Teoria criptoglandular, tríade clínica do abscesso, tipos perianal, isquiorretal, interesfincteriano e supraelevador, quando pedir RM ou TC, drenagem imediata, quando associar antibiótico, gangrena de Fournier, fístula como fase crônica, regra de Goodsall-Salmon e sua exceção, classificação de Parks, fístula simples e complexa, causas secundárias e cirurgia: fistulotomia, sedenho e LIFT. Duas questões comentadas: INEP 2022 e FMABC/SP 2017.
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Para que serve
Do abscesso no pronto-socorro à fístula no consultório, como duas fases da mesma doença criptoglandular.
Drenagem cirúrgica imediata, sem esperar flutuação e sem imagem no abscesso visível, e antibiótico reservado a indicações como diabetes, imunodepressão, sepse e celulite extensa.
O trajeto previsto pelo orifício externo, com a exceção do anterior a mais de 3 cm da margem anal, e os quatro tipos de Parks ligados à escolha entre fistulotomia, sedenho e LIFT.
INEP 2022, sobre o abscesso sem ponto de flutuação, e FMABC/SP 2017, sobre a secreção crônica na roupa íntima, com gabarito e comentário de cada alternativa.
Sumário
Da glândula anal obstruída à cirurgia da fístula, na ordem em que a apostila ensina.
A regra de Goodsall-Salmon prevê onde está o orifício interno da fístula anorretal, na cripta anal, a partir da posição do orifício externo na pele. Com o paciente em posição de litotomia, uma linha transversal divide o ânus em metade anterior e metade posterior. Orifício externo posterior indica trajeto curvo até a cripta da linha média posterior, às 6 horas; orifício anterior a menos de 3 cm da margem anal indica trajeto reto e radial até a cripta correspondente.
A exceção é a parte mais cobrada: orifício externo anterior a mais de 3 cm da margem anal quebra a regra do trajeto reto. Essa fístula faz um trajeto curvo, contornando o aparelho esfincteriano em direção à linha média posterior, como as posteriores.
A regra entra depois do diagnóstico clínico da fístula. O paciente conta saída crônica ou intermitente de secreção purulenta, serossanguinolenta ou fétida por um orifício perianal, muitas vezes depois da drenagem de um abscesso. No exame, o orifício externo aparece como um botão de tecido de granulação, e às vezes se palpa um cordão fibroso indo em direção à margem anal.
Localizado o trajeto, a classificação de Parks define a cirurgia: a fístula simples aceita a fistulotomia, e a complexa exige técnica que preserve o esfíncter. Posterior, ou anterior a mais de 3 cm, vai curvo para as 6 horas; anterior perto da margem vai reto para a cripta da frente.
Comparativo
Parks classifica o trajeto pela relação com o esfíncter anal externo e com o levantador do ânus. Na apostila, o tipo de Parks entra na separação entre fístula simples e complexa.
| Tipo de Parks | Trajeto | Frequência | Simples ou complexa |
|---|---|---|---|
| Interesfincteriana | Fica no plano entre os esfíncteres interno e externo e desce direto para a pele perianal | 70%, a mais comum | Simples: fistulotomia |
| Transesfincteriana baixa | Cruza o esfíncter externo até a fossa isquiorretal, envolvendo menos de 30% do esfíncter | 25%, somadas baixa e alta | Simples: fistulotomia |
| Transesfincteriana alta | Cruza o esfíncter externo envolvendo mais de 30% do músculo | 25%, somadas baixa e alta | Complexa: sedenho ou LIFT |
| Supraesfincteriana | Sobe no espaço interesfincteriano, passa sobre o puborretal e o levantador do ânus e desce pela fossa isquiorretal | 5% | Complexa: preservar o esfíncter |
| Extraesfincteriana | Nasce na parede do reto, acima da linha pectínea, e atravessa o levantador do ânus sem relação com a cripta anal | 1% | Complexa: preservar o esfíncter |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do paciente com dor anal latejante à escolha da cirurgia da fístula.
Dor anal contínua e latejante, abaulamento perianal doloroso e febre com calafrios formam a tríade. No abscesso interesfincteriano ou supraelevador a pele pode ser normal, e o toque retal doloroso é o passo decisivo.
O diagnóstico é clínico. RM de pelve, padrão-ouro, ou TC ficam para abscesso profundo, recorrente ou paciente imunodeprimido com exame inconclusivo; pedir imagem no abscesso visível e flutuante adia a drenagem e é conduta errada em prova.
Drenagem cirúrgica imediata, sem esperar flutuação. A incisão fica o mais próximo possível da margem anal, para que uma eventual fístula tenha o trajeto mais curto, e a exploração digital rompe as traves fibrosas da loja.
Diabetes, imunodepressão, sinais de infecção sistêmica e celulite extensa estão entre as indicações; no jovem imunocompetente com abscesso simples, em geral, a drenagem basta. O esquema cobre gram-negativos e anaeróbios, e o mais cobrado é ciprofloxacino com metronidazol. Dor perineal desproporcional com crepitação e necrose aponta para Fournier: desbridamento de urgência, antibiótico amplo e UTI.
Diante da secreção crônica por orifício perianal, a regra de Goodsall-Salmon aponta o orifício interno e a classificação de Parks separa a fístula simples da complexa. Na fístula complexa ou recidivante, a RM de pelve é o exame de escolha; a fistulografia é obsoleta.
Fistulotomia na fístula simples, com cura acima de 95%. Na complexa, sedenho ou LIFT, que liga o trajeto no espaço interesfincteriano sem cortar músculo. Na doença de Crohn, fistulotomia é contraindicada: sedenho não cortante e imunobiológico.
Perguntas frequentes
É a forma mais frequente de abscesso anorretal: o pus que sai da glândula anal infectada desce e se acumula no subcutâneo da margem anal. Os outros tipos são isquiorretal, interesfincteriano e supraelevador, este o mais raro. A conduta é a drenagem cirúrgica imediata, porque abscesso diagnosticado é abscesso drenado.
Na maioria dos casos, a teoria criptoglandular: a obstrução das glândulas anais de Chiari, nas criptas de Morgagni, gera o abscesso, e a fístula é a fase crônica e epitelizada do mesmo processo. Fístulas múltiplas, atípicas ou que não cicatrizam pedem investigação de causas secundárias, como doença de Crohn, hidradenite supurativa, doença pilonidal, tuberculose e neoplasia.
O trajeto não fecha sozinho: a infecção criptoglandular persiste na origem e a reepitelização das bordas impede o colapso do túnel. O orifício externo pode se fechar por um tempo, mas a secreção se acumula, forma um miniabscesso e volta a drenar. A cura vem da cirurgia.
Na fístula simples, a fistulotomia: um estilete passa pelo trajeto, o teto da fístula é aberto e a ferida cicatriza por segunda intenção. Na complexa, o sedenho, cortante ou de drenagem, ou o LIFT, a ligadura do trajeto no espaço interesfincteriano, preservam o esfíncter. A fistulectomia deixa feridas maiores e não é a primeira escolha.
Na maioria dos jovens imunocompetentes com abscesso perianal simples, nenhum: a drenagem isolada é curativa. Quando há indicação, como diabetes, imunodepressão, sepse ou celulite extensa, o esquema cobre gram-negativos e anaeróbios, e a combinação mais cobrada é ciprofloxacino com metronidazol. Antibiótico sem drenagem é erro grave.
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Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

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Pediatria
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Pediatria
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Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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