Apostila gratuita · 35 páginas

Queimaduras: da regra dos 9 à fórmula de Parkland no ATLS 11

Profundidade e zonas de Jackson, regra dos 9, via aérea e lesão inalatória, reposição volêmica do ATLS 11 com metas de diurese, monóxido de carbono e cianeto, escarotomia e critérios de transferência. Questões ENARE 2021 e AMP 2023 comentadas.

PDF de 4,7 MB. Gratuito.

Capa da apostila Queimaduras: classificação, regra dos 9 e reposição volêmica em um tablet
Formato
Apostila · 35 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Trauma
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de queimaduras cobre

O queimado como paciente de trauma, do ABCDE à cobertura definitiva da ferida, com as mudanças do ATLS 11.

  • Parkland e a mudança do ATLS 11

    Dos 4 mL/kg/%SCQ da fórmula de Parkland aos 2 mL no adulto, 3 mL na criança e 4 mL na queimadura elétrica, infundidos de forma constante em 16 horas.

  • Metas, antídotos e transferência

    Diurese de 0,5 mL/kg/h no adulto, 1,0 na criança abaixo de 30 kg e 1 a 1,5 na elétrica; O2 a 100% no monóxido de carbono, hidroxocobalamina no cianeto; critérios de envio ao centro de queimados.

  • Questões comentadas com cálculo

    ENARE 2021 sobre intubação precoce, AMP 2023 sobre o grande queimado e uma questão da equipe Med-Review com regra dos 9 e taxa de infusão em mL/h.

Sumário

O que tem dentro das 35 páginas

Da profundidade da queimadura ao enxerto de pele, na ordem do ABCDE.

  1. 01O que mais cai em prova: o quadro do ATLS 11
  2. 02Introdução: o queimado como paciente de trauma
  3. 03Profundidade da lesão: 1º, 2º e 3º graus
  4. 04Zonas de Jackson: coagulação, estase e hiperemia
  5. 05Via aérea e ventilação: indicações de IOT precoce
  6. 06Lesão inalatória e o papel da broncoscopia
  7. 07Questão estratégica: via aérea no queimado
  8. 08Circulação: volume fixo por idade, regra dos 9 e a mudança do ATLS 11
  9. 09Criança, queimadura elétrica e monitorização pela diurese
  10. 10Questão estratégica: o novo padrão do ATLS 11
  11. 11Exposição: hipotermia, sulfadiazina de prata, escarotomia e fasciotomia
  12. 12Profilaxia do tétano e analgesia
  13. 13Monóxido de carbono, cianeto e queimaduras químicas
  14. 14Critérios de transferência para centro de queimados
  15. 15Questão estratégica: ressuscitação e manejo geral
  16. 16Excisão tangencial precoce, enxertia e revisão final
Página interna da apostila sobre Queimaduras: classificação, regra dos 9 e reposição volêmica
Página da apostila: queimadura elétrica com os 4 mL x peso x %SCQ do ATLS 11, rabdomiólise e a tabela de metas de diurese do adulto, da criança abaixo de 30 kg e da queimadura elétrica.

A fórmula de Parkland ainda vale no ATLS 11?

A fórmula de Parkland, de 4 mL/kg por %SCQ, deu lugar no ATLS 11 a 2 mL x peso x %SCQ na queimadura térmica do adulto. O volume total é infundido de forma constante em 16 horas, sem descontar o tempo nem o volume do pré-hospitalar. A criança recebe 3 mL, e a queimadura elétrica, 4 mL.

A fórmula de Parkland, com 4 mL/kg/%SCQ, dava volume demais e levava a complicações como síndrome compartimental abdominal; o ATLS 11 adota 2 mL no adulto e muda a forma de infundir. A divisão clássica de metade em 8 horas e metade em 16 horas acabou, e o relógio das 16 horas começa na admissão hospitalar.

Na regra dos 9 de Wallace, cabeça e pescoço valem 9%, cada braço 9%, tronco anterior 18%, tronco posterior 18%, cada perna 18% e genitália 1%. Em queimadura salpicada, a palma da mão do paciente com os dedos vale cerca de 1%. Queimadura de 1º grau não entra no cálculo da SCQ.

Na questão da equipe Med-Review, homem de 80 kg com flictenas na face anterior do tronco (18%) e em todo o membro superior direito (9%) soma 27% de SCQ. O volume é 2 x 80 x 27 = 3.240 mL, e a taxa, 3.240 / 16 = 202,5 mL/h. Gabarito: SCQ de 27% e taxa de 200 mL/h.

A fórmula é ponto de partida; quem guia a infusão é a diurese pela sonda vesical, conferida de hora em hora. As metas são 0,5 mL/kg/h no adulto, 1,0 mL/kg/h na criança abaixo de 30 kg e 1 a 1,5 mL/kg/h na queimadura elétrica, até a urina clarear da mioglobina. Urinou pouco, aumenta a taxa; urinou demais, reduz.

Página da apostila Queimaduras: classificação, regra dos 9 e reposição volêmica

Comparativo

Reposição volêmica no ATLS 11 por perfil de paciente

As taxas fixas do início, antes de calcular a SCQ, e as fórmulas com a meta de diurese de cada perfil.

