Apostila gratuita · 15 páginas

Albinismo ocular, toxicidade retiniana e trauma

Albinismo oculocutâneo e ocular, doenças lisossomais com mácula em cereja, toxicidade e rastreio da cloroquina e da hidroxicloroquina, fenotiazinas, tamoxifeno, inibidores da MEK e as retinopatias do trauma contuso e penetrante. Seis questões do CBO comentadas, de 2014 a 2024.

PDF de 2,8 MB. Gratuito.

Capa da apostila Albinismo ocular, toxicidade retiniana por drogas e retinopatias traumáticas em um tablet
Formato
Apostila · 15 páginas
Área da prova
Retina e vítreo · Doenças sistêmicas
Produzido por
Equipe Oft-Review
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de albinismo ocular e toxicidade retiniana cobre

Das degenerações retinianas das doenças sistêmicas às retinopatias traumáticas, com os critérios e as condutas que as questões do CBO comentadas no capítulo cobram.

  • Albinismo e doenças lisossomais

    Albinismo oculocutâneo e ocular com a herança de cada forma, albinoidismo, tirosinase positivo e negativo, Chédiak-Higashi, Hermansky-Pudlak, Tay-Sachs, Gaucher, Niemann-Pick e incontinentia pigmenti.

  • Hidroxicloroquina com doses e rastreio

    Doses de risco pelo peso real, dose cumulativa, screening anual com OCT SD e CV 10-2 após 5 anos, sinal do disco voador e as drogas que causam oclusão vascular, edema macular e cristais na retina.

  • Seis questões do CBO comentadas

    CBO 2014, 2016, 2022, 2023 e 2024, com gabarito e comentário: pioglitazona, edema de Berlin, bull’s eye, fagocitose do EPR, tamoxifeno e rotura de coroide, mais dois quadros da Coleção CBO 2023.

Sumário

O que tem dentro das 15 páginas

As seções na ordem do capítulo, do albinismo às questões comentadas.

  1. 01Albinismo oculocutâneo e albinismo ocular: herança e clínica
  2. 02Chédiak-Higashi e Hermansky-Pudlak
  3. 03Desordens do metabolismo lisossomal: Tay-Sachs, Gaucher e Niemann-Pick
  4. 04Incontinentia pigmenti (síndrome de Bloch-Sulzberger)
  5. 05Cloroquina e hidroxicloroquina: mecanismo, sinais, fatores de risco e screening
  6. 06Fenotiazinas: clorpromazina e tioridazina
  7. 07Inibidores da MEK: descolamentos serosos e diferencial com a central serosa
  8. 08Drogas causando retinopatia oclusiva: interferon-α-2a, aminoglicosídeos intraoculares e vancomicina intracameral
  9. 09Drogas causando edema macular: taxanes, ácido nicotínico e glitazonas
  10. 10Drogas causando retinopatia cristalina: tamoxifeno e cantaxantinas
  11. 11Outras drogas: sildenafil, tadalafil e poppers
  12. 12Commotio retinae, rotura de coroide e buraco macular traumático
  13. 13Coriorretinite esclopetária
  14. 14Corpo estranho intraocular e siderosis bulbi
  15. 15Retinopatia solar
  16. 16Aprendendo com questões: CBO 2014, 2016, 2022, 2023 e 2024
Página interna da apostila sobre Albinismo ocular, toxicidade retiniana por drogas e retinopatias traumáticas
Página da apostila: fatores de risco e screening da toxicidade por cloroquina e hidroxicloroquina, com a maculopatia em bull’s eye na retinografia, na autofluorescência e no OCT.

O que é albinismo ocular?

Albinismo ocular é a forma de albinismo em que a redução da melanina fica restrita ao olho, com pele e pelos de pigmentação normal e herança ligada ao X. No oculocutâneo, autossômico recessivo, a redução atinge também a pele e os pelos. O albinismo verdadeiro cursa em geral com acuidade visual subnormal congênita, entre 20/100 e 20/400, e nistagmo.

