Apostila gratuita · 27 páginas

SDRA: critérios diagnósticos, gravidade, ventilação protetora e resgate da hipoxemia refratária

Causas diretas e indiretas, edema de permeabilidade, shunt e baby lung, critérios de Berlim e a nova definição global, gravidade pela P/F e pela SpO2/FiO2, ultrassom pulmonar, VNI ou intubação, ventilação protetora, posição prona, ECMO, fluidos e tratamento farmacológico. Quatro questões comentadas, entre elas MS-UFGD-HU 2020 e MG-HDG 2020.

PDF de 3,5 MB. Gratuito.

Capa da apostila Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) em um tablet
Formato
Apostila · 27 páginas
Área da prova
Clínica Médica · Medicina intensiva
Produzido por
Equipe Med-Review R1
Atualizado em
Outubro de 2026
Preço
Gratuito

Para que serve

O que a apostila de SDRA cobre

Da agressão inflamatória ao ajuste do ventilador, com o que a banca cobra em diagnóstico e em ventilação mecânica.

  • Critérios da nova definição global

    Diagnóstico também fora da intubação, com cateter de alto fluxo a partir de 30 L/min ou VNI com PEEP ≥ 5 cmH2O, SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97% e ultrassom pulmonar como critério de imagem.

  • Ventilação protetora em números

    Volume corrente inicial de 6 mL/kg de peso predito, pressão de platô até 30 cmH2O, driving pressure até 15 cmH2O e alvo de SpO2 entre 88% e 95%.

  • Quatro questões comentadas

    MS-UFGD-HU 2020, MG-HDG 2020, UEL 2021 adaptada e uma questão autoral sobre ajuste do volume corrente, com gabarito e comentário.

Sumário

O que tem dentro das 27 páginas

Da fisiopatologia ao resgate do paciente refratário, na ordem em que a apostila ensina.

  1. 01O que mais cai em prova: o resumo para a prova
  2. 02Contexto clínico e por que o tema cai tanto
  3. 03Etiologia e fisiopatologia: cascata inflamatória e barreira rompida
  4. 04Causas: pneumonia, aspiração, sepse e outras agressões
  5. 05Edema de permeabilidade
  6. 06Colapso alveolar, shunt e hipoxemia refratária
  7. 07Espaço morto, baby lung e hipertensão pulmonar
  8. 08Quadro clínico
  9. 09Critérios diagnósticos: Berlim e a nova definição global
  10. 10Classificação de gravidade e como afastar o edema cardiogênico
  11. 11Exames de imagem: radiografia, tomografia e ultrassom pulmonar
  12. 12Ventilação invasiva ou não invasiva
  13. 13Ventilação protetora: volume corrente, pressão de platô e driving pressure
  14. 14Oxigenação, PEEP e frequência respiratória
  15. 15Paciente refratário: posição prona e suas contraindicações
  16. 16Recrutamento alveolar, PEEP alta e ECMO
  17. 17Fluidos
  18. 18Tratamento farmacológico: corticoide, bloqueio neuromuscular e vasodilatadores inalatórios
  19. 19Terapia de suporte na UTI
Página interna da apostila sobre Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)
Página da apostila: a tabela de critérios diagnósticos, com tempo de início, imagem, origem do edema e o critério de oxigenação no paciente intubado, no não intubado e com recursos limitados.

O que é SDRA?

SDRA, a síndrome do desconforto respiratório agudo, é uma forma de insuficiência respiratória hipoxêmica causada por edema pulmonar de origem não cardiogênica. Uma agressão grave, direta ou indireta, desencadeia uma inflamação que rompe a barreira alveolocapilar e faz líquido rico em proteínas vazar para o interstício e para os alvéolos. A apostila a descreve como via final comum de uma agressão grave ao parênquima pulmonar.

