Apostila gratuita · 25 páginas

Ectasia corneana e cirurgia refrativa: seleção, PRK, LASIK e lentes fácicas

Rastreio de ectasia pela topografia e pela tomografia, critérios de seleção, leito residual mínimo de 250 μm e PTA de até 40%, RK, PRK e haze, LASIK e complicações do flap, SMILE, lentes fácicas, facorrefrativa e PTK, com cinco questões do CBO comentadas.

PDF de 3,7 MB. Gratuito.

Capa da apostila Cirurgia refrativa: topografia, seleção, PRK, LASIK, SMILE e lentes fácicas em um tablet
Formato
Apostila · 25 páginas
Área da prova
Cirurgia refrativa
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de cirurgia refrativa cobre

Da leitura da topografia à escolha da técnica, com os critérios de espessura, as complicações e as questões do CBO comentadas no capítulo.

  • Rastreio de ectasia antes do laser

    Padrões topográficos suspeitos, mapas de elevação do Pentacam, leito residual mínimo de 250 μm, PTA de até 40% e os seis fatores de risco de ectasia pós-refrativa que a apostila marca para a prova.

  • PRK, LASIK e SMILE com as complicações

    Excimer de 193 nm e femtossegundo de 1053 nm, quadro LASIK ou PRK, haze e mitomicina C, button-hole e free cap, DLK em quatro estágios, ceratite infecciosa, epithelial ingrowth e PISK.

  • Cinco questões do CBO comentadas

    CBO 2023, 2024 e 2025, com gabarito e comentário: perfis de ablação, topografia após correção hipermetrópica, ceratite tardia por bacilo álcool-ácido resistente após LASIK, camada de bolhas opacas no femtossegundo e lente fácica no OCT.

Sumário

O que tem dentro das 25 páginas

As nove seções na ordem do capítulo, da topografia de córnea ao PTK.

  1. 01Topografia de córnea: discos de Plácido, escala de cores e padrões suspeitos
  2. 02Tomografia de Scheimpflug, mapas de elevação e OCT de segmento anterior
  3. 03Aberrações e polinômio de Zernike: cirurgia convencional, otimizada e personalizada
  4. 04Classificação das cirurgias refrativas e seleção dos pacientes
  5. 05RK: técnica, estudo PERK e cirurgia incisional para astigmatismo
  6. 06PRK: excimer laser e perfis de ablação miópica e hipermetrópica
  7. 07Aprendendo com questões: CBO 2023 e CBO 2025 sobre perfil de ablação
  8. 08PRK: indicações, contraindicações relativas, técnica e mitomicina C
  9. 09Haze e outras complicações do PRK; Epi-LASIK e LASEK
  10. 10LASIK: leito residual, PTA e a escolha entre LASIK e PRK
  11. 11Flap com microcerátomo e com laser de femtossegundo
  12. 12Ectasia pós-refrativa, button-hole, free cap e estrias
  13. 13DLK, ceratite infecciosa, epithelial ingrowth e PISK, com duas questões do CBO 2023
  14. 14SMILE: extração lenticular por pequena incisão
  15. 15Lentes fácicas: seleção, tipos, complicações e questão do CBO 2024
  16. 16Troca do cristalino com finalidade refrativa e PTK
Página interna da apostila sobre Cirurgia refrativa: topografia, seleção, PRK, LASIK, SMILE e lentes fácicas
Página da apostila: fotos da confecção do flap com microcerátomo, a ectasia pós-refrativa como complicação do LASIK, com tratamento e fatores de risco, do leito residual inferior a 250 μm ao PTA superior a 40%, e as complicações do flap.

Quais os fatores de risco para ectasia corneana após cirurgia refrativa?

Na ectasia corneana pós-refrativa, o principal preditor é a alteração topográfica: irregularidade ou assimetria tira o paciente da cirurgia corneana. Os outros fatores de risco da apostila são idade mais jovem, paquimetria fina, ametropia alta, leito residual inferior a 250 μm e PTA superior a 40%. A complicação é rara, temida e mais relevante no LASIK.

A topografia por discos de Plácido mostra as regiões mais curvas em cores quentes, com anéis mais próximos. A apostila lista os padrões suspeitos: irregularidade, assimetria, aumento localizado da curvatura, baby bow-tie e pata de caranguejo, que pode sugerir degeneração marginal pelúcida incipiente. Paciente com padrão alterado fica fora da cirurgia refrativa corneana, pelo maior risco de ectasia.

A tomografia de Scheimpflug (Pentacam, Galilei) acrescenta a face posterior da córnea e o mapa paquimétrico. Os mapas de elevação comparam a córnea a uma esfera de referência escolhida pelo software: pontos acima dela aparecem em cores quentes, e a córnea com ectasia mostra aumento de elevação central. Elevação posterior e progressão paquimétrica refinam a seleção e ajudam a detectar a ectasia frustra.

