Rastreio com TC de baixa dose, nódulo e massa, calcificações e vidro fosco, biópsia percutânea ou por broncoscopia, pequenas e não pequenas células, síndromes paraneoplásicas, veia cava superior e Pancoast, TNM, mediastino e conduta por estádio. Três questões comentadas: HIAE 2023, ENARE 2022 e uma autoral.
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Para que serve
Do rastreio à conduta por estádio, com as associações que a banca usa para pedir o tipo histológico.
TC de tórax de baixa dose anual para o tabagista de 50 a 80 anos com carga tabágica elevada, atual ou que parou há menos de 15 anos, e o nódulo lido pela borda, pela calcificação e pelo vidro fosco.
SIADH, Cushing ectópico e Eaton-Lambert no pequenas células, hipercalcemia por PTH-rP no epidermoide e osteoartropatia hipertrófica no adenocarcinoma.
HIAE 2023, sobre biópsia de nódulo periférico, ENARE 2022, sobre síndrome de Pancoast, e uma questão autoral sobre PET positivo no mediastino, com gabarito e comentário.
Sumário
Do paciente assintomático no rastreio à decisão terapêutica, na ordem em que a apostila ensina.
A síndrome de Pancoast é o quadro causado pelo tumor do sulco superior: um câncer que nasce no ápice pulmonar e invade o plexo braquial e a cadeia simpática cervical. A tríade clássica soma dor no ombro e no braço, pela invasão das raízes C8 e T1, síndrome de Horner ipsilateral e destruição óssea, com erosão da 1ª e da 2ª costelas e atrofia dos músculos da mão.
A síndrome de Horner vem da invasão do gânglio estrelado e causa miose, ptose e anidrose do mesmo lado do tumor. Na ENARE 2022 da apostila, a massa apical com dor e perda de força no ombro e no braço, ptose, miose e anidrose tem como resposta síndrome de Pancoast: a síndrome de Claude Bernard-Horner é só a tríade ocular e facial, que faz parte do quadro mas não explica a dor e a atrofia.
Segundo a apostila, o tumor de Pancoast é quase exclusivo do câncer de não pequenas células. A banca costuma colocá-lo ao lado da síndrome da veia cava superior, a outra complicação locorregional que cai muito: nela, o tumor central comprime a veia cava e aparecem edema de face e pescoço, turgência jugular, circulação colateral no tórax e dispneia.
Ápice pulmonar, dor no ombro e Horner ipsilateral fecham o diagnóstico de Pancoast; edema de face com circulação colateral aponta para veia cava superior.
Comparativo
A banca descreve a síndrome e pede o tipo histológico. A tabela junta as associações diretas da apostila.
| Síndrome | Tipo histológico | Pista na prova |
|---|---|---|
| SIADH | Pequenas células | Hiponatremia com confusão mental, convulsão ou coma; ocorre em cerca de 10% dos casos de pequenas células |
| Cushing ectópico | Pequenas células | Tumor secreta ACTH: fraqueza muscular, hipocalemia, hiperglicemia e perda de peso |
| Eaton-Lambert | Pequenas células | Anticorpos contra o canal de cálcio pré-sináptico; a fraqueza proximal melhora com a repetição do movimento |
| Hipercalcemia maligna | Epidermoide | Proteína parecida com o PTH (PTH-rP): polidipsia, poliúria, constipação e confusão mental |
| Osteoartropatia hipertrófica | Adenocarcinoma | Dor nos ossos longos, baqueteamento digital e periostite na radiografia |
| Pancoast | Não pequenas células | Tumor de ápice com dor no ombro e no braço, Horner ipsilateral e erosão da 1ª e da 2ª costelas |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio da apostila, do achado na tomografia à escolha do tratamento.
Nódulo é a lesão arredondada de até 3 cm cercada por parênquima pulmonar; acima de 3 cm é massa, e massa é maligna até prova em contrário.
Idade, tabagismo e câncer prévio pesam do lado do paciente. No nódulo, bordas espiculadas, calcificação excêntrica ou pontilhada e componente misto sugerem malignidade; calcificação em pipoca é de hamartoma e dispensa biópsia. Vidro fosco puro que persiste tem maior taxa de malignidade do que o nódulo sólido.
Lesão periférica vai para biópsia percutânea guiada por TC, com risco de pneumotórax. Lesão central ou linfonodo vai para broncoscopia com EBUS. Na HIAE 2023 da apostila, o nódulo periférico sólido de 1,2 cm em tabagista de 75 anos tem como resposta biópsia percutânea.
TC de tórax e abdome superior com contraste para todos e PET-CT para o candidato a tratamento curativo. O PET não enxerga metástase cerebral pequena, então o cérebro é avaliado por ressonância; com PET-CT feito, a cintilografia óssea é desnecessária.
PET positivo no mediastino pode ser inflamação e exige biópsia antes da ressecção, por EBUS ou mediastinoscopia. Tumor central, tumor acima de 3 cm e suspeita de N1 também pedem estadiamento invasivo, mesmo com TC normal.
Não pequenas células nos estádios I e II vai para cirurgia, com lobectomia como padrão e SBRT para quem não pode operar. No estádio III irressecável, quimio e radioterapia; no IV, teste de EGFR e, se positivo, terapia-alvo. Pequenas células recebe quimio e radioterapia na doença limitada e quimioimunoterapia na extensa.
Perguntas frequentes
O adenocarcinoma, subtipo do câncer de não pequenas células; esse grupo inteiro responde por cerca de 85% dos casos. O adenocarcinoma é periférico, aparece em mulheres, jovens e não fumantes e é TTF-1 positivo. O pequenas células, ou oat cell, responde por cerca de 15% e é central e agressivo.
O nódulo pode ser achado num raio X ou numa tomografia pedidos por outro motivo, mas raio X de tórax e citologia de escarro não servem para rastreio: segundo a apostila, não reduzem a mortalidade. O único exame de rastreio é a TC de tórax de baixa dosagem, anual.
Como nódulo, lesão de até 3 cm, ou massa, acima disso. Sugerem malignidade bordas espiculadas (corona radiata), calcificação excêntrica ou pontilhada, cavitação de paredes grossas e o nódulo misto, sólido com vidro fosco, que a apostila chama de o pior de todos.
Depende da localização. O nódulo periférico é biopsiado por via percutânea guiada por TC, com risco de pneumotórax; o central, por broncoscopia, de preferência com EBUS, o broncoscópio com ultrassom na ponta. A biópsia cirúrgica fica como última opção.
Quando o paciente já tem sintomas, como tosse, hemoptise e perda de peso, a doença em geral está avançada, por isso o rastreio importa. Na prova, N2 volumoso ou N3 não vai para cirurgia, o tratamento é clínico, e metástase à distância, linfonodo supraclavicular e derrame pleural maligno são contraindicação absoluta.
No estádio IV o objetivo é paliação e aumento de sobrevida. Testa-se a mutação do EGFR: se positiva, terapia-alvo (TKI), como o osimertinib. Sem mutação, o PD-L1 alto permite imunoterapia isolada; nos demais, a combinação de quimioterapia e imunoterapia é o padrão.
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Clínica Médica
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Cirurgia Geral
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Medicina Preventiva
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Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
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Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

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