Fatores de risco e H. pylori, câncer gástrico difuso hereditário, sinais de alarme e de doença avançada, câncer gástrico precoce, Borrmann e Lauren, TC, EcoEDA e laparoscopia diagnóstica, ressecção endoscópica, quimioterapia perioperatória, gastrectomia, linfadenectomia D2, reconstruções, síndromes pós-gastrectomia, GIST e linfoma MALT. Três questões comentadas: PSU MG 2020, USP SP 2020 e uma autoral.
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Para que serve
Do adenocarcinoma ao GIST e ao linfoma MALT, com as classificações e os pontos de corte de conduta que mais caem em residência.
Do tipo I polipoide à linite plástica do tipo IV, e o intestinal, do homem idoso e de disseminação hematogênica, contra o difuso, da mulher jovem e das células em anel de sinete.
Critérios de ressecção endoscópica no T1a, gastrectomia upfront no T1b N0 e quimioterapia perioperatória a partir de T2 ou com linfonodo positivo, com D2 e no mínimo 15 linfonodos na peça.
PSU MG 2020, sobre tumor de Krukenberg, USP SP 2020, sobre GIST de 10 cm, e uma questão autoral de estadiamento com EcoEDA, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da lesão precursora ao tratamento de cada neoplasia gástrica, na ordem em que a apostila ensina.
A classificação de Borrmann descreve o aspecto macroscópico, na endoscopia, do adenocarcinoma gástrico avançado, aquele que já passou da camada submucosa. São quatro tipos: I, polipoide ou vegetante, bem delimitado e sem ulceração importante; II, ulcerado com bordas nítidas; III, ulcerado infiltrativo; IV, infiltrativo difuso, a linite plástica.
O tipo III é o mais comum na prática e nas questões de residência: há uma úlcera, mas as bordas são imprecisas porque o tumor se infiltra pelas camadas do estômago e se mistura à mucosa normal ao redor. No tipo IV não há massa evidente nem úlcera típica; o tumor se espalha pela submucosa e pela muscular e deixa a parede espessa, rígida e sem capacidade de distensão.
O Borrmann IV gera biópsia falso-negativa, porque a pinça morde só o epitélio sadio da superfície. Diante de estômago rígido à insuflação e biópsias repetidamente negativas, a apostila indica EcoEDA para biópsias profundas ou tomografia. Na PSU MG 2020 da apostila, a mulher de 34 anos com estômago de paredes espessadas e não distensíveis, ascite, omental cake e massa ovariana tem como resposta tumor de Krukenberg: linite plástica do tipo difuso de Lauren com metástase transcelômica para o ovário.
Borrmann classifica o que se vê na endoscopia; Lauren classifica o que se vê no microscópio.
Comparativo
A banca descreve o paciente e a biópsia e pede o tipo histológico. A tabela junta as variáveis que a apostila confronta.
| Característica | Tipo intestinal | Tipo difuso |
|---|---|---|
| Arquitetura | Bem diferenciado, forma estruturas glandulares organizadas | Indiferenciado, células isoladas ou em pequenos blocos, sem coesão |
| Achado da biópsia | Células que mimetizam o epitélio do cólon | Células em anel de sinete |
| Perfil do paciente | Homens idosos, acima de 60 anos | Mulheres e pacientes jovens |
| Associação | Fatores ambientais, dieta com nitrosaminas e H. pylori | Perda de coesão celular ligada à E-caderina (gene CDH1); sem relação com gastrite crônica |
| Disseminação | Hematogênica, com metástases hepáticas comuns | Linfática e por implantes no peritônio |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, da dispepsia com sinal de alarme à extensão da gastrectomia.
Paciente acima de 45 a 50 anos com dispepsia nova, ou com perda de peso, anemia, disfagia, vômitos persistentes, saciedade precoce ou massa epigástrica, faz EDA com biópsia. IBP empírico nesses casos é erro.
TC de tórax, abdome e pelve com contraste. A pelve é obrigatória para flagrar tumor de Krukenberg e prateleira de Blumer. Linfonodo de Virchow, de Irish, nódulo da Irmã Maria José, Blumer e Krukenberg significam M1, sem cirurgia com intuito curativo.
A TC falha na profundidade da invasão e nos linfonodos perigástricos pequenos. A EcoEDA separa as cinco camadas da parede, é o exame de referência para o T e o N e decide entre ressecção endoscópica e gastrectomia.
Implantes peritoneais menores que 5 mm não aparecem na TC. Por isso, o paciente com linfonodo positivo faz laparoscopia diagnóstica antes de qualquer tratamento; citologia do lavado positiva reclassifica como M1.
T1a que cumpre os critérios vai para mucosectomia ou ESD. T1b N0 vai para gastrectomia upfront. A partir de T2 ou com N positivo, quimioterapia perioperatória, comumente FLOT; a exceção é a urgência, como perfuração ou hemorragia incoercível.
Tumor de antro ou piloro vai para gastrectomia subtotal; terço médio proximal, fundo, cárdia e linite plástica vão para gastrectomia total. A linfadenectomia padrão é a D2, com no mínimo 15 linfonodos na peça, e o Y de Roux é a reconstrução padrão após a gastrectomia total.
Perguntas frequentes
É o tumor estromal gastrointestinal, a neoplasia mesenquimal mais comum do trato digestivo, originada nas células intersticiais de Cajal; o estômago concentra cerca de 60% dos casos. Aparece como lesão subepitelial de mucosa lisa, é c-KIT (CD117) positivo em mais de 95% dos casos e DOG1 positivo. Abaixo de 2 cm e sem sinais de risco, observação; a partir de 2 cm, ressecção em cunha com margem livre, sem linfadenectomia.
É o adenocarcinoma gástrico avançado de aspecto ulcerado infiltrativo: há úlcera, mas as bordas não são nítidas, porque o tumor se infiltra pelas camadas da parede. É o tipo mais comum na prática e nas questões. A conduta sai do estadiamento, com TC, EcoEDA e laparoscopia; no tipo IV, a linite plástica, a gastrectomia é total.
É a progressão que a apostila chama de Cascata de Correa: a inflamação crônica pelo H. pylori, carcinógeno do Grupo 1 da OMS, altera a mucosa até o adenocarcinoma do tipo intestinal. Gastrite atrófica e anemia perniciosa aceleram a cascata, e erradicar a bactéria nas fases iniciais, como na gastrite crônica, interrompe o estímulo inflamatório.
No linfoma MALT gástrico localizado, estádios I e II, o tratamento de primeira linha é só a erradicação do H. pylori, com antibióticos e IBP, e induz remissão completa em até 75% a 80% dos casos. A regressão é acompanhada com endoscopias e biópsias seriadas. A gastrectomia fica restrita a complicações graves, como perfuração ou sangramento maciço.
O caso típico da apostila é de azia e queimação de longa data sem melhora com antiácidos. Na endoscopia, a mucosa infiltrada com erosões superficiais imita gastrite ou úlcera péptica, e só a biópsia com imuno-histoquímica fecha o diagnóstico. A evolução é indolente e localizada.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
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Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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