Latência e reativação do vírus varicela-zóster, fatores de risco, dermátomos, zoster sine herpete, herpes-zóster oftálmico e sinal de Hutchinson, síndrome de Ramsay Hunt, complicações neurológicas e viscerais, PCR, antivirais em até 72 horas, aciclovir intravenoso, dor aguda, neuralgia pós-herpética, vacina recombinante e profilaxia pós-exposição. Uma questão autoral comentada sobre o sinal de Hutchinson.
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Para que serve
Da latência no gânglio sensitivo à vacina recombinante, com o que a banca cobra em complicações e conduta.
Valaciclovir ou famciclovir por 7 dias, ou aciclovir oral por 7 a 10 dias, de preferência em até 72 horas do exantema, e aciclovir intravenoso de 10 mg/kg a cada 8 horas no caso grave ou disseminado.
Lidocaína a 5% e capsaicina na dor localizada, gabapentina, pregabalina e tricíclicos na dor moderada a intensa, com dose inicial, titulação e os riscos no idoso.
Um idoso com dor na hemiface, vesículas na testa e na pálpebra e uma vesícula na asa do nariz: o nome do sinal e a conduta, com gabarito.
Sumário
Do vírus latente à prevenção, na ordem em que a apostila ensina.
O tratamento do herpes-zóster é feito com antiviral por via oral, de preferência iniciado nas primeiras 72 horas após o aparecimento do exantema: valaciclovir 1.000 mg a cada 8 horas por 7 dias, famciclovir 500 mg a cada 8 horas por 7 dias ou aciclovir 800 mg cinco vezes ao dia, durante a vigília, por 7 a 10 dias. As doses valem para adultos com função renal preservada.
O antiviral acelera a cicatrização, reduz a intensidade e a duração da neurite aguda e a formação de novas vesículas, e o benefício pesa mais acima dos 50 anos. Depois das 72 horas, o tratamento ainda deve ser considerado em quem tem mais de 65 anos, novas lesões surgindo, acometimento do ramo oftálmico do trigêmeo ou imunossupressão. Valaciclovir e famciclovir costumam ser preferidos pela maior biodisponibilidade oral, que permite menos tomadas.
O herpes-zóster disseminado, com mais de 20 vesículas fora do dermátomo primário e dos adjacentes, o acometimento neurológico, ocular ou visceral e a imunossupressão celular relevante pedem internação imediata, isolamento de contato e respiratório e aciclovir intravenoso, em geral 10 mg/kg a cada 8 horas, com ajuste pela função renal e hidratação adequada.
A dor aguda é tratada com analgésicos simples, anti-inflamatórios e, se preciso, opioides. O corticoide fica fora da rotina: a apostila mostra a controvérsia e a exceção da síndrome de Ramsay Hunt, em que muitos especialistas associam glicocorticoide ao antiviral para melhorar a recuperação da paralisia facial. No herpes-zóster oftálmico, o antiviral é sistêmico, nunca apenas tópico.
Comparativo
Nariz, ouvido, sistema nervoso e vísceras concentram as complicações que a banca cobra. A tabela resume a pista e a conduta de cada uma, como a apostila apresenta.
| Complicação | Estrutura acometida | Pista clínica | Conduta |
|---|---|---|---|
| Herpes-zóster oftálmico | Ramo V1 do trigêmeo; nervo nasociliar no sinal de Hutchinson | Vesículas na ponta, na lateral ou na raiz do nariz; conjuntivite, uveíte, episclerite ou ceratite | Antiviral sistêmico e avaliação oftalmológica urgente |
| Síndrome de Ramsay Hunt | Gânglio geniculado do nervo facial, às vezes com o VIII par | Paralisia facial periférica, otalgia e vesículas no canal auditivo ou no pavilhão | Antiviral, com glicocorticoide associado por muitos especialistas |
| Meningite, encefalite e mielite | Meninges, encéfalo, medula e artérias cerebrais | Cefaleia e irritação meníngea, alteração do estado mental, déficit focal, AVC ou paraparesia | Internação e aciclovir intravenoso; PCR do vírus no líquor |
| Disseminação cutânea e visceral | Pele fora do dermátomo, fígado, pulmão, trato gastrointestinal e pâncreas | Mais de 20 vesículas fora do dermátomo e dos adjacentes; dor abdominal intensa, que pode vir sem exantema | Internação, precaução de contato e aerossóis e aciclovir intravenoso |
| Neuralgia pós-herpética | Fibras aferentes do nervo acometido, inclusive as fibras C | Dor que persiste por 90 dias ou mais após o início do exantema, que pode vir com alodinia | Tópicos na dor localizada; gabapentinoides ou tricíclicos na dor moderada a intensa |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do exantema no dermátomo à prevenção com a vacina.
