Linha pectínea e zonas de epitélio, canal anal e margem anal, HPV 16 e 18, HIV e transplantados, CEC, adenocarcinoma e melanoma, exame proctológico e palpação inguinal, drenagem linfática, estadiamento T pelo diâmetro, RM de pelve, TC e PET-CT, esquema de Nigro, ressecção local na margem anal, o prazo de 26 semanas para avaliar a resposta e a amputação abdominoperineal de resgate. Uma questão comentada: HCPA 2024.
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Para que serve
Da anatomia da linha pectínea ao resgate cirúrgico, com as armadilhas que separam o canal anal do reto e da margem anal.
Lesão dentro do canal vai para o esquema de Nigro; lesão da margem anal T1, bem diferenciada e sem invasão do esfíncter permite ressecção local com margem livre de 1 cm.
5-FU com mitomicina C e radioterapia com intenção curativa, primeira reavaliação entre 8 e 12 semanas e observação da resposta parcial até 26 semanas antes de biopsiar.
HCPA 2024, sobre HPV, imunossupressão, o papel do esquema de Nigro e a cirurgia de resgate, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da fronteira anatômica do canal anal à cirurgia de resgate, na ordem em que a apostila ensina.
A linha pectínea, ou linha denteada, é a fronteira embriológica e anatômica do canal anal. Acima dela, o epitélio é colunar glandular, de origem endodérmica, como o do reto; abaixo, até a borda anal, é estratificado pavimentoso não queratinizado, de origem ectodérmica. Por isso as lesões do canal anal são, em sua maioria, carcinomas escamosos, enquanto o reto distal é território do adenocarcinoma.
O canal anal cirúrgico mede cerca de 3 a 4 cm, do anel anorretal até a borda anal, e logo acima da linha pectínea fica a zona de transição, com epitélio que mistura características colunares e escamosas. A margem anal, pele perianal em um raio de até 5 cm da borda, já tem epitélio queratinizado, com pelos e glândulas.
A linha também divide a inervação e a drenagem linfática. Acima, a inervação é visceral e indolor, e a linfa vai para os linfonodos do mesorreto, os retais médios e os ilíacos internos. Abaixo, a inervação é somática e dolorosa, e a drenagem vai para os linfonodos inguinais superficiais e, depois, para a cadeia ilíaca externa.
Na prova, isso vira raciocínio de estadiamento. No câncer de canal anal, linfonodo inguinal é via de disseminação esperada e muda o N; no câncer de reto, linfonodo inguinal palpável indica doença atípica ou invasão do canal anal abaixo da linha pectínea. Abaixo da linha pectínea: epitélio escamoso, dor e linfonodo inguinal.
Comparativo
Lesões do mesmo tamanho têm tratamentos opostos conforme a topografia. A tabela junta as diferenças que a apostila destaca.
| Característica | Canal anal | Margem anal |
|---|---|---|
| Limites | Do anel anorretal até a borda anal, com cerca de 3 a 4 cm | Pele perianal em um raio de até 5 cm ao redor da borda anal |
| Epitélio | Colunar acima da linha pectínea, zona de transição e pavimentoso não queratinizado abaixo | Pavimentoso queratinizado, com folículos pilosos e glândulas |
| Comportamento | Tumor de mucosa, agressivo, com alta propensão a invasão local | Tumor de pele, que se comporta como CEC ou CBC cutâneo |
| Drenagem linfática | Mesorreto e ilíacos internos acima da linha pectínea; inguinais abaixo | Linfonodos inguinais superficiais |
| Tratamento inicial | Esquema de Nigro para todos os estádios não metastáticos; ressecção local inicial contraindicada | Ressecção local ampla com margem livre de 1 cm se T1, bem diferenciada e sem invasão esfincteriana; fora disso, Nigro |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do sangramento tratado como hemorroida à cirurgia de resgate.
Sangramento anal é o sintoma mais frequente, seguido de dor, tenesmo, massa, prurido, secreção e, nos tumores volumosos, incontinência. O atraso por tratamento de hemorroida por conta própria é o roteiro preferido da banca. HPV 16 e 18, HIV, transplante de órgão sólido, sexo anal receptivo, múltiplos parceiros, neoplasia prévia induzida por HPV e tabagismo compõem o perfil.
Inspeção estática e dinâmica para saber se a lesão está no canal ou na margem, toque retal, anuscopia para medir a distância da linha pectínea e da borda anal e palpação das fossas inguinais dos dois lados, etapa obrigatória.
A biópsia confirma o carcinoma epidermoide na imensa maioria dos casos; o centro necrótico pode dar falso-negativo. O adenocarcinoma do canal anal, de 5% a 10%, não responde bem ao Nigro e segue a lógica do câncer de reto; o melanoma, de 1% a 2%, tem prognóstico reservado.
RM de pelve de alta resolução para o T e os linfonodos pélvicos: T1 até 2 cm, T2 de mais de 2 a 5 cm, T3 acima de 5 cm e T4 com invasão de vagina, uretra ou bexiga; invasão isolada do esfíncter não é T4. Linfonodo inguinal suspeito vai para ultrassom, TC ou RM, com PAAF guiada por ultrassom na dúvida, e TC de tórax, abdome e pelve ou PET-CT buscam metástases.
5-FU com mitomicina C, ou cisplatina se a mitomicina for contraindicada, e radioterapia, com intenção curativa nos estádios I a III, com preservação do esfíncter. Cirurgia de entrada é contraindicada. Na metástase à distância, o foco passa a ser a quimioterapia sistêmica paliativa.
Primeira reavaliação entre 8 e 12 semanas após o fim do tratamento. Resposta parcial em regressão é observada a cada 4 a 6 semanas até 26 semanas; biópsia só se houver progressão ou lesão persistente após esse prazo. A falha leva à amputação abdominoperineal de reto, a cirurgia de Miles, com colostomia definitiva.
Perguntas frequentes
O esquema de Nigro: quimioterapia com 5-FU e mitomicina C associada à radioterapia, com intenção curativa nos estádios não metastáticos, sem cirurgia de entrada. A quimiorradioterapia tem intenção definitiva, com preservação do esfíncter, e chamá-la de neoadjuvância é a pegadinha da questão comentada. A cirurgia fica para o resgate.
Mais de 85% dos casos se ligam à infecção persistente por HPV de alto risco, sobretudo os tipos 16 e 18. As oncoproteínas E6 e E7 inativam o p53 e a pRb, como no câncer de colo uterino, e a neoplasia intraepitelial anal progride para carcinoma invasor. HIV e imunossupressão de transplantados multiplicam o risco.
Depende da linha pectínea. Tumores acima dela drenam para o mesorreto e os ilíacos internos; abaixo dela e na margem anal, para os linfonodos inguinais superficiais. Por isso a palpação inguinal bilateral é obrigatória, e o linfonodo inguinal comprometido torna o paciente N positivo.
Não antes da hora: a radiação mata células por semanas a meses após o fim do tratamento, e a lesão residual precoce pode estar em regressão. A primeira reavaliação é entre 8 e 12 semanas; com resposta parcial, observa-se até 26 semanas. A biópsia entra na progressão clara ou na lesão que persiste após 26 semanas.
A amputação abdominoperineal de reto, ou cirurgia de Miles, com ressecção em monobloco do sigmoide distal, reto, aparelho esfincteriano e ânus e colostomia terminal definitiva em fossa ilíaca esquerda. O fechamento do períneo irradiado muitas vezes exige retalho miocutâneo. A retossigmoidectomia anterior não remove o canal anal e não serve como resgate.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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