Fenótipo semelhante, com acuidade visual normal ou quase normal e sem nistagmo, define o albinoidismo. Albinismo verdadeiro e albinoidismo têm em comum fotofobia, hipopigmentação do fundo de olho e transiluminação iriana. Nas figuras do capítulo, a falta de pigmento do EPR deixa visíveis os vasos da coroide, e outra imagem mostra hipoplasia e ausência da depressão foveal.

A classificação por tirosinase segue a presença da enzima responsável pela síntese da melanina: o albino tirosinase negativo tem ausência completa de melanina, e o tirosinase positivo, algum grau de pigmentação. Duas formas de albinismo oculocutâneo são potencialmente letais: Chédiak-Higashi, com neutropenia, susceptibilidade a infecções e plaquetopenia, e Hermansky-Pudlak, com plaquetopenia, sangramentos e hematomas.

A mesma seção traz as doenças de depósito lisossomal que cursam com mácula em cereja. Na doença de Tay-Sachs, a deficiência da subunidade A da hexosaminidase A acumula gangliosídeos nas células ganglionares; a doença de Gaucher pode dar mácula em cereja ou lesões brancas superficiais na média periferia. Na Niemann-Pick, o tipo A tem mácula em cereja em 50% dos casos, e o tipo B, halo macular.

A incontinentia pigmenti, ou síndrome de Bloch-Sulzberger, é ligada ao X e acomete só o sexo feminino, porque é letal no masculino. Um terço dos casos tem alterações oculares: alterações pigmentares na retina, não perfusão periférica, neovascularização e descolamento tracional, quadro que entra no diagnóstico diferencial da retinopatia da prematuridade.

Comparativo

Albinismo ocular e outras degenerações retinianas das doenças sistêmicas

A base genética ou metabólica, a manifestação ocular e a associação sistêmica ou o diferencial de cada condição da seção 1 do capítulo.

Albinismo, doenças de depósito lisossomal e incontinentia pigmenti, na ordem da apostila. Fonte: apostila Oft-Review, “Albinismo ocular, toxicidade retiniana por drogas e retinopatias traumáticas”.
CondiçãoBase genética ou metabólicaManifestação ocularAssociação sistêmica ou diferencial
Albinismo oculocutâneoHerança autossômica recessiva; tirosinase negativo (sem melanina) ou positivo (algum grau de pigmentação)Fundo hipopigmentado com vasos da coroide visíveis, transiluminação iriana e hipoplasia fovealRedução da melanina também na pele e nos pelos
Albinismo ocularHerança ligada ao XRedução da melanina ocular, com fotofobia, fundo hipopigmentado e transiluminação irianaPele e pelos com pigmentação normal
AlbinoidismoFenótipo semelhante ao do albinismoAcuidade visual normal ou quase normal, sem nistagmo; fotofobia, fundo hipopigmentado e transiluminação irianaDiferencial do albinismo verdadeiro, que tem acuidade de 20/100 a 20/400 e nistagmo
Chédiak-Higashi e Hermansky-PudlakFormas de albinismo oculocutâneoQuadro ocular do albinismoChédiak-Higashi: neutropenia, infecções e plaquetopenia; Hermansky-Pudlak: plaquetopenia, sangramentos e hematomas; ambas potencialmente letais
Tay-Sachs (gangliosidose tipo I)Deficiência da subunidade A da hexosaminidase AMácula em cereja pelo acúmulo de gangliosídeos nas células ganglionaresCegueira, disfunção cognitiva e morte, em geral entre 2 e 5 anos
Doença de GaucherDepósitos de glucosilceramidaMácula em cereja ou lesões brancas superficiais na média periferiaDepósitos também no fígado, baço, linfonodos, pele e ossos
Doença de Niemann-PickDeficiência ou ausência de esfingomielinasesTipo A: mácula em cereja em 50% dos casos; tipo B: halo macularTipo A com lesão do sistema nervoso central; o tipo B não afeta o sistema nervoso central
Incontinentia pigmentiLigada ao X; só no sexo feminino, letal no masculinoEm 1/3 dos casos: alterações pigmentares, não perfusão periférica, neovascularização e descolamento tracionalAlterações cutâneas, dentárias e do sistema nervoso central; diferencial com a ROP

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como rastrear a toxicidade por hidroxicloroquina, passo a passo

O screening da cloroquina e da hidroxicloroquina na ordem da apostila, da avaliação de base à suspensão da droga.