Vesículas agrupadas sobre base eritematosa, unilaterais, em um ou mais dermátomos adjacentes, com dor em queimação, pontada ou choque que precede o exantema em cerca de 75% dos pacientes. Na apresentação atípica ou complicada, a PCR para o DNA do vírus no material da base da vesícula, no líquido vesicular ou na crosta é o exame de escolha.
Valaciclovir, famciclovir ou aciclovir, nas doses para adultos com função renal preservada. Mesmo depois de 72 horas, considere tratar quem tem mais de 65 anos, novas lesões, acometimento de V1 ou imunossupressão.
Vesícula na ponta, na lateral ou na raiz do nariz é o sinal de Hutchinson e pede avaliação oftalmológica urgente. Paralisia facial periférica com otalgia e vesículas no ouvido fecha a síndrome de Ramsay Hunt, de prognóstico pior que o da paralisia de Bell.
Disseminação cutânea, acometimento neurológico, ocular ou visceral e imunossupressão relevante pedem internação e aciclovir intravenoso de 10 mg/kg a cada 8 horas. O zóster disseminado ou no imunodeprimido fica em precaução de contato e aerossóis, com quarto de pressão negativa e N95, até todas as lesões virarem crosta.
Analgésico simples e anti-inflamatório na fase aguda, opioide se preciso e bloqueio neural em casos refratários selecionados. Dor que persiste por 90 dias ou mais é neuralgia pós-herpética: lidocaína a 5% ou capsaicina na dor localizada e gabapentina, pregabalina ou tricíclicos na dor moderada a intensa.
A profilaxia do contato suscetível é contra a varicela, e a vacina recombinante do zóster não entra como pós-exposição. Ela é feita em duas doses, a partir dos 50 anos ou dos 18 com maior risco, inclusive em quem já teve zóster, depois de pelo menos seis meses do episódio.
Perguntas frequentes
O herpes-zóster resulta da reativação do vírus varicela-zóster que ficou latente nos gânglios sensitivos depois da varicela, quando cai a imunidade celular específica, pela idade, por doenças ou por tratamentos imunossupressores. Quem tem zóster pode transmitir o vírus a uma pessoa suscetível, sobretudo pelo contato com o conteúdo das vesículas, e o que ela desenvolve é varicela.
Sim. Depois da varicela, o vírus fica latente por toda a vida nos neurônios dos gânglios sensitivos, controlado pela imunidade mediada por células T. Quando esse controle falha, o vírus é transportado pelo axônio até a pele e causa o zóster no dermátomo correspondente. A incidência aumenta acentuadamente a partir dos 50 anos.
Pode. A recorrência ocorre em cerca de 1% a 10% dos pacientes, conforme a população e o tempo de seguimento, e é mais frequente em mulheres e em imunocomprometidos. A vacina recombinante pode ser aplicada em quem já teve zóster, depois de pelo menos seis meses do episódio agudo.
Os antivirais por via oral: valaciclovir, famciclovir ou aciclovir, de preferência iniciados em até 72 horas do exantema. No herpes-zóster disseminado, no acometimento neurológico, ocular ou visceral e no imunossuprimido grave, o tratamento é aciclovir intravenoso, em internação. A dor pede analgesia própria, e a neuralgia pós-herpética tem tratamento específico.
Sim, a vacina recombinante adjuvada de subunidade, que usa um antígeno recombinante no lugar do vírus vivo atenuado e pode ser aplicada em imunossuprimidos. No Brasil, é indicada para adultos com 50 anos ou mais e para adultos a partir de 18 anos com maior risco. São duas doses com intervalo de 2 a 6 meses, e a eficácia passa de 90% no imunocompetente com 50 anos ou mais.
É a dor que persiste por pelo menos 90 dias após o início do exantema do herpes-zóster, a complicação que mais cai em prova. Pode vir com alodinia, hiperalgesia, prurido e anestesia dolorosa, e o risco cresce com a idade. O tratamento vai de lidocaína a 5% e capsaicina tópicas a gabapentinoides e tricíclicos.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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