O intervalo livre do hemoperitônio, o sinal de Kehr e a irritação do frênico, Cullen e Grey-Turner, gravidez ectópica rota, cisto de corpo lúteo, aneurisma de aorta roto, rotura de baço e de fígado, a armadilha do hematócrito, FAST no instável, TC no estável, shock index e hipotensão permissiva. Uma questão comentada, do Hospital Sírio-Libanês 2025.
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Para que serve
Do intervalo livre do hemoperitônio à escolha entre laparotomia e TC, com os sinais que a banca usa como dica.
Dor no ombro pela irritação do frênico, equimose periumbilical e equimose nos flancos do sangramento retroperitoneal, com o mecanismo de cada sinal.
Gravidez ectópica rota e cisto de corpo lúteo na mulher em idade fértil, aneurisma de aorta roto no homem idoso e tabagista, rotura de baço no trauma ou na esplenomegalia friável e rotura hepática por adenoma ou síndrome HELLP.
Instável com FAST positivo vai direto para a laparotomia. Estável faz TC com contraste, em que o blush arterial mostra sangramento ativo, e segue para o tratamento específico.
Sumário
Da fisiopatologia à conduta, na ordem em que a apostila ensina.
O sinal de Kehr é a dor referida na ponta do ombro, geralmente o esquerdo, causada pela irritação do nervo frênico por sangue acumulado embaixo do diafragma. Na prova, ele aponta para hemoperitônio, sobretudo por ruptura de baço ou gravidez ectópica rota.
O mecanismo explica a localização. O diafragma é inervado pelas raízes de C3, C4 e C5, pelo nervo frênico. Quando o sangue se acumula em grande quantidade e irrita o diafragma, o cérebro interpreta a dor nos dermátomos dessas raízes, as regiões supraclavicular e escapular. Daí a omalgia.
Kehr divide espaço com outros epônimos: Cullen, a equimose periumbilical, e Grey-Turner, a equimose nos flancos e na região lombar, que indica sangramento retroperitoneal. A apostila avisa que as bancas usam esses sinais como dica, embora na prática sejam sinais de gravidade tardia.
No hemoperitônio, a gravidade hemodinâmica costuma vir antes da peritonite: nas primeiras horas, o paciente pode estar em choque sem defesa abdominal nem descompressão brusca dolorosa. Por isso, a apostila manda confiar nos sinais vitais.
Comparativo
Segundo a apostila, a história clínica da questão já entrega metade do diagnóstico.
| Causa | Quem é o paciente | Pista na prova |
|---|---|---|
| Gravidez ectópica rota | Mulher em idade fértil, com DIP prévia, cirurgia tubária, DIU ou tabagismo | Atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal; beta-hCG positivo |
| Cisto de corpo lúteo roto | Mulher na segunda fase do ciclo | Sem atraso menstrual significativo; relação sexual vigorosa prévia |
| Aneurisma de aorta abdominal roto | Homem acima de 65 anos, tabagista e hipertenso | Dor lombar intensa; a ruptura costuma ser para o retroperitônio |
| Rotura esplênica | Vítima de trauma, a causa mais comum, ou paciente com esplenomegalia friável | Rotura em dois tempos; malária, mononucleose e leucemias |
| Rotura hepática | Mulher jovem com anticoncepcional oral de longo prazo ou gestante grave | Adenoma hepático; hematoma subcapsular da síndrome HELLP |
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Na prática
A sequência da apostila: primeiro a hemodinâmica, depois o órgão.
Na fase compensada, a PA é normal, mas já há taquicardia, pele fria e enchimento capilar acima de 2 segundos. Hipotensão com PAS abaixo de 90 mmHg, alteração de consciência e oligúria marcam a fase descompensada.
É o exame de triagem universal no pronto-socorro cirúrgico, qualitativo na urina ou quantitativo no sangue. Toda mulher em idade fértil com dor abdominal e choque tem gravidez ectópica até prova em contrário.
No sangramento agudo perde-se sangue total, e o hematócrito fica normal nas primeiras horas. A queda de Hb e Ht só aparece com a hemodiluição, pela passagem de líquido do interstício para o vaso ou pela infusão de soro.
ABCDE, acesso venoso periférico calibroso de 14G ou 16G e preparo para transfusão. Na hemorragia não controlada, o alvo é pulso palpável e PAS em torno de 80 a 90 mmHg até a cirurgia, sem soro em excesso.
O FAST busca líquido livre à beira do leito no espaço de Morrison, no esplenorrenal, no suprapúbico e no pericárdio. Paciente instável não vai para a TC: segue para laparotomia exploradora, com objetivo de controle de danos.
A TC de abdome com contraste mostra a anatomia, a quantidade de sangue e a origem; o blush arterial indica sangramento ativo. A ectópica vai para salpingectomia ou metotrexato, e o aneurisma de aorta, de preferência, para reparo endovascular.
Perguntas frequentes
Cullen é a equimose periumbilical: o sangue disseca pelo ligamento falciforme até o umbigo. Grey-Turner é a equimose nos flancos e na região lombar e indica sangramento retroperitoneal, comum em pâncreas e aorta. A dica da apostila: Cullen tem uma palavra e uma equimose; Grey-Turner, duas palavras e duas equimoses.
É a hipovolemia causada por perda de sangue; no abdome agudo hemorrágico, o sangue vai para a cavidade, o hemoperitônio. A apresentação depende da velocidade do sangramento: primeiro a fase compensada, com PA normal e taquicardia, depois a descompensada, com hipotensão, confusão e oligúria.
A tríade clássica é atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, e o beta-hCG é obrigatório em toda mulher em idade fértil. Na paciente instável, o FAST procura líquido livre e a conduta é cirúrgica, sem passar pela TC.
A apostila localiza a gravidez ectópica geralmente na ampola da trompa e lista como fatores de risco a doença inflamatória pélvica prévia, a cirurgia tubária anterior, o uso de DIU e o tabagismo.
Sim. Segundo a apostila, se a mulher engravida com DIU, a chance de a gestação ser ectópica é alta. O DIU aparece ao lado da doença inflamatória pélvica prévia, da cirurgia tubária e do tabagismo entre os fatores de risco.
Na paciente estável que preenche os critérios da apostila: saco gestacional menor que 3,5 cm, beta-hCG abaixo de 5.000 e sem batimento cardíaco fetal. Sem esses critérios, a opção é a salpingectomia.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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