Sarampo, eritema infeccioso, exantema súbito, varicela, escarlatina, mononucleose, mão-pé-boca e rubéola, com o gatilho que direciona cada questão. Profilaxia pós-exposição, complicações, tabela-resumo das 8 doenças e critérios de Kawasaki.
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Para que serve
Oito doenças e o diferencial com Kawasaki em 12 páginas, organizados pelo detalhe que direciona o diagnóstico na questão.
Koplik no sarampo, face esbofeteada no eritema infeccioso, febre que cessa no exantema súbito, lesões polimórficas na varicela e pele em lixa na escarlatina.
Sarampo: vacina até 72 horas e imunoglobulina até 6 dias. Varicela: vacina até 5 dias e VZIG até 96 horas, cada uma com suas indicações.
Agente, sinal que direciona a questão, exantema, tratamento e complicação de cada doença lado a lado, com os critérios de Kawasaki no fim.
Sumário
Da morfologia da lesão até a tabela que compara as 8 doenças e o diferencial com Kawasaki.
As doenças exantemáticas na infância se diferenciam pelo sinal clássico que direciona a questão: manchas de Koplik no sarampo, face esbofeteada no eritema infeccioso, exantema que surge quando a febre cessa no exantema súbito, lesões em vários estágios na varicela, pele em lixa na escarlatina e linfonodo retroauricular na rubéola. A maioria é viral e autolimitada.
A ficha começa pela morfologia. Mácula é plana e não se sente ao toque, pápula é elevada e palpável, vesícula tem líquido claro, pústula tem pus e crosta é a lesão ressecada da fase de cura. No padrão morbiliforme há pele sã entre as lesões; o escarlatiniforme é difuso e áspero como lixa. O padrão petequial ou purpúrico não some à digitopressão.
No sarampo, as manchas de Koplik são pápulas branco-azuladas com halo eritematoso na mucosa jugal, próximas aos molares. Aparecem 1 a 2 dias antes do exantema, na fase catarral, e são o sinal patognomônico. O exantema é morbiliforme, começa na região retroauricular e progride no sentido craniocaudal. A notificação é compulsória e imediata.
A escarlatina, causada pelo Streptococcus pyogenes produtor de exotoxina pirogênica, é o único exantema bacteriano do grupo. O quadro traz amigdalite exsudativa e exantema difuso em lixa que começa no pescoço. Sinal de Pastia (linhas avermelhadas nas pregas), sinal de Filatov (palidez perioral) e língua em framboesa completam o quadro. Na fase tardia, a pele descama.
Exantema maculopapular depois de amoxicilina para amigdalite sugere mononucleose e não é alergia verdadeira. O EBV traz fadiga intensa, faringite exsudativa parecida com a estreptocócica, linfadenopatia cervical sobretudo posterior, hepatoesplenomegalia e linfocitose atípica no hemograma. A conduta é suspender o antibiótico. Com hepatoesplenomegalia, a criança deve evitar atividade física por 2 a 3 semanas pelo risco de ruptura esplênica.
Comparativo
Cada linha traz agente, sinal que direciona a questão, tipo de exantema e complicação marcante. O tratamento é só suporte em cinco delas; o sarampo soma vitamina A, a varicela pode receber aciclovir e a escarlatina leva penicilina.
| Doença (agente) | Sinal da questão | Exantema | Complicação |
|---|---|---|---|
| Sarampo (morbilivírus) | Manchas de Koplik | Morbiliforme, craniocaudal | Pneumonia, OMA |
| Eritema infeccioso (parvovírus B19) | Face esbofeteada | Rendilhado em tronco e membros | Crise aplásica |
| Exantema súbito (HHV-6 e 7) | Febre alta que cessa e dá lugar ao exantema | Maculopapular no tronco | Convulsão febril |
| Varicela (varicela-zóster) | Lesões polimórficas | Vesículas em fases diferentes | Síndrome de Reye se usar AAS |
| Escarlatina (Streptococcus pyogenes) | Pele em lixa e língua em framboesa | Micropapular áspero | GNPE, febre reumática |
| Mononucleose (EBV) | Linfadenopatia e faringite | Maculopapular, pós-amoxicilina | Ruptura esplênica |
| Mão-pé-boca (enterovírus) | Vesículas em mãos, pés e boca | Vesículas periféricas | Desidratação |
| Rubéola (rubivírus) | Linfonodo retroauricular | Rubeoliforme, craniocaudal | Rubéola congênita |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da ficha, na ordem em que você aplica na questão.
