Choque como hipoperfusão, choque oculto com lactato e déficit de base, a classificação do ATLS em quatro classes e a escala atualizada em leve, moderado e grave, índice de choque, as fontes de sangramento com FAST e E-FAST, bolus de 1 litro, hipotensão permissiva, ácido tranexâmico, ABC Score, protocolo 1:1:1, tromboelastograma, diamante letal e controle de danos. Três questões comentadas: PSU MG 2020, ISCMSP 2022 e AMP 2020.
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Para que serve
Do paciente frio e taquicárdico na sala vermelha à decisão de parar a cirurgia, com o que a banca cobra em classificação e gatilhos de transfusão.
As quatro classes do ATLS por volume perdido, frequência cardíaca, pressão, diurese e consciência, e a classificação atualizada em leve, moderado e grave, que inclui o déficit de base e a resposta ao volume.
Índice de choque acima de 1, ABC Score com 2 pontos ou mais e resposta transitória ao cristaloide pedem sangue: hemácias, plasma e plaquetas na proporção 1:1:1, com 1 g de gluconato de cálcio a cada 3 a 4 bolsas.
PSU MG 2020, sobre a pressão arterial como sinal de choque, ISCMSP 2022, sobre índice de choque e transfusão, e AMP 2020, sobre hipotermia no diamante letal, com gabarito e comentário.
Sumário
Do reconhecimento do choque ao controle de danos, na ordem em que a apostila ensina.
Choque hemorrágico é a hipoperfusão tecidual causada pela perda de sangue: falta volume para levar oxigênio às células, que passam ao metabolismo anaeróbio, produzem lactato e entram em acidose metabólica. No trauma, a apostila parte de uma regra de prova: todo choque é hemorrágico até que se prove o contrário.
Choque não é sinônimo de hipotensão. O jovem compensa a perda com taquicardia e vasoconstrição, e a pressão arterial pode seguir normal, com a pressão de pulso pinçada. A hipotensão é sinal tardio: na classificação do ATLS, a sistólica cai a partir da classe III, com perda de 30% a 40% da volemia.
Os sinais que a banca descreve são taquicardia, pele fria, pálida e sudoreica, enchimento capilar lento, taquipneia, queda da diurese e alteração da consciência. Quando os sinais vitais ainda parecem normais, lactato alto e déficit de base revelam o choque oculto, também chamado de compensado.
Os outros dois choques do trauma entram no diagnóstico diferencial. O obstrutivo, por pneumotórax hipertensivo ou tamponamento cardíaco, vem com turgência jugular; o neurogênico, por trauma raquimedular, com pele quente e seca e bradicardia ou frequência normal. No hemorrágico, a jugular está colabada.
Comparativo
A transição de um corpo compensado para um corpo em falência, em um adulto de 70 kg, como a apostila apresenta na tabela clássica.
| Classe | Perda estimada | FC e pressão arterial | Conduta |
|---|---|---|---|
| Classe I | Menos de 15%, abaixo de 750 mL | FC abaixo de 100, pressão normal | Sem necessidade de sangue |
| Classe II | 15% a 30%, de 750 a 1.500 mL | FC acima de 100, pressão normal e pressão de pulso pinçada | Cristaloide pode bastar, com o sangue já preparado |
| Classe III | 30% a 40%, de 1.500 a 2.000 mL | FC acima de 120, hipotensão | Sangue: concentrado de hemácias tipo específico |
| Classe IV | Mais de 40%, acima de 2.000 mL | FC acima de 140, hipotensão grave ou indetectável | Protocolo de transfusão maciça |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do primeiro olhar ao paciente à decisão pelo controle de danos.
Pele fria, taquicardia e pressão de pulso pinçada já indicam choque. Calcule o índice de choque, a frequência cardíaca dividida pela sistólica: acima de 1, acenda o alerta de transfusão. Lactato alto e déficit de base desmascaram o choque oculto.
