Mutação Glu6Val, herança autossômica recessiva e aconselhamento genético, padrões FA, FAS e FS no teste do pezinho, eletroforese de hemoglobinas, vaso-oclusão e hemólise, crise álgica, síndrome torácica aguda, febre, sequestro esplênico, crise aplásica, AVC, priapismo, osteonecrose, osteomielite, terapia transfusional e cuidados crônicos. Onze questões autorais comentadas.
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Para que serve
Da mutação na beta-globina às emergências do pronto-socorro e ao seguimento ambulatorial, com o que cai em clínica médica e em pediatria.
Padrões FA, FAS e FS na triagem neonatal por HPLC ou focalização isoelétrica, a diferença entre traço e doença falciforme, aconselhamento genético e o hemograma da anemia hemolítica crônica.
Crise álgica com opioide parenteral nos primeiros 30 a 60 minutos, síndrome torácica aguda com cobertura de típicos e atípicos, febre com antibiótico idealmente em até 30 minutos, sequestro esplênico, crise aplásica, AVC e priapismo.
Uma por tema, da genética à osteomielite, com casos de síndrome torácica aguda, sequestro esplênico, crise aplásica e AVC, cada uma com gabarito e comentário.
Sumário
Da genética ao seguimento ambulatorial, passando por cada complicação aguda, na ordem em que a apostila ensina.
Síndrome torácica aguda (STA) é a complicação pulmonar da doença falciforme definida por imagem pulmonar nova, na radiografia, no ultrassom ou na tomografia de tórax, envolvendo pelo menos um segmento e não explicada só por atelectasia, associada a febre acima de 38,5 °C, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemia. É a principal causa de morte em adultos com doença falciforme e um dos maiores motivos de internação em UTI.
A base é a vaso-oclusão na microvasculatura pulmonar, com três gatilhos principais: infecção, o mais comum em crianças, por vírus, atípicos como Mycoplasma e Chlamydia ou pneumococo; embolia gordurosa da medula óssea necrosada durante a crise álgica; e hipoventilação com atelectasia por dor torácica ou excesso de opioide. Metade dos pacientes já estava internada por outro motivo, em geral uma crise vaso-oclusiva.
Nas crianças, predominam febre, tosse e chiado, com infiltrado nos lobos superiores ou médios; nos adultos, dor torácica, dispneia e doença multilobar nas bases, às vezes com derrame pleural. Distinguir STA de pneumonia pela clínica é virtualmente impossível, por isso todo paciente com STA recebe antibiótico.
O tratamento combina oxigênio só na hipoxemia, com alvo de 95% a 98%, analgesia com opioide, espirometria de incentivo, cefalosporina de 3ª geração ou penicilina associada a macrolídeo e hidratação de manutenção. A transfusão simples entra na queda da hemoglobina ou na anemia sintomática, e a exsanguineotransfusão é o resgate da STA grave.
Comparativo
Diante do paciente falciforme no pronto-socorro, a pergunta é qual complicação aguda ele está desenvolvendo. A tabela junta o reconhecimento e a conduta que a apostila associa a cada uma.
| Complicação | Como reconhecer | Conduta |
|---|---|---|
| Crise álgica vaso-oclusiva | Dor em extremidades, dorso, tórax ou abdome; o diagnóstico é clínico e vale a nota que o paciente dá à dor | Opioide parenteral nos primeiros 30 a 60 minutos na dor grave, hidratação de manutenção e nunca gelo |
| Síndrome torácica aguda | Imagem pulmonar nova com febre, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemia | Cefalosporina de 3ª geração ou penicilina com macrolídeo, espirometria de incentivo e transfusão conforme a gravidade |
| Febre | Muitas vezes sem foco, com risco de bacteremia pneumocócica, sobretudo abaixo de 5 anos | Exames imediatos e antibiótico parenteral idealmente em até 30 minutos, com internação da criança pequena |
| Sequestro esplênico | Criança menor de 5 anos com palidez súbita, choque, baço aumentado e reticulocitose | Expansão volêmica e transfusão simples em volume pequeno, sem normalizar a hemoglobina |
| Crise aplásica | Anemia aguda com baço habitual e reticulocitopenia, pelo parvovírus B19 | Transfusão simples até cerca de 9 g/dL e isolamento de gotículas |
| AVC | Déficit focal agudo; na criança, pico entre 2 e 5 anos e evento predominantemente isquêmico | Exsanguineotransfusão para HbS abaixo de 30%, idealmente nas primeiras 2 horas |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O checklist da apostila, da suspeita à transfusão.
