Rastreio de ectasia pela topografia e pela tomografia, critérios de seleção, leito residual mínimo de 250 μm e PTA de até 40%, RK, PRK e haze, LASIK e complicações do flap, SMILE, lentes fácicas, facorrefrativa e PTK, com cinco questões do CBO comentadas.
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Para que serve
Da leitura da topografia à escolha da técnica, com os critérios de espessura, as complicações e as questões do CBO comentadas no capítulo.
Padrões topográficos suspeitos, mapas de elevação do Pentacam, leito residual mínimo de 250 μm, PTA de até 40% e os seis fatores de risco de ectasia pós-refrativa que a apostila marca para a prova.
Excimer de 193 nm e femtossegundo de 1053 nm, quadro LASIK ou PRK, haze e mitomicina C, button-hole e free cap, DLK em quatro estágios, ceratite infecciosa, epithelial ingrowth e PISK.
CBO 2023, 2024 e 2025, com gabarito e comentário: perfis de ablação, topografia após correção hipermetrópica, ceratite tardia por bacilo álcool-ácido resistente após LASIK, camada de bolhas opacas no femtossegundo e lente fácica no OCT.
Sumário
As nove seções na ordem do capítulo, da topografia de córnea ao PTK.
Na ectasia corneana pós-refrativa, o principal preditor é a alteração topográfica: irregularidade ou assimetria tira o paciente da cirurgia corneana. Os outros fatores de risco da apostila são idade mais jovem, paquimetria fina, ametropia alta, leito residual inferior a 250 μm e PTA superior a 40%. A complicação é rara, temida e mais relevante no LASIK.
A topografia por discos de Plácido mostra as regiões mais curvas em cores quentes, com anéis mais próximos. A apostila lista os padrões suspeitos: irregularidade, assimetria, aumento localizado da curvatura, baby bow-tie e pata de caranguejo, que pode sugerir degeneração marginal pelúcida incipiente. Paciente com padrão alterado fica fora da cirurgia refrativa corneana, pelo maior risco de ectasia.
A tomografia de Scheimpflug (Pentacam, Galilei) acrescenta a face posterior da córnea e o mapa paquimétrico. Os mapas de elevação comparam a córnea a uma esfera de referência escolhida pelo software: pontos acima dela aparecem em cores quentes, e a córnea com ectasia mostra aumento de elevação central. Elevação posterior e progressão paquimétrica refinam a seleção e ajudam a detectar a ectasia frustra.
No LASIK, a referência tradicional é manter leito residual mínimo de 250 μm. O PTA soma a espessura do flap, planejado entre 120 e 160 μm, ao tecido ablado e divide pela espessura total da córnea: o resultado não deve passar de 40%. Fora desses limites, o risco de ectasia pós-operatória aumenta, e a córnea relativamente fina para a refração favorece o PRK.
A ectasia pós-refrativa pode surgir cedo ou tarde após o LASIK, com afilamento e encurvamento progressivos, como nas outras doenças ectásicas. O tratamento segue a mesma lógica: crosslinking para estabilizar, em geral indicado no diagnóstico, anel corneano, lente de contato rígida e, nos casos graves, transplante de córnea. Após o PRK, as complicações ectásicas e infecciosas são muito raras.
Comparativo
O mecanismo de cada técnica do capítulo, a complicação ou o limite descrito na apostila e o critério que a prova cobra.
| Técnica | Como atua | Complicação ou limite | Critério ou detalhe de prova |
|---|---|---|---|
| RK (ceratotomia radial) | Incisões radiais de 85-90% da espessura poupam a zona óptica e redistribuem o poder corneano do centro para a periferia, sem remover tecido | Shift hipermetrópico de 1 D ou mais em 43% dos casos após 10 anos no PERK; incisões frágeis a trauma e na cirurgia de catarata | Quanto menor a zona óptica, maior o aplanamento; as incisões de astigmatismo corrigem mais quando se aproximam do centro |
| PRK | Remoção do epitélio central e fotoablação subepitelial com excimer laser de 193 nm | Haze, com pico 1 a 2 meses após a cirurgia; regressão mais comum em altas ametropias | Mitomicina C após o laser, por 12 a 120 segundos, em altas ametropias e reoperações, para evitar o haze |
| LASIK | Flap de 120 a 160 μm, com microcerátomo ou femtossegundo, e ablação estromal com excimer laser | Ectasia pós-refrativa; button-hole, free cap, estrias, DLK, ceratite infecciosa e epithelial ingrowth | Leito residual acima de 250 μm e PTA abaixo de 40% |
| SMILE | O femtossegundo desenha uma lentícula intraestromal, retirada por incisão de 3-5 mm | Pouco realizada, pela baixa disponibilidade do aparelho validado | Preserva a biomecânica, com incisão menor que a do LASIK e menor acometimento de nervos sensitivos |
| Lente fácica | LIO de câmara anterior, de suporte angular ou iriano, ou de câmara posterior, entre a íris e o cristalino | Irite, perda endotelial, ovalização pupilar, catarata, descolamento de retina, deslocamento da LIO e bloqueio pupilar | Microscopia especular e profundidade da câmara anterior antes do implante; iridotomia ou iridectomia na prevenção do bloqueio pupilar |
| Facorrefrativa | Troca do cristalino transparente por LIO no saco capsular, com opção de LIO bi/trifocal ou de foco estendido | Riscos cirúrgicos que o paciente deve conhecer, segundo o parecer do Conselho Federal de Medicina | Acima de 55 anos com presbiopia e hipermetropia acima de 1,5 D, ou miopia sem roturas periféricas não tratadas |
| PTK | Ablação com excimer laser de opacidades e alterações da adesão epitelial no epitélio, na Bowman e no estroma anterior | Hipermetropização como efeito colateral | Fica fora das cirurgias refrativas: compartilha a técnica do PRK com finalidade terapêutica |
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Na prática
