Tireotoxicose x hipertireoidismo, Graves e TRAb, adenoma tóxico e bócio multinodular, tireoidites, causa factícia e ectópica, TSHoma e crise tireotóxica pelos critérios de Burch-Wartofsky. Seis questões comentadas, entre elas UNIFESP 2020 e PSU-GO 2024.
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Para que serve
Das definições que a banca confunde até a emergência, com o que mais cai em prova de residência.
Tireoidite e ingestão de levotiroxina dão tireotoxicose sem hipertireoidismo. TRAb, cintilografia e tireoglobulina separam Graves, nódulos tóxicos, tireoidites, causa factícia e ectópica.
TSH, T4 livre, captação na cintilografia e o detalhe que a banca cobra para Graves, Plummer, bócio multinodular, De Quervain, tireoidites indolores, TSHoma e causa exógena.
PSU-GO 2023 e 2024, UNIFESP 2020, USP/RP 2020 e duas autorais, de tireoidite indolor e de tireotoxicose ectópica, com o comentário de cada alternativa.
Sumário
Das quatro formas de tireotoxicose ao tratamento da tempestade tireoidiana.
Tireotoxicose é a síndrome clínica causada pela exposição excessiva aos hormônios tireoidianos, qualquer que seja a origem do hormônio. Hipertireoidismo é a produção e secreção excessiva e inapropriada de hormônio pela própria tireoide, como em Graves. Tireoidite e ingestão de levotiroxina dão tireotoxicose sem hipertireoidismo: a glândula não produz além do normal.
O TSH e o T4 livre abrem a investigação. Causa factícia, tireoidite e distúrbio primário (Graves, adenoma tóxico, bócio multinodular) têm T4 livre alto com TSH suprimido. T4 livre alto com TSH normal ou alto aponta distúrbio secundário, em geral adenoma hipofisário produtor de TSH, ou resistência ao hormônio tireoidiano, cobrada pela USP/RP 2020 em uma criança.
Com TSH suprimido, a cintilografia separa as causas. Graves capta de forma alta e difusa; o adenoma tóxico, em nódulo único com o resto da glândula suprimido; o bócio multinodular, em padrão de queijo suíço. Nas tireoidites indolores, a captação é baixíssima, em geral abaixo de 1%, porque não há síntese nova de hormônio.
Captação cervical baixa tem três explicações. A tireoglobulina sérica está alta na tireoidite, que libera a proteína junto com o hormônio, e na causa ectópica, como struma ovarii e metástases funcionais de carcinoma folicular. Na tireotoxicose factícia, a tireoglobulina está baixa ou indetectável. Na suspeita de ectopia, o exame é a cintilografia de corpo inteiro.
Metimazol e PTU bloqueiam a síntese pela tireoperoxidase, por isso não têm papel nas tireoidites, tratadas com betabloqueador e, na De Quervain, AINE ou prednisona. Em Graves, o radioiodo é contraindicado na gestação, na amamentação e na oftalmopatia moderada a grave. No 1º trimestre da gestação, a escolha é o PTU; no 2º e no 3º, o metimazol.
Comparativo
Oito causas com o perfil que a banca usa para separá-las. Entre elas, o TSH só não vem suprimido no TSHoma; a resistência ao hormônio tireoidiano repete esse perfil.
| Causa | TSH | Captação na cintilografia | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| Doença de Graves | Suprimido | Alta e difusa | TRAb positivo em 97-99%; oftalmopatia, mixedema pré-tibial e bócio difuso |
| Adenoma tóxico (Plummer) | Suprimido | Nódulo único hipercaptante, resto da glândula suprimido | Paciente mais jovem; tratamento definitivo com radioiodo ou cirurgia |
| Bócio multinodular tóxico | Suprimido | Heterogênea, em queijo suíço | Idosos; carga de iodo pode precipitar (efeito Jod-Basedow) |
| Tireoidite subaguda (De Quervain) | Suprimido | Baixa, quase zero | Dor cervical, infecção viral recente, VHS muito alto; sem tionamida |
| Tireoidite indolor e pós-parto | Suprimido | Baixíssima, em geral < 1% | Sem dor; anti-TPO em cerca de 50%; pós-parto até 1 ano após o parto |
| Factícia | Suprimido | Quase nula | Tireoide não palpável ou atrófica; tireoglobulina baixa ou indetectável |
| Ectópica (struma ovarii, metástase de carcinoma folicular) | Suprimido | Baixa no pescoço, alta na pelve ou nos ossos | Tireoglobulina elevada; cintilografia de corpo inteiro |
| Hipertireoidismo secundário (TSHoma) | Normal ou alto | Alta e difusa, estimulada pelo TSH | Macroadenoma na RM de sela túrcica; cefaleia e hemianopsia bitemporal |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem da apostila, do primeiro exame à crise tireotóxica.
