O descolamento posterior do vítreo e o risco de rotura com e sem hemorragia vítrea, o tobacco dust, as lesões periféricas que predispõem ou não ao descolamento de retina, os tipos de rotura e quando tratar com laser, considerar ou observar.
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Para que serve
Para o residente que vai prestar a PNO: o capítulo do Extensive que vai do descolamento do vítreo e das degenerações periféricas da retina à decisão de fotocoagular.
Regiões de adesão vitreorretiniana, sínquise e sinérese, DVP parcial e total, anel de Weiss, risco de rotura com e sem hemorragia vítrea, tobacco dust, exame com depressão escleral, reexame em 2-4 semanas e sinais de alarme.
Lattice, tufos vitreorretinianos, pregas meridionais, baías circunscritas da ora e escavações de um lado; pedra de calçamento, hiperplasia e hipertrofia do EPR e degenerações cistoides do outro, com prevalência e localização das principais.
Tratar, considerar ou observar na ferradura, na diálise e nos buracos operculado e atrófico, as indicações de laser na lattice, a conduta em olho com DR contralateral, afacia ou pseudofacia, o DR subclínico e o peso da linha de demarcação.
Sumário
São 9 páginas, do descolamento do vítreo posterior ao tratamento profilático das roturas, com 16 figuras.
Degeneração lattice é uma degeneração retiniana periférica com graus variáveis de atrofia e desorganização das camadas retinianas internas. O vítreo fica firmemente aderido às margens da lesão e liquefeito sobre ela, o que predispõe a roturas e descolamento de retina. O aspecto clássico é de treliça, e a localização mais comum é temporal superior, anterior ao equador.
A lattice está presente em 5-10% da população, é bilateral em até 50% dos casos e é mais comum em míopes e em pacientes com história familiar positiva. Pode ou não ter hiperpigmentação. Entre os pacientes com descolamento de retina, 20-30% apresentam lattice, o que não significa que ela seja a causa em todos esses casos.
Quando a lattice é a causa do DR, há rotura na margem lateral ou posterior da lesão ou, menos comumente, buraco atrófico. Os DRs secundários a buraco atrófico são mais comuns em jovens, míopes e sem DVP, e costumam ser assintomáticos até envolver a visão central. A simples presença de lattice não indica tratamento: a fotocoagulação entra com rotura em ferradura associada, DR no olho contralateral, afacia ou pseudofacia.
No descolamento posterior do vítreo agudo sintomático, 8-46% dos pacientes têm rotura retiniana. A hemorragia vítrea é marcador de risco: a rotura aparece em 7-12% dos casos sem HV e em 50-70% dos casos com HV. Pigmento no vítreo anterior, o tobacco dust, indica grande possibilidade de rotura. O exame é feito com oftalmoscópio indireto e depressão escleral ou na lâmpada de fenda com lente de 3 espelhos.
Além da lattice, a apostila classifica como predisponentes os tufos vitreorretinianos (os císticos e os tracionais zonulares são os mais associados a DR), as pregas meridionais, as baías circunscritas da ora e a escavação de retina periférica. Entre as degenerações periféricas da retina, não predispõem a DR a degeneração em pedra de calçamento, a cistoide e a cistoide reticular, que pode predispor a retinosquise. A hiperplasia e a hipertrofia do EPR também não predispõem.
Comparativo
A conduta profilática de cada lesão, na divisão que o capítulo usa: tratar imediatamente, considerar tratamento ou observar. O laser circunda a lesão, inclusive a borda anterior, e cria adesão coriorretiniana para impedir a entrada de fluido no espaço sub-retiniano.
| Lesão | Mecanismo e risco | Conduta profilática |
|---|---|---|
| Rotura em ferradura | Tração vitreorretiniana que puxa a retina anteriormente, em geral por DVP ou trauma; o flap indica tração nas bordas e maior risco de DR | Sintomática: tratar imediatamente. Assintomática e sem fluido sub-retiniano: observar |
| Diálise | Lesão linear na ora serrata, com a base vítrea aderida à margem posterior; em geral por trauma contuso, mais comum em temporal inferior | Sintomática: tratar imediatamente. Assintomática: considerar tratamento |
| Buraco operculado | A tração arranca um pedaço da retina sem deixar flap; em geral não sobra tração residual | Sintomático: considerar, sobretudo com tração residual nas margens à biomicroscopia, buraco grande, localização superior ou HV. Assintomático: observar |
| Buraco atrófico | Atrofia das camadas retinianas internas, sem tração e sem risco aumentado de DR | Observar |
| Degeneração lattice | Vítreo aderido às margens e liquefeito sobre a lesão | A presença isolada não indica laser, nem o buraco atrófico na lattice. Fotocoagular com rotura em ferradura associada, DR no olho contralateral, afacia ou pseudofacia |
| Qualquer rotura ou buraco em olho de risco | DR no olho contralateral, afacia ou pseudofacia | Considerar tratamento |
| DR subclínico | Fluido sub-retiniano assintomático, mais de 1 diâmetro de disco além da rotura, sem passar de 2 diâmetros de disco além do equador | Tratar: 30% progridem. Linha de demarcação indica menor risco de progressão |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina, do sintoma de DVP à decisão de fotocoagular.
