Apostila gratuita · 18 páginas

Câncer de canal anal: linha pectínea, HPV, estadiamento, esquema de Nigro e cirurgia de resgate

Linha pectínea e zonas de epitélio, canal anal e margem anal, HPV 16 e 18, HIV e transplantados, CEC, adenocarcinoma e melanoma, exame proctológico e palpação inguinal, drenagem linfática, estadiamento T pelo diâmetro, RM de pelve, TC e PET-CT, esquema de Nigro, ressecção local na margem anal, o prazo de 26 semanas para avaliar a resposta e a amputação abdominoperineal de resgate. Uma questão comentada: HCPA 2024.

PDF de 3,0 MB. Gratuito.

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Formato
Apostila · 18 páginas
Área da prova
Cirurgia Geral · Coloproctologia
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de câncer de canal anal cobre

Da anatomia da linha pectínea ao resgate cirúrgico, com as armadilhas que separam o canal anal do reto e da margem anal.

  • Canal anal ou margem anal

    Lesão dentro do canal vai para o esquema de Nigro; lesão da margem anal T1, bem diferenciada e sem invasão do esfíncter permite ressecção local com margem livre de 1 cm.

  • Nigro e o tempo da resposta

    5-FU com mitomicina C e radioterapia com intenção curativa, primeira reavaliação entre 8 e 12 semanas e observação da resposta parcial até 26 semanas antes de biopsiar.

  • Uma questão comentada

    HCPA 2024, sobre HPV, imunossupressão, o papel do esquema de Nigro e a cirurgia de resgate, com gabarito e comentário de cada alternativa.

Sumário

O que tem dentro das 18 páginas

Da fronteira anatômica do canal anal à cirurgia de resgate, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: a tabela por eixo temático
  2. 02Anatomia cirúrgica e zonas de transição
  3. 03Topografia para a prova: canal anal e margem anal
  4. 04Fatores de risco, HPV e imunossupressão
  5. 05Histopatologia: CEC, adenocarcinoma e melanoma
  6. 06Quadro clínico e exame proctológico
  7. 07Propedêutica e confirmação histopatológica
  8. 08Drenagem linfática do canal anal e do reto: a linha pectínea
  9. 09Avaliação linfonodal inguinal
  10. 10Estadiamento locorregional (T) e RM de pelve
  11. 11Estadiamento sistêmico e à distância (M)
  12. 12Esquema de Nigro: quimiorradioterapia combinada
  13. 13Margem anal: quando indicar ressecção local
  14. 14Avaliação de resposta e o fator tempo
  15. 15Cirurgia de resgate: amputação abdominoperineal de reto (Miles)
  16. 16Questão estratégica: diagnóstico e fatores de risco
  17. 17Revisão final
Página interna da apostila sobre Câncer de canal anal
Página da apostila: câncer de canal anal e câncer de margem anal comparados por limites anatômicos, comportamento e tratamento inicial, seguidos dos fatores de risco ligados ao HPV.

O que é a linha pectínea e por que ela importa no câncer de canal anal?

A linha pectínea, ou linha denteada, é a fronteira embriológica e anatômica do canal anal. Acima dela, o epitélio é colunar glandular, de origem endodérmica, como o do reto; abaixo, até a borda anal, é estratificado pavimentoso não queratinizado, de origem ectodérmica. Por isso as lesões do canal anal são, em sua maioria, carcinomas escamosos, enquanto o reto distal é território do adenocarcinoma.

O canal anal cirúrgico mede cerca de 3 a 4 cm, do anel anorretal até a borda anal, e logo acima da linha pectínea fica a zona de transição, com epitélio que mistura características colunares e escamosas. A margem anal, pele perianal em um raio de até 5 cm da borda, já tem epitélio queratinizado, com pelos e glândulas.

A linha também divide a inervação e a drenagem linfática. Acima, a inervação é visceral e indolor, e a linfa vai para os linfonodos do mesorreto, os retais médios e os ilíacos internos. Abaixo, a inervação é somática e dolorosa, e a drenagem vai para os linfonodos inguinais superficiais e, depois, para a cadeia ilíaca externa.

Na prova, isso vira raciocínio de estadiamento. No câncer de canal anal, linfonodo inguinal é via de disseminação esperada e muda o N; no câncer de reto, linfonodo inguinal palpável indica doença atípica ou invasão do canal anal abaixo da linha pectínea. Abaixo da linha pectínea: epitélio escamoso, dor e linfonodo inguinal.

Página da apostila Câncer de canal anal

Comparativo

Canal anal e margem anal: o que muda na conduta

Lesões do mesmo tamanho têm tratamentos opostos conforme a topografia. A tabela junta as diferenças que a apostila destaca.

