Apostila gratuita · 70 páginas

Doença falciforme: diagnóstico, crise álgica, síndrome torácica aguda e as demais complicações

Mutação Glu6Val, herança autossômica recessiva e aconselhamento genético, padrões FA, FAS e FS no teste do pezinho, eletroforese de hemoglobinas, vaso-oclusão e hemólise, crise álgica, síndrome torácica aguda, febre, sequestro esplênico, crise aplásica, AVC, priapismo, osteonecrose, osteomielite, terapia transfusional e cuidados crônicos. Onze questões autorais comentadas.

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Formato
Apostila · 70 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Hematologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de doença falciforme cobre

Da mutação na beta-globina às emergências do pronto-socorro e ao seguimento ambulatorial, com o que cai em clínica médica e em pediatria.

  • Do teste do pezinho à eletroforese

    Padrões FA, FAS e FS na triagem neonatal por HPLC ou focalização isoelétrica, a diferença entre traço e doença falciforme, aconselhamento genético e o hemograma da anemia hemolítica crônica.

  • Emergências com conduta pronta

    Crise álgica com opioide parenteral nos primeiros 30 a 60 minutos, síndrome torácica aguda com cobertura de típicos e atípicos, febre com antibiótico idealmente em até 30 minutos, sequestro esplênico, crise aplásica, AVC e priapismo.

  • Onze questões autorais comentadas

    Uma por tema, da genética à osteomielite, com casos de síndrome torácica aguda, sequestro esplênico, crise aplásica e AVC, cada uma com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 70 páginas

Da genética ao seguimento ambulatorial, passando por cada complicação aguda, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: o mapa de prioridades
  2. 02Contexto clínico e por que o tema cai tanto
  3. 03Genética: a mutação da beta-globina e a herança autossômica recessiva
  4. 04Aconselhamento genético e probabilidade
  5. 05Diagnóstico: teste do pezinho, eletroforese, hemograma e esfregaço
  6. 06Fisiopatologia: polimerização da HbS, vaso-oclusão, hemólise e óxido nítrico
  7. 07Complicações agudas e crônicas: o mapa do estrago
  8. 08Crise álgica vaso-oclusiva
  9. 09Síndrome torácica aguda
  10. 10Febre e infecção
  11. 11Queda aguda da hemoglobina e crise de sequestro esplênico
  12. 12Crise aplásica
  13. 13Acidente vascular cerebral e Doppler transcraniano
  14. 14Priapismo
  15. 15Complicações osteomusculares e osteonecrose do quadril
  16. 16Osteomielite e artrite séptica
  17. 17Terapia transfusional: transfusão simples e exsanguineotransfusão
  18. 18Cuidados crônicos e prevenção: vacinas, penicilina, Doppler, hidroxiureia, ácido fólico e transplante
  19. 19Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Doença falciforme: diagnóstico, complicações e manejo
Página da apostila: os padrões FA, FAS e FS do teste do pezinho, os métodos da triagem neonatal e o diagnóstico tardio pela eletroforese de hemoglobina.

O que é síndrome torácica aguda?

Síndrome torácica aguda (STA) é a complicação pulmonar da doença falciforme definida por imagem pulmonar nova, na radiografia, no ultrassom ou na tomografia de tórax, envolvendo pelo menos um segmento e não explicada só por atelectasia, associada a febre acima de 38,5 °C, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemia. É a principal causa de morte em adultos com doença falciforme e um dos maiores motivos de internação em UTI.

A base é a vaso-oclusão na microvasculatura pulmonar, com três gatilhos principais: infecção, o mais comum em crianças, por vírus, atípicos como Mycoplasma e Chlamydia ou pneumococo; embolia gordurosa da medula óssea necrosada durante a crise álgica; e hipoventilação com atelectasia por dor torácica ou excesso de opioide. Metade dos pacientes já estava internada por outro motivo, em geral uma crise vaso-oclusiva.

Nas crianças, predominam febre, tosse e chiado, com infiltrado nos lobos superiores ou médios; nos adultos, dor torácica, dispneia e doença multilobar nas bases, às vezes com derrame pleural. Distinguir STA de pneumonia pela clínica é virtualmente impossível, por isso todo paciente com STA recebe antibiótico.

O tratamento combina oxigênio só na hipoxemia, com alvo de 95% a 98%, analgesia com opioide, espirometria de incentivo, cefalosporina de 3ª geração ou penicilina associada a macrolídeo e hidratação de manutenção. A transfusão simples entra na queda da hemoglobina ou na anemia sintomática, e a exsanguineotransfusão é o resgate da STA grave.

Página da apostila Doença falciforme: diagnóstico, complicações e manejo

Comparativo

Complicações agudas da doença falciforme e a conduta de cada uma

Diante do paciente falciforme no pronto-socorro, a pergunta é qual complicação aguda ele está desenvolvendo. A tabela junta o reconhecimento e a conduta que a apostila associa a cada uma.

