Tronco celíaco, AMS e AMI, pontos de Griffith e Sudeck, os quatro mecanismos da isquemia mesentérica aguda, dor desproporcional ao exame físico, lactato como sinal tardio, angio-TC, embolectomia, revascularização, anticoagulação, papaverina, second look e colite isquêmica. Duas questões comentadas, entre elas HCPA 2022.
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Para que serve
Da anatomia da artéria mesentérica superior à colite isquêmica, com a etiologia que define a conduta.
O paciente refere dor intensa, refratária até a opioides, com abdome flácido e sem descompressão brusca. Distensão, peritonite e choque séptico já indicam infarto intestinal.
Embolectomia com Fogarty na embolia, stent ou bypass na trombose arterial, heparina na trombose venosa e papaverina intra-arterial na isquemia não oclusiva.
HCPA 2022, sobre o exame de escolha para o diagnóstico, e uma questão autoral sobre angina abdominal e trombose arterial, com gabarito e comentário.
Sumário
Da anatomia à colite isquêmica, na ordem em que a apostila ensina.
Isquemia mesentérica é a interrupção súbita do fluxo de sangue, arterial ou venoso, para as vísceras, com desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio. Como o intestino é metabolicamente ativo e necrosa rápido, a mortalidade gira em torno de 60 a 80%, e o diagnóstico precoce define o prognóstico.
A forma aguda resulta de quatro mecanismos: embolia arterial, a mais comum, em geral de origem cardíaca; trombose arterial sobre placa de ateroma no óstio da artéria mesentérica superior; trombose venosa mesentérica, no paciente com hipercoagulabilidade; e isquemia não oclusiva, por vasoconstrição no paciente grave em baixo fluxo.
A artéria mesentérica superior é a grande vilã: irriga todo o delgado e a metade direita do cólon e nasce da aorta em ângulo oblíquo, o que favorece a chegada de êmbolos. O êmbolo costuma impactar logo após a emergência da artéria cólica média e poupar os primeiros ramos jejunais.
A pista clássica é a dor desproporcional ao exame físico: dor intensa com abdome flácido. No paciente estável, a angio-TC é o exame de escolha, sem esperar o lactato, que sobe tarde.
Comparativo
O tratamento depende da causa: embolectomia num caso de trombose é o erro que a banca procura.
| Etiologia | Perfil do paciente | Pista na prova | Conduta |
|---|---|---|---|
| Embolia arterial | Cardiopata: fibrilação atrial, infarto recente ou doença valvar | Início súbito; poupa os primeiros ramos jejunais | Embolectomia com cateter de Fogarty, aberta ou endovascular |
| Trombose arterial | Idoso, tabagista e vasculopata | Angina abdominal: dor ao comer, medo de comer e emagrecimento | Revascularização: angioplastia com stent ou bypass |
| Trombose venosa mesentérica | Mais jovem, com neoplasia, anticoncepcional, trombofilia ou hipertensão portal | Quadro insidioso, ao longo de dias ou semanas | Anticoagulação plena; cirurgia só com necrose ou peritonite |
| Isquemia não oclusiva (NOMI) | Paciente grave na UTI, em choque ou com vasopressor em dose alta | Vasoconstrição sem êmbolo nem placa | Não operar sem necrose; papaverina intra-arterial e correção do choque |
| Colite isquêmica | Idoso em bom estado geral após hipoperfusão transitória | Dor moderada em fossa ilíaca esquerda e diarreia com sangue precoce | Conservador na maioria: repouso intestinal e hidratação venosa; colectomia só se houver peritonite, perfuração ou sepse refratária |
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Na prática
O raciocínio da apostila, da suspeita clínica ao second look.
Dor abdominal intensa, contínua e refratária a analgésicos, com abdome flácido e sem descompressão brusca. Náuseas, vômitos e diarreia súbita no início fazem a isquemia parecer gastroenterite.
O laboratório é inespecífico e o lactato elevado é sinal tardio: lactato normal não exclui isquemia nas fases iniciais. Lactato persistentemente alto ou em ascensão marca necrose e mau prognóstico.
Suspeita forte com instabilidade vai para laparotomia exploradora. Paciente estável faz angio-TC de abdome com contraste em fase arterial e venosa, o padrão-ouro atual, que mostra a falha de enchimento.
Cristaloide e sangue se necessário, correção da acidose e dos eletrólitos, antibiótico de amplo espectro contra Gram-negativos e anaeróbios e heparina plena, salvo contraindicação absoluta por sangramento.
Embolia: embolectomia com Fogarty. Trombose arterial: stent ou bypass. Trombose venosa: anticoagulação plena. Isquemia não oclusiva: papaverina intra-arterial por 24 a 48 horas enquanto se trata o choque.
Resseque só o intestino necrótico, deixe as áreas duvidosas, não faça anastomose e reabra em 24 a 48 horas, com o paciente reanimado. A demarcação fica clara e preserva centímetros de intestino.
Perguntas frequentes
É a falta de sangue suficiente para o intestino. A apostila separa a isquemia mesentérica aguda, que atinge o delgado, é grave e exige cirurgia ou intervenção, da colite isquêmica, que atinge o cólon por baixo fluxo transitório, é a forma mais comum e tem prognóstico favorável.
Porque o intestino necrosa rápido sem sangue, e o quadro só fica óbvio quando já é irreversível. A mortalidade gira em torno de 60 a 80% e, na fase de infarto intestinal com peritonite e choque séptico, ultrapassa 90%.
Pode ser arterial ou venosa. A arterial é a ruptura de placa de ateroma no óstio da artéria mesentérica superior, no idoso vasculopata, muitas vezes com angina abdominal prévia, e pede revascularização. A venosa forma um coágulo na veia mesentérica superior no paciente com hipercoagulabilidade, tem quadro insidioso e é tratada com anticoagulação plena.
É a dor abdominal que aparece sempre que o paciente come, porque a artéria estreitada não entrega o sangue que o intestino pede; a apostila chama de angina abdominal. Leva ao medo de comer e ao emagrecimento. Na prova, essa história seguida de dor súbita aponta para trombose arterial da artéria mesentérica superior.
É o ângulo esplênico do cólon, na transição entre o transverso e o descendente, uma das áreas de bacia, regiões terminais de irrigação onde o sangue chega com menos pressão. É a área mais vulnerável à isquemia colônica; o outro ponto de prova é o de Sudeck, na junção retossigmoide.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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