Membrana epirretiniana, síndrome de tração vitreomacular e buraco macular idiopático: sinais de fundo de olho e OCT, classificação de Gass e por tamanho, indicação de vitrectomia, corantes para MLI e MER e seis questões comentadas do CBO.
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Para que serve
As três doenças da interface vitreorretiniana com tratamento por vitrectomia via pars plana, do fundo de olho à conduta, com as questões do CBO dentro do capítulo.
Membrana em celofane, pucker macular, pseudoburaco, adesão e tração vitreomacular focal ou difusa, buraco lamelar e buraco de espessura total, com os sinais de fundo de olho e OCT de cada quadro e o sinal de Watzke-Allen.
Estágios 1a, 1b, 2, 3 e 4, com o corte de 400 µm entre os estágios 2 e 3 e a posição da hialoide posterior em cada um, mais a classificação por tamanho em pequeno, médio e grande.
CBO 2012, 2014, 2015, 2024 e duas de 2023, com gabarito e comentário, incluindo a foto de peeling de MER e o B-scan de OCT de buraco macular cobrados na prova.
Sumário
Da membrana em celofane ao buraco macular estágio 4, com corantes e questões no fim, na ordem do capítulo do livro Retina, vítreo e genética.
A membrana epirretiniana é uma membrana transparente, avascular e fibrocelular que prolifera sobre a membrana limitante interna da retina, no polo posterior, a partir de hialócitos e células gliais. No OCT, aparece em geral como membrana hiperrefletiva pré-retiniana, com pregueamento da retina interna, perda da depressão foveal e espessamento retiniano.
A MER, também grafada membrana epiretiniana, está presente em 2% das pessoas acima de 50 anos e em 20% acima de 75 anos, sem diferença entre os sexos, e é bilateral em 10-20% dos casos. A idade é fator de risco importante da forma idiopática; as secundárias vêm de uveíte, hemorragia vítrea, descolamento de retina, fotocoagulação, crioterapia e retinopatia diabética. O descolamento do vítreo posterior está presente em praticamente todos os olhos com MER.
A membrana começa transparente e brilhante, a membrana em celofane, e com o avanço espessa a fóvea, pode retificar os vasos adjacentes e causar estrias na MLI. Membranas mais agressivas, em geral após cirurgia retiniana, causam distorção vascular importante e opacificação da mácula: o pucker macular. 67% dos pacientes têm acuidade de 20/30 ou melhor, e só 5% ficam em 20/200 ou pior. O paciente pode referir metamorfopsia, por alteração da arquitetura foveal.
Membranas menos densas sobre a fóvea dão ao fundo de olho a impressão de pseudoburaco de mácula, e o OCT ajuda na diferenciação. A angiofluoresceinografia pode mostrar a distorção dos vasos maculares e a presença ou não de edema macular. No buraco de espessura total, o paciente refere descontinuidade da fenda luminosa no sinal de Watzke-Allen; no pseudoburaco, não.
Casos assintomáticos e com acuidade preservada ficam em observação, com fundoscopia e OCT periódicos; raramente a membrana se separa sozinha da retina. Com acuidade abaixo de 20/40-20/60 e metamorfopsia, indica-se vitrectomia com peeling da MER, em geral associada ao peeling da MLI para reduzir a recorrência. Dois terços melhoram 2 linhas ou mais, e a acuidade final pode levar 6-12 meses.
Comparativo
Sinais, posição da hialoide posterior e conduta em cada estágio, na ordem em que a apostila apresenta.
| Estágio | Sinais | Hialoide posterior | Conduta |
|---|---|---|---|
| 1a (buraco iminente) | Pseudocisto foveal, descolamento foveolar ou foveosquise; ponto amarelado de até 200 µm no centro da fóvea; no estágio 1, metamorfopsia e acuidade entre 20/25 e 20/60 | Tração vítrea no centro da fóvea | Observação: 50-60% do estágio 1 resolvem espontaneamente, com alívio da tração |
| 1b (buraco iminente) | Descontinuidade da retina externa foveal; mancha amarelada de 200-300 µm, com ou sem estrias radiais; em geral, hiperfluorescência por defeito em janela na angiofluoresceinografia | Aderida no centro da fóvea | Observação; o restante do estágio 1 evolui para o estágio 2 |
| 2 | Buraco de espessura total < 400 µm | Ainda aderida ao centro da fóvea | Vitrectomia posterior com tamponamento por gás (C3F8 ou SF6) |
| 3 | Buraco de espessura total ≥ 400 µm; o OCT pode mostrar opérculo de retina interna preso à hialoide | Descolada da fóvea, ainda presa nas margens do disco | Vitrectomia posterior com gás; o peeling de MLI, rotina para muitos cirurgiões, pesa mais nos buracos maiores |
| 4 | Buraco de espessura total sem tração nas bordas; acuidade em geral entre 20/80 e 20/200 | DVP completo, com anel de Weiss | Vitrectomia posterior com gás; com buraco de 1500 µm e acuidade 0,05, o prognóstico visual é muito ruim, como na questão CBO 2015 |
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Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, da membrana em celofane aos corantes usados na vitrectomia.
