Zonas, estágios e doença plus da ROP pela ICROP 3, doença de limiar, rastreio e tratamento; genótipos, estágios I a V e cuidados cirúrgicos na retinopatia falciforme; doença de Eales, síndrome de Susac e IRVAN. Seis questões comentadas do CBO.
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Para que serve
As três seções do capítulo, com as classificações e as condutas que as questões da prova do CBO cobram.
Zonas I a III com notch, estágios 1 a 5 com 5A, 5B e 5C, pré-plus e doença agressiva pela ICROP 3; doença de limiar e pré-limiar, rastreio, laser, anti-VEGF e cirurgia. Questões CBO 2015 e CBO 2026.
Risco de retinopatia em AS, AC, SS, SC e S-beta-talassemia, salmon patch e black sunburst, estágios I a V com o sea fan e cuidados na cirurgia vitreorretiniana. Questões CBO 2017, 2021 e 2022.
Doença de Eales em homem jovem, com possível hipersensibilidade ao PPD, Susac com perda auditiva e alterações de SNC, IRVAN com macroaneurismas e neurorretinite. Questão CBO 2022 sobre Eales.
Sumário
Três seções na ordem do capítulo, cada uma fechada com questões comentadas do CBO: retinopatia da prematuridade, retinopatia falciforme e vasculites de retina.
Vasculite retiniana é a inflamação dos vasos da retina, que pode evoluir em estágios para isquemia, neovascularização e complicações hemorrágicas e tracionais. Entre as causas, a apostila cita Behçet, sarcoidose, uveíte intermediária, sífilis e retinites virais e detalha a doença de Eales, a síndrome de Susac e a IRVAN.
A doença de Eales é uma vasculite retiniana oclusiva primária. Acomete preferencialmente homens jovens, de 20 a 40 anos, em quadro bilateral de inflamação e oclusões vasculares periféricas, com predomínio venoso. Evolui com isquemia, neovascularização e hemorragias vítreas de repetição. Pode haver hipersensibilidade ao PPD, e postula-se relação com exposição prévia ao agente da tuberculose.
Na síndrome de Susac, múltiplas oclusões de ramos arteriolares retinianos se associam a perda auditiva e a alterações de SNC, como acidentes vasculares encefálicos. A causa é desconhecida, o quadro é mais comum em mulheres na terceira década e o tratamento usa corticoides e imunossupressores. A IRVAN, rara e de causa desconhecida, reúne vasculite, não-perfusão periférica, macroaneurismas e neurorretinite; a não-perfusão é tratada com panfotocoagulação, e o corticoide traz pouco benefício.
Fora das vasculites, a retinopatia falciforme é a outra doença oclusiva do capítulo: a falcização provoca oclusões arteriolares e capilares, ponto cobrado na questão CBO 2021. A forma não proliferativa mostra hemorragia intrarretiniana em salmon patch junto a uma área de oclusão arteriolar, corpos iridescentes de hemossiderina abaixo da MLI e black sunburst, com hipertrofia e hiperplasia do EPR. A oclusão de capilares parafoveais causa a maculopatia falciforme, mais comum na HbSS.
Neovascularização periférica com hemorragia vítrea aparece na doença de Eales e na retinopatia falciforme proliferativa. Na Eales, o acometimento é bilateral e predominantemente venoso, em homem jovem. Na falciforme, a neovascularização em sea fan nasce na junção entre retina vascularizada e avascular, é mais frequente na hemoglobinopatia SC e pode regredir por autoinfarto, virando o sea fan branco.
Comparativo
Os estágios de 1 a 5, a doença plus e a doença agressiva como a apostila descreve, com os conceitos trazidos pela 3ª edição da classificação internacional, publicada em 2021: estágios 5A, 5B e 5C, pré-plus e doença agressiva também fora do polo posterior. Zona e extensão em horas de relógio são registradas junto com o estágio.
| Estágio ou forma | O que se vê | Subdivisão e detalhe |
|---|---|---|
| Estágio 1 | Linha de demarcação plana, tortuosa e acinzentada | Separa a retina vascularizada da não vascularizada |
| Estágio 2 | A linha ganha altura e largura e forma uma crista | Sem neovasos; é a alternativa correta da questão CBO 2015 |
| Estágio 3 | Neovascularização na crista, que fica rosada | Hemorragias retinianas e vítreas podem ocorrer |
| Estágio 4 | Descolamento de retina parcial | 4A extrafoveal; 4B com envolvimento da fóvea |
| Estágio 5 | Descolamento de retina total, em funil, com leucocoria | 5A com disco óptico visível (funil aberto); 5B sem disco visível; 5C é o 5B com alteração de segmento anterior |
| Doença plus | Dilatação e tortuosidade dos vasos do polo posterior em pelo menos 2 quadrantes | Indica doença ativa em progressão; o pré-plus fica entre o normal e o plus |
| Doença agressiva (Rush) | Neovascularização rapidamente progressiva com doença plus | Não segue necessariamente os estágios; antes chamada agressiva-posterior, pode ocorrer mais na periferia |
Arraste a tabela para o lado.
Na prática
O raciocínio na ordem em que a apostila ensina: zona, estágio e conduta na ROP; genótipo, estágio e cirurgia na falciforme; e o padrão de cada vasculite.
Zona I é o círculo de 60 graus centrado no nervo óptico, com raio igual ao dobro da distância entre nervo óptico e fovéola. Zona II vai até a ora serrata nasal; zona III é o restante temporal. Com notch de pelo menos 1 hora em zona mais posterior, classifique pela zona do notch.
