Causas diretas e indiretas, edema de permeabilidade, shunt e baby lung, critérios de Berlim e a nova definição global, gravidade pela P/F e pela SpO2/FiO2, ultrassom pulmonar, VNI ou intubação, ventilação protetora, posição prona, ECMO, fluidos e tratamento farmacológico. Quatro questões comentadas, entre elas MS-UFGD-HU 2020 e MG-HDG 2020.
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Para que serve
Da agressão inflamatória ao ajuste do ventilador, com o que a banca cobra em diagnóstico e em ventilação mecânica.
Diagnóstico também fora da intubação, com cateter de alto fluxo a partir de 30 L/min ou VNI com PEEP ≥ 5 cmH2O, SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97% e ultrassom pulmonar como critério de imagem.
Volume corrente inicial de 6 mL/kg de peso predito, pressão de platô até 30 cmH2O, driving pressure até 15 cmH2O e alvo de SpO2 entre 88% e 95%.
MS-UFGD-HU 2020, MG-HDG 2020, UEL 2021 adaptada e uma questão autoral sobre ajuste do volume corrente, com gabarito e comentário.
Sumário
Da fisiopatologia ao resgate do paciente refratário, na ordem em que a apostila ensina.
SDRA, a síndrome do desconforto respiratório agudo, é uma forma de insuficiência respiratória hipoxêmica causada por edema pulmonar de origem não cardiogênica. Uma agressão grave, direta ou indireta, desencadeia uma inflamação que rompe a barreira alveolocapilar e faz líquido rico em proteínas vazar para o interstício e para os alvéolos. A apostila a descreve como via final comum de uma agressão grave ao parênquima pulmonar.
Pneumonia, sepse e aspiração de conteúdo gástrico respondem pela maioria dos casos. A pneumonia é a causa direta mais frequente e a sepse, a causa indireta mais comum. Pancreatite e transfusão de hemocomponentes também causam SDRA, e o etilismo crônico aumenta a vulnerabilidade do pulmão à lesão oxidativa.
O dano aos pneumócitos tipo II tira o surfactante e colapsa alvéolos, enquanto outros ficam inundados. O sangue atravessa áreas perfundidas e não ventiladas, o shunt intrapulmonar, e a hipoxemia é refratária ao aumento da FiO2 e melhora quando o alvéolo é reaberto com PEEP ou posição prona. Sobra pouco pulmão aerado, o baby lung, e a complacência cai.
O diagnóstico exige início em até uma semana, opacidades bilaterais na radiografia, na tomografia ou no ultrassom, edema não explicado por falência cardíaca ou sobrecarga de volume e um critério de oxigenação: PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97%. A gravidade é leve, moderada ou grave pela P/F, com cortes de 300, 200 e 100.
Comparativo
A relação PaO2/FiO2 classifica a SDRA e muda a conduta. A tabela junta os cortes às decisões que a apostila associa a cada faixa.
| Faixa | PaO2/FiO2 | SpO2/FiO2 | O que a apostila indica |
|---|---|---|---|
| Leve | 201 a 300 | ≤ 315 | VNI pode ser tentada se P/F > 200, com estabilidade hemodinâmica e sem indicação de intubação imediata |
| Moderada | 101 a 200 | ≤ 235 | VNI costuma falhar e atrasar a intubação aumenta a mortalidade; corticoide se P/F < 200 e menos de 14 dias de doença |
| Grave | ≤ 100 | ≤ 148 | Bloqueador neuromuscular reservado para P/F < 100 ou dissincronia grave; ECMO se ventilação protetora e prona falharem |
| Refratária | < 150 com ventilação otimizada | Não se aplica | Posição prona precoce, em sessões de 16 a 20 horas, depois de checar as contraindicações |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do diagnóstico ao resgate do paciente refratário.
A história orienta: sepse aponta para SDRA, infarto agudo para edema cardiogênico. BNP abaixo de 100 pg/mL tem alto valor preditivo negativo para insuficiência cardíaca, e o ecocardiograma avalia a função do ventrículo esquerdo.
