Apostila gratuita · 13 páginas

Abdome agudo hemorrágico: sinal de Kehr, gravidez ectópica rota e conduta pelo estado hemodinâmico

O intervalo livre do hemoperitônio, o sinal de Kehr e a irritação do frênico, Cullen e Grey-Turner, gravidez ectópica rota, cisto de corpo lúteo, aneurisma de aorta roto, rotura de baço e de fígado, a armadilha do hematócrito, FAST no instável, TC no estável, shock index e hipotensão permissiva. Uma questão comentada, do Hospital Sírio-Libanês 2025.

PDF de 3,3 MB. Gratuito.

Capa da apostila Abdome agudo hemorrágico: do hemoperitônio à conduta em um tablet
Formato
Apostila · 13 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Abdome agudo
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de abdome agudo hemorrágico cobre

Do intervalo livre do hemoperitônio à escolha entre laparotomia e TC, com os sinais que a banca usa como dica.

  • Kehr, Cullen e Grey-Turner

    Dor no ombro pela irritação do frênico, equimose periumbilical e equimose nos flancos do sangramento retroperitoneal, com o mecanismo de cada sinal.

  • A causa pelo perfil do paciente

    Gravidez ectópica rota e cisto de corpo lúteo na mulher em idade fértil, aneurisma de aorta roto no homem idoso e tabagista, rotura de baço no trauma ou na esplenomegalia friável e rotura hepática por adenoma ou síndrome HELLP.

  • Instável ou estável define a conduta

    Instável com FAST positivo vai direto para a laparotomia. Estável faz TC com contraste, em que o blush arterial mostra sangramento ativo, e segue para o tratamento específico.

Sumário

O que tem dentro das 13 páginas

Da fisiopatologia à conduta, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: pontos-chave e pegadinhas
  2. 02Fisiopatologia: o intervalo livre e a irritação diafragmática
  3. 03Etiologia: causas ginecológicas, vasculares e viscerais
  4. 04Diagnóstico: a evolução do choque hipovolêmico
  5. 05Semiologia de prova: os sinais de Kehr, Cullen e Grey-Turner
  6. 06Exames complementares: hematócrito, FAST, TC e beta-hCG
  7. 07Escores prognósticos: o shock index
  8. 08Conduta terapêutica: o algoritmo de decisão
  9. 09Questão estratégica: diagnóstico
  10. 10Revisão final e resumo em 1 minuto
Página interna da apostila sobre Abdome agudo hemorrágico: do hemoperitônio à conduta
Página da apostila: as quatro janelas do FAST, com o líquido livre em cada uma, e o blush arterial na TC do paciente estável.

O que é o sinal de Kehr?

O sinal de Kehr é a dor referida na ponta do ombro, geralmente o esquerdo, causada pela irritação do nervo frênico por sangue acumulado embaixo do diafragma. Na prova, ele aponta para hemoperitônio, sobretudo por ruptura de baço ou gravidez ectópica rota.

O mecanismo explica a localização. O diafragma é inervado pelas raízes de C3, C4 e C5, pelo nervo frênico. Quando o sangue se acumula em grande quantidade e irrita o diafragma, o cérebro interpreta a dor nos dermátomos dessas raízes, as regiões supraclavicular e escapular. Daí a omalgia.

Kehr divide espaço com outros epônimos: Cullen, a equimose periumbilical, e Grey-Turner, a equimose nos flancos e na região lombar, que indica sangramento retroperitoneal. A apostila avisa que as bancas usam esses sinais como dica, embora na prática sejam sinais de gravidade tardia.

No hemoperitônio, a gravidade hemodinâmica costuma vir antes da peritonite: nas primeiras horas, o paciente pode estar em choque sem defesa abdominal nem descompressão brusca dolorosa. Por isso, a apostila manda confiar nos sinais vitais.

Página da apostila Abdome agudo hemorrágico: do hemoperitônio à conduta

Comparativo

Abdome agudo hemorrágico: as causas por perfil de paciente

Segundo a apostila, a história clínica da questão já entrega metade do diagnóstico.

