Apostila gratuita · 32 páginas

AVC hemorrágico: hemorragia intracerebral e hemorragia subaracnóidea, do pronto atendimento às complicações

HIC profunda hipertensiva e lobar por angiopatia amiloide, causas secundárias, TC sem contraste e sinal do ponto, alvo de PAS de 140 mmHg, reversão da anticoagulação e indicação cirúrgica. Na HSA, cefaleia em trovoada, punção lombar, Hunt-Hess, WFNS, Fisher, nimodipino e isquemia cerebral tardia. Quatro questões comentadas, entre elas UNIFESP 2025 e IAMSPE 2022.

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Formato
Apostila · 32 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Neurologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de AVC hemorrágico cobre

Os dois compartimentos do AVC hemorrágico, a HIC e a HSA, do diagnóstico no pronto atendimento às complicações na UTI.

  • HIC e HSA lado a lado

    Apresentação clínica, principal causa, exame inicial, alvo de PA sistólica, escalas, conduta específica e complicação típica de cada uma, na tabela do que mais cai em prova.

  • Escalas de gravidade da HSA

    Hunt-Hess e WFNS para a gravidade clínica, Fisher e Fisher modificada para o risco de vasoespasmo, com a frequência de vasoespasmo em cada grau da escala modificada.

  • Quatro questões comentadas

    IAMSPE 2022 sobre o exame inicial, UNIFESP 2025 sobre o manejo da HIC e sobre a síndrome de Terson e USP 2025 modificada sobre nimodipino, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 32 páginas

Primeiro a hemorragia intracerebral, depois a subaracnóidea, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: HIC e HSA lado a lado
  2. 02Dados importantes e epidemiologia
  3. 03HIC primária e secundária, lobar e profunda
  4. 04Apresentação clínica da HIC e tríade de Cushing
  5. 05Arteriopatia hipertensiva: lipo-hialinose e microaneurismas de Charcot-Bouchard
  6. 06Angiopatia amiloide cerebral e critérios de Boston
  7. 07Causas secundárias: malformações vasculares, coagulopatias e fármacos, tumores, trombose venosa cerebral e drogas
  8. 08Diagnóstico: TC sem contraste, angiotomografia, sinal do ponto e ressonância
  9. 09Questão estratégica: diagnóstico de hemorragia intracraniana
  10. 10Manejo agudo da HIC: controle pressórico e outros alvos
  11. 11Reversão da anticoagulação
  12. 12Quando a neurocirurgia deve intervir
  13. 13Questão estratégica: manejo da HIC
  14. 14Hemorragia subaracnóidea: etiologia e fatores de risco
  15. 15Risco de ruptura aneurismática: escore PHASES
  16. 16Quadro clínico da HSA: cefaleia em trovoada, cefaleia sentinela e síndrome de Terson
  17. 17Confirmação do sangramento: TC, punção lombar e xantocromia
  18. 18Fonte do sangramento: angiografia digital e angiotomografia
  19. 19Questão estratégica: diagnóstico de HSA
  20. 20Escalas clínicas e radiológicas: Hunt-Hess, WFNS, Fisher e Fisher modificada
  21. 21Conduta na fase aguda: PA, clipagem ou embolização, hemicraniectomia e DVE
  22. 22Vasoespasmo e isquemia cerebral tardia: Doppler transcraniano, nimodipina e resgate
  23. 23Questão estratégica: manejo da HSA
  24. 24Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre AVC hemorrágico: do pronto atendimento às complicações
Página da apostila: a distribuição da HIC hipertensiva, com putâmen, tálamo, ponte e cerebelo na tomografia e a frequência de cada localização.

O que é hemorragia subaracnóidea?