Brilho em celofane sobre a fóvea, alteração do reflexo foveal, retificação dos vasos e estrias na MLI sugerem MER. Distorção vascular importante com opacificação macular, sobretudo após cirurgia retiniana, caracteriza o pucker macular. Membrana menos densa na fóvea pode simular pseudoburaco.
Linha hiperrefletiva sobre a superfície retiniana, com pregueamento da retina interna, perda da depressão foveal e espessamento, indica MER, padrão cobrado na questão CBO 2014. Pode haver edema cistoide de mácula. O OCT também ajuda a separar a MER do pseudoburaco e do buraco de espessura total.
Acuidade abaixo de 20/40-20/60 com metamorfopsia leva a vitrectomia com peeling da membrana e, em geral, da MLI, para reduzir a recorrência. Assintomáticos com visão preservada seguem com fundoscopia e OCT periódicos.
A adesão vitreomacular é assintomática; a síndrome de tração vitreomacular causa metamorfopsia e baixa visão. As duas são focais abaixo de 1500 µm e difusas acima. Metade dos casos resolve com a separação da hialoide, o que fica mais raro na adesão difusa e com MER associada. Com sintomas, vitrectomia posterior com peeling de MLI.
No sinal de Watzke-Allen, a descontinuidade da fenda luminosa indica buraco de espessura total, o que não ocorre no pseudoburaco. O buraco lamelar tem descontinuidade da retina interna com retina externa íntegra. Com vítreo aderido no olho contralateral, o risco de buraco nele é de cerca de 10%; com DVP completo, praticamente não há risco.
O estágio 1 tem cerca de 50% de resolução espontânea e fica em observação. O corte de 400 µm separa os estágios 2 e 3, e no estágio 4 há DVP completo. Do estágio 2 em diante, vitrectomia posterior com gás (C3F8 ou SF6), com sucesso acima de 90%, sobretudo abaixo de 500 µm.
Para a MER, o principal é o azul de trypan. Para a MLI, azul brilhante, indocianina verde, que tem iodo, ou infracianina verde, sem iodo. A triancinolona não cora: seus cristais se depositam sobre a MLI e a MER e facilitam a remoção.
Perguntas frequentes
A apostila indica vitrectomia com peeling da MER quando há redução de acuidade visual abaixo de 20/40-20/60 com metamorfopsia. O peeling da MLI costuma ser associado para reduzir a recorrência. Dois terços dos pacientes ganham 2 linhas ou mais, com acuidade final em 6-12 meses. Casos assintomáticos e com visão preservada seguem em observação com fundoscopia e OCT.
Raramente. A MER pode se separar espontaneamente da retina, com melhora da metamorfopsia e da acuidade visual, mas é exceção. O caso assintomático com visão preservada segue com fundoscopia e OCT periódicos; com acuidade abaixo de 20/40-20/60 e metamorfopsia, indica-se vitrectomia com peeling. A resolução espontânea em 50% dos casos é da tração vitreomacular, não da MER.
É o descolamento parcial do vítreo posterior com aderência persistente na mácula, que traciona a fóvea e causa distorção foveal, edema cistoide e, nos casos graves, descolamento da fóvea. Diferencia-se da adesão vitreomacular pelos sintomas: metamorfopsia e baixa de acuidade. As duas são focais abaixo de 1500 µm e difusas acima. Com sintomas, o tratamento principal é vitrectomia posterior com peeling de MLI.
No estágio 4 de Gass, o buraco de espessura total vem com descolamento completo do vítreo posterior, evidenciado pelo anel de Weiss, sem tração nas bordas. A acuidade costuma ficar entre 20/80 e 20/200. Na questão CBO 2023 da apostila, estava incorreta a alternativa de tração vítrea residual nas bordas no grau 4, assim como a de maior incidência em homens: o buraco é 2 vezes mais frequente em mulheres.
No estágio 1, o buraco macular iminente: de 50% a 60% dos casos resolvem com o alívio da tração, e o restante evolui para o estágio 2. Por isso o estágio 1 fica em observação, e a vitrectomia com gás entra a partir do estágio 2. A questão CBO 2024 usa esse ponto para descartar a resolução espontânea em um buraco de no mínimo estágio 3.
Pelo sinal de Watzke-Allen e pelo OCT. No sinal, um feixe fino de luz da lâmpada de fenda é projetado sobre a lesão: no buraco de espessura total o paciente refere descontinuidade da fenda, o que não ocorre no pseudoburaco. O pseudoburaco vem de uma MER menos densa sobre a fóvea. A apostila registra que esse sinal já caiu na prova do CBO.
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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

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Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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