Vias de aferência neural e humoral, fase ebb, fase flow e fase anabólica, cortisol, catecolaminas, glucagon, GH sem IGF-1, ADH e aldosterona, síndrome do doente eutireoidiano, TNF-alfa, IL-1, IL-6 e IL-10, proteínas de fase aguda, metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, síndrome PICS e modulação pelo bloqueio do neuroeixo, cirurgia minimamente invasiva e ACERTO/ERAS. Duas questões comentadas: PSU/MG 2025 e USP/RP 2025.
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Para que serve
Do primeiro sinal que avisa o hipotálamo ao doente crítico crônico, com os paradoxos hormonais que a banca cobra.
Ebb nas primeiras 24 a 48 horas, com hipovolemia, vasoconstrição e consumo de oxigênio reduzido. Flow depois da reanimação, com hipermetabolismo, hiperdinamismo e catabolismo intenso.
Cortisol, catecolaminas, glucagon, ADH, aldosterona e GH elevados. Insulina com ação periférica bloqueada pela resistência, e GH sem ação anabólica pela queda do IGF-1.
PSU/MG 2025, sobre as alterações da fase inicial, e USP/RP 2025, sobre a febre no segundo dia de pós-operatório, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da via de aferência à modulação no perioperatório, na ordem em que a apostila ensina.
REMIT é a resposta endócrino-metabólica e imunológica ao trauma: a reação programada do organismo a uma agressão cirúrgica ou traumática para mobilizar energia, reter líquidos e priorizar a perfusão de cérebro e coração, mesmo à custa da massa muscular periférica.
O aviso chega ao hipotálamo por duas vias. A neural, mais rápida, leva os impulsos dolorosos dos nociceptores e os sinais dos barorreceptores; a humoral leva o TNF-alfa, a IL-1 e a IL-6 liberados no local da lesão, que alcançam o cérebro por regiões sem barreira hematoencefálica e estimulam o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
A resposta segue em fases. A ebb dura em média 24 a 48 horas, com hipovolemia, vasoconstrição e consumo de oxigênio reduzido. Após a reanimação vem a flow, hipermetabólica e catabólica, e por fim a fase anabólica, com predomínio de insulina, GH e IGF-1 e balanço nitrogenado de novo positivo.
No trauma, a quebra de proteína é obrigatória: a oferta de glicose venosa atenua o catabolismo, mas não o bloqueia até que a causa da inflamação seja resolvida.
Comparativo
Cada hormônio tem um efeito e uma pegadinha conhecida da banca.
| Hormônio | Na REMIT | Efeito principal | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| Cortisol | Elevado, em proporção à gravidade do trauma | Proteólise, lipólise, gliconeogênese e resistência à insulina | É o maestro da resposta, liberado pelo eixo HHA via ACTH |
| Catecolaminas | Elevadas em segundos | Vasoconstrição, taquicardia, inotropismo e glicogenólise | A noradrenalina inibe a secreção de insulina |
| GH | Elevado | Hiperglicemiante e lipolítico | Sem ação anabólica: a resistência hepática ao GH derruba o IGF-1 |
| ADH e aldosterona | Elevados | Retenção de água e sódio, com excreção de potássio e H+ | Oligúria funcional no pós-operatório e tendência à alcalose metabólica hipocalêmica |
| Insulina | Ação periférica inibida pela resistência | Hiperglicemia do estresse | Catecolaminas, cortisol e TNF-alfa impedem a translocação do GLUT-4 |
| Hormônios tireoidianos | T3 baixo e T3 reverso elevado | Menor taxa metabólica e menor consumo de oxigênio | Síndrome do doente eutireoidiano: adaptação, sem reposição hormonal |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
As medidas da apostila, do jejum à analgesia, que reduzem a resposta ao trauma cirúrgico.
Pelos protocolos ACERTO e ERAS, o jejum pré-operatório cai para 2 horas, com carboidrato complexo (maltodextrina). É o primeiro item da combinação que reduz internação e complicações.
Peridural ou raquianestesia, associada à anestesia geral ou mantida no pós-operatório, interrompe os impulsos dolorosos e previne a descarga de catecolaminas e o pico de cortisol e glucagon. O bloqueio do neuroeixo não atua sobre a via humoral.
Videolaparoscopia e cirurgia robótica diminuem a agressão tecidual e a liberação de TNF-alfa, IL-1 e IL-6. Atenuam, mas não eliminam a REMIT, e o pneumoperitônio com CO₂ traz alterações hemodinâmicas próprias.
A terapia de fluidos guiada por metas substituiu a hidratação venosa liberal. Sobrecarga de água e sódio causa edema de alça, prolonga o íleo, prejudica a cicatrização das anastomoses e a oxigenação tecidual.
Oferta oral ou enteral nas primeiras 12 a 24 horas, mesmo após anastomose digestiva, sem esperar flatos ou ruídos hidroaéreos. O alimento no lúmen mantém o trofismo das vilosidades e previne a translocação bacteriana.
Analgesia multimodal com dipirona, AINEs quando não houver contraindicação, anestésicos locais e bloqueios como o TAP block. Opioides em excesso causam depressão respiratória, náuseas, retenção urinária e íleo paralítico.
Perguntas frequentes
A ebb é a fase inicial de choque, com hipovolemia, vasoconstrição, queda do débito cardíaco e redução do consumo de oxigênio e do gasto energético, e dura em média 24 a 48 horas. A flow começa após a reanimação, com débito cardíaco aumentado, febre, hipermetabolismo e catabolismo, e dura de poucos dias a semanas, conforme a gravidade da lesão.
É a alteração tireoidiana da REMIT, também chamada síndrome do T3 baixo. As citocinas, como a IL-6, inibem a 5'-desiodase tipo 1, que converte T4 em T3, e o T4 é desviado para T3 reverso, inativo. É uma adaptação para reduzir a taxa metabólica, e a apostila é clara: não se repõe hormônio tireoidiano.
Sob o estímulo da IL-6, o fígado aumenta as positivas, como PCR, fibrinogênio e ferritina, e reduz as negativas, como albumina, transferrina e pré-albumina. Por isso a albumina baixa no pós-operatório imediato não reflete desnutrição aguda: reflete o desvio da síntese hepática e o extravasamento para o terceiro espaço.
Cortisol e citocinas ativam a via ubiquitina-proteassoma no músculo, que libera alanina e glutamina para a gliconeogênese e para enterócitos e células imunes. O nitrogênio vira ureia e sai na urina: a perda pode chegar a 20 gramas de nitrogênio por dia, o equivalente a cerca de 500 gramas de massa muscular.
Com a combinação dos protocolos ACERTO e ERAS: jejum abreviado com carboidrato, cirurgia minimamente invasiva para reduzir a via humoral, bloqueio do neuroeixo para interromper a via neural, fluidos para euvolemia, realimentação precoce e analgesia poupadora de opioides.
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Quem ensina
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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