A VNI pode ser tentada só na SDRA leve, com P/F acima de 200, estabilidade hemodinâmica e sem rebaixamento do nível de consciência. Na moderada a grave, a VNI costuma falhar e o atraso da intubação aumenta a mortalidade.
O pulmão não cresce com o ganho de peso, então o volume corrente usa o peso predito pela altura e pelo sexo, nunca o peso real. Comece com 6 mL/kg. Se a pressão de platô passar de 30 cmH2O, reduza em passos de 1 mL/kg até o mínimo de 4 mL/kg.
A driving pressure é a pressão de platô menos a PEEP e deve ficar até 15 cmH2O. Platô de 28, dentro do alvo, com driving pressure de 18 ainda expõe o pulmão a risco e pede ajuste.
Comece com FiO2 de 100% e PEEP de 5 cmH2O, reduza a FiO2 rapidamente até SpO2 entre 88% e 95% e siga os degraus da tabela ARDSNet, sempre com a menor PEEP para a FiO2 escolhida. Para compensar o CO2, a frequência pode subir até 35 irpm, com hipercapnia permissiva.
Com P/F abaixo de 150 apesar da ventilação otimizada, a posição prona precoce reduz a mortalidade. Confira as contraindicações: instabilidade espinal, fraturas instáveis de pelve e face, queimaduras ou feridas anteriores, instabilidade hemodinâmica não tratada e hipertensão intracraniana grave. A ECMO fica para quando prona e ventilação protetora falham.
Perguntas frequentes
Início agudo, em até uma semana de um insulto conhecido ou de sintomas novos; opacidades bilaterais na radiografia, na tomografia ou no ultrassom, não explicadas por derrame ou nódulos; edema não cardiogênico; e um critério de oxigenação. No paciente intubado, PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SpO2/FiO2 ≤ 315 com saturação ≤ 97%, com PEEP de pelo menos 5 cmH2O. A nova definição global aceita o diagnóstico em cateter de alto fluxo a partir de 30 L/min ou em VNI com PEEP ≥ 5.
Pela relação PaO2/FiO2: leve entre 201 e 300, moderada entre 101 e 200 e grave até 100. Pela SpO2/FiO2, os cortes são 315, 235 e 148. Na conta, a FiO2 entra em decimal: 50% vira 0,5.
Macrófagos alveolares ativados liberam TNF-alfa, IL-1, IL-6 e IL-8, que recrutam neutrófilos. Eles liberam proteases e espécies reativas de oxigênio e lesam endotélio e epitélio alveolar. O resultado é o dano alveolar difuso: edema de permeabilidade rico em proteínas, perda de surfactante, atelectasia, shunt, espaço morto e queda da complacência.
A radiografia de tórax é o exame inicial e mostra opacidades alveolares bilaterais difusas. As alterações podem começar sutis, com atelectasias dependentes, e progridem para um infiltrado branco que poupa poucos campos. A tomografia, padrão-ouro, mostra vidro fosco e consolidações mais intensas nas zonas dependentes.
Ventilação protetora: volume corrente de 6 mL/kg de peso predito, pressão de platô até 30 cmH2O, driving pressure até 15 cmH2O, PEEP pela tabela ARDSNet e SpO2 entre 88% e 95%. No refratário, posição prona precoce e, em casos selecionados, ECMO. A apostila resume que o que reduz mortalidade é ventilação protetora, prona e, em casos selecionados, ECMO e corticoide precoce.
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Quem ensina
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Clínica Médica
Médica pela Universidade do Sudoeste da Bahia. Aprovada em Neurologia: UFMG. Neurologista pela UFMG.

Clínica Médica
Médica pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovada em Anestesiologia: HC-UFMG, IPSEMG e Felício Rocho. Residente de Anestesiologia do HC-UFMG.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG, SUS-SP, USP-RP, SUS-BA. Anestesiologista pelo HC-UFMG.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, PSU-MG, Odilon Behrens, ISCMBH. Pediatra pelo FHEMIG.

Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

Ginecologia e Obstetrícia
Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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