A sequência da avaliação pré-operatória descrita na apostila, dos critérios de indicação ao implante intraocular.
Idade acima de 18 anos, com vários serviços operando só acima de 21, refração estável, com variação de até meia dioptria em 1 ano, ametropia entre +4,00 e -10,00 DE e até 4,00 DC, topografia regular e simétrica e paquimetria acima de 460 μm.
A lista da AAO, que vale para PRK e LASIK, inclui colagenoses, doenças ectásicas da córnea, distrofias estromais e de Fuchs, olho seco, retinopatia diabética, DM não controlado, herpes prévio, oftalmopatia distiroidiana, gestação ou amamentação, paciente monocular, córnea neurotrófica e expectativas irrealistas.
Procure irregularidade, assimetria, aumento localizado da curvatura, baby bow-tie e pata de caranguejo. Na tomografia, avalie a elevação posterior e a progressão paquimétrica. Padrão alterado contraindica a cirurgia corneana; os tomógrafos também medem a câmara anterior, dado usado na indicação de lente fácica.
Some a espessura do flap à da ablação e divida pela espessura total da córnea: o PTA deve ficar abaixo de 40%, e o leito residual, acima de 250 μm. Leito inferior a 250 μm e PTA superior a 40% estão entre os fatores de risco de ectasia.
O quadro da apostila indica PRK em olho seco leve, distrofia epitelial ou erosão recorrente, risco de trauma, cirurgia personalizada, fenda palpebral estreita ou órbita funda e paquimetria abaixo de 500 μm. O LASIK favorece quem tem intolerância à dor ou precisa voltar rápido às atividades.
Na miopia, o excimer abla a região central e aplana a córnea; na hipermetropia, abla a periferia e a média periferia e deixa o centro mais curvo. O CBO 2023 cobrou o perfil de ablação hipermetrópico, e o CBO 2025, a topografia esperada depois dele.
Na contraindicação à cirurgia corneana, como na alta miopia, cabe a lente fácica; endotélio alterado ou câmara anterior rasa costumam excluí-la. Acima de 55 anos, com presbiopia, o parecer do Conselho Federal de Medicina autoriza a troca do cristalino na hipermetropia acima de 1,5 D ou na miopia sem roturas periféricas não tratadas.
Perguntas frequentes
Para PRK e LASIK não há consenso sobre contraindicações absolutas. A apostila traz as relativas da AAO: colagenoses como artrite reumatoide, Sjögren, LES e granulomatose com poliangeíte, doenças ectásicas da córnea, distrofias estromais e de Fuchs, olho seco, retinopatia diabética, DM não controlado, herpes simples ou zoster prévio, oftalmopatia distiroidiana, gestação ou amamentação, idade abaixo de 18 anos, paciente monocular e córnea neurotrófica.
A apostila usa dois critérios: leito residual mínimo de 250 μm e PTA, a soma do flap com o tecido ablado dividida pela espessura total da córnea, de no máximo 40%. Entre os critérios desejáveis do PRK, cita paquimetria acima de 460 μm. Com paquimetria abaixo de 500 μm ou córnea relativamente fina para a refração, o quadro da apostila indica PRK em vez de LASIK.
Entre os critérios desejáveis, a apostila cita ametropia entre +4,00 e -10,00 DE e até 4,00 DC, com estabilidade refrativa de até meia dioptria em 1 ano. Ametropia alta é fator de risco para ectasia e, no PRK, para haze e regressão. Na alta miopia com contraindicação à cirurgia corneana, a lente fácica entra como opção de tratamento.
Haze é a opacificação da córnea após o PRK e a principal complicação da técnica: citocinas e fatores de crescimento das células lesadas transformam ceratócitos em miofibroblastos. Os fatores de risco são ablação maior, reoperação e exposição a UVB. O pico ocorre 1 a 2 meses após a cirurgia, com redução até 6 a 12 meses. Trata-se com corticoide tópico, e a mitomicina C reduziu drasticamente sua incidência.
A DLK começa em 24 horas, ocupa o flap de forma difusa, é mais intensa na periferia, fica limitada à interface e não tem reação de câmara anterior; trata-se com corticoide e AINE. A ceratite infecciosa começa 2 a 3 dias após a cirurgia, pode ultrapassar a interface e tem reação de câmara anterior. Início mais tardio sugere micobactéria ou nocardia, como na questão do CBO 2023.
É a classificação das aberrações pela análise das frentes de onda refletidas na retina. Até Z2 ficam as de baixa ordem, como defocus e astigmatismo, 85% das aberrações de um olho saudável; a partir de Z3, as de alta ordem, como esférica, coma e trifoil, com 15%. A cirurgia convencional induz aberração esférica; a personalizada usa a aberrometria para corrigir as de alta ordem.
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Onde aprofundar
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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma pela USP. Bateu recorde de nota na PNO. Co-Fundador do Grupo Med-Review.

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Oftalmologista pela USP. Preceptor da Clínica Oftalmológica do HC-USP. Bateu recorde de nota na PNO. 1º colocado na PNO 2019. Co-fundador do grupo OFT-Review.

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Oftalmologista pela USP. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela USP. Médica no HU-UFSCar. Médica do setor de estrabismo no Hospital das Clínicas da USP.

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Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

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Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

Especialista pelo CBO
Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

Especialista pelo CBO
Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

Especialista pelo CBO
Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

Especialista pelo CBO
Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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