Constipação aguda e crônica, funcional e orgânica, o ciclo de dor, medo e retenção, escape fecal, Critérios de Roma V e Escala de Bristol, sinais de alarme, doença de Hirschsprung, pseudoconstipação e disquesia do lactente, desimpactação e manutenção com PEG. Duas questões comentadas: SES/PE 2020 e UNIFESP 2022.
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Para que serve
A constipação na pediatria, do diagnóstico clínico pelos Critérios de Roma à conduta por faixa etária.
A forma funcional responde por 90% a 95% dos casos na infância e tem diagnóstico clínico. Os sinais de alarme, como eliminação do mecônio após 48 horas de vida e início no primeiro mês de vida, separam quem precisa de investigação.
Enema de fosfato de sódio evitado abaixo de 2 anos pelo risco de hiperfosfatemia grave e óleo mineral inadequado em crianças pequenas e com risco de aspiração, pela pneumonia lipoídica.
SES/PE 2020, com três casos para separar pseudoconstipação, Hirschsprung e constipação funcional, e UNIFESP 2022, sobre a conduta inicial diante do fecaloma.
Sumário
Do conceito ao fluxograma de manejo, na ordem em que a apostila ensina.
Constipação funcional é a constipação sem alteração anatômica, doença de base ou lesão estrutural, e responde por 90% a 95% dos casos na infância. O diagnóstico é clínico, pelos Critérios de Roma V: pelo menos 2 de 6 critérios no último mês, sem outra condição que explique os sintomas e sem preencher critérios para síndrome do intestino irritável.
Os seis critérios são: em média, duas ou menos evacuações por semana; em média, pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana em quem já tem controle esfincteriano; postura retentiva ou esforço para evacuar; evacuações dolorosas ou fezes endurecidas, Bristol tipos 1 ou 2 (no lactente, Escala de Bruxelas tipos 1 a 3); grande massa fecal no reto; e fezes de grande diâmetro. Diferentemente do Roma IV, o Roma V usa um conjunto único para todas as idades pediátricas, sem separar menores e maiores de 4 anos.
Tudo começa com uma evacuação dolorosa, que gera medo e comportamento de retenção. As fezes ficam no reto, endurecem, ferem a mucosa na saída e reforçam o medo, num ciclo de dor e retenção. Com o tempo, o fecaloma dilata o reto e fezes mais líquidas vazam ao redor dele: é o escape fecal, que a prova costuma disfarçar de diarreia.
Sem sinais de alarme, nenhum exame complementar é necessário: o diagnóstico é clínico, e a conduta começa pela desimpactação quando há fecaloma.
Comparativo
A consistência das fezes é a chave para separar os três quadros, segundo a apostila.
| Característica | Pseudoconstipação | Disquesia do lactente | Constipação funcional |
|---|---|---|---|
| Idade típica | Lactente jovem em aleitamento materno exclusivo | Lactente menor de 9 meses | Qualquer idade, com picos na introdução alimentar, no desfralde e no início escolar |
| Fisiopatologia | Absorção quase completa do leite materno, com pouco resíduo fecal | Incoordenação: o bebê faz força, mas não relaxa o assoalho pélvico | Ciclo de dor, medo, retenção e fezes endurecidas |
| Fezes | Amolecidas ou pastosas | Amolecidas e normais para a idade | Endurecidas, ressecadas, calibrosas ou em cíbalos |
| Quadro clínico | Dias sem evacuar, sem dor, sem distensão e com crescimento adequado | Pelo menos 10 minutos de choro, esforço e rosto vermelho antes de evacuar | Evacuações dolorosas e infrequentes, postura retentiva, massa palpável e escape fecal |
| Conduta | Tranquilizar a família, sem laxantes | Orientar a família; supositório, estimulação retal e laxante são contraindicados | Desimpactação se houver fecaloma, manutenção com PEG e recondicionamento |
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Na prática
O raciocínio da apostila, da anamnese à retirada gradual do laxante.