Câncer de canal anal e câncer de margem anal comparados por limites, epitélio, drenagem e tratamento. Fonte: apostila Med-Review R1, “Câncer de canal anal”.
CaracterísticaCanal analMargem anal
LimitesDo anel anorretal até a borda anal, com cerca de 3 a 4 cmPele perianal em um raio de até 5 cm ao redor da borda anal
EpitélioColunar acima da linha pectínea, zona de transição e pavimentoso não queratinizado abaixoPavimentoso queratinizado, com folículos pilosos e glândulas
ComportamentoTumor de mucosa, agressivo, com alta propensão a invasão localTumor de pele, que se comporta como CEC ou CBC cutâneo
Drenagem linfáticaMesorreto e ilíacos internos acima da linha pectínea; inguinais abaixoLinfonodos inguinais superficiais
Tratamento inicialEsquema de Nigro para todos os estádios não metastáticos; ressecção local inicial contraindicadaRessecção local ampla com margem livre de 1 cm se T1, bem diferenciada e sem invasão esfincteriana; fora disso, Nigro

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como conduzir o câncer de canal anal, passo a passo

O raciocínio da apostila, do sangramento tratado como hemorroida à cirurgia de resgate.

  1. Suspeite no paciente de risco

    Sangramento anal é o sintoma mais frequente, seguido de dor, tenesmo, massa, prurido, secreção e, nos tumores volumosos, incontinência. O atraso por tratamento de hemorroida por conta própria é o roteiro preferido da banca. HPV 16 e 18, HIV, transplante de órgão sólido, sexo anal receptivo, múltiplos parceiros, neoplasia prévia induzida por HPV e tabagismo compõem o perfil.

  2. Faça o exame proctológico completo

    Inspeção estática e dinâmica para saber se a lesão está no canal ou na margem, toque retal, anuscopia para medir a distância da linha pectínea e da borda anal e palpação das fossas inguinais dos dois lados, etapa obrigatória.

  3. Biopsie a borda ativa

    A biópsia confirma o carcinoma epidermoide na imensa maioria dos casos; o centro necrótico pode dar falso-negativo. O adenocarcinoma do canal anal, de 5% a 10%, não responde bem ao Nigro e segue a lógica do câncer de reto; o melanoma, de 1% a 2%, tem prognóstico reservado.

  4. Estadie pelo tamanho e pelos órgãos vizinhos

    RM de pelve de alta resolução para o T e os linfonodos pélvicos: T1 até 2 cm, T2 de mais de 2 a 5 cm, T3 acima de 5 cm e T4 com invasão de vagina, uretra ou bexiga; invasão isolada do esfíncter não é T4. Linfonodo inguinal suspeito vai para ultrassom, TC ou RM, com PAAF guiada por ultrassom na dúvida, e TC de tórax, abdome e pelve ou PET-CT buscam metástases.

  5. Trate com o esquema de Nigro

    5-FU com mitomicina C, ou cisplatina se a mitomicina for contraindicada, e radioterapia, com intenção curativa nos estádios I a III, com preservação do esfíncter. Cirurgia de entrada é contraindicada. Na metástase à distância, o foco passa a ser a quimioterapia sistêmica paliativa.

  6. Reavalie com paciência e resgate se falhar

    Primeira reavaliação entre 8 e 12 semanas após o fim do tratamento. Resposta parcial em regressão é observada a cada 4 a 6 semanas até 26 semanas; biópsia só se houver progressão ou lesão persistente após esse prazo. A falha leva à amputação abdominoperineal de reto, a cirurgia de Miles, com colostomia definitiva.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre câncer de canal anal na prova

Qual o tratamento do câncer de canal anal?

O esquema de Nigro: quimioterapia com 5-FU e mitomicina C associada à radioterapia, com intenção curativa nos estádios não metastáticos, sem cirurgia de entrada. A quimiorradioterapia tem intenção definitiva, com preservação do esfíncter, e chamá-la de neoadjuvância é a pegadinha da questão comentada. A cirurgia fica para o resgate.

Qual a relação entre HPV e câncer de canal anal?

Mais de 85% dos casos se ligam à infecção persistente por HPV de alto risco, sobretudo os tipos 16 e 18. As oncoproteínas E6 e E7 inativam o p53 e a pRb, como no câncer de colo uterino, e a neoplasia intraepitelial anal progride para carcinoma invasor. HIV e imunossupressão de transplantados multiplicam o risco.

Para onde drena o câncer de canal anal?

Depende da linha pectínea. Tumores acima dela drenam para o mesorreto e os ilíacos internos; abaixo dela e na margem anal, para os linfonodos inguinais superficiais. Por isso a palpação inguinal bilateral é obrigatória, e o linfonodo inguinal comprometido torna o paciente N positivo.

Quando biopsiar a lesão residual depois do esquema de Nigro?

Não antes da hora: a radiação mata células por semanas a meses após o fim do tratamento, e a lesão residual precoce pode estar em regressão. A primeira reavaliação é entre 8 e 12 semanas; com resposta parcial, observa-se até 26 semanas. A biópsia entra na progressão clara ou na lesão que persiste após 26 semanas.

Qual a cirurgia de resgate no câncer de canal anal?

A amputação abdominoperineal de reto, ou cirurgia de Miles, com ressecção em monobloco do sigmoide distal, reto, aparelho esfincteriano e ânus e colostomia terminal definitiva em fossa ilíaca esquerda. O fechamento do períneo irradiado muitas vezes exige retalho miocutâneo. A retossigmoidectomia anterior não remove o canal anal e não serve como resgate.

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    Clínica Médica

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

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    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

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    Vitor Arienzo

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    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

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    Stephanie Lahat

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    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

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    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

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    Isabella Zanfra

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    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

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    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

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    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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