Pneumonia, sepse e aspiração de conteúdo gástrico respondem pela maioria dos casos. A pneumonia é a causa direta mais frequente e a sepse, a causa indireta mais comum. Pancreatite e transfusão de hemocomponentes também causam SDRA, e o etilismo crônico aumenta a vulnerabilidade do pulmão à lesão oxidativa.

O dano aos pneumócitos tipo II tira o surfactante e colapsa alvéolos, enquanto outros ficam inundados. O sangue atravessa áreas perfundidas e não ventiladas, o shunt intrapulmonar, e a hipoxemia é refratária ao aumento da FiO2 e melhora quando o alvéolo é reaberto com PEEP ou posição prona. Sobra pouco pulmão aerado, o baby lung, e a complacência cai.

O diagnóstico exige início em até uma semana, opacidades bilaterais na radiografia, na tomografia ou no ultrassom, edema não explicado por falência cardíaca ou sobrecarga de volume e um critério de oxigenação: PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97%. A gravidade é leve, moderada ou grave pela P/F, com cortes de 300, 200 e 100.

Página da apostila Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)

Comparativo

Gravidade da SDRA e a conduta em cada faixa

A relação PaO2/FiO2 classifica a SDRA e muda a conduta. A tabela junta os cortes às decisões que a apostila associa a cada faixa.

Faixas de gravidade da SDRA pela PaO2/FiO2, com o corte correspondente de SpO2/FiO2, e o paciente refratário, com a conduta indicada. Fonte: apostila Med-Review R1, “Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA)”.
FaixaPaO2/FiO2SpO2/FiO2O que a apostila indica
Leve201 a 300≤ 315VNI pode ser tentada se P/F > 200, com estabilidade hemodinâmica e sem indicação de intubação imediata
Moderada101 a 200≤ 235VNI costuma falhar e atrasar a intubação aumenta a mortalidade; corticoide se P/F < 200 e menos de 14 dias de doença
Grave≤ 100≤ 148Bloqueador neuromuscular reservado para P/F < 100 ou dissincronia grave; ECMO se ventilação protetora e prona falharem
Refratária< 150 com ventilação otimizadaNão se aplicaPosição prona precoce, em sessões de 16 a 20 horas, depois de checar as contraindicações

Arraste a tabela para o lado.

Na prática

Como ventilar o paciente com SDRA, passo a passo

O raciocínio da apostila, do diagnóstico ao resgate do paciente refratário.

  1. Confirme os critérios e afaste o edema cardiogênico

    A história orienta: sepse aponta para SDRA, infarto agudo para edema cardiogênico. BNP abaixo de 100 pg/mL tem alto valor preditivo negativo para insuficiência cardíaca, e o ecocardiograma avalia a função do ventrículo esquerdo.

  2. Decida entre VNI e intubação

    A VNI pode ser tentada só na SDRA leve, com P/F acima de 200, estabilidade hemodinâmica e sem rebaixamento do nível de consciência. Na moderada a grave, a VNI costuma falhar e o atraso da intubação aumenta a mortalidade.

  3. Calcule o volume pelo peso predito

    O pulmão não cresce com o ganho de peso, então o volume corrente usa o peso predito pela altura e pelo sexo, nunca o peso real. Comece com 6 mL/kg. Se a pressão de platô passar de 30 cmH2O, reduza em passos de 1 mL/kg até o mínimo de 4 mL/kg.

  4. Vigie platô e driving pressure

    A driving pressure é a pressão de platô menos a PEEP e deve ficar até 15 cmH2O. Platô de 28, dentro do alvo, com driving pressure de 18 ainda expõe o pulmão a risco e pede ajuste.

  5. Titule FiO2 e PEEP

    Comece com FiO2 de 100% e PEEP de 5 cmH2O, reduza a FiO2 rapidamente até SpO2 entre 88% e 95% e siga os degraus da tabela ARDSNet, sempre com a menor PEEP para a FiO2 escolhida. Para compensar o CO2, a frequência pode subir até 35 irpm, com hipercapnia permissiva.