  1. Faça o exame de base

    Antes de iniciar cloroquina ou hidroxicloroquina, o paciente faz exame oftalmológico completo. A droga, usada como antimalárico e em doenças reumatológicas e dermatológicas, acumula-se no EPR ligada à melanina, e a maculopatia pode progredir mesmo após a suspensão.

  2. Calcule a dose pelo peso real

    O risco sobe com dose acima de 5,0 mg/kg/dia de hidroxicloroquina ou de 2,3 mg/kg/dia de cloroquina, calculada pelo peso real do paciente, e com dose cumulativa total acima de 1.000 g de hidroxicloroquina ou de 460 g de cloroquina.

  3. Some os demais fatores de risco

    Uso por mais de 5 anos, doença renal, uso de tamoxifeno e outra maculopatia associada, como a DMRI, completam os fatores de risco listados no capítulo junto com as doses diária e cumulativa.

  4. Rastreie todo ano a partir de 5 anos

    O screening é anual após 5 anos de uso, com OCT spectral domain e campo visual 10-2. Em pacientes asiáticos, o dano pode começar fora da mácula, e o campo indicado passa a ser o 24-2.

  5. Procure os sinais iniciais

    Os primeiros sinais são perda de campo visual paracentral bilateral e descontinuidade paracentral da zona elipsoide, o sinal do disco voador no OCT, com fundoscopia ainda normal. A atrofia macular em bull’s eye é tardia, e os casos avançados lembram retinose pigmentar.

  6. Complemente nos casos duvidosos

    Autofluorescência e ERG multifocal complementam a avaliação. A Coleção CBO 2023 os cita como testes diagnósticos eficientes, equiparados ao CV 10-2 e ao OCT, e o protocolo proposto em 2020 pelo Royal College of Ophthalmologists começa por OCT e autofluorescência.

  7. Suspenda junto com o clínico assistente

    Na presença de maculopatia, a apostila indica suspender a medicação, desde que haja consentimento do clínico assistente. Os depósitos corneanos da córnea verticillata não causam baixa visual e não exigem suspensão.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre albinismo, toxicidade e trauma retiniano na prova do CBO

Quais doenças lisossomais causam mácula em cereja?

No capítulo, a mácula em cereja aparece em três doenças de depósito lisossomal: Tay-Sachs, pelo acúmulo de gangliosídeos nas células ganglionares; Gaucher, que também pode dar lesões brancas superficiais na média periferia; e Niemann-Pick tipo A, em 50% dos casos. Fora delas, o capítulo descreve o mesmo aspecto no commotio retinae com envolvimento da mácula, com acuidade de até 20/200.

Qual o mecanismo da toxicidade retiniana da cloroquina?

A toxicidade lesa o complexo EPR-fotorreceptor. A droga se acumula no EPR por ligação à melanina, o que prolonga seus efeitos após a suspensão, é diretamente tóxica para o EPR e reduz a fagocitose dos segmentos externos dos fotorreceptores, a alternativa correta no CBO 2022. Na histologia, há perda de EPR e acúmulo de células pigmentadas na retina externa.

Quais drogas causam toxicidade retiniana além da cloroquina?

A apostila agrupa por padrão: tioridazina em altas doses causa retinopatia pigmentar; interferon-α-2a, retinopatia oclusiva; amicacina e gentamicina intraoculares, infarto macular; vancomicina intracameral, HORV; taxanes, ácido nicotínico e glitazonas, edema macular; tamoxifeno e cantaxantinas, retinopatia cristalina. Inibidores da MEK dão descolamentos serosos multicêntricos e bilaterais. No CBO 2014, a pioglitazona é a droga a substituir no edema macular diabético.

