Câncer de tireoide tipo a tipo, com a conduta em cada um: papilífero e metástase linfonodal, folicular e via hematogênica, NIFTP, carcinoma oncocítico, lobectomia x tireoidectomia total, esvaziamento cervical, supressão do TSH, radioiodo, tireoglobulina e anti-Tg, medular com NEM 2 e calcitonina, e anaplásico. Seis questões comentadas, entre elas USP/SP 2026 e Dante Pazzanese 2026.
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Para que serve
Dos tipos histológicos à extensão da cirurgia e ao seguimento, os dois eixos que a prova de residência mais cobra no tema.
Papilífero com disseminação linfática, folicular com via hematogênica e diagnóstico só na histologia, medular das células C com calcitonina e NEM 2, e anaplásico do idoso, com crescimento em semanas.
Lobectomia ou tireoidectomia total pelo tamanho e pelo risco, radioiodo conforme a estratificação da ATA e metas de TSH de menos de 0,1 a 2,0 mU/L, com o que muda quando a resposta é excelente.
UNESP 2024, UNICAMP 2023, IAMSPE 2024, Dante Pazzanese 2026, USP/SP 2026 e USP/SP 2025, da investigação inicial ao carcinoma anaplásico, com gabarito e comentário.
Sumário
Do papilífero ao anaplásico, do diagnóstico ao seguimento, na ordem em que a apostila ensina.
O carcinoma papilífero da tireoide dá metástase principalmente para os linfonodos do pescoço, por via linfática: de 35% a 80% dos pacientes já têm metástase linfonodal ao diagnóstico, muitas vezes microscópica. Metástases à distância, para pulmão e osso, são menos comuns, de 2% a 10%.
Segundo a apostila, essa disseminação linfática não costuma aumentar muito a mortalidade em pacientes jovens, embora aumente o risco de recidiva local. Linfonodo cervical calcificado ou cístico no ultrassom de um paciente com nódulo tireoidiano sugere carcinoma papilífero metastático, e corpos psamomatosos num linfonodo cervical são praticamente patognomônicos.
O carcinoma folicular segue outro caminho. Ele invade cápsula e vasos e se espalha por via hematogênica: metástases cervicais são raras, cerca de 10%, e à distância são mais comuns, de 10% a 15%, para pulmão e ossos. Fratura patológica com tecido tireoidiano na biópsia aponta folicular metastático. O carcinoma oncocítico faz metástases à distância como o folicular e vai para linfonodos cervicais com mais frequência.
A via de disseminação muda a conduta. Linfonodo suspeito (cN1) pede esvaziamento compartimental, sem retirar só o linfonodo doente; no papilífero cN0 menor que 4 cm e não invasivo, o esvaziamento profilático não é feito. Metástase à distância coloca o paciente no alto risco: radioiodo em dose mais alta e TSH abaixo de 0,1 mU/L.
Comparativo
Cada tipo histológico tem uma célula de origem, uma via de disseminação e um marcador. A tabela junta essas três coisas ao que a banca coloca no enunciado.
| Tipo | Origem | Disseminação | Pista na prova |
|---|---|---|---|
| Papilífero (cerca de 85%) | Células foliculares | Linfática, para linfonodos cervicais | Corpos psamomatosos, núcleos em olhos da Órfã Annie, BRAF V600E; radiação na infância |
| Folicular (10% a 15%) | Células foliculares | Hematogênica, para pulmão e ossos | PAAF dá Bethesda IV; o diagnóstico depende de invasão de cápsula ou vasos; deficiência de iodo |
| Oncocítico (Hürthle) | Células foliculares | À distância e para linfonodos cervicais | A maioria não capta iodo; Tg alta com PCI negativa pede PET-CT com FDG |
| Medular (3% a 5%) | Células C parafoliculares | Linfática e hematogênica | Calcitonina e CEA; NEM 2 e RET; excluir feocromocitoma antes de operar |
| Anaplásico (raro) | Células foliculares desdiferenciadas | Local e à distância | Idoso, massa pétrea de crescimento rápido; todo caso é estádio IV |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila para papilífero e folicular, da cirurgia ao seguimento.