Hemorragia subaracnóidea (HSA) é o AVC hemorrágico em que o sangue extravasa para o espaço entre a aracnoide e a pia-máter. Na forma não traumática, a principal causa é a ruptura de aneurisma intracraniano sacular, responsável por cerca de 80% a 85% dos casos espontâneos. É o subtipo menos comum de AVC, entre 1% e 6% do total, mas atinge uma população mais jovem e tem mortalidade em 30 dias de aproximadamente 35%.

O quadro clássico é a cefaleia em trovoada, que atinge a intensidade máxima em até 1 minuto e é descrita como a pior da vida, com náuseas e vômitos, rigidez de nuca e, às vezes, perda transitória da consciência. Cerca de 40% dos pacientes chegam lúcidos e sem déficit focal, e a cefaleia sentinela pode anteceder o sangramento em dias ou semanas.

O exame inicial é a TC de crânio sem contraste. Se ela for negativa e a suspeita persistir, a punção lombar é o próximo passo, em busca de xantocromia. Confirmado o sangramento, a angiotomografia costuma ser o primeiro exame vascular, e a angiografia por subtração digital de quatro vasos é o padrão-ouro. Hunt-Hess e WFNS graduam a gravidade clínica; Fisher e Fisher modificada estimam pela tomografia o risco de vasoespasmo.

Na fase aguda, a PAS fica geralmente abaixo de 160 mmHg e o aneurisma deve ser excluído da circulação o mais cedo possível, de preferência em até 24 horas, por clipagem microcirúrgica ou embolização. A nimodipina, 60 mg por via enteral a cada 4 horas durante 21 dias, é o pilar farmacológico da profilaxia da isquemia cerebral tardia, ao lado da manutenção da euvolemia.

Página da apostila AVC hemorrágico: do pronto atendimento às complicações

Comparativo

HIC e HSA: o que muda em cada uma

Os dois tipos de AVC hemorrágico diferem na clínica, na causa, no alvo de pressão e na complicação que a banca cobra.

Comparação entre hemorragia intracerebral e hemorragia subaracnoide. Fonte: apostila Med-Review R1, “AVC hemorrágico: do pronto atendimento às complicações”.
Ponto de comparaçãoHemorragia intracerebral (HIC)Hemorragia subaracnoide (HSA)
Apresentação clínicaDéficit focal súbito, que pode progredir em minutos ou horas com a expansão do hematomaCefaleia em trovoada, a pior da vida, com rigidez de nuca
Principal causaHipertensão nas hemorragias profundas; angiopatia amiloide nas lobares do idosoRuptura de aneurisma sacular
Exame inicialTC de crânio sem contrasteTC sem contraste; se negativa com alta suspeita, punção lombar
Alvo de PA sistólica140 mmHg, na faixa de 130 a 150, idealmente na primeira hora, se a PAS estiver entre 150 e 220Abaixo de 160 mmHg, evitando hipotensão
Conduta específicaReversão de anticoagulantes e avaliação neurocirúrgica na hemorragia cerebelarNimodipino 60 mg a cada 4 horas por 21 dias e exclusão precoce do aneurisma
Complicação típicaExpansão do hematoma, prevista pelo sinal do ponto na angio-TCVasoespasmo, isquemia cerebral tardia e hidrocefalia

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o AVC hemorrágico na emergência, passo a passo

O raciocínio da apostila, da tomografia à vigilância do vasoespasmo.

  1. Confirme com TC sem contraste

    O quadro pode ser indistinguível do AVC isquêmico, e a neuroimagem é obrigatória. A TC sem contraste é rápida, disponível e sensível ao sangue agudo, que aparece hiperdenso.

  2. Procure a causa e o sinal do ponto

    A angiotomografia identifica aneurismas, MAV e fístulas e é recomendada na HIC lobar abaixo de 70 anos, na profunda ou de fossa posterior abaixo de 45 e na profunda ou de fossa posterior entre 45 e 70 anos sem história de hipertensão. O sinal do ponto prevê expansão precoce do hematoma.

