A nova nomenclatura de NAFLD para MASLD e a MetALD, o metabolismo do etanol, CAGE e a relação AST/ALT de 2:1, ultrassom, tomografia e elastografia, hepatite alcoólica com Maddrey, MELD e Lille, FIB-4, perda de peso, GLP-1, pioglitazona e resmetirom. Questões comentadas, entre elas UNICAMP 2021, FAMERP 2024 e HOS 2020.
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Para que serve
Da doença alcoólica à metabólica, com a nova nomenclatura e o que mais cai em prova de residência.
O diagnóstico de MASLD passou a ser de inclusão: esteatose mais pelo menos um fator cardiometabólico. A MetALD abriga quem tem esteatose com fator metabólico e bebe de 140 a 350 g por semana (mulheres) ou de 210 a 420 g (homens).
Maddrey ≥ 32 ou MELD > 20 definem a forma grave e indicam prednisolona 40 mg/dia por 28 dias. No 7º dia, Lille acima de 0,45 indica falha e manda suspender o corticoide.
UNICAMP 2021 sobre MASLD em paciente com IMC normal e cintura alta, FAMERP 2024 sobre a conduta inicial e HOS 2020 sobre histologia, biópsia, transplante e cirurgia bariátrica, com o comentário de cada alternativa.
Sumário
Da doença alcoólica à metabólica, na ordem em que a apostila ensina.
MASLD é a sigla de Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease, a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, nome que substituiu a NAFLD. O diagnóstico passou a ser de inclusão: esteatose hepática na imagem ou na biópsia mais pelo menos um fator de risco cardiometabólico, como sobrepeso ou obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, triglicérides altos ou HDL baixo.
A troca resolveu dois problemas do termo antigo, que definia a doença pelo que ela não era: o estigma da palavra alcoólica para quem nunca bebeu e o diagnóstico só por exclusão. A forma inflamatória, antes NASH, passou a se chamar MASH. Na prática, ainda é preciso descartar consumo pesado de álcool e outras causas, como hepatite C, doença de Wilson e drogas.
Quem tem fatores metabólicos e bebe de forma moderada entra na MetALD: 140 a 350 g de álcool por semana nas mulheres e 210 a 420 g nos homens. Acima disso, a doença é tratada como alcoólica predominante. Para fazer a conta, a apostila usa a dose padrão de 14 g, o equivalente a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado.
Na MASLD, a principal causa de morte é a doença cardiovascular; na doença alcoólica, a hipertensão portal costuma aparecer mais cedo e ser mais grave.
Comparativo
Perfil, laboratório, histologia e conduta lado a lado, segundo a apostila.
| Característica | Doença hepática alcoólica (ALD) | MASLD |
|---|---|---|
| Perfil do paciente | Etilista crônico ou pesado | Síndrome metabólica: obesidade, DM2, dislipidemia e hipertensão |
| Padrão enzimático | AST > ALT, relação ≥ 2:1, com GGT muito elevada | ALT > AST na maioria; ferritina pode estar alta |
| Histologia | Corpúsculos de Mallory-Denk e infiltrado de neutrófilos | Esteatose macrovesicular e infiltrado mononuclear, na MASH |
| Principal causa de morte | Doença hepática: cirrose e falência | Doença cardiovascular: IAM e AVC |
| Escores | Maddrey, MELD e Lille no 7º dia | FIB-4 e NAFLD Fibrosis Score |
| Tratamento | Abstinência, nutrição e corticoide se grave | Perda de peso com dieta e exercício, mais controle metabólico |
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Na prática
O raciocínio da apostila, do fígado gorduroso no laudo à escolha do tratamento.
O paciente costuma minimizar o consumo ou parar dias antes da consulta. Pergunte pelo padrão antes de adoecer e converta em gramas: o risco hepatotóxico começa acima de 30 a 40 g/dia no homem e 20 a 30 g/dia na mulher. No CAGE, duas ou mais respostas positivas indicam alta suspeita de abuso.
No álcool, as transaminases sobem pouco, em geral abaixo de 400 a 500 U/L, com AST em geral o dobro da ALT ou mais, GGT alta e macrocitose. Na MASLD, a ALT tende a superar a AST. O fosfatidiletanol (PEth) confirma consumo recente quando o paciente nega.
No ultrassom, o fígado fica hiperecogênico em relação ao córtex renal, mas o exame não enxerga esteatose leve, abaixo de 20% a 30%. Na tomografia sem contraste, a atenuação fica abaixo de 40 UH ou mais de 10 UH abaixo da do baço.
FIB-4 abaixo de 1,3 é baixo risco e segue na atenção primária; a partir de 1,3, vá para a elastografia. Abaixo de 8 kPa o risco é baixo, entre 8 e 12 é zona cinzenta e acima de 12 a 15 sugere fibrose avançada ou cirrose. Não faça elastografia na hepatite alcoólica aguda: a inflamação eleva a rigidez.
Maddrey ≥ 32 ou MELD > 20 definem a forma grave. O tratamento é abstinência, nutrição e prednisolona 40 mg/dia por 28 dias, ou metilprednisolona 32 mg/dia por via venosa. No 7º dia, Lille acima de 0,45 indica falha, e o corticoide é suspenso.
Perder 3% a 5% do peso reduz a esteatose, 5% a 7% reduz a inflamação e 7% a 10% faz a fibrose regredir. Remédio fica para fibrose ≥ F2, MASH comprovada ou alto risco cardiovascular: GLP-1 no obeso ou diabético, pioglitazona, vitamina E só no não diabético e resmetirom na fibrose F2 ou F3. Metformina não trata a doença hepática.
Perguntas frequentes
A MASLD é o espectro da gordura no fígado associada à disfunção metabólica; a MASH é a forma inflamatória, a esteato-hepatite antes chamada de NASH. Para virar MASH, é preciso um segundo golpe de lipotoxicidade: estresse oxidativo, balonização e morte dos hepatócitos, ativação das células de Kupffer e, pelas células estreladas, deposição de colágeno. Na biópsia, a MASH também pode ter corpúsculos de Mallory-Denk.
O nome antigo definia a doença por exclusão de álcool e mantinha a palavra alcoólica para quem nunca bebeu. AASLD, EASL e ALEH adotaram a sigla MASLD, com critério positivo: esteatose mais pelo menos um fator metabólico. NASH virou MASH, e a categoria MetALD passou a abrigar quem tem fatores metabólicos e bebe de forma moderada.
O corticoide, única classe que reduz a mortalidade aguda: prednisolona 40 mg/dia por 28 dias, ou metilprednisolona 32 mg/dia se a via oral não for possível. A prednisona é evitada porque precisa ser ativada pelo fígado doente. No 7º dia, Lille acima de 0,45 indica falha, e o corticoide é suspenso porque o risco de infecção supera o benefício.
A resistência à insulina é o ponto de partida da MASLD. O tecido adiposo deixa de obedecer à insulina e libera ácidos graxos livres em excesso, enquanto o fígado, que segue respondendo à hiperinsulinemia, passa a produzir gordura por lipogênese. Na prova, HOMA-IR acima de 2,7 (ou 2,5) e acantose nigricans são as pistas de resistência insulínica.
O ultrassom é o exame de entrada: o fígado com gordura fica hiperecogênico em relação ao córtex do rim direito, mas o método é cego para esteatose abaixo de 20% a 30%. Na tomografia sem contraste, o fígado esteatótico fica hipodenso, com atenuação abaixo de 40 UH ou mais de 10 UH abaixo do baço. A fibrose é estadiada pela elastografia, em kPa.
Em um grupo restrito: 800 UI/dia para pacientes não diabéticos com MASH comprovada. Há dados conflitantes sobre mortalidade geral e câncer de próstata a longo prazo, e a apostila a trata como opção em desuso frente às novas terapias. No paciente obeso ou diabético com MASLD, a droga de escolha é o agonista de GLP-1, como a semaglutida.
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Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Clínica Médica: USP-SP, USP-RP, UNIFESP, UNICAMP e IAMSPE. Hematologista subespecializado em transplante de medula pela USP-SP.