Volumes e metas de diurese do ATLS 11; a fórmula de Parkland clássica usava 4 mL/kg/%SCQ. Fonte: apostila Med-Review R1, “Queimaduras”.
SituaçãoVolume de Ringer lactatoComo conduzir
Início, até 5 anos125 mL por horaPré-hospitalar e exame primário, até calcular a SCQ
Início, de 6 a 12 anos250 mL por horaPré-hospitalar e exame primário, até calcular a SCQ
Início, a partir de 13 anos500 mL por horaPré-hospitalar e exame primário, até calcular a SCQ
Adulto, queimadura térmica2 mL x kg x %SCQConstante em 16 horas; diurese de 0,5 mL/kg/h
Criança3 mL x kg x %SCQConstante em 16 horas; abaixo de 30 kg, soro de manutenção com glicose e diurese de 1,0 mL/kg/h
Queimadura elétrica, qualquer idade4 mL x kg x %SCQConstante em 16 horas; diurese de 1 a 1,5 mL/kg/h até a urina clarear

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Atendimento do queimado, passo a passo

A sequência do ABCDE aplicada ao queimado, como a apostila ensina.

  1. Comece pelo ABCDE do trauma

    Na primeira hora, o queimado morre de hipóxia, choque ou lesão associada. Siga o ABCDE e deixe a ferida para o E, de exposição. A descrição chocante da queimadura no enunciado tira o foco da coluna cervical e da expansibilidade torácica.

  2. Antecipe a via aérea

    Intube cedo com estridor, rouquidão, retrações, queimadura facial profunda ou intraoral, GCS ≤ 8 ou queimadura acima de 40 a 50% da SCQ. Vibrissas chamuscadas e escarro carbonáceo sugerem lesão inalatória. Use tubo calibroso, que permita a broncoscopia depois, e deixe a primeira tentativa para o médico mais experiente.

  3. Comece o volume antes da conta

    Sem a SCQ calculada, o ATLS 11 usa taxas fixas de Ringer lactato: 125 mL/h até 5 anos, 250 mL/h de 6 a 12 anos e 500 mL/h a partir de 13 anos. Sem acesso periférico rápido, considere o intraósseo.

  4. Calcule a SCQ e o volume

    Regra dos 9 no adulto e palma da mão para áreas salpicadas, sem contar o 1º grau. Depois, 2 mL x kg x %SCQ no adulto, 3 mL na criança e 4 mL na elétrica, em infusão constante de 16 horas a partir da admissão.

  5. Ajuste pela diurese

    Sonda vesical e débito urinário de hora em hora: 0,5 mL/kg/h no adulto, 1,0 na criança abaixo de 30 kg, 1 a 1,5 na elétrica. Pressão arterial e frequência cardíaca oscilam demais para guiar a hidratação. Diurese de 3 mL/kg/h indica volume demais.

  6. Proteja o paciente na exposição

    Dispa, retire joias e aqueça com lençóis secos, cobertor térmico e fluidos aquecidos. Resfrie a queimadura com água em temperatura ambiente, nunca gelo, por 5 a 10 minutos em áreas pequenas. Queimadura de 3º grau circunferencial com parestesia ou enchimento capilar lento pede escarotomia.

  7. Trate intoxicações e transfira

    Incêndio em recinto fechado: O2 a 100% para monóxido de carbono, com co-oximetria; hidroxocobalamina para cianeto na acidose lática inexplicável. Encaminhe ao centro de queimados a queimadura de 2º grau acima de 10% da SCQ, qualquer 3º grau, áreas nobres e queimaduras elétrica, química ou inalatória.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre fórmula de Parkland e regra dos 9

Como calcular a regra dos 9 na queimadura?

Some as áreas com queimadura de 2º e 3º graus: cabeça e pescoço 9%, cada braço 9%, tronco anterior 18%, tronco posterior 18%, cada perna 18% (9% na frente e 9% atrás) e genitália 1%. O eritema de 1º grau fica fora. Na questão da equipe, face anterior do tronco mais o membro superior direito inteiro dão 27%.

Qual a fórmula de Parkland atualizada pelo ATLS 11?

No adulto com queimadura térmica, 2 mL x peso em kg x %SCQ, no lugar dos 4 mL/kg/%SCQ da fórmula de Parkland clássica. A criança recebe 3 mL, e a queimadura elétrica, 4 mL. Todo o volume corre de forma constante em 16 horas, sem a antiga divisão em 8 e 16 horas, e a diurese guia os ajustes.

Desconta-se o tempo pré-hospitalar no cálculo do volume?

No ATLS 11, não. As 16 horas começam na avaliação hospitalar e no início da ressuscitação, sem descontar o tempo decorrido desde o trauma nem o volume recebido no pré-hospitalar. A infusão não é acelerada para compensar o atraso; o foco passa a ser o débito urinário.

Quando intubar o paciente queimado?

Diante de sinais de obstrução iminente (estridor, rouquidão, retrações), queimadura facial extensa e profunda ou intraoral, GCS ≤ 8 ou queimadura acima de 40 a 50% da SCQ. Na questão ENARE 2021 da apostila, a paciente com rouquidão, vibrissas queimadas e SaO2 de 97% tem como prioridade a intubação orotraqueal.

Por que a criança queimada recebe soro com glicose?

Crianças abaixo de 30 kg têm reserva limitada de glicogênio hepático, e só Ringer lactato pode causar hipoglicemia grave. Ao volume da queimadura associa-se o soro de manutenção com dextrose, calculado pela regra de Holliday-Segar. A meta de diurese sobe para 1,0 mL/kg/h.

Como suspeitar de intoxicação por monóxido de carbono e por cianeto?

Pela vítima de incêndio em recinto fechado. No monóxido, o oxímetro de pulso fica normal; o diagnóstico exige gasometria com co-oximetria, e COHb acima de 10% em não fumante é altamente sugestiva. O tratamento é O2 a 100%. No cianeto, pense em acidose lática inexplicável, com lactato acima de 8 a 10 mmol/L; o antídoto é a hidroxocobalamina.

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    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

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    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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