos pela macro-hemodinâmica, protocolo RUSH, fluidorresponsividade, aminas vasoativas e choque anafilático. Quatro questões comentadas, entre elas USP RP 2025 e UNIFESP 2022.

PDF de 7,4 MB. Gratuito.

Capa da apostila Choque circulatório: perfusão, tipos e tratamento em um tablet
Formato
Apostila · 46 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Medicina intensiva
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de choque circulatório cobre

Da célula com fome de oxigênio à escolha do vasopressor, com o raciocínio hemodinâmico que a prova de residência cobra.

  • Marcadores de perfusão na ordem certa

    SvcO2 abaixo de 70% indica extração alta, gap de CO2 acima de 6 mmHg aponta débito cardíaco baixo e o lactato só sobe depois do DO2 crítico, na fase dependente da oferta.

  • Perfil hemodinâmico de cada tipo

    O distributivo é o único com RVS baixa e fase inicial hiperdinâmica. No obstrutivo, a PVC sobe e a POAP fica alta no tamponamento e normal ou baixa no TEP.

  • Quatro questões comentadas

    USP RP 2025 sobre taxa de extração, FCMS-PUC 2020 sobre o tipo de choque, UNIFESP 2021 sobre consumo de O2 e UNIFESP 2022 sobre anafilaxia, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 46 páginas

Da fisiologia da oferta de oxigênio ao tratamento, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: o mapa de prioridades da banca
  2. 02Contexto clínico e definição de choque
  3. 03Tipos de choque pela origem
  4. 04Pressão arterial, débito cardíaco e resistência vascular sistêmica
  5. 05Oferta de O2 (DO2), consumo (VO2) e taxa de extração
  6. 06Saturação venosa mista e central
  7. 07Gap de CO2
  8. 08Lactato e hiperlactatemia tipo A e tipo B
  9. 09O gráfico DO2 x VO2 e o DO2 crítico
  10. 10Janelas do choque: pele, rim e cérebro
  11. 11Macro-hemodinâmica: os quatro tipos de choque e o cateter de Swan-Ganz
  12. 12Ultrassom no diagnóstico do choque: protocolo RUSH
  13. 13Manejo imediato: MOV e fluidoterapia
  14. 14Curva de Frank-Starling e fluidorresponsividade
  15. 15Elevação passiva das pernas, prova volêmica, ΔPP e VVS
  16. 16Fluidotolerância
  17. 17Aminas vasoativas: noradrenalina, adrenalina, vasopressina, dobutamina e milrinona
  18. 18Objetivos do tratamento: relação DO2 x VO2 e alvo de PAM
  19. 19Tratamento do choque anafilático
  20. 20Resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Choque circulatório: perfusão, tipos e tratamento
Página da apostila: o quadro de débito cardíaco, RVS, PVC e POAP nos choques cardiogênico, hipovolêmico, obstrutivo e distributivo, com o tamponamento e o TEP lado a lado.

O que é choque circulatório?

Choque circulatório é uma síndrome grave, ameaçadora à vida, definida por hipóxia tecidual e celular. A causa é a redução da oferta de oxigênio, o aumento do consumo celular ou a utilização inadequada do oxigênio, isolados ou combinados. A apostila resume assim: choque é a célula com fome de oxigênio.

A definição não usa a palavra hipotensão. Na intoxicação por cianeto, débito cardíaco, resistência vascular e pressão arterial começam normais, mas a célula não consegue usar o oxigênio e entra em metabolismo anaeróbio. Existe choque com pressão arterial normal, e a hipotensão é um sinal tardio: sem tratamento, o quadro termina em hipotensão e falência de múltiplos órgãos.

A oferta de oxigênio, o DO2, depende do débito cardíaco e do conteúdo arterial de O2, determinado pela hemoglobina e pela saturação. Quando a oferta cai, a célula aumenta a taxa de extração e mantém o consumo, e a saturação venosa cai antes de o lactato subir. Abaixo do DO2 crítico, o consumo passa a depender da oferta, o metabolismo vira anaeróbio e surge a hiperlactatemia.

Pela origem, o choque é cardiogênico, por falha da bomba; hipovolêmico, por perda de volume; obstrutivo, por barreira física como TEP maciço, pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco; ou distributivo, por vasodilatação, como no séptico e no anafilático. O distributivo é o único que começa com RVS baixa e débito cardíaco alto.

Página da apostila Choque circulatório: perfusão, tipos e tratamento

Comparativo

Os quatro tipos de choque na macro-hemodinâmica

Débito cardíaco, resistência vascular e pressões de enchimento separam os tipos de choque. A tabela junta o perfil de cada um aos exemplos da apostila.