TSH suprimido com T4 livre alto aponta distúrbio primário, tireoidite ou causa exógena. TSH normal ou alto com T4 livre alto aponta TSHoma ou resistência hormonal. TSH suprimido com T4 livre normal pede T3 total antes de chamar de subclínico.
Bócio difuso, oftalmopatia, dermopatia (mixedema pré-tibial) e acropatia apontam para Graves, a causa mais comum de tireotoxicose (60-80% dos casos). O TRAb é o marcador, positivo em 97-99%; o anti-TPO pode vir positivo, mas não define a doença.
No ultrassom, Graves tem glândula difusamente aumentada e vascularizada; o adenoma tóxico, nódulo único; o bócio multinodular, vários nódulos. Na cintilografia, captação alta e difusa em Graves, nódulo quente no adenoma e queijo suíço no bócio multinodular.
Dor cervical após infecção viral indica De Quervain. Sem dor, pense em tireoidite indolor ou pós-parto. Tireoglobulina baixa indica causa factícia; tireoglobulina alta sem tireoidite pede cintilografia de corpo inteiro atrás de struma ovarii ou metástase funcional.
Betabloqueador para os sintomas. Em Graves, tionamida, radioiodo ou cirurgia; nos nódulos tóxicos, terapia definitiva. Nas tireoidites, nunca metimazol ou PTU. No TSHoma, cirurgia transesfenoidal ou análogos de somatostatina, jamais tireoidectomia ou radioiodo como terapia primária.
Febre alta, alteração do estado mental e taquicardia grave, muitas vezes acima de 140 bpm, em paciente com tireotoxicose. O diagnóstico é clínico. Burch-Wartofsky ≥ 45 torna a crise altamente sugestiva; 25 a 44, tempestade iminente; abaixo de 25, improvável.
Propranolol 60 a 80 mg a cada 4 ou 6 horas, PTU 200 a 250 mg a cada 4 horas, iodo pelo menos 1 hora após a tionamida e hidrocortisona 100 mg IV a cada 8 horas. Iodo antes da tionamida piora a crise.
Perguntas frequentes
O perfil é T4 livre e T3 aumentados, TSH suprimido e TRAb positivo em 97-99% dos casos, o marcador da doença. O anti-TPO pode vir positivo, mas não define Graves. Para separar dos nódulos tóxicos, a imagem decide: glândula difusamente aumentada e vascularizada no Doppler e captação alta e difusa na cintilografia.
No primário, a tireoide se desliga do feedback e produz hormônio sem TSH: em toda a glândula, na doença de Graves, ou em parte dela, no adenoma tóxico e no bócio multinodular tóxico. TSH suprimido. No secundário, ou central, um adenoma hipofisário produz TSH de forma autônoma, e o TSH fica normal ou alto com T4 livre alto.
Na oftalmopatia moderada a grave, sim: o radioiodo eleva os títulos de TRAb de forma transitória e pode piorar a inflamação retro-orbitária. Na PSU-GO 2024 da apostila, com edema, eritema e dor à movimentação ocular, a resposta é metimazol 30 mg com propranolol. A cirurgia é opção definitiva, mas só após o eutireoidismo.
Porque não há síntese aumentada para bloquear: a inflamação destrói os folículos e o hormônio estocado vaza. O tratamento é betabloqueador para os sintomas e AINE para a dor leve, ou prednisona para a dor grave. Na PSU-GO 2023 da apostila, o rapaz com dor cervical após covid e TRAb negativo recebe propranolol, anti-inflamatório e acompanhamento.
É o escore que pontua temperatura, sistema nervoso central, sistema cardiovascular, trato gastrointestinal e fator precipitante para apoiar o diagnóstico de crise tireotóxica. Pontuação ≥ 45 torna a crise altamente sugestiva; de 25 a 44, tempestade iminente; abaixo de 25, crise improvável. O tratamento começa pela suspeita clínica, sem esperar exame.
Betabloqueador, tionamida (PTU de preferência), iodo pelo menos 1 hora depois da tionamida e corticoide. O PTU também bloqueia a conversão periférica de T4 em T3. Iodo antes da tionamida vira substrato para mais hormônio, o efeito Jod-Basedow. A UNIFESP 2020 da apostila cobra essa sequência em um paciente com tempestade tireoidiana e fibrilação atrial.
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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