Olhe o chão e os curativos, o tórax com E-FAST, o abdome com FAST no instável e TC no estável, a pelve, que sangra para o retroperitônio sem aparecer no FAST, e os ossos longos: cada fêmur fraturado sequestra de 1 a 1,5 litro. TCE isolado não causa choque no adulto.
Dois acessos periféricos de 14G ou 16G nas fossas antecubitais. Se falharem em duas tentativas ou 90 segundos no instável, vá para o intraósseo. Faça bolus inicial de 1 litro de solução isotônica aquecida, de preferência Ringer lactato, e 20 mL/kg na criança. Soro glicosado nunca.
Na hipotensão permissiva, o alvo é sistólica de 80 a 90 mmHg até o sangramento ser controlado. As exceções são o TCE moderado ou grave, com sistólica acima de 110 mmHg, o trauma raquimedular e a gestante. Ácido tranexâmico 1 g em 10 minutos e 1 g em 8 horas, nas primeiras 3 horas do trauma.
O respondedor rápido segue a investigação; o transitório precisa de sangue e de definição cirúrgica rápida; o não respondedor, de transfusão maciça e cirurgia imediata, ou de tratar a causa se o choque não for hemorrágico. Com ABC Score de 2 pontos ou mais, ative o protocolo de transfusão maciça 1:1:1 sem esperar a prova cruzada, reponha cálcio e, se houver, guie pelo tromboelastograma.
Hipotermia, acidose, coagulopatia e hipocalcemia se alimentam. Diante do paciente frio, ácido e coagulopata, pare a cirurgia complexa: laparotomia abreviada para conter sangramento e contaminação, peritoneostomia, reanimação na UTI e reoperação programada em 24 a 48 horas.
Perguntas frequentes
É o choque por falta de volume circulante, que deixa as células sem oxigênio. No trauma, a grande maioria dos choques é hipovolêmica hemorrágica, e a apostila ensina a tratar como hemorrágico todo choque do politraumatizado até que se prove o contrário. Obstrutivo e neurogênico são as exceções que a banca usa para confundir.
Taquicardia, pele fria, pálida e úmida, enchimento capilar lento, taquipneia, queda da diurese, alteração da consciência e veias colabadas. A hipotensão é tardia. Na PSU MG 2020 da apostila, o valor da pressão arterial é justamente o achado que não pode ser considerado, sozinho, sinal de choque.
A tabela clássica do ATLS divide em quatro classes pela perda estimada: abaixo de 15%, de 15% a 30%, de 30% a 40% e acima de 40%. A diferença entre as classes II e III é a pressão sistólica: pressão normal com taquicardia é classe II, hipotensão com taquicardia é classe III. A classificação atualizada do ATLS agrupa o paciente em leve, moderado e grave, incluindo o déficit de base e a resposta ao volume.
Controlar o sangramento e repor sangue, sem inundar o paciente de cristaloide. A apostila orienta acesso calibroso, bolus de 1 litro de cristaloide aquecido, hipotensão permissiva, ácido tranexâmico nas primeiras 3 horas e, se não houver resposta sustentada, transfusão com hemácias, plasma e plaquetas em 1:1:1, levando o paciente para cirurgia ou angioembolização.
Pelo ABC Score, que soma mecanismo penetrante, FAST positivo, hipotensão e taquicardia, sem exame laboratorial: com 2 pontos ou mais, a probabilidade de transfusão maciça é alta. Choque grave e resposta transitória ou ausente ao cristaloide também indicam o protocolo. Na ISCMSP 2022 da apostila, o índice de choque de 1,75 leva à transfusão hemostática com hemácias O, plasma AB, plaquetas e ácido tranexâmico.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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36 páginas com a classificação do choque hemorrágico, índice de choque, fontes de sangramento, ácido tranexâmico, transfusão maciça, diamante letal, controle de danos e três questões comentadas, em PDF gratuito.
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