As três fases da peritonite, úlcera duodenal e gástrica, AINEs e corticoide, Boerhaave e outras causas, abdome em tábua, sinal de Jobert e o falso positivo de Chilaiditi, raio X em ortostase, incidência de Laurell, sinal de Rigler, patch de Graham, biópsia, tratamento conservador e erradicação do H. pylori. Duas questões comentadas, FAMEMA 2021 e SES-PE 2021.
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Para que serve
Da dor em facada ao tratamento do H. pylori, com o raciocínio que a banca cobra na úlcera perfurada.
Timpanismo no lugar da macicez hepática sugere ar livre; a interposição de cólon do Chilaiditi imita o achado. Raio X de tórax em ortostase, Laurell e TC confirmam.
Na duodenal, rafia com patch de Graham e lavagem, sem necessidade de biópsia. Na gástrica, biópsia da borda e endoscopia de controle, pelo risco de adenocarcinoma ulcerado.
FAMEMA 2021, sobre o quadro clínico dos tipos de abdome agudo, e SES-PE 2021, sobre a conduta na perfuração duodenal, com gabarito e comentário das alternativas.
Sumário
Da fisiopatologia ao pós-operatório, na ordem em que a apostila ensina.
O sinal de Jobert é a substituição da macicez hepática por timpanismo à percussão do hipocôndrio direito. Na prova, Jobert presente indica pneumoperitônio, o ar livre na cavidade, e a apostila o trata como o sinal semiológico mais importante do abdome agudo perfurativo.
A explicação é anatômica. Normalmente, o fígado fica colado na parede abdominal anterior. Quando uma víscera oca perfura, o ar escapa e, com o paciente em decúbito dorsal, sobe e se aloja entre o fígado e a parede, trocando o som maciço pelo timpânico.
O falso positivo clássico é o sinal de Chilaiditi: em idosos, emagrecidos ou pacientes com DPOC, uma alça de cólon, em geral o transverso, se interpõe entre o fígado e o diafragma e dá timpanismo sem perfuração. Raio X ou TC resolvem: no Chilaiditi aparecem as haustrações do cólon; no pneumoperitônio, só ar livre e liso desenhando a cúpula diafragmática.
Confirme o ar livre com raio X de tórax em ortostase. Se o paciente não fica em pé, peça a incidência de Laurell, em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais.
Comparativo
O endereço da úlcera muda a cirurgia, a biópsia e o seguimento.
| Aspecto | Úlcera duodenal | Úlcera gástrica |
|---|---|---|
| Localização típica | Parede anterior do bulbo duodenal | Pequena curvatura, na incisura angularis |
| Associação | H. pylori em mais de 90% dos casos | H. pylori, AINEs e tabagismo |
| Risco de malignidade | Virtualmente zero | Existente: o adenocarcinoma ulcerado simula úlcera benigna a olho nu |
| Conduta na cirurgia | Rafia com patch de Graham e lavagem; biópsia não é necessária | Rafia com patch de Graham e biópsia da borda da úlcera |
| Endoscopia de controle | Não é estritamente necessária se o paciente fica assintomático após tratar o H. pylori | Obrigatória, para confirmar a cicatrização e repetir biópsias |
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Na prática
Da suspeita clínica ao tratamento da causa, como a apostila organiza.
Início súbito e explosivo no epigástrio, que logo se generaliza; o paciente fica imóvel, com abdome em tábua por rigidez involuntária. Entre 2 e 12 horas, a dor pode melhorar com a diluição do ácido, mas a rigidez persiste.
Timpanismo no lugar da macicez hepática é o sinal de Jobert e sugere pneumoperitônio. Em idoso, emagrecido ou com DPOC, considere o falso positivo de Chilaiditi.
Comece pelo raio X de tórax em ortostase, atrás de ar subdiafragmático em lâmina de foice. Sem ortostase, faça Laurell; no raio X em supino, procure o sinal de Rigler. A TC é o padrão-ouro e fica para a dúvida ou o planejamento.
Rafia primária, epíplon vascularizado sobre a perfuração e lavagem da cavidade. Vagotomia e ressecções ficam fora da urgência; gastrectomia só em úlceras gigantes ou com suspeita forte de malignidade em paciente estável.
A duodenal é virtualmente sempre benigna e, em regra, dispensa biópsia. A gástrica pode ser adenocarcinoma ulcerado: biópsia da borda e, se vier câncer, gastrectomia oncológica em segundo tempo.
A cirurgia trata a complicação, não a causa: erradique o H. pylori com claritromicina, amoxicilina e IBP em dose dobrada por 14 dias. O tratamento conservador fica restrito ao paciente estável, com perfuração bloqueada e sem vazamento no exame contrastado.
Perguntas frequentes
É a presença de ar livre na cavidade peritoneal, fora da alça, sinal de perfuração de víscera oca. No raio X de tórax em ortostase, aparece como faixa radiolucente abaixo da cúpula diafragmática, em lâmina de foice, separando o fígado do diafragma. No exame físico, a pista é o sinal de Jobert.
No abdome agudo perfurativo, a causa número 1 é a úlcera péptica, com a duodenal à frente da gástrica. A apostila cita ainda corpo estranho, como espinha de peixe ou palito, perfuração iatrogênica após colonoscopia ou CPRE e perfurações infecciosas, por CMV no imunossuprimido e por febre tifoide.
A regra é a cirurgia, aberta ou por videolaparoscopia: rafia com patch de Graham e lavagem da cavidade, seguidas da erradicação do H. pylori. O tratamento conservador, com sonda nasogástrica, jejum, antibiótico e IBP, fica para o paciente estável com perfuração bloqueada e sem vazamento de contraste hidrossolúvel.
O H. pylori está presente em mais de 90% das úlceras duodenais. Fora dele, a apostila aponta os AINEs, principal fator de risco no idoso sem história de gastrite, a associação de corticoide com AINE, que ainda mascara a peritonite, e o tabagismo, que dificulta a cicatrização e aumenta a recidiva.
Significa timpanismo onde deveria haver macicez hepática, e na prova aponta para pneumoperitônio. O cuidado é com o sinal de Chilaiditi, em que uma alça de cólon entre o fígado e o diafragma dá o mesmo timpanismo sem perfuração; a imagem mostra as haustrações.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
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Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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