Qual a diferença entre edema de Berlin e rotura de coroide?

O edema de Berlin, ou commotio retinae, é uma lesão da retina externa no trauma contuso, com retina esbranquiçada e linha de demarcação nítida; em geral há recuperação visual completa, como cobrou o CBO 2016. A rotura de coroide atinge a membrana de Bruch e o EPR, segue trajeto concêntrico ao nervo óptico e, na fóvea, causa baixa visual definitiva; a complicação mais importante é a neovascularização macular.

Qual a conduta no corpo estranho intraocular?

A tomografia computadorizada é o principal exame; a ultrassonografia fica para olhos sem prejuízo aparente da integridade, e a ressonância magnética é contraindicada pelo risco de CEIO ferromagnético. Identificado cedo, o ideal é a abordagem imediata, pelo risco de infecção. Em quadro tardio sem inflamação, pedra, vidro, porcelana e plástico podem ser acompanhados; metal e vegetal saem o mais rápido possível, em geral por vitrectomia via pars plana.

O que é retinopatia solar?

É o dano fotoquímico da retina pela exposição direta ou indireta à luz solar, sobretudo ultravioleta A e luz azul, como na observação de eclipse. O risco é maior em jovens e em usuários de fotossensibilizantes. Cursa com acuidade entre 20/25 e 20/100, escotoma central e lesão foveal amarelada bilateral; a maioria volta a 20/20 a 20/40, às vezes com escotoma persistente.

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  • USPDr. Daniel Costa

    Especialista pelo CBONota recorde na PNO

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    Dr. Bernardo Moraes

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  • USPUFSCarDra. Ana Letícia Darcie

    Especialista pelo CBO

    Dra. Ana Letícia Darcie

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela USP. Médica no HU-UFSCar. Médica do setor de estrabismo no Hospital das Clínicas da USP.

  • USPDr. Flávio Moura

    Especialista pelo CBO

    Dr. Flávio Moura

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Catarata e Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • UNIFESPDr. Guilherme Macedo

    Especialista pelo CBO

    Dr. Guilherme Macedo

    Oftalmologista pela UNIFESP. Especialista em Uveítes, Retina Clínica, USG e UBM pela EPM/UNIFESP. Orientador do Ambulatório de Uveítes da UNIFESP.

  • USPDr. Iago Bastos

    Especialista pelo CBO

    Dr. Iago Bastos

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Retina pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP. Médico da FFM USP.

  • USPDr. Pedro Henrique Ribeiro

    Especialista pelo CBO

    Dr. Pedro Henrique Ribeiro

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

  • USPUNIFESPDr. Bruno Fortaleza

    Especialista pelo CBO

    Dr. Bruno Fortaleza

    Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

  • UNIFESPDr. Gustavo Samico

    Especialista pelo CBO

    Dr. Gustavo Samico

    Médico oftalmologista, especialista em Glaucoma e Neuro-Oftalmologia pela UNIFESP. Fellowship em Glaucoma pelo Bascom Palmer Eye Institute, o melhor hospital de oftalmologia do mundo.

  • UNIFESPDr. Lucas Pereira

    Especialista pelo CBO

    Dr. Lucas Pereira

    Oftalmologista pela UNIFESP. Quinto colocado na PNO de 2025. R4 em Retina Clínica, Úvea e Ultrassonografia Ocular na UNIFESP.

  • USPDra. Marianna Hollaender

    Especialista pelo CBO

    Dra. Marianna Hollaender

    Médica pela USP. Oftalmologista pela USP. Especialista em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa pela USP. 4ª colocada na PNO 2019.

  • USPDr. João Lucas Libório

    Especialista pelo CBO

    Dr. João Lucas Libório

    Médico Oftalmologista pela USP. Fellowship em Plástica Ocular pela USP. Coordenador do curso Pálpebras 360°.

  • USPDra. Renata Maia

    Especialista pelo CBO

    Dra. Renata Maia

    Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

  • UNIFESPDr. Ugor Fernandes

    Especialista pelo CBO

    Dr. Ugor Fernandes

    Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.

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