Fisiopatologia da CAD e do EHH, os 6 Is dos gatilhos, ânion gap, osmolaridade efetiva e sódio corrigido, protocolo VPI com potássio e bicarbonato, critérios de resolução e transição para insulina subcutânea. Seis questões comentadas, entre elas ENARE 2022 e USP 2022.
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Para que serve
Do motor fisiopatológico à transição para insulina subcutânea, com o que mais cai em prova de residência.
CAD com glicemia acima de 200 mg/dL, pH abaixo de 7,3, bicarbonato abaixo de 15 mEq/L e cetose. EHH com glicemia acima de 600 mg/dL e osmolaridade efetiva acima de 320 mOsm/kg.
Soro fisiológico 15 a 20 mL/kg na 1ª hora, potássio conferido antes da insulina e insulina regular EV a 0,1 U/kg/hora, com bicarbonato considerado só se o pH estiver abaixo de 6,9.
SURCE/CE 2018, AMP/PR 2018, UERJ 2021, ENARE 2022, USP 2022 e SUS-SP 2023, com o comentário de cada alternativa.
Sumário
Do gatilho na admissão ao desligamento da bomba de insulina.
Na cetoacidose diabética, o protocolo segue o mnemônico VPI: volume, potássio e insulina. Começa com soro fisiológico 0,9%, 15 a 20 mL/kg na 1ª hora; confere o potássio antes de qualquer insulina; e só então liga insulina regular EV em bomba, 0,1 U/kg/hora. Bicarbonato só é considerado com pH abaixo de 6,9.
Com K+ abaixo de 3,3 mEq/L, a insulina fica proibida até a reposição de 20 a 30 mEq/h elevar o potássio acima de 3,3. Entre 3,3 e 5,2, a insulina começa com 20 a 30 mEq de K+ por litro de soro. Acima de 5,2, a insulina começa sem reposição, com monitorização. Na USP 2022 da apostila, K+ de 2,8 mEq/L tem como resposta não administrar insulina.
A meta é a glicemia cair 50 a 70 mg/dL por hora, porque queda rápida demais arrisca edema cerebral. Quando a glicemia chega a 200-250 mg/dL na CAD, ou 300 mg/dL no EHH, entra soro glicosado 5% e a insulina cai para 0,02 a 0,05 U/kg/h. A glicemia normaliza antes da acidose, e a bomba continua ligada.
Depois da 1ª hora, o sódio corrigido decide o soro: abaixo de 135 mEq/L, mantém NaCl 0,9%; normal ou alto, troca para NaCl 0,45%. A correção soma 1,6 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100. A osmolaridade efetiva usa só sódio e glicose, 2 x Na + glicose/18, sem ureia, que atravessa a membrana livremente.
A CAD está resolvida com glicemia abaixo de 200 mg/dL e dois destes critérios: pH venoso acima de 7,30, bicarbonato acima de 15-18 mEq/L e ânion gap abaixo de 12 mEq/L. Cetonúria persistente não impede a suspensão: a fita lê acetoacetato, que aumenta com o tratamento. Na transição, a bomba segue por 2 a 4 horas após insulina regular ou NPH subcutânea.
Comparativo
Os números que a banca usa para separar as duas complicações e para decidir quando desligar a bomba.
| Parâmetro | Cetoacidose diabética (CAD) | Estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) |
|---|---|---|
| Perfil típico | DM1, evolução rápida, em horas a dias | DM2, idoso, evolução insidiosa, em dias a semanas |
| Glicemia e osmolaridade | Glicemia > 200 mg/dL | Glicemia > 600 mg/dL e osmolaridade efetiva > 320 mOsm/kg |
| Acidose | pH < 7,3 e bicarbonato < 15 mEq/L, ânion gap elevado | pH > 7,3 e bicarbonato > 15 mEq/L |
| Cetose | Cetonemia ≥ 3 mmol/L ou cetonúria ≥ 2+ na tira | Sem cetose significativa |
| Déficit de água | Cerca de 100 mL/kg | Até 220 mL/kg, com alteração neurológica |
| Soro glicosado 5% | Quando a glicemia chega a 200-250 mg/dL | Quando a glicemia chega a 300 mg/dL |
| Critérios de resolução | Glicemia < 200 mg/dL e dois de: pH venoso > 7,30, bicarbonato > 15-18 mEq/L, ânion gap < 12 mEq/L | Osmolaridade efetiva < 315 mOsm/kg, glicemia < 250-300 mg/dL, recuperação neurológica e ingestão oral |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O protocolo na ordem da apostila, da admissão ao desligamento da bomba.