A liquefação (sínquise) e o colapso do vítreo central (sinérese) iniciam a separação entre córtex vítreo e MLI. O DVP parcial, na mácula, costuma ser assintomático; a separação nas margens do nervo óptico define o DVP total e produz o anel de Weiss. O vítreo segue aderido à base.
Fotopsias, floaters e visão de nuvem no DVP agudo pedem exame urgente, porque 8-46% têm rotura. Sem hemorragia vítrea, a rotura aparece em 7-12%; com hemorragia vítrea, em 50-70%. Tobacco dust no vítreo anterior indica grande possibilidade de rotura.
Oftalmoscópio indireto com depressão escleral ou lâmpada de fenda com lente de 3 espelhos. Reexame em 2-4 semanas, porque o DVP evolui e novas roturas podem surgir. Com hemorragia vítrea densa, ultrassonografia para descartar DR e procurar o flap. Oriente sinais de alarme e o risco de DVP no olho contralateral.
Lattice, tufos vitreorretinianos, pregas meridionais, baías circunscritas da ora e escavações de retina periférica predispõem a rotura e DR. Pedra de calçamento, hiperplasia e hipertrofia do EPR, degeneração cistoide e cistoide reticular não predispõem; a cistoide reticular pode predispor a retinosquise.
A localização mais comum é temporal superior. A rotura em ferradura tem flap e tração nas bordas. A gigante passa de 3 horas de relógio, em geral na borda posterior da base vítrea. O buraco operculado não deixa flap. A diálise, linear na ora serrata, predomina em temporal inferior. O buraco atrófico não tem tração.
A compressão anteroposterior expande o globo no sentido laterolateral e traciona a base vítrea. A diálise, em geral temporal inferior, é a rotura traumática mais comum, e a avulsão da base vítrea é patognomônica de trauma. Em jovens, com vítreo não liquefeito, o descolamento pode surgir tarde, de forma lenta e crônica.
Trate de imediato ferradura e diálise sintomáticas. Considere em buraco operculado sintomático, diálise assintomática e roturas em olho com DR contralateral, afacia ou pseudofacia. Observe buraco atrófico, buraco operculado e ferradura assintomáticos sem fluido sub-retiniano. Trate o DR subclínico, porque 30% progridem.
Perguntas frequentes
Não. A simples presença de lattice não indica tratamento. A apostila indica fotocoagulação quando a lattice vem com outro fator de risco: rotura em ferradura associada, descolamento de retina no olho contralateral, afacia ou pseudofacia. Buraco atrófico na lattice não é indicação. O laser profilático cria adesão coriorretiniana para impedir a entrada de fluido no espaço sub-retiniano.
Entre 20% e 30% dos pacientes com descolamento de retina apresentam lattice, sem que ela seja a causa em todos os casos. Quando é a causa, há rotura na margem lateral ou posterior da lesão ou, menos comumente, buraco atrófico. Os DRs secundários a buraco atrófico são mais comuns em jovens, míopes e sem DVP, e costumam ser assintomáticos até envolver a visão central.
O anel de Weiss aparece quando o vítreo se separa nas margens do nervo óptico, o que define o DVP total e causa os sintomas. Antes disso, o DVP parcial, com separação do córtex na mácula, pode ficar assintomático por anos. Mesmo no DVP total, o vítreo continua aderido à base, e a tração anormal pode causar rotura, em geral na margem posterior da base vítrea.
O DVP costuma estar relacionado à idade: menos de 10% dos pacientes com menos de 50 anos o apresentam, contra 66% acima de 65 anos. Pode ocorrer precocemente em míopes, afácicos, pseudofácicos (sobretudo com rotura de cápsula posterior) e após uveíte, trauma ou hemorragia vítrea. Quando relacionado à idade, costuma ser lento e progressivo.
Entre 8% e 46% dos pacientes com DVP agudo sintomático têm rotura retiniana. A hemorragia vítrea muda a estimativa: 7-12% sem HV e 50-70% com HV. Tobacco dust no vítreo anterior também indica grande possibilidade de rotura. Por isso o exame é urgente, com oftalmoscópio indireto e depressão escleral, e se repete em 2-4 semanas.
A rotura em ferradura tem flap: a tração persiste nas bordas e o risco de DR é maior. No buraco operculado, a tração arranca um pedaço da retina sem deixar flap e, em geral, não sobra tração residual. O buraco atrófico vem de atrofia das camadas retinianas internas, sem tração e sem risco aumentado de DR.
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