Perfil de débito cardíaco (DC), resistência vascular sistêmica (RVS), pressão venosa central (PVC) e pressão de oclusão da artéria pulmonar (POAP) por tipo de choque. Fonte: apostila Med-Review R1, “Choque”.
TipoDC e RVSPVC e POAPExemplos
CardiogênicoDC reduzido desde o início; RVS elevadaPVC e POAP elevadasInfarto extenso, miocardite, arritmias graves, doenças valvares
HipovolêmicoDC normal ou reduzido; RVS muito elevadaPVC e POAP reduzidasHemorragia, hemorragia digestiva alta, desidratação grave
ObstrutivoDC normal ou reduzido; RVS elevadaPVC elevada; POAP alta no tamponamento, normal ou baixa no TEPTEP maciço, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco
DistributivoDC elevado na fase inicial; RVS reduzidaPVC e POAP reduzidas ou normaisSéptico, anafilático, neurogênico, SIRS

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como abordar o paciente em choque, passo a passo

O raciocínio da apostila, do reconhecimento da hipoperfusão ao tratamento da causa.

  1. Reconheça a hipoperfusão nas janelas

    Na pele, tempo de enchimento capilar prolongado e mottling; no rim, diurese abaixo de 0,5 mL/kg/h; no cérebro, confusão, agitação ou rebaixamento. Lactato, SvcO2 e gap de CO2 confirmam a hipóxia tecidual, mas se comportam de forma parecida em todos os tipos.

  2. Faça o MOV

    Monitorização contínua com eletrocardiograma, oximetria e pressão arterial, oxigênio suplementar, com intubação se Glasgow ≤ 8 ou insuficiência respiratória grave, e acessos venosos periféricos calibrosos.

  3. Encontre o tipo pela macro-hemodinâmica

    Cruze débito cardíaco, RVS, PVC e POAP. À beira do leito, o protocolo RUSH avalia bomba, tanque e tubos: contratilidade e derrame pericárdico, veia cava inferior e linhas B, aorta e trombose venosa profunda.

  4. Teste a fluidorresponsividade antes do volume

    A PVC não prevê resposta a fluidos. Use elevação passiva das pernas, prova volêmica de 250 a 500 mL em 5 a 10 minutos, ΔPP ≥ 13-15% ou VVS ≥ 12%; responde quem aumenta o débito em 10 a 15%. Antes, confira se o paciente é fluidotolerante.

  5. Inicie a noradrenalina se a hipotensão persistir

    É a droga vasoativa de primeira linha na maioria dos choques e pode começar em acesso periférico calibroso na emergência. A vasopressina é resgate no distributivo refratário; dobutamina ou milrinona entram na disfunção miocárdica. O alvo é PAM entre 65 e 70 mmHg.

  6. Trate a causa e reduza o consumo

    Transfusão no hemorrágico, antibiótico no séptico, drenagem no pneumotórax hipertensivo. Febre, dor, tremores e agitação aumentam o VO2 e devem ser tratados. No choque anafilático, adrenalina intramuscular 0,5 mg na face anterolateral da coxa.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre choque circulatório na prova

Quais são os tipos de choque?

A apostila divide o choque em quatro grupos pela origem: cardiogênico, quando a bomba falha; hipovolêmico, quando falta volume; obstrutivo, quando há uma barreira física ao fluxo; e distributivo, quando a vasodilatação intensa faz a hemácia passar sem entregar o oxigênio. Em todos, o resultado final é a hipóxia da célula.

O que é choque distributivo?

É o choque causado por vasodilatação generalizada, com queda da resistência vascular sistêmica. O choque séptico é o grande representante, seguido do anafilático. Na fase inicial, o débito cardíaco aumenta, a pele fica quente e o enchimento capilar é rápido, e a SvcO2 pode estar normal ou alta porque a célula extrai pouco oxigênio.

O que é choque cardiogênico?

É o choque por falha da bomba, como no infarto extenso, na miocardite ou nas arritmias graves. O débito cardíaco cai desde o início e a descarga adrenérgica eleva a RVS. O sangue represa: a PVC sobe com turgência jugular e a POAP sobe com edema pulmonar. Na curva de Frank-Starling achatada, volume extra congestiona sem aumentar o débito.

O que são drogas vasoativas?

São as drogas usadas quando o paciente segue hipotenso depois do volume ou já não é fluidorresponsivo. A noradrenalina é a primeira linha, com efeito alfa-1 predominante; a vasopressina é vasoconstritor puro de segunda linha; a adrenalina tem ação beta em dose baixa e alfa em dose alta; dobutamina e milrinona são inodilatadores para a disfunção miocárdica.

Qual o tratamento do choque anafilático?

A conduta imediata e mais importante é adrenalina intramuscular 0,5 mg na face anterolateral da coxa, repetida a cada 5 a 15 minutos se os sintomas persistirem. Somam-se oxigênio em alto fluxo, intubação precoce se houver obstrução iminente da via aérea e bolus de cristaloide. Salbutamol, anti-histamínico e corticoide são adjuvantes, e a precocidade da adrenalina é a medida que mais reduz a mortalidade.

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    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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