Linha de demarcação no estágio 1, crista no 2, neovasos na crista no 3, descolamento parcial no 4 e total, em funil, no 5. Doença plus é dilatação e tortuosidade dos vasos do polo posterior em pelo menos 2 quadrantes; a forma agressiva progride rápido e não segue necessariamente os estágios.
Limiar: estágio 3 com plus, zona I ou II, 5 horas contíguas ou 8 cumulativas. Pré-limiar tipo 1: zona I, qualquer estágio, com plus; zona I estágio 3 sem plus; zona II estágio 2 ou 3 com plus. Tipo 2: zona I estágio 1 ou 2 sem plus; zona II estágio 3 sem plus.
Limiar e pré-limiar tipo 1 recebem laser em até 72 horas; em zona I, estágio 3, com plus, o BEAT-ROP mostrou benefício do bevacizumabe sobre o laser. O tipo 2 é seguido em intervalos curtos. O 4A periférico pode ser observado; 4A ameaçando a mácula ou 4B pede introflexão escleral ou vitrectomia preservando o cristalino.
Retinopatia proliferativa ocorre em 33% dos casos de hemoglobinopatia SC, 14% na S-beta-talassemia e 3% na SS. Estadie de I a V: oclusão arteriolar periférica, anastomoses, sea fan, hemorragia vítrea e descolamento tracional. Fotocoagule as áreas isquêmicas com cautela: a regressão espontânea é comum após os 40 anos, e o laser intenso pode causar roturas.
A vitrectomia está indicada em hemorragia vítrea persistente, descolamentos tracionais, regmatogênicos ou mistos e membrana epirretiniana. Antes, transfusão sanguínea; durante e até 48 horas depois, oxigênio. PIO sob controle estrito, sem inibidores da anidrase carbônica nem anestesia local; na introflexão escleral, evite faixas de silicone largas e apertadas, pelo risco de isquemia do segmento anterior.
Oclusões periféricas predominantemente venosas, bilaterais, em homem jovem, com hemorragias vítreas de repetição apontam doença de Eales. Oclusões de ramos arteriolares com perda auditiva e alterações de SNC apontam síndrome de Susac. Não-perfusão periférica com macroaneurismas e neurorretinite aponta IRVAN, tratada com panfotocoagulação.
Perguntas frequentes
A vascularização da retina começa com 16 semanas de idade gestacional, do disco óptico para a periferia, e chega à periferia temporal com 40 semanas. Na primeira fase, até a 31ª semana, o aumento de oxigênio reduz VEGF e IGF-1, com obliteração capilar e shunts arteriovenosos. Na segunda, entre 31 e 34 semanas, a retina isquêmica produz VEGF e IGF-1 em excesso, e surgem neovasos no limite entre retina vascularizada e avascular.
As diretrizes da SBP, da SBOP e do CBO indicam rastrear os nascidos com idade gestacional de até 32 semanas, peso abaixo de 1.500 g ou fator de risco: síndrome do desconforto respiratório, sepse, transfusões, gestação múltipla ou hemorragia intraventricular. O primeiro exame é feito entre 4 e 6 semanas de vida e repetido a cada 1 a 2 semanas até a vascularização completa ou 45 semanas de idade corrigida, sem sinais de doença.
Doença de limiar e pré-limiar tipo 1 são tratadas com ablação da retina avascular, de preferência com laser por oftalmoscópio indireto em até 72 horas, com melhor prognóstico e menos complicações que a crioterapia. No BEAT-ROP, o bevacizumabe mostrou benefício sobre o laser em zona I, estágio 3, com plus. Após anti-VEGF há relatos de recorrência, em geral mais tardia, o que pede acompanhamento prolongado; após o tratamento ablativo, a recorrência é rara.
A hemoglobinopatia SC, com retinopatia proliferativa em 33% dos casos, seguida da S-beta-talassemia, com 14%. Na anemia falciforme homozigótica (SS), a taxa é de 3%: as complicações sistêmicas são maiores, e as retinianas, menos frequentes. Nos traços AS e AC, a retinopatia é incomum. A questão CBO 2017 da apostila cobra o tema, que se repetiu na prova de 2023.
São cinco: I, oclusão arteriolar periférica com áreas de não-perfusão; II, anastomoses arteriolovenulares periféricas; III, neovasos em sea fan na junção entre retina vascularizada e avascular; IV, hemorragia vítrea; V, descolamento de retina tracional. Na questão CBO 2022 da apostila, a imagem de sea fan corresponde ao estágio III, e a panfotocoagulação está indicada na maior parte dos casos de neovascularização.
Na doença de Eales pode haver hipersensibilidade ao antígeno tuberculínico (PPD), e postula-se relação com exposição prévia ao agente da tuberculose. Na questão CBO 2022 da apostila, o microrganismo associado à doença é o Mycobacterium tuberculosis, entre alternativas com Bartonella henselae, Toxoplasma gondii e vírus Epstein-Barr. O quadro é bilateral, com periflebite, isquemia, neovascularização e hemorragia vítrea, mais frequente em homens de 20 a 40 anos.
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Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma e Catarata pela USP. Doutorando do departamento de Oftalmologia da USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela USP. Especialista em Glaucoma, Uveíte e Retina Clínica/Cirúrgica pela USP. Doutor em Oftalmologia pela USP. Médico dos Departamentos de Oftalmologia da USP e UNIFESP.

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Especialista pelo CBO
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Especialista pelo CBO
Médica pela UFBA. Oftalmologista pela USP. Especialista em Plástica Ocular pela USP. Estudos no setor de Oculoplástica na Universidade de Wisconsin. Doutorado pela USP.

Especialista pelo CBO
Oftalmologista pela UNIFESP. 1º colocado geral na PNO 2024. Fellowship em Glaucoma e Catarata pela UNIFESP/EPM.
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