O papilífero pode ser diagnosticado já na PAAF, pela aparência do núcleo. O folicular não: a citologia de adenoma e carcinoma é idêntica, e o laudo vem Bethesda IV. Nesse caso, teste molecular ou lobectomia diagnóstica.
Até 1 cm, lobectomia, com vigilância ativa em idosos selecionados. Entre 1 e 4 cm, lobectomia ou total são aceitáveis. Acima de 4 cm, a regra clássica é a total, obrigatória também com irradiação de cabeça e pescoço na infância, extensão extratireoidiana grosseira, metástase clínica ou doença bilateral.
Com linfonodo suspeito (cN1), faça esvaziamento compartimental: nível VI inteiro ou cadeia lateral de II a V. Sem linfonodo suspeito, em tumor menor que 4 cm e não invasivo, não se faz esvaziamento profilático; em T3 ou T4, a ATA sugere considerá-lo.
Baixo risco: não fazer. Risco intermediário: considerar, com 30 a 100 mCi. Alto risco: fazer, com 100 a 150 mCi ou mais. O preparo exige TSH acima de 30 mU/L, por suspensão da levotiroxina por 3 a 4 semanas ou TSH recombinante, e dieta pobre em iodo por 1 a 2 semanas.
Meta inicial abaixo de 0,1 mU/L no alto risco, de 0,1 a 0,5 no intermediário e de 0,5 a 2,0 no baixo risco. Com resposta excelente, a supressão é relaxada. Supressão prolongada aumenta o risco de fibrilação atrial e osteoporose, sobretudo em idosos e na pós-menopausa.
Sempre dose os dois. Anti-Tg positivo torna a Tg indetectável um falso negativo e passa a ser o próprio marcador. Na Dante Pazzanese 2026 da apostila, a paciente de alto risco com Tg indetectável e anti-Tg detectável tem resposta indeterminada, e a conduta é manter o TSH abaixo de 0,1 mU/L.
Perguntas frequentes
É maligno: é o câncer de tireoide mais frequente, com cerca de 85% dos casos, e na tabela da apostila tem prognóstico excelente. Nos tumores intratireoidianos de até 1 cm, a sobrevida em 30 anos beira 100%. A variante folicular encapsulada e não invasiva foi reclassificada como NIFTP, neoplasia de comportamento indolente, tratada só com lobectomia.
O carcinoma anaplásico, a forma mais agressiva e letal. É doença de idosos, com média de 65 anos, e surge da desdiferenciação de um carcinoma papilífero ou folicular. A massa é pétrea, cresce em semanas e comprime via aérea e esôfago; todo caso é estádio IV, e até 50% já têm metástase à distância ao diagnóstico.
Depende do tipo. No diferenciado, cirurgia (lobectomia ou total), radioiodo conforme o risco e supressão do TSH. No medular, tireoidectomia total com esvaziamento central profilático, sem radioiodo e sem supressão, porque a célula C não capta iodo nem tem receptor de TSH. No anaplásico, manejo multimodal, com a via aérea como prioridade.
No carcinoma diferenciado, o tratamento descrito na apostila é cirurgia, radioiodo conforme o risco e supressão do TSH. No medular avançado, a quimioterapia clássica tem resposta pobre e a escolha é a terapia-alvo, com selpercatinib ou pralsetinib quando há mutação RET. No anaplásico, a quimiorradiação é o padrão para a maioria, e o BRAF V600E positivo recebe dabrafenib com trametinib.
No medular, 25% dos casos são hereditários, ligados à NEM 2 por mutação germinativa do RET, autossômica dominante, e a ATA recomenda testar o RET em todos, porque 6% a 7% dos aparentemente esporádicos têm mutação oculta. No papilífero, parente de primeiro grau com câncer de tireoide aumenta o risco em até 10 vezes, e há associação com polipose adenomatosa familiar, complexo de Carney e síndrome de Cowden.
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Clínica Médica
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Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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