Glicemia acima de 200 mg/dL, pH abaixo de 7,3 e bicarbonato abaixo de 15 mEq/L e cetonemia ≥ 3 mmol/L ou cetonúria ≥ 2+. Calcule ânion gap, osmolaridade efetiva e sódio corrigido. Em usuário de iSGLT2, glicemia abaixo de 200 não afasta CAD.
Use os 6 Is: infecção (a causa número 1, com RX de tórax e exame de urina), insulina omitida, início do DM1, infarto ou isquemia (ECG no idoso), intoxicação ou iatrogenia e indiscrição alimentar.
Soro fisiológico 0,9%, 15 a 20 mL/kg na 1ª hora, ou 1000 mL no adulto. O volume recupera pressão arterial e perfusão renal, e a glicemia já começa a cair só com a hidratação.
K+ abaixo de 3,3 mEq/L: sem insulina, reponha 20 a 30 mEq/h. Entre 3,3 e 5,2: insulina com 20 a 30 mEq de K+ por litro. Acima de 5,2: insulina sem reposição, com monitorização.
Bomba de infusão contínua a 0,1 U/kg/hora; o bolus inicial é opcional. Meta de queda de 50 a 70 mg/dL por hora, com glicemia capilar de 1 em 1 hora e gasometria venosa e eletrólitos a cada 2 a 4 horas.
Depois da 1ª hora, sódio corrigido abaixo de 135 mantém NaCl 0,9%; normal ou alto pede NaCl 0,45%. Com glicemia em 200-250 mg/dL na CAD, acrescente soro glicosado 5% e reduza a insulina para 0,02 a 0,05 U/kg/h.
Atingidos os critérios de resolução e com dieta liberada, aplique insulina basal e rápida subcutâneas: 0,5 a 0,8 UI/kg/dia no diagnóstico novo, metade basal e metade bolus. Mantenha a bomba 1 a 2 horas com análogo rápido, ou 2 a 4 horas com regular ou NPH.
Perguntas frequentes
Pelas diretrizes da SBD (2025), só se considera bicarbonato em adultos com pH abaixo de 6,9, para tirar o paciente da zona de colapso cardiovascular, com 50 a 100 mmol em 2 horas. Os riscos são acidose paradoxal do sistema nervoso central, piora da hipocalemia e edema cerebral. A AMP/PR 2018 da apostila cobra esses riscos, hipocalemia e edema cerebral.
Depende do K+ medido antes de ligar a insulina. Abaixo de 3,3 mEq/L, a reposição vem primeiro, de 20 a 30 mEq/h, e a insulina espera. Entre 3,3 e 5,2, repõe-se 20 a 30 mEq por litro junto com a insulina. Acima de 5,2, não se repõe de início, mas o potássio vai cair e precisa de monitorização.
Quando os critérios de resolução foram atingidos e o paciente está alerta e aceita dieta oral. A insulina subcutânea entra antes de desligar a bomba, que segue 1 a 2 horas após análogo rápido e 2 a 4 horas após regular ou NPH. Desligar antes deixa o paciente descoberto e a cetoacidose pode voltar.
Na CAD, típica do DM1, a deficiência de insulina é absoluta: a lipólise gera corpos cetônicos e acidose, com dor abdominal, vômitos e Kussmaul em horas. No EHH, típico do DM2, o resto de insulina bloqueia a lipólise; sem acidose, o quadro é insidioso, a glicemia passa de 600 mg/dL e domina o rebaixamento de consciência.
É CAD com glicemia abaixo de 200 mg/dL: acidose e cetose estão presentes, mas a glicose não sobe tanto. Ocorre principalmente em usuários de iSGLT2 (gliflozinas), gestantes e etilistas. A gliflozina joga glicose na urina e baixa a glicemia, enquanto a falta de insulina continua gerando cetoácidos. Glicemia normal não descarta CAD.
Porque a fita de urina detecta acetoacetato, e não beta-hidroxibutirato, o principal corpo cetônico da CAD. Com a insulina, o beta-hidroxibutirato vira acetoacetato, e a cetonúria persiste ou aumenta enquanto a cetose real cai. O critério de cura é gasométrico e sérico. Na UERJ 2021 da apostila, a resposta é soro glicosado 5% com insulina EV até reverter a acidose.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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