  3. Na HIC, baixe a PA sem hipotensão

    Com PAS entre 150 e 220 mmHg, o alvo é 140 mmHg, na faixa de 130 a 150, idealmente na primeira hora. Reduzir abaixo de 130 não é recomendado, e acima de 220 a redução é cautelosa e individualizada.

  4. Reverta a anticoagulação

    Na varfarina, complexo protrombínico de quatro fatores, 25 a 50 U/kg, com vitamina K 10 mg IV, buscando RNI abaixo de 1,3 ou 1,5. O idarucizumabe reverte a dabigatrana, e o andexanet alfa, os inibidores do fator Xa.

  5. Na HSA, previna ressangramento e isquemia

    PAS geralmente abaixo de 160 mmHg, exclusão do aneurisma de preferência em até 24 horas e nimodipina enteral, 60 mg a cada 4 horas por 21 dias, iniciada em até 96 horas. Mantenha a euvolemia e evite a hipovolemia.

  6. Vigie o vasoespasmo

    Avaliação neurológica a cada 1 a 2 horas e Doppler transcraniano seriado; velocidade média na artéria cerebral média ≥ 200 cm/s indica vasoespasmo grave. Na deterioração por isquemia tardia, hipertensão induzida e, sem resposta, terapia endovascular de resgate.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre AVC hemorrágico na prova

O que é um AVC hemorrágico?

É o sangramento agudo e espontâneo no interior do crânio. Divide-se em hemorragia intracerebral, com sangue no parênquima, e hemorragia subaracnóidea, com sangue entre a aracnoide e a pia-máter. Responde por cerca de 15% a 30% dos AVCs, com mortalidade e morbidade maiores que as do isquêmico.

Qual a diferença entre AVC hemorrágico e isquêmico?

Na HIC, o déficit pode progredir em minutos ou horas à medida que o hematoma cresce; no AVC isquêmico embólico, costuma ser máximo desde o início. PA muito elevada e uso de anticoagulante aumentam a suspeita de sangramento, mas não bastam para distinguir. A TC sem contraste, em que o sangue agudo aparece hiperdenso, faz a diferenciação.

O que pode causar um AVC hemorrágico?

Na HIC primária, a arteriopatia hipertensiva, nas hemorragias profundas, e a angiopatia amiloide cerebral, nas lobares de idosos. As causas secundárias incluem MAV, cavernomas, tumores e metástases, coagulopatias e anticoagulantes, trombose venosa cerebral e drogas simpaticomiméticas, como cocaína e anfetaminas. Na HSA não traumática, a principal causa é a ruptura de aneurisma sacular.

Quais os sintomas da hemorragia subaracnoide?

Cefaleia súbita em trovoada, náuseas e vômitos em 61% dos pacientes, dor cervical ou rigidez de nuca em 75% e perda transitória da consciência em 9%. Nos casos graves, coma, convulsões e morte súbita. A paralisia do III par com acometimento pupilar sugere aneurisma da comunicante posterior, e a síndrome de Terson, uma hemorragia intraocular, é descrita em até cerca de 40% dos casos.

Como o AVC hemorrágico aparece na TC?

O sangue agudo aparece hiperdenso na TC sem contraste, com atenuação que depende do hematócrito e da hemoglobina. Na HSA, a sensibilidade é máxima nas primeiras horas e cai à medida que o sangue fica isodenso ao parênquima; anemia com hematócrito abaixo de 30% também atrapalha. Por isso, TC normal com suspeita alta pede punção lombar.

Quando o AVC hemorrágico precisa de cirurgia?

A maioria das HICs supratentoriais é manejada clinicamente. A cirurgia costuma ser indicada no hematoma cerebelar volumoso, na compressão do tronco encefálico ou hidrocefalia obstrutiva e na deterioração neurológica progressiva. Na HSA, o aneurisma é excluído da circulação por clipagem ou embolização, e a DVE é indicada com urgência na hidrocefalia aguda sintomática.

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    Clínica Médica

    Raquel Khoury

    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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