  6. No refratário, prona antes do resgate

    Com P/F abaixo de 150 apesar da ventilação otimizada, a posição prona precoce reduz a mortalidade. Confira as contraindicações: instabilidade espinal, fraturas instáveis de pelve e face, queimaduras ou feridas anteriores, instabilidade hemodinâmica não tratada e hipertensão intracraniana grave. A ECMO fica para quando prona e ventilação protetora falham.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre SDRA na prova

Quais são os critérios diagnósticos da SDRA?

Início agudo, em até uma semana de um insulto conhecido ou de sintomas novos; opacidades bilaterais na radiografia, na tomografia ou no ultrassom, não explicadas por derrame ou nódulos; edema não cardiogênico; e um critério de oxigenação. No paciente intubado, PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97%, com PEEP de pelo menos 5 cmH2O. A nova definição global aceita o diagnóstico em cateter de alto fluxo a partir de 30 L/min ou em VNI com PEEP ≥ 5.

Como é a classificação da SDRA em leve, moderada e grave?

Pela relação PaO2/FiO2: leve entre 201 e 300, moderada entre 101 e 200 e grave até 100. Pela SpO2/FiO2, os cortes são 315, 235 e 148. Na conta, a FiO2 entra em decimal: 50% vira 0,5.

Qual a fisiopatologia da SDRA?

Macrófagos alveolares ativados liberam TNF-alfa, IL-1, IL-6 e IL-8, que recrutam neutrófilos. Eles liberam proteases e espécies reativas de oxigênio e lesam endotélio e epitélio alveolar. O resultado é o dano alveolar difuso: edema de permeabilidade rico em proteínas, perda de surfactante, atelectasia, shunt, espaço morto e queda da complacência.

Como a SDRA aparece no raio X?

A radiografia de tórax é o exame inicial e mostra opacidades alveolares bilaterais difusas. As alterações podem começar sutis, com atelectasias dependentes, e progridem para um infiltrado branco que poupa poucos campos. A tomografia, padrão-ouro, mostra vidro fosco e consolidações mais intensas nas zonas dependentes.

Como é o tratamento ventilatório na SDRA?

Ventilação protetora: volume corrente de 6 mL/kg de peso predito, pressão de platô até 30 cmH2O, driving pressure até 15 cmH2O, PEEP pela tabela ARDSNet e SpO2 entre 88% e 95%. No refratário, posição prona precoce e, em casos selecionados, ECMO. A apostila resume que o que reduz mortalidade é ventilação protetora, prona e, em casos selecionados, ECMO e corticoide precoce.

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  • Raquel Khoury

    Clínica Médica

    Raquel Khoury

    Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

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    Juliana Lacerda

    Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

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    Diego Luz

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

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    Tiarlles Miller

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

  • Davi Khoury

    Clínica Médica

    Davi Khoury

    Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

  • Vitor Arienzo

    Cirurgia Geral

    Vitor Arienzo

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Phellipe Fabrini

    Cirurgia Geral

    Phellipe Fabrini

    Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Luiz Sposito

    Cirurgia Geral

    Luiz Sposito

    Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

  • Paulo Tonaco

    Pediatria

    Paulo Tonaco

    Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

  • Stephanie Lahat

    Pediatria

    Stephanie Lahat

    Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

  • Roberto Guimarães

    Pediatria

    Roberto Guimarães

    Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

  • Juliana Araújo

    Ginecologia e Obstetrícia

    Juliana Araújo

    Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

  • Natalia Cardin

    Medicina Preventiva

    Natalia Cardin

    Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Isabella Zanfra

    Medicina Preventiva

    Isabella Zanfra

    Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

  • Daniel Costa

    Oftalmologia

    Daniel Costa

    Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

  • Flávio Moura

    Oftalmologia

    Flávio Moura

    Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

  • Giovani Pacífico

    Ortopedia

    Giovani Pacífico

    Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

  • Victor Sechin

    Ortopedia

    Victor Sechin

    Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

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