Metade das STAs surge em quem já está internado, em geral por crise vaso-oclusiva. Febre, dor no peito e queda da saturação dias depois da internação pedem nova imagem de tórax.
Imagem pulmonar nova em pelo menos um segmento, que não seja atelectasia isolada, com febre acima de 38,5 °C, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemia, definida por queda de mais de 2% na saturação basal ou PaO2 abaixo de 60 mmHg. O ultrassom à beira-leito pode mostrar a consolidação antes da radiografia.
Como não se distingue STA de pneumonia pela clínica, todo paciente recebe cefalosporina de 3ª geração, como ceftriaxona, ou penicilina, associada a macrolídeo, como azitromicina. Dor torácica súbita com instabilidade inexplicada pede angio-TC para embolia pulmonar.
Oxigênio só na hipoxemia, com alvo entre 95% e 98%, e VNI precoce nos casos graves. Opioide com dose controlada para não deprimir a respiração e espirometria de incentivo a cada 2 horas enquanto o paciente estiver acordado.
A hidratação é de manutenção, com o paciente euvolêmico. Na STA, os capilares pulmonares estão lesados, e o excesso de fluidos vai para os alvéolos, causa edema pulmonar e piora a hipóxia.
Transfusão simples na queda da hemoglobina ou na anemia sintomática. Exsanguineotransfusão na progressão rápida, na hipoxemia refratária com SatO2 abaixo de 90% apesar do oxigênio, no comprometimento multilobar ou na falência de órgãos.
Perguntas frequentes
É a forma homozigota, HbSS, da doença falciforme: o paciente herda o gene S do pai e da mãe e produz só HbS, com um pouco de hemoglobina fetal residual. A mutação troca ácido glutâmico por valina na sexta posição da cadeia beta. É a forma mais comum e de quadro mais grave; doença falciforme é o termo guarda-chuva que inclui também HbSC, HbSD e HbS-beta-talassemia.
É o heterozigoto HbAS, com um gene normal e um mutado. A HbA produzida basta para impedir a falcização na imensa maioria das situações, e o traço não é doença falciforme. No teste do pezinho aparece como padrão FAS, e a conduta é tranquilizar os pais e oferecer aconselhamento genético.
A anemia falciforme, HbSS, é o protótipo e a forma mais grave. As heterozigoses compostas, como HbSC, HbSD e HbS-beta-talassemia, herdam o gene S de um dos pais e outra mutação do outro, com quadro variável, em geral um pouco mais brando. Codócitos são comuns na HbSC e na S-beta-talassemia.
Anemia normocítica e normocrômica, reticulocitose e RDW aumentado, sem microcitose pela doença em si. No esfregaço, drepanócitos, o achado patognomônico, e corpos de Howell-Jolly, que indicam asplenia funcional. A confirmação é pela eletroforese de hemoglobinas.
No recém-nascido, pelo teste do pezinho com HPLC ou focalização isoelétrica, que enxergam a HbS em meio à hemoglobina fetal: padrão FS indica doença falciforme, e FAS, traço. Em crianças maiores e adultos, a eletroforese de hemoglobinas convencional resolve, e a biologia molecular fica para genótipos complexos.
É a síndrome mão-pé: pequenos infartos nos ossos das mãos e dos pés causam inchaço doloroso, quente e limitante no dorso das extremidades. Costuma ser a primeira manifestação da doença em lactentes, geralmente antes dos 2 anos.
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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