No LASIK, a referência tradicional é manter leito residual mínimo de 250 μm. O PTA soma a espessura do flap, planejado entre 120 e 160 μm, ao tecido ablado e divide pela espessura total da córnea: o resultado não deve passar de 40%. Fora desses limites, o risco de ectasia pós-operatória aumenta, e a córnea relativamente fina para a refração favorece o PRK.

A ectasia pós-refrativa pode surgir cedo ou tarde após o LASIK, com afilamento e encurvamento progressivos, como nas outras doenças ectásicas. O tratamento segue a mesma lógica: crosslinking para estabilizar, em geral indicado no diagnóstico, anel corneano, lente de contato rígida e, nos casos graves, transplante de córnea. Após o PRK, as complicações ectásicas e infecciosas são muito raras.

Página da apostila Cirurgia refrativa: topografia, seleção, PRK, LASIK, SMILE e lentes fácicas

Comparativo

Técnicas de cirurgia refrativa: como atuam e onde complicam

O mecanismo de cada técnica do capítulo, a complicação ou o limite descrito na apostila e o critério que a prova cobra.

Técnicas na ordem do capítulo; o PTK entra por usar o excimer laser como o PRK, com finalidade terapêutica. Fonte: apostila Oft-Review, “Cirurgia refrativa: topografia, seleção, PRK, LASIK, SMILE e lentes fácicas”.
TécnicaComo atuaComplicação ou limiteCritério ou detalhe de prova
RK (ceratotomia radial)Incisões radiais de 85-90% da espessura poupam a zona óptica e redistribuem o poder corneano do centro para a periferia, sem remover tecidoShift hipermetrópico de 1 D ou mais em 43% dos casos após 10 anos no PERK; incisões frágeis a trauma e na cirurgia de catarataQuanto menor a zona óptica, maior o aplanamento; as incisões de astigmatismo corrigem mais quando se aproximam do centro
PRKRemoção do epitélio central e fotoablação subepitelial com excimer laser de 193 nmHaze, com pico 1 a 2 meses após a cirurgia; regressão mais comum em altas ametropiasMitomicina C após o laser, por 12 a 120 segundos, em altas ametropias e reoperações, para evitar o haze
LASIKFlap de 120 a 160 μm, com microcerátomo ou femtossegundo, e ablação estromal com excimer laserEctasia pós-refrativa; button-hole, free cap, estrias, DLK, ceratite infecciosa e epithelial ingrowthLeito residual acima de 250 μm e PTA abaixo de 40%
SMILEO femtossegundo desenha uma lentícula intraestromal, retirada por incisão de 3-5 mmPouco realizada, pela baixa disponibilidade do aparelho validadoPreserva a biomecânica, com incisão menor que a do LASIK e menor acometimento de nervos sensitivos
Lente fácicaLIO de câmara anterior, de suporte angular ou iriano, ou de câmara posterior, entre a íris e o cristalinoIrite, perda endotelial, ovalização pupilar, catarata, descolamento de retina, deslocamento da LIO e bloqueio pupilarMicroscopia especular e profundidade da câmara anterior antes do implante; iridotomia ou iridectomia na prevenção do bloqueio pupilar
FacorrefrativaTroca do cristalino transparente por LIO no saco capsular, com opção de LIO bi/trifocal ou de foco estendidoRiscos cirúrgicos que o paciente deve conhecer, segundo o parecer do Conselho Federal de MedicinaAcima de 55 anos com presbiopia e hipermetropia acima de 1,5 D, ou miopia sem roturas periféricas não tratadas
PTKAblação com excimer laser de opacidades e alterações da adesão epitelial no epitélio, na Bowman e no estroma anteriorHipermetropização como efeito colateralFica fora das cirurgias refrativas: compartilha a técnica do PRK com finalidade terapêutica

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Na prática

Como selecionar o paciente e escolher a técnica, passo a passo

A sequência da avaliação pré-operatória descrita na apostila, dos critérios de indicação ao implante intraocular.

  1. Confira os critérios desejáveis

    Idade acima de 18 anos, com vários serviços operando só acima de 21, refração estável, com variação de até meia dioptria em 1 ano, ametropia entre +4,00 e -10,00 DE e até 4,00 DC, topografia regular e simétrica e paquimetria acima de 460 μm.

  2. Afaste as contraindicações relativas

    A lista da AAO, que vale para PRK e LASIK, inclui colagenoses, doenças ectásicas da córnea, distrofias estromais e de Fuchs, olho seco, retinopatia diabética, DM não controlado, herpes prévio, oftalmopatia distiroidiana, gestação ou amamentação, paciente monocular, córnea neurotrófica e expectativas irrealistas.