Clínica Médica
Médico pela Universidade Federal de Minas Gerais. Aprovado em Anestesiologia: PSU-MG. Anestesiologista pelo HC-UFMG, Semper e Unimed.

Clínica Médica
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Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela PUC-SP. Aprovado em Cirurgia Geral: HIAE. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Cirurgia Geral
Médico pela Universidade Federal do Goiás. Aprovado em Cirurgia Geral: ENARE, HIAE, UNIFESP, UNICAMP, HBDF. Residente de Cirurgia Geral no HIAE.

Pediatria
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Pediatria
Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Aprovada em Pediatria: USP-SP e ISCMSP. Pediatra pela USP-SP.

Pediatria
Médico pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Aprovado em Pediatria: HC-UFMG, CGP, ISCM-BH. Pediatra pela Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte.

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Médica pela Universidade Católica de Brasília. Aprovada em Ginecologia e Obstetrícia: HUB e HMIB. Ginecologista e Obstetra pelo HUB e fellow em reprodução humana USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela UNIFESP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Medicina Preventiva
Médica pela USP-SP. Aprovada em Medicina Preventiva: USP-SP. Médica especializada em Medicina Preventiva pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal do Maranhão. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, SUS-SP, UERJ e HCPA. Oftalmologista pela USP-SP.

Oftalmologia
Médico pela Universidade Federal da Paraíba. Aprovado em Oftalmologia: USP-SP, USP-RP, IAMSPE, UFPB e SES-PE. Oftalmologista subespecializado em retina e catarata pela USP-SP.

Ortopedia
Médico pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Aprovado em Ortopedia: HIAE, UNESP, UNIFESP, INTO. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.

Ortopedia
Médico pela Universidade do Estado do Pará. Aprovado em Ortopedia: USP-SP, HIAE, SUS-SP, ISCM-SP, UFPR e UEPA. Ortopedista e Especialista em Ombro e Cotovelo pelo HIAE.
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