Cabeça proporcionalmente maior, contusão pulmonar sem fratura de costela, coxim sob os ombros, acesso intraósseo após 2 tentativas ou 90 segundos, bolus de 20 ml/kg, PECARN abaixo de 2 anos e a partir de 2 anos, betabloqueador que mascara o choque, TC de crânio no idoso anticoagulado, desvio do útero para a esquerda, DPP traumático, imunoglobulina anti-Rh e histerotomia de ressuscitação pela regra dos 4 minutos. Uma questão comentada: UNICAMP 2021.
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Para que serve
Criança, idoso e gestante no atendimento ao trauma, com as pegadinhas que a banca monta em cada um.
Menores de 2 anos e crianças de 2 anos ou mais, com quem vai para TC imediata, quem fica em observação por 4 a 6 horas e quem recebe alta sem tomografia.
A criança mantém a pressão às custas de taquicardia, o idoso em betabloqueador choca com FC normal e a gestante perde 1.200 a 1.500 ml antes de mostrar sinais de choque.
UNICAMP 2021, sobre o lado do desvio uterino e da inclinação da prancha na gestante de 38 semanas em choque, com gabarito e comentário.
Sumário
Da criança à gestante, passando pelo idoso, na ordem em que a apostila ensina.
PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) é a regra de predição clínica que decide qual criança precisa de tomografia de crânio depois de um trauma. O objetivo é evitar TC desnecessária, porque o cérebro em desenvolvimento é sensível à radiação, sem deixar passar lesão cerebral traumática importante.
A regra separa as crianças em dois grupos, menores de 2 anos e com 2 anos ou mais. O alto risco vai para TC imediata: Glasgow menor que 15, alteração do nível de consciência, como agitação inexplicável ou sonolência, e sinais de fratura de crânio, palpável no bebê ou de base de crânio na criança maior.
No risco intermediário, a conduta esperada é observação no hospital por 4 a 6 horas: TC se piorar, alta se ficar bem. Entram aqui o mecanismo de trauma grave, o hematoma subgaleal não frontal abaixo de 2 anos e os vômitos ou a cefaleia intensa na criança maior. Sem nenhum critério, com mecanismo leve e pais que garantem comportamento normal, a conduta é alta com observação domiciliar.
No idoso, a lógica se inverte: o limiar para TC é quase zero, e TCE em paciente com anticoagulante ou antiagregante pede TC de crânio precoce mesmo com Glasgow 15 e sem sintomas.
Comparativo
Cada população tem uma armadilha fisiológica, e a conduta de prova nasce dela.
| População | Armadilha fisiológica | Pista na prova | Conduta |
|---|---|---|---|
| Criança em choque | Mantém a pressão às custas de taquicardia; hipotensão é sinal tardio | Veia periférica que falha em 2 tentativas ou 90 segundos | Acesso intraósseo na tíbia proximal e bolus de 20 ml/kg de cristaloide aquecido; sem resposta rápida ao 2º bolus, concentrado de hemácias 10 ml/kg |
| Tórax da criança | Costelas cartilaginosas e muito complacentes | Contusão pulmonar grave com raio X sem fratura de costela | Não descartar lesão torácica pela ausência de fratura |
| Idoso | Reserva fisiológica limitada e uso de betabloqueador | FC normal e PA de 110x70 mmHg num hipertenso grave: hipotensão relativa | Assumir choque oculto se houver má perfusão; TC de crânio precoce se usa anticoagulante ou antiagregante |
| Gestante em choque | Volume plasmático 45 a 50% maior; perde 1.200 a 1.500 ml antes de mostrar choque | Hipotensão em decúbito dorsal a partir de 20 semanas | Deslocar o útero para a esquerda ou inclinar a prancha 15 a 30 graus para a esquerda |
| Gestante e feto | Placenta inelástica sobre útero complacente | Dor abdominal e útero em tábua, com ou sem sangramento vaginal | Suspeitar de DPP e acionar a obstetrícia; anti-Rh em até 72 horas se a mãe for Rh negativa |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do ABCDE à histerotomia de ressuscitação.
O atendimento inicial não muda em nenhuma das três populações. Na gestante, a melhor forma de salvar o feto é salvar a mãe: a avaliação fetal detalhada fica para o exame secundário.
Na criança, coxim sob os ombros para alinhar os eixos, lembrando que o ponto mais estreito é a cartilagem cricoide. No idoso, mantenha a prótese dentária para ventilar com bolsa-válvula-máscara e retire-a só na laringoscopia.
Criança sem veia em 2 tentativas ou 90 segundos recebe acesso intraósseo e bolus de 20 ml/kg; sem resposta ao 2º bolus, sangue. Na gestante a partir de 20 semanas, desloque o útero para a esquerda antes de esperar efeito do volume.
Betabloqueador trava a frequência cardíaca do idoso, e uma PA aparentemente boa pode ser hipotensão relativa. A gestante compensa até perder muito sangue enquanto o feto já sofre: com mecanismo importante, trate como perda volêmica.
Na criança, aplique o PECARN pela faixa etária: TC imediata no alto risco, observação de 4 a 6 horas no intermediário e alta no baixo risco. No idoso com TCE em uso de anticoagulante ou antiagregante, TC precoce em todos.
Sem retorno da circulação após 4 minutos de RCP adequada e com útero acima da cicatriz umbilical, inicie a histerotomia de ressuscitação na própria sala de trauma. O objetivo primário é devolver o retorno venoso para a RCP materna funcionar.
Perguntas frequentes
TC imediata no alto risco: Glasgow menor que 15, alteração do nível de consciência e sinais de fratura de crânio. No risco intermediário, a conduta é observar no hospital por 4 a 6 horas e tomografar só se piorar. Sem critérios, com mecanismo leve e criança agindo normalmente, alta sem TC.
Abaixo de 2 anos, a apostila destaca a fratura de crânio palpável, o hematoma subgaleal occipital, temporal ou parietal e a alteração de comportamento. A partir de 2 anos, entram os sinais de fratura de base de crânio, os vômitos e a cefaleia intensa. Em ambos, mecanismo de trauma grave pesa para a observação.
Quando o acesso venoso periférico não sai em 2 tentativas ou em até 90 segundos. O local clássico de prova é a face anteromedial da tíbia proximal, 1 a 3 cm abaixo da tuberosidade. Funciona como veia calibrosa não colapsável: medicação, sangue e fluido entram com a mesma dose.
É a histerotomia de ressuscitação, feita na gestante em parada cardiorrespiratória para esvaziar o útero, liberar a veia cava e tornar a RCP materna eficaz; salvar o feto é objetivo secundário. Indica-se com útero acima da cicatriz umbilical e sem retorno da circulação após 4 minutos de RCP, para a extração ocorrer no 5º minuto, na própria sala de trauma.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Ginecologia e Obstetrícia
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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