Eliminação do mecônio após 48 horas de vida, início no primeiro mês, vômitos biliosos, febre, déficit de crescimento, sangue nas fezes sem fissura, distensão grave e alterações anatômicas, neurológicas ou lombossacrais indicam investigação dirigida. Sem eles, o diagnóstico é clínico pelos Critérios de Roma.
Atraso do mecônio, distensão e vômitos biliosos com toque retal de ampola vazia e saída explosiva de fezes e gases sugerem aganglionose. O enema opaco mostra o cone de transição, a manometria mostra ausência do reflexo inibitório retoanal e a biópsia retal confirma. O tratamento é cirúrgico.
Fezes pastosas sem dor no bebê em aleitamento exclusivo são pseudoconstipação. Esforço e choro de pelo menos 10 minutos antes de fezes amolecidas, abaixo de 9 meses, são disquesia. Nos dois casos, a conduta é orientar a família, sem laxante.
Com fecaloma na palpação ou no toque retal, a primeira etapa é a desimpactação, de preferência com PEG oral de 1,0 a 1,5 g/kg/dia. Enemas são alternativa; o de fosfato de sódio é evitado abaixo de 2 anos. Iniciar manutenção sem desimpactar é erro clássico de alternativa.
PEG de 0,4 a 0,8 g/kg/dia, ajustado pela consistência das fezes, com lactulose como alternativa. Sentar no vaso por 5 a 10 minutos após as refeições, com redutor de assento e apoio para os pés, aproveita o reflexo gastrocólico. Fibras e líquidos adequados para a idade, sem suplementação extra de fibras.
A resposta é reavaliada em 4 a 8 semanas. A redução gradual só entra em pauta depois de pelo menos 2 meses de manutenção, com os sintomas controlados há pelo menos um mês. Sem melhora, confira adesão e dose antes de pedir exames; refratária é a falha de dois laxantes de classes diferentes, em dose máxima tolerada e com boa adesão, por pelo menos 3 meses.
Perguntas frequentes
A apostila classifica por tempo de evolução e por etiologia. A aguda surge de forma abrupta, como numa doença febril, e costuma melhorar sozinha; a crônica persiste por mais de 30 dias. A primária ou funcional responde por 90% a 95% dos casos na infância, e a secundária ou orgânica, por 5% a 10%, com causas anatômicas, neurogênicas, endócrino-metabólicas, medicamentosas e imunológicas.
Pelo Roma V, pelo menos 2 de 6 critérios no último mês: duas ou menos evacuações por semana, incontinência fecal semanal, postura retentiva, evacuações dolorosas ou fezes endurecidas, grande massa fecal no reto e fezes de grande diâmetro. Os sintomas não podem ser explicados por outra condição. O Roma V usa um conjunto único para todas as idades pediátricas, sem o corte de 4 anos do Roma IV.
Começam no período neonatal: atraso na eliminação do mecônio, sobretudo além de 48 horas, obstrução intestinal com distensão progressiva e vômitos biliosos, constipação desde as primeiras semanas e baixo ganho ponderal. No toque retal, a ampola está vazia e a retirada do dedo provoca saída explosiva de fezes e gases. A complicação mais temida é a enterocolite associada ao Hirschsprung.
É cirúrgico, porque a aganglionose é uma obstrução estrutural que não responde a laxantes. O cirurgião resseca todo o segmento aganglionar e abaixa o cólon normoganglionar até o canal anal, com anastomose colorretal ou coloanal. A enterocolite é emergência e exige descompressão retal, hidratação venosa e antibiótico de largo espectro.
Orientar e acalmar a família. A disquesia é uma incoordenação benigna de lactentes menores de 9 meses, que fazem força sem relaxar o assoalho pélvico, com fezes amolecidas. Supositórios, estimulação retal e laxantes são contraindicados, porque atrasam o aprendizado do reflexo evacuatório.
Primeiro, separar funcional de orgânica pelos sinais de alarme. Na funcional com fecaloma, desimpactar com PEG oral antes de qualquer manutenção, como na questão UNIFESP 2022. Depois, PEG em dose de manutenção por no mínimo 2 meses, treinamento de toalete após as refeições e fibras e líquidos adequados para a idade.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
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Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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