Identifique a lesão elementar: mácula, pápula, vesícula, pústula ou crosta. Depois o padrão: pele sã entre as lesões é morbiliforme, difuso e áspero como lixa é escarlatiniforme, e o que não some à digitopressão é petequial ou purpúrico.
Toda questão traz um detalhe que direciona o diagnóstico: manchas brancas na mucosa oral, bochechas vermelhas, exantema que surge quando a febre some, lesões em vários estágios juntas ou pele áspera. Ache esse detalhe antes de montar o diferencial.
O sarampo passa por fase catarral, exantemática e convalescença, com criança toxemiada. No exantema súbito, a febre alta de 3 a 5 dias, em bom estado geral, cessa e o exantema surge. Na varicela, as lesões evoluem em surtos e coexistem em fases diferentes.
Cinco das oito se tratam só com suporte. Sarampo recebe vitamina A (menores de 5 anos, casos graves, desnutridos); varicela, aciclovir VO nos grupos de risco e EV no imunodeprimido; escarlatina, penicilina benzatina dose única ou amoxicilina por 10 dias.
Sarampo: vacina até 72 horas para contatos a partir de 6 meses, imunocompetentes e não gestantes; imunoglobulina até 6 dias para menores de 6 meses, gestantes suscetíveis e imunodeprimidos. Varicela: vacina até 5 dias; VZIG até 96 horas nos grupos de risco.
No sarampo, OMA é a complicação mais comum e pneumonia a principal causa de morte. Parvovírus B19 dá crise aplásica em portador de anemia hemolítica; exantema súbito, convulsão febril; varicela com AAS, síndrome de Reye; escarlatina, GNPE e febre reumática; mononucleose, ruptura esplênica.
Exantema com febre há 5 dias ou mais pede Kawasaki no diferencial. O quadro completo exige febre ≥ 5 dias e 4 dos 5 critérios: linfonodo cervical > 1,5 cm, exantema polimorfo, alteração de mucosa oral, conjuntivite não purulenta e edema ou descamação de extremidades.
Perguntas frequentes
A ficha cobre oito: sarampo, eritema infeccioso (parvovírus B19), exantema súbito (HHV-6 e 7), varicela, escarlatina, mononucleose infecciosa (EBV), mão-pé-boca (Coxsackie A16) e rubéola. A maioria é viral e autolimitada; entre as oito, a escarlatina é a única bacteriana. Kawasaki entra no diagnóstico diferencial sempre que febre com exantema chega a 5 dias ou mais.
O sarampo tem exantema morbiliforme que começa na região retroauricular e desce, com criança toxemiada e manchas de Koplik antes. A rubéola tem exantema maculopapular que começa na face e desce, com adenomegalia retroauricular e occipital. A escarlatina tem exantema difuso em lixa que começa no pescoço, com sinais de Pastia e Filatov e língua em framboesa.
São pápulas branco-azuladas com halo eritematoso na mucosa jugal, próximas aos molares. Aparecem na fase catarral, 1 a 2 dias antes do exantema, e são o sinal patognomônico do sarampo. Na questão, manchas brancas na mucosa oral em criança com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite apontam para sarampo.
Entre as oito da ficha, é a escarlatina, causada pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A) produtor de exotoxina pirogênica. O diagnóstico é clínico, com cultura de orofaringe como padrão-ouro ou strep test. O tratamento é penicilina benzatina dose única ou amoxicilina 50 mg/kg/dia por 10 dias; macrolídeo só na alergia. O antibiótico entra para prevenir a febre reumática; a glomerulonefrite pós-estreptocócica é a outra complicação cobrada.
Sem pródromos, começa com eritema rubro nas bochechas que poupa região perioral, testa e nariz: a face esbofeteada. Depois surge exantema rendilhado em tronco e membros, que reaparece com sol e calor, e pode haver artralgia. Quando o exantema aparece, a criança já não transmite. O alerta é a crise aplásica em portadores de anemias hemolíticas.
Sempre que a febre durar 5 dias ou mais. O Kawasaki completo exige febre ≥ 5 dias e 4 dos 5 critérios: linfonodo cervical maior que 1,5 cm, exantema polimorfo, alteração de mucosa oral ou língua em framboesa, conjuntivite não purulenta e edema ou descamação de extremidades. A ficha traz os critérios ao lado da tabela das 8 doenças.
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