  3. Leia a topografia e a tomografia

    Procure irregularidade, assimetria, aumento localizado da curvatura, baby bow-tie e pata de caranguejo. Na tomografia, avalie a elevação posterior e a progressão paquimétrica. Padrão alterado contraindica a cirurgia corneana; os tomógrafos também medem a câmara anterior, dado usado na indicação de lente fácica.

  4. Calcule o leito residual e o PTA

    Some a espessura do flap à da ablação e divida pela espessura total da córnea: o PTA deve ficar abaixo de 40%, e o leito residual, acima de 250 μm. Leito inferior a 250 μm e PTA superior a 40% estão entre os fatores de risco de ectasia.

  5. Escolha entre PRK e LASIK

    O quadro da apostila indica PRK em olho seco leve, distrofia epitelial ou erosão recorrente, risco de trauma, cirurgia personalizada, fenda palpebral estreita ou órbita funda e paquimetria abaixo de 500 μm. O LASIK favorece quem tem intolerância à dor ou precisa voltar rápido às atividades.

  6. Planeje o perfil de ablação

    Na miopia, o excimer abla a região central e aplana a córnea; na hipermetropia, abla a periferia e a média periferia e deixa o centro mais curvo. O CBO 2023 cobrou o perfil de ablação hipermetrópico, e o CBO 2025, a topografia esperada depois dele.

  7. Considere as opções intraoculares

    Na contraindicação à cirurgia corneana, como na alta miopia, cabe a lente fácica; endotélio alterado ou câmara anterior rasa costumam excluí-la. Acima de 55 anos, com presbiopia, o parecer do Conselho Federal de Medicina autoriza a troca do cristalino na hipermetropia acima de 1,5 D ou na miopia sem roturas periféricas não tratadas.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre cirurgia refrativa na prova do CBO

Quais são as contraindicações da cirurgia refrativa a laser?

Para PRK e LASIK não há consenso sobre contraindicações absolutas. A apostila traz as relativas da AAO: colagenoses como artrite reumatoide, Sjögren, LES e granulomatose com poliangeíte, doenças ectásicas da córnea, distrofias estromais e de Fuchs, olho seco, retinopatia diabética, DM não controlado, herpes simples ou zoster prévio, oftalmopatia distiroidiana, gestação ou amamentação, idade abaixo de 18 anos, paciente monocular e córnea neurotrófica.

Qual a espessura mínima da córnea para LASIK?

A apostila usa dois critérios: leito residual mínimo de 250 μm e PTA, a soma do flap com o tecido ablado dividida pela espessura total da córnea, de no máximo 40%. Entre os critérios desejáveis do PRK, cita paquimetria acima de 460 μm. Com paquimetria abaixo de 500 μm ou córnea relativamente fina para a refração, o quadro da apostila indica PRK em vez de LASIK.

Qual a faixa de ametropia indicada para PRK e LASIK?

Entre os critérios desejáveis, a apostila cita ametropia entre +4,00 e -10,00 DE e até 4,00 DC, com estabilidade refrativa de até meia dioptria em 1 ano. Ametropia alta é fator de risco para ectasia e, no PRK, para haze e regressão. Na alta miopia com contraindicação à cirurgia corneana, a lente fácica entra como opção de tratamento.

O que é haze corneano após PRK?

Haze é a opacificação da córnea após o PRK e a principal complicação da técnica: citocinas e fatores de crescimento das células lesadas transformam ceratócitos em miofibroblastos. Os fatores de risco são ablação maior, reoperação e exposição a UVB. O pico ocorre 1 a 2 meses após a cirurgia, com redução até 6 a 12 meses. Trata-se com corticoide tópico, e a mitomicina C reduziu drasticamente sua incidência.

Como diferenciar ceratite lamelar difusa de ceratite infecciosa após LASIK?

A DLK começa em 24 horas, ocupa o flap de forma difusa, é mais intensa na periferia, fica limitada à interface e não tem reação de câmara anterior; trata-se com corticoide e AINE. A ceratite infecciosa começa 2 a 3 dias após a cirurgia, pode ultrapassar a interface e tem reação de câmara anterior. Início mais tardio sugere micobactéria ou nocardia, como na questão do CBO 2023.

O que é o polinômio de Zernike na cirurgia refrativa?

É a classificação das aberrações pela análise das frentes de onda refletidas na retina. Até Z2 ficam as de baixa ordem, como defocus e astigmatismo, 85% das aberrações de um olho saudável; a partir de Z3, as de alta ordem, como esférica, coma e trifoil, com 15%. A cirurgia convencional induz aberração esférica; a personalizada usa a aberrometria para corrigir as de alta ordem.

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    Dra. Marianna Hollaender

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  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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