Causas de abdome agudo hemorrágico por perfil de paciente. Fonte: apostila Med-Review R1, “Abdome agudo hemorrágico”.
CausaQuem é o pacientePista na prova
Gravidez ectópica rotaMulher em idade fértil, com DIP prévia, cirurgia tubária, DIU ou tabagismoAtraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal; beta-hCG positivo
Cisto de corpo lúteo rotoMulher na segunda fase do cicloSem atraso menstrual significativo; relação sexual vigorosa prévia
Aneurisma de aorta abdominal rotoHomem acima de 65 anos, tabagista e hipertensoDor lombar intensa; a ruptura costuma ser para o retroperitônio
Rotura esplênicaVítima de trauma, a causa mais comum, ou paciente com esplenomegalia friávelRotura em dois tempos; malária, mononucleose e leucemias
Rotura hepáticaMulher jovem com anticoncepcional oral de longo prazo ou gestante graveAdenoma hepático; hematoma subcapsular da síndrome HELLP

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o abdome agudo hemorrágico, passo a passo

A sequência da apostila: primeiro a hemodinâmica, depois o órgão.

  1. Reconheça o choque antes da hipotensão

    Na fase compensada, a PA é normal, mas já há taquicardia, pele fria e enchimento capilar acima de 2 segundos. Hipotensão com PAS abaixo de 90 mmHg, alteração de consciência e oligúria marcam a fase descompensada.

  2. Peça beta-hCG em toda mulher em idade fértil

    É o exame de triagem universal no pronto-socorro cirúrgico, qualitativo na urina ou quantitativo no sangue. Toda mulher em idade fértil com dor abdominal e choque tem gravidez ectópica até prova em contrário.

  3. Não confie no hematócrito

    No sangramento agudo perde-se sangue total, e o hematócrito fica normal nas primeiras horas. A queda de Hb e Ht só aparece com a hemodiluição, pela passagem de líquido do interstício para o vaso ou pela infusão de soro.

  4. Reanime com hipotensão permissiva

    ABCDE, acesso venoso periférico calibroso de 14G ou 16G e preparo para transfusão. Na hemorragia não controlada, o alvo é pulso palpável e PAS em torno de 80 a 90 mmHg até a cirurgia, sem soro em excesso.

  5. Instável com FAST positivo: laparotomia

    O FAST busca líquido livre à beira do leito no espaço de Morrison, no esplenorrenal, no suprapúbico e no pericárdio. Paciente instável não vai para a TC: segue para laparotomia exploradora, com objetivo de controle de danos.

  6. Estável: TC e tratamento específico

    A TC de abdome com contraste mostra a anatomia, a quantidade de sangue e a origem; o blush arterial indica sangramento ativo. A ectópica vai para salpingectomia ou metotrexato, e o aneurisma de aorta, de preferência, para reparo endovascular.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre abdome agudo hemorrágico na prova

Qual a diferença entre sinal de Cullen e sinal de Grey-Turner?

Cullen é a equimose periumbilical: o sangue disseca pelo ligamento falciforme até o umbigo. Grey-Turner é a equimose nos flancos e na região lombar e indica sangramento retroperitoneal, comum em pâncreas e aorta. A dica da apostila: Cullen tem uma palavra e uma equimose; Grey-Turner, duas palavras e duas equimoses.

O que é choque hemorrágico?

É a hipovolemia causada por perda de sangue; no abdome agudo hemorrágico, o sangue vai para a cavidade, o hemoperitônio. A apresentação depende da velocidade do sangramento: primeiro a fase compensada, com PA normal e taquicardia, depois a descompensada, com hipotensão, confusão e oligúria.

Como diagnosticar a gravidez ectópica rota?

A tríade clássica é atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, e o beta-hCG é obrigatório em toda mulher em idade fértil. Na paciente instável, o FAST procura líquido livre e a conduta é cirúrgica, sem passar pela TC.

Por que acontece a gravidez ectópica?

A apostila localiza a gravidez ectópica geralmente na ampola da trompa e lista como fatores de risco a doença inflamatória pélvica prévia, a cirurgia tubária anterior, o uso de DIU e o tabagismo.

Gravidez com DIU tem mais risco de ser ectópica?

Sim. Segundo a apostila, se a mulher engravida com DIU, a chance de a gestação ser ectópica é alta. O DIU aparece ao lado da doença inflamatória pélvica prévia, da cirurgia tubária e do tabagismo entre os fatores de risco.

Quando usar metotrexato na gravidez ectópica?

Na paciente estável que preenche os critérios da apostila: saco gestacional menor que 3,5 cm, beta-hCG abaixo de 5.000 e sem batimento cardíaco fetal. Sem esses critérios, a opção é a salpingectomia.

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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