Seis complicações agudas da doença falciforme, como reconhecer e a conduta. Fonte: apostila Med-Review R1, “Doença falciforme: diagnóstico, complicações e manejo”.
ComplicaçãoComo reconhecerConduta
Crise álgica vaso-oclusivaDor em extremidades, dorso, tórax ou abdome; o diagnóstico é clínico e vale a nota que o paciente dá à dorOpioide parenteral nos primeiros 30 a 60 minutos na dor grave, hidratação de manutenção e nunca gelo
Síndrome torácica agudaImagem pulmonar nova com febre, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemiaCefalosporina de 3ª geração ou penicilina com macrolídeo, espirometria de incentivo e transfusão conforme a gravidade
FebreMuitas vezes sem foco, com risco de bacteremia pneumocócica, sobretudo abaixo de 5 anosExames imediatos e antibiótico parenteral idealmente em até 30 minutos, com internação da criança pequena
Sequestro esplênicoCriança menor de 5 anos com palidez súbita, choque, baço aumentado e reticulocitoseExpansão volêmica e transfusão simples em volume pequeno, sem normalizar a hemoglobina
Crise aplásicaAnemia aguda com baço habitual e reticulocitopenia, pelo parvovírus B19Transfusão simples até cerca de 9 g/dL e isolamento de gotículas
AVCDéficit focal agudo; na criança, pico entre 2 e 5 anos e evento predominantemente isquêmicoExsanguineotransfusão para HbS abaixo de 30%, idealmente nas primeiras 2 horas

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir a síndrome torácica aguda, passo a passo

O checklist da apostila, da suspeita à transfusão.

  1. Desconfie no paciente internado

    Metade das STAs surge em quem já está internado, em geral por crise vaso-oclusiva. Febre, dor no peito e queda da saturação dias depois da internação pedem nova imagem de tórax.

  2. Confirme pelos critérios

    Imagem pulmonar nova em pelo menos um segmento, que não seja atelectasia isolada, com febre acima de 38,5 °C, dor torácica, sintomas respiratórios ou hipoxemia, definida por queda de mais de 2% na saturação basal ou PaO2 abaixo de 60 mmHg. O ultrassom à beira-leito pode mostrar a consolidação antes da radiografia.

  3. Cubra típicos e atípicos

    Como não se distingue STA de pneumonia pela clínica, todo paciente recebe cefalosporina de 3ª geração, como ceftriaxona, ou penicilina, associada a macrolídeo, como azitromicina. Dor torácica súbita com instabilidade inexplicada pede angio-TC para embolia pulmonar.

  4. Oxigene, analgesie e expanda o pulmão

    Oxigênio só na hipoxemia, com alvo entre 95% e 98%, e VNI precoce nos casos graves. Opioide com dose controlada para não deprimir a respiração e espirometria de incentivo a cada 2 horas enquanto o paciente estiver acordado.

  5. Hidrate sem hiper-hidratar

    A hidratação é de manutenção, com o paciente euvolêmico. Na STA, os capilares pulmonares estão lesados, e o excesso de fluidos vai para os alvéolos, causa edema pulmonar e piora a hipóxia.

  6. Transfunda conforme a gravidade

    Transfusão simples na queda da hemoglobina ou na anemia sintomática. Exsanguineotransfusão na progressão rápida, na hipoxemia refratária com SatO2 abaixo de 90% apesar do oxigênio, no comprometimento multilobar ou na falência de órgãos.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre doença falciforme na prova

O que é anemia falciforme?

É a forma homozigota, HbSS, da doença falciforme: o paciente herda o gene S do pai e da mãe e produz só HbS, com um pouco de hemoglobina fetal residual. A mutação troca ácido glutâmico por valina na sexta posição da cadeia beta. É a forma mais comum e de quadro mais grave; doença falciforme é o termo guarda-chuva que inclui também HbSC, HbSD e HbS-beta-talassemia.

O que é traço falciforme?

É o heterozigoto HbAS, com um gene normal e um mutado. A HbA produzida basta para impedir a falcização na imensa maioria das situações, e o traço não é doença falciforme. No teste do pezinho aparece como padrão FAS, e a conduta é tranquilizar os pais e oferecer aconselhamento genético.

Quais são os tipos de doença falciforme?

A anemia falciforme, HbSS, é o protótipo e a forma mais grave. As heterozigoses compostas, como HbSC, HbSD e HbS-beta-talassemia, herdam o gene S de um dos pais e outra mutação do outro, com quadro variável, em geral um pouco mais brando. Codócitos são comuns na HbSC e na S-beta-talassemia.

Como identificar a anemia falciforme no hemograma?

Anemia normocítica e normocrômica, reticulocitose e RDW aumentado, sem microcitose pela doença em si. No esfregaço, drepanócitos, o achado patognomônico, e corpos de Howell-Jolly, que indicam asplenia funcional. A confirmação é pela eletroforese de hemoglobinas.

Como é feito o diagnóstico da anemia falciforme?

No recém-nascido, pelo teste do pezinho com HPLC ou focalização isoelétrica, que enxergam a HbS em meio à hemoglobina fetal: padrão FS indica doença falciforme, e FAS, traço. Em crianças maiores e adultos, a eletroforese de hemoglobinas convencional resolve, e a biologia molecular fica para genótipos complexos.

O que é dactilite?

É a síndrome mão-pé: pequenos infartos nos ossos das mãos e dos pés causam inchaço doloroso, quente e limitante no dorso das extremidades. Costuma ser a primeira manifestação da doença em lactentes, geralmente antes dos 2 anos.

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  • Raquel Khoury

    Clínica Médica

    Raquel Khoury

    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

  • Juliana Lacerda

    Clínica Médica

    Juliana Lacerda

    Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

  • Diego Luz

    Clínica Médica

    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

  • Tiarlles Miller

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    Tiarlles Miller

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

  • Davi Khoury

    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

    Cirurgia Geral

    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

    Pediatria

    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

    Pediatria

    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

  • Natalia Cardin

    Medicina Preventiva

    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

    Oftalmologia

    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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